Road trip de Julho – Parte 3 – Nice e Itália

20 e 21/07/2017

Saímos da região do Gorges du Verdon na direção de Nice, onde chegamos poucas horas depois. A estrada ali vai se afastando lentamente da região mais escarpada do parque e os vales se alargam conforme nos aproximamos do litoral. Essa parte da estrada só eu vi, porque saímos bem cedo e neste momento todas as passageiras dormiam profundamente! Eu faria isso também se pudesse… Chegamos em Nice no começo da manhã e rodamos um pouco a avenida junto ao mar antes de encontrar um lugar para estacionar. Passamos somente uma hora na cidade, que as meninas aproveitaram para nadar no mar e a Ju e eu utilizamos para subir em uma encosta com um mirante no topo. A vista da cidade lá de cima é bastante privilegiada, sendo possível ver toda a costa e boa parte da cidade. Também vimos o mar do alto, o que garantiu a certeza da limpidez da água, que mesmo nos trechos mais profundos ainda era possível enxergar as rochas ao fundo.

De Nice seguimos para Gênova, atravessando a fronteira. A estrada italiana era composta de pontes e túneis em sucessão, já que a região é muito acidentada, sendo o ponto de encontro dos Alpes com o mar Mediterrâneo. Com somente duas pistas e uma profusão de carros de luxo acelerando (passamos do lado de Mônaco, mas nem sequer tentamos entrar!) e caminhões obstruindo a passagem, essa estrada foi um tanto desafiadora e estressante. Mas mais estressante ainda foi chegar em Gênova e perceber que se os pedágios franceses são caros e numerosos, os da Itália os superam bastante… O primeiro pedágio nos custou coisa de 18 euros para um trecho de não mais de 3 horas.

Um grande amigo meu depois da viagem me disse que tinha adorado Gênova, e eu não duvido da experiência dele. Mas certamente tivemos outra. Paramos o carro no centro velho e pagamos outra hora de estacionamento e então fomos andar um pouco. A cidade de começo já tinha assustado pela desorganização do trânsito e pelo descuido. As fachadas todas da cidade estavam despedaçadas e a sujeira predominava. Os becos da cidade fazem com que o centro de São Paulo pareça uma maravilha. Uma crosta preta se alastrava pelas calçadas e paredes. Caminhamos novamente morro acima, por vielas malcuidadas, até chegarmos em um ponto que parecia mais bem tratado. De lá de cima, a vista da cidade não decepciona, mas a única maneira de parecer bonito é visto assim de longe mesmo. Talvez eu e meu amigo tenhamos visto partes ou momentos diferentes da cidade, imagino eu.

O plano ao sair de Gênova nos levaria até La Spezzia, onde contornaríamos a estrada e chegaríamos a Riomaggiore. Por conta dos pedágios, decidimos seguir pela estrada costeira e gratuita, aproveitando para ver outras vilas da famosa Cinque Terre. De começo já percebemos que teríamos problema ao longo de toda a viagem na Itália com as estradas, pois ou elas são pesadamente pedagiadas (preços que chegam a ser proibitivos!) ou são muitíssimo mal sinalizadas. Talvez isso seja para não destruir a tradição italiana de parar e perguntar, mas fato é que tivemos muita dificuldade para nos localizar em todos os percursos. A de Cinque Terre não foi diferente. E no caso, além de mal sinalizada, era terrivelmente conservada, com o capim em volta invadindo a pista em boa parte do percurso, isso no auge do verão e do turismo.

Descemos a encosta até a primeira cidade, onde não encontramos lugar para estacionar. A cidade estava cheia de carros de luxo, jovens vestidos na última moda e uma multidão de turistas. Não vamos reclamar muito, afinal também estávamos turistando, mas certamente seria preciso um controle mais rígido para a quantidade de pessoas para a região. Viramos o carro e seguimos viagem, dessa vez sem parar até chegarmos em Riomaggiore. Lá tivemos que esperar até o estacionamento local livrar uma vaga. Então seguimos a pé, descendo até onde a vila encontra o mar.

Eu não teria nada para reclamar caso fosse uma vila de pescadores no original, mas a cidade, mesmo recebendo hordas de turistas, não conta nem um pouco com alguma política de preservação. As casas todas estão despedaçando, um cenário que seria mais compatível com o abandono total, enquanto uma profusão de restaurantes completamente desvencilhados da cultura local se propagam. Achar um lugar para apreciar a paisagem junto ao mar é bastante difícil também, dada a movimentação. Aqui se misturam jovens mochileiros com jovens playboys, o que cada um dos grupos buscam eu não sei. Eu pensaria que o primeiro grupo procuraria autenticidade e tranquilidade, enquanto o segundo procuraria estética e luxo. Infelizmente, não encontrei nada disso ali. Riomaggiore provou pra mim o poder que a propaganda tem, atraindo tantas pessoas e fazendo-as se sentir simpáticas a um local que a meu ver não possui nenhum encanto. Melhor teria sido visitar Trindade ou Paraty, no Rio de Janeiro, que mesmo muito cheias no verão ainda preservam alguma autenticidade, além de serem mais bonitas e mais baratas!

Depois de Riomaggiore atravessamos La Spezzia, onde descobrimos que a gasolina mais barata da Itália custa 40% a mais que a média da Espanha, o que nos causou mais um aperto no coração. Dali pegamos uma estrada de montanha até nosso camping, próximo de Lucca, cidade que visitamos no dia seguinte. No camping chegamos tarde e saímos cedo, coisa que se tornaria corriqueira na viagem, portanto não vou emitir opinião sobre ele, pois seria injusto. Dali seguimos descendo uma serra que terminou por chegar em Lucca.

Lucca era uma cidade que eu já conhecia, mas que não vi nenhum problema em passar de novo. Acho que é um lugar agradável e simpático, apesar de estar desprovido da mesma fama que outros locais próximos ou de alguma beleza realmente excepcional. Paramos o carro perto da cidade murada e saímos para andar. Fizemos uma volta grande, vendo diversas catedrais em estilos diferentes e passamos pelo passeio que fica sobre as muralhas, esse último sendo o local que mais me agrada na cidade, por sua tranquilidade e pela vista privilegiada. Me chateou um pouco uma coisa que eu não lembrava em Lucca, que foi a quantidade absurda de lojas internacionais que se posicionaram no principal roteiro do centro velho. Não sei se já estavam lá quando visitei a primeira vez ou se eu que não tinha percebido, mas eu me incomodo com essa situação, que desloca os comerciantes locais e faz com que todas as cidades turísticas do mundo tenham a mesmíssima cara… Ainda assim, foi um momento agradável do dia. Seguimos de Lucca para Pisa.

Em Pisa passamos rapidamente, e sinceramente não acho que há outra maneira de passar por ali. A verdade é que a cidade de Pisa tem muito pouco a oferecer além da torre. Para quem está viajando como nós costumamos fazer, e portanto se abstém de visitar os museus e subir a tal torre, é possível completar a visita à cidade em cinco minutos. Pode-se dizer que perdemos muito não visitando esses locais, mas a verdade é que os museus eclesiásticos pelo mundo todo são bem, bem parecidos (para quem não sabe há uma imensa catedral junto à torre), e duvido muito que dentro da torre haja algo que possa valer a visita, considerando o quanto devem cobrar uma entrada em um ponto tão turístico assim. A torre, vista de fora, é até bem trabalhada, mas sua inclinação não é por motivos propositais, fossem eles de origem científica, estética ou qualquer outro (como aqui concedo algum mérito para a Torre Eiffel, que eu acho horrível, mas tinha um propósito técnico). A torre inclinou porque foi mal construída mesmo, e por algum motivo isso ficou famoso. O resultado disso é uma cidade em que se entra, tira-se uma foto e vai-se embora sem perder nada de mais.

Passada Pisa, fomos para Florença, essa sim uma cidade que merece o renome que tem. Claro, o erro foi visitá-la no verão, e por isso tivemos que nos acotovelar com grupos imensos de pessoas e máquinas fotográficas somente para poder passar no Uffizi, sem ter sequer chance de visitar por dentro. Mas Florença é uma cidade bem cuidada e preservada, de importância real na história da humanidade, com locais realmente interessantes para visitar, menos a Ponte Vecchio, que é meio sem graça e bem cheia. De qualquer jeito, essa é uma cidade que eu gostaria de ter mais tempo para explorar e conhecer em momentos mais tranquilos, mesmo sendo a segunda vez que a visitei. Acho realmente que apesar de os preços de museus aqui provavelmente serem absurdos, o que há para ver e aprender na cidade compensaria tal gasto.

Neste ponto nós nos despedimos da Clara e da Pietra, que seguiram sentido Roma de ônibus, enquanto nós fomos sentido Veneza. Seguimos por estradas vicinais, e gastamos um bom tempo cortando um caminho de montanha, através dos Apeninos, por pequenas vilas. Esse talvez tenha sido um dos meus trechos favoritos na Itália, por que pudemos ver locais que não foram feitos para turistas, com as pessoas se reunindo nos bares no final da tarde para conversar e tudo mais. Paramos para pedir informação e comprar comida e fomos recebidos com a típica cortesia grosseira italiana, uma outra vantagem desses locais que ninguém visita. Chegamos bastante tarde ao nosso camping, muito próximo de Veneza, e diferente dos campings de montanha que tínhamos frequentado até ali, pudemos sentir o calor sufocante do verão italiano…

Continuarei a descrição da viagem em um quarto post, começando com Veneza e seguindo até Rocamadour, mas por enquanto gostaria de explicar algumas coisas. Esse post deixa um pouco evidente o quanto eu fiquei insatisfeito com a Itália, e devo dizer que a Ju compartilha a minha sensação. Claro, para quem não viajou muito, ou é bastante influenciado pela propaganda, a Itália pode ser encantadora, visto os diversos filmes, livros e capas de revistas turísticas que se ambientam no local que visitamos (Sob o sol de Toscana; Comer, rezar, amar; Cartas para Julieta; Todos dizem eu te amo et cetera). Mas tanto eu como a Ju somos viajantes experientes e podemos garantir que há coisas muito melhores esperando para serem visitadas, por preços mais acessíveis e menos disputadas também. E para provar isso, no próximo post eu colocarei também uma lista de locais que nós conhecemos e que podem substituir os locais que visitamos na Itália, com a mesma qualidade ou até superior!

 

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Nice (França)

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Nice (França)

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Galleria Giuseppe Garibaldi, Gênova (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Lucca (Itália)

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Lucca (Itália)

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Pisa (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

Saúde

Há uns tempos atrás uma amiga muito querida me pediu/sugeriu escrever um post sobre saúde. No começo resisti muito, pois não sou nada da área de saúde e não posso ficar dando conselhos sobre isso por aí. Mas depois reli a sugestão dela e me veio na cabeça escrever sobre o que sempre escrevo: sobre mim! Sobre minha experiência, minha história, meu diário.

Vou contar um pouquinho do meu histórico aqui: nasci prematura, de 7 meses, pesando pouquíssimo mais de 1kg, para o desespero da minha mãe. Mas não tive nenhuma sequela. Na verdade, menos de 12h depois do meu nascimento, já não precisava de nenhum cuidado especial, nem os que normalmente crianças de 9 meses precisam. Mas não conseguia me alimentar. Fui alimentada por sonda por 45 dias, com leite materno, da minha mãe e de muitas mães de leite que eu tive!

Esse fato poderia ser irrelevante não fosse o detalhe que ele provocou na minha mãe e na minha avó: as obsessões alimentares. Ambas sofriam de anorexia, não diagnosticada, mas bastante óbvia se acompanhada de perto. Acho que quando eu nasci ainda não sofriam, ou não estavam em período de crise, mas ambas tinham problemas com depressão, ansiedade, minha mãe teve em diversas ocasiões crises de pânico, e no final da vida de ambas a anorexia se tornou evidente.

Desde sempre lembro de minha avó fazer comentários um tanto quanto maldosos sobre o peso, dela, meu, de primas, da minha mãe, e outras pessoas. Então creio que mesmo que não estivessem sofrendo com o baixo peso excessivo naquele momento, o tópico dos transtornos alimentares sempre esteve ali, rondando, sabe?! Mas o fato de eu ter nascido prematura e muito pequena teve um efeito, positivo ou negativo é discutível, e ambas me empanturraram de comida na infância: óleo de fígado de bacalhau, Biotônico Fontoura com sementes de sucupira mergulhadas, pernas de rã (que eu não gostava), rins (sempre odiei), foram uma infinidade de suplementos famosos na época que fizeram parte da minha dieta.

Resultado: aos 8 anos deixei de ser a menininha magrela que tinha sido até então e entrei numa fase mais cheinha, que demorou pra acabar, e que se de um lado me superalimentavam, de outro faziam os comentários ácidos sobre peso e aparência, e isso gerou uma pré-adolescência bastante sofrida em termos de auto-imagem corporal. Isso vem, pra mim, do lado negativo.

Do lado positivo, vem a combinação de uma mãe hippie e uma avó criada em fazenda. Sempre comemos tudo feito em casa, com muuuuuita fruta, pomar em casa, horta, muita verdura, muita planta. A sobremesa de segunda a sexta era fruta. Durante as refeições só água. Sucos como lanche da manhã ou tarde. Nada industrializado. Nos fins de semana, às vezes um refrigerante ou uma sobremesa feita de chocolate, leite condensado, essas coisas, mas eram eventualidades. Nunca me foram proibidos, mas foram desencorajados. Até porque, lá em casa, o que era visto como relíquia, tesouro, algo a ser desejado, era uma boa goiabada com queijo de fazenda, doce de fruta em calda, pudim de leite, ou ambrosia goiana (a versão da família da minha avó, o famoso “doce de ovos”, era muito melhor que qualquer ambrosia que já tenha comido fora de casa!).

Com minha mãe veio o hábito das vitaminas, abacate, castanhas do pará (ou do Brasil, como tem sido chamadas), leite de soja. Além da babosa no cabelo, cultivada em casa (o famoso aloe vera), o creme de abacate no cabelo, o chá de camomila no meu cabelo loiro da infância, o óleo de uva na pele, e essas coisas que hoje em dia estão sendo consideradas o máximo em termos de produtos de beleza orgânicos e naturais, e que na minha infância eram apenas os reflexos hippies de quem acreditava num mundo mais natural e ao mesmo tempo não tinha grana pros produtos industrializados. Aliás, minha mãe ficaria entre o irônica e furiosa com os preços cobrados hoje em dia por uma vitamina de abacate ou um xampu de aloe vera.

Mas essa mistura me fez crescer num ambiente que foi marcado por uma alimentação saudável, em sua maior parte, e por pessoas que evitavam correr para os remédios convencionais. Minhas dores de ouvido eram tratadas com compressa de farinha de mandioca, e a dor de garganta com chá de gengibre, cravo e canela que dava suadouro. A tosse do inverno com café com uma colherinha de manteiga e mil outras crendices, que sem entrar na discussão de se funcionavam ou não, se são respaldadas pela medicina atual ou não, de fato, fizeram com que eu crescesse bem, saudável, com peso e altura sempre muito elogiados pelos pediatras e sem me entupir de remédios. Aliás, remédios eram vistos como última instância, e mesmo assim, na maioria dos casos, homeopáticos.

Eu cresci então com essa visão, mas só anos depois, e bem recentemente, percebi o impacto real dela em mim. Até hoje tenho mania de tentar resolver e definir tudo pela alimentação e hábitos relativos ao sono, controle do estress, cansaço, etc.

Em outros pontos a criação não ajudou muito. Embora meu avô tenha insistido que aprender a nadar era uma questão de sobrevivência, e antes dos 2 anos eu já nadasse sozinha e sem boias, numa piscina que não dava pé, e tenha feito natação até os 18, a prática de atividade física regular não era uma coisa vista como essencial. E demorei muito pra encontrar um jeito de manter o corpo em movimento na vida adulta que eu gostasse. Sempre odiei os esportes competitivos. É uma visão bem pessoal.

Mas o resumo é que nunca fumei, muitos em minha família fumaram e eu odiava com todas as minhas forças. Bebi muito pouco, em uma breve fase que logo abandonei, e agora já completo anos sem álcool. Nunca, Jurema? Nunca, nem uma tacinha, nem às vezes. Não!

Então, para falar de saúde, primeiro tenho que deixar isso claro. Nunca usei aparelhos dentários, nunca tive cáries, nunca fiz cirurgias, nunca fumei, não bebo uma gota há anos, não uso drogas e entorpecentes de nenhum tipo, cresci com uma alimentação bem saudável, que vem se tornando cada vez mais. Não como carnes de nenhum tipo há anos também. Sempre bebi muuuuuuita água, e chás!

Com meu marido, aprendi que o chá muito quente pode fazer mal ao estômago, por danificar aos poucos a mucosa, com o líquido muito quente. Fui pesquisar e descobri que é por isso que as xícaras de chá orientais não possuem local para segurar afastado do copo. Se estiver muito quente para segurar com a mão cheia, não deve ser ingerido, e passei a adotar a técnica. Só bebo o chá quando consigo segurar a xícara com ambas as mãos por pelo menos um minuto sem sentir incômodo.

Sempre que me sinto mal, o que não é frequente, analiso bem minha situação emocional, as mudanças de vida, a alimentação, e tento trabalhar isso antes de recorrer a remédios. Aprendi com o tempo os efeitos que o clima tem em mim, não lido bem com o calor forte, especialmente o mais úmido, tenho respeitado mais minha digestão, e meu corpo, meus horários naturais de sono, de ir ao banheiro, etc.

Algumas coisas e pessoas foram e são fundamentais nos meus processos de auto-conhecimento e saúde. Um dos que mudou minha vida foi um nutricionista, de Brasília, que me ajudou na transição para o vegetarianismo, e também me ajudou muuuuuito com auto-conhecimento. Foi uma das pessoas que mudou minha vida. Outra foi uma médica homeopata em São Paulo, a única que resolveu depois de 17 anos, meu problema com cólicas menstruais. Dos 12 aos 29 sofri horrores com cólicas, com mil histórias tensas, de ter que ir da escola para o hospital, de tomar superdose de medicamentos para cólica, enfim, sofrimentos variados, e infelizmente, considerados normais, por muitas mulheres. Há 2 anos e meio não sinto mais cólicas debilitantes, minha menstruação não é mais um período temido e sofrido, e embora às vezes ainda tenha cólicas leves, aprendi como resolvê-las e aprendi a me respeitar nesse período, me recolhendo mais, e respeitando minhas necessidades de descanso e paz!

Outra coisa que mudou minha vida e minha relação com meu corpo foi o Método DeRose! Pratico desde 2014 e cada vez aprendo mais, gosto mais, descubro mais. Ainda falta muito nessa jornada, mas nem consigo enumerar aqui tudo que ele me trouxe de bom, não só em termos de saúde, mas de autoconfiança, desenvoltura, e muitas, mas muitas ferramentas, pra lidar com o dia-a-dia, com minhas emoções, com a vida em geral.

Eu não sei se consegui, com esse post, responder pra minha amiga Nay como cuido da minha saúde, mas é isso aí. E sinto que ainda tenho tanto pra mudar, tanto pra aprender! Cada mês é uma nova descoberta sobre como lidar comigo mesma e com os outros. E me sinto cada vez melhor!

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

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Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

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Templo de Diana/Atemis em Nimes.

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Parque em Nimes.

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Torre romana em Nimes.

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Templo em Nimes.

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Catedral em Nimes.

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Arena de Nimes.

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Aqueduto de Pont du Gard.

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Avignon

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Verão

{*texto escrito em 01/07/17 }

Saí para passear com o cachorro. São 20h30 da noite. Ou melhor, da tarde. O sol não se põe antes das 21h30, 22h e não ficará totalmente escuro antes das 22h30 quase 23h. A saída nesse horário é para tentar evitar o calor mais forte. Andamos até o parque, e eu sinto o cheiro da areia, que outros animais domésticos usam de banheiro. Veja bem, o parque é limpo, existe uma norma passível de multa para que os dejetos sólidos animais sejam recolhidos, que na maioria das vezes é cumprido. Mas o dia está quente, e quando o Picot rasga nacos de grama com as patas traseiras eu sinto o cheiro dela, misturado a tudo isso.

Dali vamos até a beira do rio. O sol já está bem inclinado e bate exatamente na linha dos meus olhos. Apesar dos óculos de sol bem escuros, sinto aquele franzido da testa, e em momentos fico cega com o excesso de luz, até fazer uma curva e conseguir voltar a enxergar. Passamos ao largo de um pequeno pasto, e todos os cheiros são encobertos pelo que emana dali. Começo a perceber a quantidade de insetos no ar. Eles batem nas lentes dos óculos, e preciso me abanar com frequência!

Chegamos enfim a beira do rio e percebo um distinto cheiro de peixe. Não de peixe morto, de carnes. Sim o cheiro de peixe vivo, cheiro de água onde vivem peixes e patos. Água fresca, corrente. Mas é obviamente verão e o cheiro do rio está ali, pairando no ar.

Quantas vezes não caminhei nessa beira de rio no inverno e nunca percebi nenhum cheiro de suas águas? O inverno, nesse sentido, é estéril. As águas são cristalinas, geladas, mais puras, e com menos vida. O ar no inverno é claro, e vejo distante. Os dias podem ser de sol, mas ele dificilmente esquenta de fato, e é possível caminhar sob ele por horas, sem sentir cansaço, calor ou fadiga excessiva. Eu gosto da esterilidade do inverno. Me dá a sensação de estar numa fotografia, ou num filme, onde a paisagem e eu, por mais que possamos interagir, nos mantemos como em dois planos. A neve brilha sob o sol como glitter, purpurina.

Essa semana me perguntei se precisava trocar o grau dos óculos. Sinto o mundo mais borrado. Talvez precise mesmo, mas me ocorreu hoje, ao andar na beira do rio, como o ar está mais denso. A cortina de insetos parece ser o próprio verão se materializando no ar, condensando de tão cheio, viscoso, excesso de vida. Vida até demais.

O verão daqui, por dividir o ano com outras três estações, parece mais intenso. Parece requerer que seus meses sejam só seus e que ninguém se esqueça disso. No Brasil, em especial em Brasília, onde só existe seca e chuva, o verão parece eterno. Eu sei, existem as frente frias, mas elas são raras e duram pouco, e ele parece se espichar pelo ano, como um chiclete sendo puxado e afinando. A parte presa entre os dedos, a mais grossa, são os meses de verão por direito, mas o verão de fato ocupa todo aquele fio repuxado. E assim, esticado, o sol é mais alto, a luz é mais branca, e as pessoas parecem aceitar que o verão, estando sempre ali, não precisa se mostrar o tempo todo.

Aqui o sol, isso tanto no verão quanto no inverno, parece nunca estar a pino. Sempre ali, próximo da linha dos olhos, me fazendo repuxar o cenho. Mais amarelo no verão, como se disse, “olha só essa cor, eu sou o verão!” Como se fosse um verão atuando como verão numa peça de teatro. As pessoas saem de casa, as banquinhas de sorvete de multiplicam pelo passeio da cidade e eu fico me perguntando, “onde vocês estavam?”. A sensação que tenho é que aqui as pessoas migram como andorinhas.

As roupas mudam muito de uma estação para outra, e não adianta insistir, as botas de verão serão inúteis no inverno e vice-versa. Me acostumar com a necessidade de momentos tão distintos é uma novidade às vezes custosa. As calças de inverno não servem pra primavera e as de primavera não servem no verão. As pessoas subitamente estão todas de vestidos esvoaçantes, shorts coloridos, camisas de mangas curtas em tecidos translúcidos. Riem nas ruas, falam alto, e os restaurantes não fecham antes das 2h da manhã.

Quando o calor é tamanho, deixo para sair com o Picot ainda mais tarde, às 23h, meia-noite, encontro senhores e senhoras de avançada idade, sentados ao redor da fonte do passeio, se abanando com folhas do jornal do dia, ou leques, e papeando. Próximo dos bares, todos com as mesas colocadas para fora, nas calçadas, o barulho é alto, e famílias inteiras se estendem pela calçada, comendo, bebendo, existindo.

Ao cruzar uma dessas calçadas, duas irmãs, vestidas igualmente e armadas com pistola d’água me atingem no fogo cruzado. Ouço em parte, em catalão, o pai fazer meias desculpas enquanto insiste que nesse calor é melhor assim. Sorrio e passo. A água não incomoda, de fato é bem-vinda. O que me incomoda é o calor que não vai embora. É voltar para casa e perceber como dentro está mais quente ainda do que fora. É ficar parada ao lado da porta da sacada, escancarada e perceber que a leve brisa, um pouco mais fresca, que sopra lá fora não entra, como se negasse meus convites e apelos.

Vou até a geladeira e pego um picolé. Sento na sacada, no chão, de pernas cruzadas, ao lado do Picot e observo essa cidade cheia de vida. Vida até demais. É quase impossível dormir antes das 3h da manhã, com o barulho das pessoas na Taverna em baixo, que mesmo depois de fechada, ficam pela praça, terminando a conversa. Lembro que no inverno, a cidade parecia uma cidade fantasma. Como é estranho pra mim, quase alienígena, observar esse movimento entre estações. Como é curioso perceber como o ser humano se acostuma e se adapta.

Termino o picolé. Jogo palito e embalagem em seus respectivos lixos. Aqui tudo é reciclado. Decido que um banho antes de deitar vai me ajudar a dormir, apesar do calor. Lembro que na primavera os campos ficaram floridos, e que agora tudo começa a apodrecer, nesse excesso de vida. Ainda não sei como será o outono. Mas posso dizer que as 4 estações até agora foram assim, um inverno muito estéril, e muito bonito. Uma primavera de desenho animado, com campos floridos e cheia de vida e partos, milhares de animais com filhotes. Manhãs e noites frescas e dias muito quentes. E o verão é assim: um excesso! Muito tudo. Muita vida. Muitos cheiros. Muitas cores. Muito sol. Até demais!

Ariège (Parte II)

No segundo dia nosso grupo se viu reduzido, já que o Picot não tinha permissão para entrar em algumas cavernas. Felizmente a moça que nos hospedou era muito amistosa com os cães e ele ficou muito bem cuidado! Seguimos direto para Mas d’Azil, onde uma caverna de proporções absurdas serve também como túnel para acessar a vila! O complexo dessa caverna é usado desde sempre, mas alguns trechos mais isolados só foram explorados nos últimos 150 anos aproximadamente. Então é possível atravessá-la de carro, mas também entrar em uma área de exposição com um berçário de morcegos, crânios de ursos das cavernas e depósitos de ossos de rena caçadas por grupos de humanos que viveram ali uns 12.000 anos atrás!

Nessa caverna eles fizeram também um incrível jogo de luzes junto com o Réquiem de Mozart, dando um tom bem artístico para esse local. A visita certamente vale muito a pena, apesar de ser a mais isolada das cavernas que visitamos. O guia, que havia começado naquele mesmo dia, se esforçou para explicar algumas coisas em castelhano. Ele também parecia bem empolgado com o trabalho de temporada (no verão as visitas bombam!)! Fomos ao museu na vila de Mas d’Azil, mas este local é bem pequeno e com poucos artefatos. Ainda assim, o preço também é incluído na visita a caverna e não custa nada ir dar uma olhada nas miçangas mais antigas que eu já vi! Também tem algumas agulhas de ossos e eu fiquei bastante impressionado em como os humanos pré históricos eram de humanas…

Demos a volta no departamento de Ariège para pegar o tour das 13h30 na Grotte de Niaux, certamente a mais famosa de todas as cavernas. Aqui a visita é toda diferente. As proibições de não encostar em nada são as mesmas, mas a ênfase é consistentemente mais forte. Também possuem um tour por dia em inglês (não mais para não mimar os turistas!) e uma estética de visita que dá a sensação de exploração real, com lanternas para todos os visitantes e disciplina quase militar na hora de caminhar. Tudo isso é justificado pela raridade que se encontra lá dentro: Pinturas rupestres!

Uma abertura artificial foi feita nessa gruta, pois a original é muito estreita e de difícil acesso. Mas depois de um entrada semelhante a de um bunker, a caverna fica toda natural e muito, muito escura. Diferente da primeira que visitamos, essa possuía algumas estalactites, já que na primeira a água não infiltrava e nessa sim. Niaux também faz um corredor relativamente estreito, baixo e longo, quando comparada a Mas d’Azil. Depois de 800m de caminhada, com direito a passagens espremidas por sob pedras desabadas, chegamos em um salão onde se encontram as tais pinturas. São muitos bisões, cavalos e cabras montanhesas, mas curiosamente só isso. Não se sabe porque outros animais não foram representados, ou mesmo humanos, plantas, elementos geográficos ou astronômicos. Também não foram encontrados traços de habitação ou de entrerros lá dentro. Exitem teorias e tal, mas claro que eu e a Ju criamos as nossas, muito boas por sinal!

O que pensamos é que aquela caverna era específica para ritos de passagens, e as pinturas poderiam ser representações totêmicas de força, velocidade e sagacidade daqueles animais que os jovens pretendiam absorver. Exite uma distância de mil anos entre as primeiras e as últimas pinturas, e se eles fizessem isso frequentemente certamente faltaria parede! Discutimos muito sobre a constituição das sociedades antigas, o que fazia sentido naquelas tribos e os resquícios que seguem com a humanidade até hoje. Ou seja, uma conversa do nosso dia-a-dia. Depois disso voltamos para reencontrar o Picot, pois já estávamos com saudades!

No terceiro e último dia fomos de novo na caverna de Lombrives, e dessa vez pegamos ela aberta! Pegamos o primeiro tour e por causa de um trânsito massivo na estrada, fomos os únicos visitantes daquele horário. A guia também estava no primeiro dia e falava um bom castelhano, então pudemos aproveitar muito bem a visita. Para constar, o Picot tinha permissão para entrar nessa caverna e ele parece ter se divertido muito, apesar de ter ficado o tempo todo preso na coleira para não destruir o ambiente.

Essa caverna é a maior da Europa em volume, mas existem outras mais compridas, mesmo considerando os 7km dessa. A quantidade de estalactites, estalagmites e colunas supera as outras duas em peso, com formações imensas e abundantes! A proximidade do vale principal, aliado a entrada imensa da caverna, fez com que o local fosse usado diversas vezes em sua história para atividades bastante humanas, como falsificação moedas ou esconderijo de ladrões. Também houveram reuniões de cátaros, e até hoje algumas pessoas “peregrinam” até ali. No meio do tour, chegamos em um salão absolutamente gigantesco, com uma iluminação indireta muito bem feita que aumenta o esplendor do local e o assombro que sentimos ao entrar ali.

Do outro lado desse salão, escalamos umas escadas e rampas molhadas e saímos em um túnel mais elevado. As formas das pedras variavam muito e deram origem à diversas lendas daquele local. Paramos junto a um lago subterrâneo, pois a partir dali a caverna só é aberta para estudos. Fizemos 1km dos 7km totais, e só isso já me fazia ter um certo medo de que toda a iluminação falhasse. Seria quase impossível voltar por conta própria a entrada…

Essa foi nossa última visita em Ariège, e certamente a região causou boa impressão, apesar do despreparo dos franceses em receber estrangeiros… A região é rica em história de vários períodos distintos e marcantemente bonita pela natureza local. Recomendamos fortemente para aqueles que tenham a chance de dar uma passada!

Para mais sobre o que é um Urso das cavernas e sobre arte rupestre, veja os links.

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Entrada da Grotte du Mas d’Azil

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Mas d’Azil (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Niux

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Lombrives

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obs: com a go pro, sem flash, minhas fotos ficaram horríveis, mas coloco três delas aqui só pra vocês terem uma ideia.

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

Atwood e as Handmaids

Eu comecei The Handmaid’s Tale por causa da série, que está em destaque e comecei a ver referências na minha timeline do facebook o tempo todo. Li em menos de uma semana. Devorei! Recomendo fortemente o livro, que é de 1985, um ano mais velho que eu e tão atual como nunca, infelizmente. Geralmente sou um pouco cética com livros que bombam por causa de filmes, séries, adaptações, visibilidade midiática, porque muitas vezes é feito um marketing em cima da história apenas para que a versão mais vendável e “palatável”, geralmente a visual, ganhe destaque.

Vejo isso acontecer com muitos best-sellers e por isso desanimo um pouco da leitura quando há muito bafafá sobre os subprodutos de um livro. Há, claro, exceções. As Crônicas de Gelo e Fogo, do Geroge Martin, eu só descobri graças à série, Game of Thrones, e devorei rapidamente os 5 livros disponíveis antes mesmo de terminar de assistir à primeira temporada da série. Gosto muito de ambos, livros e séries. Outras adaptações ficaram muito famosas também, como as do Tolkien, Senhor dos Anéis e O Hobbit, e as da J.K. Rowling, com Harry Potter. Não sou contra adaptações, aliás, gosto muito de observar e comparar. Apenas acho que muitas vezes a atenção dada pela mídia é apenas promoção, marketing.

Dessa vez o que me fez ir conferir o livro foi o fato dele ser recomendado pela Emma Watson (eternamente a Hermione), que possui um clube de leitura feminista do Goodreads e eu resolvi ir conhecer.

Atwood é maravilhosa. O livro me surpreendeu muito. Atwood escreve de uma forma muito feminina, descrevendo a percepção de detalhes ínfimos, como as cortinas ou uma almofada, por linhas sem fim. Mas isso não se deve apenas ao detalhismo, ou excesso de descrição, muito pelo contrário. O efeito da descrição demorada é passar para o leitor a ansiedade da espera a qual a personagem é submetida diariamente na sua vida. Conforme a narrativa se desenvolve as descrições lentas vão abrindo espaço para descrições brutas, às vezes beirando o escatológico (algo que me agrada muito para quebrar com a visão feminina equivalente a delicadeza), e a exposição à brutalidade é também uma forma de gerar no leitor a repulsa sentida pela personagem, bem como sua indiferença em outros momentos.

Assim, para todas as leitoras, existe uma identificação que vai além da mera empatia para com a personagem. Ela é uma mulher. Ela é qualquer mulher. Ela é todas as mulheres. Nesse brilhantismo, Atwood discorre usando uma distopia (cada vez mais próxima da realidade, infelizmente) para agudizar todas as brutalidades sofridas pela mulher na sociedade.

Não vou dar spoilers, mas recomendo o livro. A temática, do ponto de vista político é absurdamente necessária nesse momento, e o estilo é arrebatador, justamente pela proximidade que trás das personagens, com todas e todos nós. Nesse livro não há monstros e heróis, há pessoas, humanos, cheios de defeitos, subprodutos do sistema, cada um com seus vícios, sofrimentos, solidões, ânsias, desejos e penúrias. As consequências são sim monstruosas, mas a forma de mostrá-las, todas as personagens tão humanas, nos faz pensar menos num mundo de Batmans e Mulheres Maravilhas, e mais no nosso mundo.

Mulheres, fiquem atentas! Não podemos ceder nos nossos direitos! Homens, leiam, e façam a reflexão. Pensem nessa narrativa dessa forma humana e imagine seu papel na narrativa que queremos construir nesse mundo.

Recomendo dois textos, mas já advirto que há **spoiler** em ambos!

Tive o prazer de terminar de ler The Handmaid’s Tale no Dia do Canadá e me deparei com esse perfil feito pelo The New Yorker da Atwood, e achei brilhante. É um texto longo, mas dá pra conhecer mais sobre a autora!

Depois me deparei com esse texto da Boitempo, The Handmaid’s Tale: um aviso de incêndio para o cenário político atual, que também me colocou para pensar! Ficam aqui então as sugestões de leituras!

Deixem comentários com suas percepções! Nolite te bastardes carborundorum!

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Val d’Aran

Val d’Aran – 17, 18 e 19 de junho de 2017.

No fim de semana do dia 17 e 18 nós resolvemos ir para o Val d’Aran. Já tínhamos lido muito a respeito e ouvido muitas coisas sobre o lugar, então achamos melhor ir checar nós mesmos. Saímos bem cedo no sábado e pegamos a estrada que liga La Seu a Sort, e de la seguimos até o Port de Bonaigua. Ao passar o fim do vale de Pallars Sobirà já era possível ver a beleza que aguardava no Val d’Aran. A primeira vista de um vale menor é impressionante, e a primeira cidade que cruzamos, Baqueira, era tudo o que eu imaginava que Andorra poderia ser, mas não foi: construções de muito bom gosto, mantendo um estilo montanhês ordenado e limpo, com muitas natureza em volta. Baqueira é uma cidade que recebe muitos investimentos, já que é considerada a sede das melhores pistas de esqui dos Pirineus, mas ainda assim o resto do vale não fica atrás, com muitas outras vilas de charme abundante, como Vielha e Bosost.

Começamos nossas caminhadas com a trilha que leva aos estanys de Colomèrs. Na vila de Salardú, uma estradinha simples segue por alguns quilometros até um balneário. De lá, deixamos o carro e seguimos a pé. Por um bom trecho é possível pegar um taxi que, inclusive, não sai tão caro. Mas estávamos com tempo e energia sobrando, além do Picot, que costuma não ser bem vindo em taxis… O caminho pode ser feito pela estrada mesmo ou por uma trilha, o primeiro é mais fácil, o segundo mais bonito.

Do ponto onde o táxi para, começa uma trilha com uma subida um pouco pesada e de terreno mais difícil, mas ela não dura muito e logo se chega no lago principal. A vista é deslumbrante, envolvendo montanhas nevadas muito próximas, uma água limpíssima do lago represado e das cachoeiras que desaguam nele (sim, no plural!) e um refúgio de caminhantes novo e bem cuidado. Aqui é um bom lugar para descansar um pouco e comer alguma coisa.

A trilha continua, subindo para o outro lado das cristas das montanhas, onde uma sequência de lagos menores aguardam. Todos eles vão se conectando por pequenos riachos, dos quais é possível beber água sem nenhum problema. Perdemos as contas de quantas pequenas cachoeiras vimos nesse processo. A volta passa de novo pelo lago principal e retorna pelo mesmo caminho. Esse foi um dos lugares mais bonitos que eu vi na minha vida…

Fomos ainda no mesmo dia ver Vielha, a capital do vale, e o Salt de Pish. A cidade é toda dedicada a esportes de inverno, ficando bem tranquila no verão, sorte nossa. As placas na cidade estão todas em 5 línguas (Aranês, Catalão, Castelhano, Francês e Inglês). O Salt é uma cachoeira muito bonita e acessível, uma estrada bem simples liga o vale principal a ela. Depois disso, fomos para o camping descansar.

Acho que é importante colocar que a maior parte do Val d’Aran fica do lado norte dos Pirineus, Em contraste com o resto da Catalunha, que fica do lado sul. Há um túnel gigantesco que liga os dois lados e faz com que o vale seja mais acessível. Antes disso, a região era bem mais abandonada pela administração catalã, além de mais pobre, pois o turismo não chegava com tanta força. A população local não se identifica, de maneira geral, como catalã, mas como ocitane, um grupo do sul da França com sua própria língua e tradições, ambas quase morrendo. O Aranês mesmo é uma variação de ocitane que ainda resiste. O turismo dos franceses é importantíssimo ali e é mais fácil cruzar com eles do que com catalães de outros locais.

No dia seguinte, Saímos para o Vale onde está a Cascada de Molières. Para chegar lá, é preciso cruzar o tal túnel gigantesco ao sul de Vielha. Paramos o carro em um refugio de caminhantes chamado Conangles e de lá caminhamos pelo vale, saindo com frequência da trilha e aproveitando para apreciar a vista fora do caminho convencional. Tentamos nadar em uma piscina natural, mas a água estava tão gelada que nem o Picot se arriscou muito… O tamanho das encostas aqui e a força da água que acabou de brotar das pedras impressiona bastante! Descansamos o resto do dia, pois caminhar 2 dias seguidos não é tão simples assim. Aproveitamos um pouco o camping para jogar pingue pongue e nadar na piscina, mais quente que qualquer outra água do Vale!

Saímos na segunda pela manhã e passamos em um parque/zoológico: Aran Park que existe ali. Fiquei impressionado com a qualidade dos recintos, apesar de terem pouca variedade animais. Isso se justifica pelo fato de que se focam na fauna local. OS predadores ficam isolados, obviamente, mas todos os ruminantes de montanha ficam soltos no recinto junto com os turistas, e parecem se importar pouco com a proximidade. Gostei bastante de uma parte no final sobre conscientização, com painéis interativos e fotos incríveis. Acho que vale a visita, eles parecem estar usando o dinheiro da entrada adequadamente.

Passamos logo depois disso em uma cidade francesa chamada Luchon, já que estávamos tão próximos da fronteira. Infelizmente, tudo na cidade estava fechado e não pudemos conhecer tão bem assim. Seguimos dali para Toulouse, nos afastando das montanhas pelo lado norte. Chegamos na cidade e aproveitamos para visitar nosso templo sagrado, a Decathlon. Depois disso fomos para o centro da cidade, estacionamos e fomos dar uma volta.

Toulouse é uma cidade grande e, como qualquer outra pela Europa, tem uma quantidade imensa de pessoas na rua. Também é um pouco suja, decorrente de seu tamanho também. Mas o tamanho do rio Garone na região, somado com um bom uso do espaço em sua margem, cria um local onde o pessoal se reúne e pode desfrutar de uma boa paisagem. Os parques do centro são bonitos, mas nada tão digno de nota, e sua catedral é muito peculiar, sendo construída com um misto de pedras e tijolos. No mais, a cidade é agradável, apesar do calor, e a juventude realmente ocupa as ruas, o que me agrada bastante!

Como o sol está se pondo muito tarde nessa época, ficamos até umas 21h30 na cidade. Quando percebemos, saímos correndo, pois ainda tínhamos uma estrada imensa pela frente. Voltamos pelo caminho que passa por Foix e Puigcerdà, chegando em casa às 1h30 da madrugada! Vale notar que as estradas da França que saem do país por essa região não são grande coisa. Ou são pesadamente pedagiadas, o que encarece muito a viagem e afasta os turistas de lá, ou são de qualidade duvidosa quando comparada as estradas catalãs. Ainda assim, a região merece mais visitas no futuro.

Muito mais fotos e vídeos na Fan Page do Facebook, Blog da JuReMa – Val d’Aran

Mapa La Seu - Vielha - Louchon - Toulouse - Puigcerda

1º dia – La Seu a Vielha (parada nos Colomèrs) / 2º dia – Passeios próximos de Vielha (cascada de Molières) / 3º dia – Bossots (Aran Park), Luchon, Toulouse e de volta a La Seu.

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Colomers

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Cascada de Molières

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Cascadas de Molières

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Vielha

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Luchon

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Toulouse

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Cervo recém-nascido no Aran Park. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimientos-2017/066/0 (Não tiramos fotos no parque a pedido da administração, a informação vem no folheto que acompanha a compra do ingresso. Como os animais ficam soltos, eles pedem para minimizarmos os barulhos desconhecidos, entre eles os de câmeras e flash. No site é possível encontrar imagens belíssimas, no parque há um museu interativo, e a melhor parte é poder observar e vivenciar presencialmente e não através das telas!).

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Os lobos cinzentos foram introduzidos no parque há apenas 5 meses, e em maio procriaram pela 1º vez, um marco para a história do parque que se foca muito em conservação. Essa lindeza aí, lobzeno, é uma fêmea, e a mais nova integrante do local. O Aran Park trabalha também com reintrodução na natureza de espécies ameaçadas a partir da procriação no parque, em parceria com universidades, institutos e fundações. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimiento-de-un-lobezno/068/0

A prata da casa

Nós geralmente contamos das viagens que fazemos pela Catalunha toda, e algumas vezes até além disso. Mas eu reparei que muito pouco foi dito da região próxima a La Seu. As grandes belezas naturais estão mais afastadas da cidade que a gente escolheu, é verdade, mas algumas pequenas jóias podem ser encontradas por perto, e resolvi dedicar um post para este assunto. Ainda mais com a nossa nova busca por locais adequados para banhos!

Organyà – Para começar a lista, essa cidade que a primeira vista é só uma passagem na estrada. Nela, contudo, estão alguns grupos de paraglider, o que já a torna um destino interessante. Porém, o mais valioso, para nós pelo menos, é um rio que cruza ao sul da cidade. Nele é possível encontrar pelo menos 4 cachoeiras, além de algumas piscinas naturais. O lugar, além de muito bonito, é pouco frequentado, o que torna muito agradável nadar por ali. A água é um pouco fria, mas nada perto do que encontramos em outros locais por aí. Temos ido com frequência, tentando nos refrescar no verão abafado da cidade.

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Tost – Uma vila toda em ruínas, exceto pela igreja, reformada e trancada. Além da diversão de explorar uma cidade abandonada e tomada por plantas, o lugar tem também uma figueira imensa crescendo dentro de uma de suas casas. Eu estou tentando monitorar o crescimento das frutas, que devem amadurecer logo mais, para tentar fazer uma colheita!

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Coll de Nargó – Outro cantinho bom para um banho de rio! A piscina natural daqui é maior e mais conhecida. Dividimos ela com muitos jovens e algumas outras pessoas não tão jovens assim. É bacana para quem quer realmente nadar ou socializar. Tem um poço menor um pouco acima do lago principal que é pequeno, mas muito profundo, e imagino que pode ser perigoso para crianças…

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Camarasa – Já não tão perto assim, mas ainda possível de fazer um bate-e-volta sem cansar muito, está a praia fluvial de Camarasa. Ali, o rio Segre é limpo e volumoso, seguindo com uma forte correnteza perto de uma ponte antiga e desabada. Algumas pessoas se aventuram a pular da ponte, alguns de um trecho mais baixo, onde a pilastra desabou, outros do topo, arriscando ferimentos na perna. Há também uma região onde o rio é mais suave, mas não chegamos a explorar porque havia um pessoal com cães soltos e tentávamos evitar encrenca para o Picot.

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(obs: vídeos disponíveis na fanpage do Facebook, inclusive um muito lindo do Picot pulando que nem um cabrito na praia fluvial de Camarasa).

13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Road trip 3 (II)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Dali até Pamplona a viagem foi rápida. Chegamos no meio da tarde e rapidamente nos localizamos. A cidade é até que grande, mas muito bem construída, de maneira que fica fácil se orientar por ela. Encontramos o hostel, onde o atendente foi absurdamente simpático. Nos explicou um pouco sobre a cidade e nos deu um mapa, além de me ensinar a falar obrigado em Basco (eskerrik asko)! Não sabia que Navarra também compartilhava a nacionalidade Basca e fiquei encantado com o quanto a língua deles é diferente, em todos os sentidos. Descansamos um pouco e tomamos um banho antes de sair novamente, o calor estava matando a gente!

(Obs da JuReMa: amamos o Hostel Xarma onde nos hospedamos em Pamplona. Além de sermos ultra super bem recebidos, ganhamos mapa, o Picot foi super bem aceito, o Hostel tem uma politica animal friendly! A cozinha pode ser usada sempre, entre 10h30 e 22h30 para preparação individual de alimentos. O café da manhã é incluso no preço e chá e café são gratuitos 24h, você só precisa esquentar sua própria água na chaleira /ou na cafeteira elétrica deles. Os quartos contam com opções coletivas, mais baratas, ou para duas pessoas, casal ou não. Pegamos uma de casal para acomodar o Picot melhor. Os banheiros são coletivos. Tudo muito limpo, charmoso e agradável, além de bem localizado!) 

A cidade de Pamplona (Iruña, em Basco) foi o ponto alto da viagem! A cidade funde o que existe de bom com o que poderia ser ruim mas acabou sendo bom também, e logo me explico. As construções das muralhas, das catedrais e de todo o centro velho se fundem com grupos imensos de jovens, idosos e adultos utilizando o espaço público. O uso da língua Basca e do castelhano se misturam em boa dose e sem presunção, respeitando o turista e o migrante ao mesmo tempo que valoriza o aspecto local. Sem presunção também são os estilos dos jovens, que não parecem se vestir necessariamente com a última moda ou para impressionar. Não é fácil encontrar pessoas super produzidas, mas é comum que cada um respeite seus gostos individuais ou coletivos. O resultado é uma mistura bastante saudável de velhos e novos figurinos que, de maneira geral, parecem feitos para agradar a quem veste, e não os outros. A cidade conta com muitas pichações e cartazes, mas todos em absoluto pedindo por mais liberdades, contra violências de todo tipo e pedindo melhorias no governo federal espanhol (notadamente a instauração de uma república – pra quem não sabe a Espanha é um reinado). As pessoas na rua param para puxar assunto sem mais nem porquê (apesar do Picot ter sido um assunto recorrente) e são agradabilíssimas. Assim, a cidade se enche de vida, de protestos, de história, de barulhos que provam que as pessoas ali tem uma vitalidade que dificilmente pode ser explicada!

Esse comportamento é condizente com a consrução da cidade, uma miríade de muralhas, passadiços, igrejas, fossos e fortes. As vezes é difícil saber pra onde se está indo, mesmo com um mapa, mas isso nunca tem problema, porque certamente o caminho será agradável. Passamos por pessoas bebendo, discutindo política, fazendo atividades circenses ou só passeando com o cachorro. Pasaamos por parques bem cuidados, um fosso transformado em granja para galinhas, patos e marrecos, por muralhas com uma vista surpreendente para o vale em volta.

Dormimos um pouco mais para recuperar nossas forças e saímos em torno das 9h30 de Pamplona. A viagem até Logroño foi tranquila. Lá, conhecemos uma cidade que parece bastante jovem. O centro velho é pequenino, mas muito bem cuidado, e a catedral é dedicada a Santiago, como tudo mais por ali. Me encantei com um parque que fica na beira do rio Ebro (nota: a palavra Ibéria vem desse rio, que os romanos usavam pesadamente) e com a Gran via deles (Juan Carlos I), uma avenida muito larga e com uma parte da calçada coberta pelos prédios, o que faz com que caminhar por ali seja muito agradável em dias ensolarados! Essa avenida me lembrou muito Lisboa, mas como já faz quase 20 anos que visitei Portugal, acho que precisarei voltar para poder ter certeza que a comparação foi boa!

O caminho para Saragoça foi quente, muito quente. Mas pior que isso foi a temperatura em Saragoça em si. Ao chegarmos, vimos o termômetro subir de 33°C para 36°C antes mesmo de parar o carro! O calor nos desaminou muito, e acabamos rodando muito menos do que gostaríamos. Vimos um pouco do centro velho, a praça em frente ao mercado onde há uma estátua de Augustus Cesar e, claro, a Catedral. Na verdade, não tem como não ver a catedral, já que ela toma conta da paisagem na beira do rio, com o seu tamanho e sua imponência. Ao tentarmos atravessar a praça, que é um grande descampado, o Picot começou a saltitar por causa do chão queimando suas patas, e tivemos que correr para a sobra com ele. A Ju até agora não se recuperou dessa cena. Entramos em turnos na catedral para poder cuidar do Picot. O que impressiona lá não é só o tamanho, mas o capricho com cada detalhe. Poucas das catedrais que eu já vi rivalizam com essa.

Ainda em Saragoça vimos um monumento em homenagem à America Latina ( o que me deixou especialmente feliz!) e uma estatuazinha de um cavalo de brinquedo, que deixou o Picot muitíssimo curioso. ele cheirava a estátua, tentando descobrir se era um animal de verdade. Um senhor parou para conversar com nós sobre como ele gostava da estátua e tudo mais, mas a Ju teve que traduzir pra mim, porque eu não entendi uma palavra do que ele disse… Dali fomos até o parque do outro lado do rio onde o carro estava e, antes de pegar a estrada de volta, tomamos um banho nas fontes, todos os três.

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Pamplona (inicio do passeio, recuperados do calor!)

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Catedral de Pamplona

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Centro de Pamplona

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Uma das inúmeras fortificações de Pamplona, hoje uma espécie de granja, com cervídeos, pavões, galinhas, patos, etc. 

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Dentro da Cidadela de Pamplona

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Não lembro o nome da cidadezinha, paramos no caminho só pra ver essa ponte! 

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Águas do Ébro, chegada a Logroño

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Ponte sobre o Ébro

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Logroño

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Igreja de Santiago

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Ponte sobre o Ébro, saindo de Logroño

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Zaragoza

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A (imensa) Catedral de Zaragoza

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Memorial da América Latina 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !