13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Prat de Cadí

 18/03/17

Depois de um bom tempo sem uma caminhada original pra relatar, resolvemos seguir o conselho de um amigo e explorar a região próxima à face norte da Serra de Cadí. Achamos no nosso mapa algumas marcações que pareciam interessantes e seguimos o caminho até lá!

Pegamos a estrada até Martinet, cidadezinha que faz a divisa da Cerdanyà com Alt Urgell. De lá pegamos a estradinha para Estana. Tivemos a surpresa de cruzar com uma região de bunkers (também especificado por esse amigo), construídos ali, segundo a placa, devido ao medo que Franco tinha de uma possível invasão francesa. A sequência de fortificações e túneis parece aberto em outros dias, mas não no sábado… De qualquer jeito, é bem interessante reparar nesse trecho da história dos Pirineus.

A subida até Estana é longa e tortuosa. Dá pra sentir a temperatura caindo e o vento intensificando. A vila em si é muito charmosa, e tem uma vista privilegiada da serra. Há, no início da trilha, depois de passar a cidade em uns 700m, um estacionamento. Mas nós não sabíamos e paramos na cidade mesmo, o que foi bom, pra poder observar as casas reformadas que provavelmente servem para veraneio.

A trilha segue bem demarcada e sinalizada, apesar de ser em boa parte bem acidentada. Também é uma das mais movimentadas que fizemos até agora, junto com a dos Estanys de la Pera. São obviamente as mais famosas, não à toa, pois são também as mais bonitas. A inclinação do caminho é leve, mas constante. Só um trecho escapa disso, e a neve abundante exatamente ali fez a subida um pouco mais delicada. Vimos, na volta, um grupo de senhores e senhoras desistir da caminhada exatamente nesse trecho. Porém, não estavam com nenhum equipamento específico e apesar da disposição, não pareciam ter a mesma mobilidade de décadas atrás. Mas com exceção desse trecho, o caminho todo até o Prat é fácil, seguindo principalmente por entre bosques e só eventualmente saindo para algum trecho aberto.

A chegada ao Prat é para deixar claro porque a trilha é famosa. De repente, o campo se abre em um platô logo abaixo da Serra de Cadí, com as imensas pedras que formam a espinha tão próximas que é possível ver seus detalhes. O campo estava todo nevado, e se alguma parte já derreteu, eu não quero saber como estava antes! Não levamos equipamento adequado porque não achávamos que seria necessário. Mas afundamos até a coxa na neve, e as mãos doíam de frio ao tentar se levantar. Também tivemos neve adentrando o tênis e a meia, uma sensação desagradável, que nos fez tomar a decisão de guardar nossas polainas de proteção permanentemente no porta-malas do carro.

Algumas pessoas descansavam na lateral do Prat, enquanto outras passavam esquiando pela leve inclinação da região. O Picot ficou realmente impressionado com o fato de pessoas passarem a tal velocidade sem movimentar as pernas. Mas logo depois disso, ele se recuperou e nos ajudou a achar uma trilha para nos aproximarmos mais da Serra sem ter que atravessar a neve. Mas nosso esforço durou pouco, pois logo percebemos que pra qualquer lugar que fossemos a neve nos cercaria.

Voltamos pelo mesmo caminho, agora só na descida. Foi bastante tranquilo, exceto pelas meias molhadas. Conseguimos chegar em casa ainda cedo, não tendo nos desgastado tanto quanto em outras caminhadas. Essa trilha, além de belíssima, também é boa opção pra quem não está com todo aquele preparo físico, mesmo com seu total de aproximadamente 12km.

DCIM100GOPRO

Bunkers

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Vista de Cadí em Estana

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Picot rolando na neve

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Chegada ao platô

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Cadí em detalhes logo aí do lado

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

A travessia do platô exigia equipamento pra neve, mas não tínhamos no dia

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Arseguel: cidadezinha onde paramos na volta para conhecer. Um charme! 

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

Road Trip 3 – Pallars Sobirà

Mais uma vez aproveitamos os trâmites burocráticos para viajar um pouco mais! Desta vez tínhamos que passar por Lérida (LLeida para os íntimos), e na volta pegamos a estrada que subia por Pallars Jussa e Pallars Sobirà, nossas províncias vizinhas. Uma ideia de última hora, e mesmo com a falta de planejamento, conseguimos aproveitar bem.

Nossa primeira parada da volta foi na cidade de Camarasa, onde uma ponte de pedra desabada sobre o rio Segre justifica ainda mais a minha escolha de um rio preferido. A água verde semi transparente em oposição às encostas do outro lado do rio fazem um cenário maravilhoso pra passar uma tarde ali e, de repente, até nadar um pouco. Mas não estávamos no luxo de gastar tanto tempo assim…

Seguimos até a a represa de Camarasa, pouco acima, e paramos novamente para apreciar a vista. O represamento nas províncias do norte da Catalunha iluminam o estado todo com as hidrelétricas, e as províncias de Pallars se sobressaem nessa tarefa. A criação dos lagos artificiais não parece destruir muito da natureza no entorno, já que a água se acumula na própria garganta que os rios de montanha tendem a criar. Mas ainda é assombroso perceber os desníveis que as estradas tem que percorrer para alcançar a altura das represas.

Paramos um pouco mais a frente de novo para ver as ruínas de uma antiga vila, La Maçana. Toda a minha fascinação com ruínas foi satisfeita ali, foi possível ver um antigo porão, sacadas, cemitério e capela, além de poder fazer uma boa aproximação das estruturas, o que geralmente os espinheiros não permitem… O Picot se mostrou um bom explorador, bastante ágil e cuidadoso, se assustando só um pouco quando eu derrubei algumas pedras.

Nossa próxima parada foi em La Baronia de Sant Oisme. Esse lugar curioso é uma pueblo em uma montanha na curva do rio. Não parece ter muitos habitantes permanentes, mas as casas reformadas do pessoal com grana que deve viver em Lleida ou Tremp estão realmente muito arrumadas e em um lugar privilegiado. Há, na ponta da cidade, um tunelzinho por baixo das casas e uma espécie de arco de pedra, visível da estrada. Junto com a torre ao lado, formam uma vista impressionante para um lugar tão pequeno. A torre é aberta e não proporciona uma visão tão melhor assim, mas certamente é bastante divertido subir, menos pro Picot, que subiu um pouco estimulado, um pouco empurrado. Na saída da cidade, passei pra comprar umas batatas fritas no restaurante/hotel beira de estrada e tive uma surpresa ao descobrir que a atendente não só era brasileira, como era do Tocantins. Achei curioso!

Paramos na beira de uma ponte depois disso para ver um túnel escavado na pedra, com algumas “janelas” para a represa ao lado. Só uma curiosidade, mas ficamos atraídos pelo local. Passamos reto logo depois por Tremp, capital da comarca de Pallars Jussa, mas paramos em seguida em Talarn para ver uma fortificação antiga e uma cidade simpática e bem cuidada. Vale encostar e dar uma olhada, e dali a vista para uma das represas é privilegiada.

Decidimos então parar de encostar em cada cidadezinha, pois não tínhamos muito tempo, e fomos direto pra Sort, que não deixa de ser também uma cidadezinha, mas um pouco menos inha. Sort tem um foco em ecoturismo, pois tem muito mais lojas de caiaque e alpinismo do que seria comum em um povoamento com pouco mais de 2000 habitantes. O rio tem uma correnteza forte, todo marcado para provas aquáticas, e os parques são muito bonitos, mas não permitem a entrada de cachorros, não entendi o motivo… Rodamos um pouco e logo pegamos a estrada para La Seu, que atravessa uma cadeia de montanhas, passando pela vila mais alta da Catalunha, a 1600 metros e uns quebrados. a vila se chama Rubió, por causa das pedras avermelhadas que compõe as montanhas em volta e que deixaram a Ju como uma criança com lápis-de-cor novos! A estrada toda tem vistas deslumbrantes, e em alguns locais há como parar o carro para apreciar a vista e fazer um piquenique. O único problema é a quantidade de curvas, que deixa qualquer um tonto.

Chegamos no final do dia em La Seu, o que foi bom para aproveitar a vista da estrada toda. Iremos mais vezes pra lá, pois faltou muita coisa que estava em nosso roteiro…

WP_20170316_001

Rio Camarasa

WP_20170316_002WP_20170316_003WP_20170316_005WP_20170316_010WP_20170316_013WP_20170316_015WP_20170316_017WP_20170316_018WP_20170316_019WP_20170316_021WP_20170316_022WP_20170316_023WP_20170316_024WP_20170316_027WP_20170316_029WP_20170316_030

WP_20170316_033

Represa do Rio Camarasa

WP_20170316_035WP_20170316_038

WP_20170316_040

Ruínas de La Maçana

WP_20170316_041WP_20170316_042WP_20170316_043WP_20170316_044WP_20170316_045WP_20170316_046WP_20170316_047WP_20170316_048WP_20170316_049WP_20170316_051WP_20170316_052WP_20170316_053WP_20170316_054WP_20170316_055

WP_20170316_056

La Baronia de Sant Oisme

WP_20170316_057WP_20170316_058WP_20170316_059WP_20170316_061WP_20170316_062WP_20170316_063WP_20170316_064WP_20170316_066WP_20170316_067WP_20170316_068WP_20170316_069WP_20170316_070WP_20170316_071WP_20170316_072WP_20170316_073WP_20170316_074WP_20170316_075WP_20170316_076WP_20170316_078WP_20170316_079

WP_20170316_082

Túnel com janelas

WP_20170316_083WP_20170316_087WP_20170316_088WP_20170316_091WP_20170316_092WP_20170316_094

WP_20170316_103

Talarn

WP_20170316_104WP_20170316_105WP_20170316_106WP_20170316_107WP_20170316_108

WP_20170316_109

Sort

WP_20170316_110WP_20170316_111WP_20170316_112WP_20170316_113WP_20170316_114WP_20170316_115WP_20170316_116WP_20170316_120WP_20170316_121WP_20170316_123WP_20170316_126WP_20170316_129WP_20170316_130WP_20170316_131WP_20170316_132

Road trip 2 – Tarragona

Aproveitamos que teríamos que ir até Barcelona buscar uns papéis traduzidos (que no fim não serviram pra nada, mas é outra história…) e alongamos a viagem até a cidade de Tarragona. A ideia já era um pouco antiga, mas aguardávamos uma boa oportunidade, que finalmente veio. Saímos cedo de La Seu e seguimos até Cornellà de Llobregat, onde eu e o Picot ficamos aguardando a Ju ir até Barcelona buscar os tais papéis. Dali, pegamos a estrada para Sudoeste, beirando a costa até chegarmos ao nosso destino.

Tarragona é uma cidade bem menor do que eu esperava (tem 130.000 habitantes), mas possuí uma história marcante. Foi uma cidade romana importantíssima, capital da maior província hispânica de Roma. Contava com anfiteatro, circo para corrida de bigas, um forte para a administração da cidade, termas, fórum, muralhas, um porto e aqueduto, Ufa. Uma parte significativa dessa estrutura sobreviveu parcialmente ou com algumas modificações posteriores, lembrando que a cidade foi ocupada por mais algumas civilizações depois dos romanos, como visigodos, por exemplo.

Fizemos na tarde de sábado um passeio acelerado pela cidade, reconhecendo seus principais pontos, depois de uma ajuda amigável do atendente do hotel. Passamos pelo centro romano, pela rambla nova (onde comemos um crepe maravilhoso!) e pela praia. Essa última, curiosamente, fica bem isolada da cidade, não só pela geografia, que faz uma subida abrupta até o platô onde a cidade está construída como também por uma linha de trem que passa próximo à costa e impede o fácil acesso. O Picot achou as ondas bastante assustadoras, mas aparentemente achou também a água do mar saborosa e depois disso esgotou nosso estoque de água doce para aliviar a sede. Vimos as muralhas e o seu interior, com uma catedral imensa, na qual não entramos por falta de tempo e disposição para pagar e ver mais uma igreja. Vimos também uma procissão que não descobrimos se era a favor ou contra a igreja (como uma paródia) e acho que nunca descobriremos…

No domingo, nos revezamos nos cuidados do cachorro enquanto o outro visitava os museus mais marcantes da cidade. Vimos o que sobrou do circo, além da torre del pretori, o museu de arqueologia e a necrópolis. O circo e a torre são interligados, e podem ser visitados tranquilamente em 1h. A vista de cima da torre e de dentro dos túneis do circo dão uma ideia da capacidade da engenharia romana e até onde iam pra dar a diversão para os cidadãos (cidadão feliz é cidadão que não se rebela!). O museu arqueológico dá uma boa noção de como era o dia-a-dia na pólis. Há mosaicos, ancoras, ânforas, potes de todos os tipos e tamanhos, estátuas, fontes, moedas (amei aprender sobre o sistema monetário romano!) e por aí vai. O tempo de visita aqui dependerá da dedicação à leitura das placas.

A necrópolis fica mais isolada. Nós vimos os restos do que foi uma terma, além dos diversos tipos de túmulos e uma cripta. Há um esqueleto inteiro de um soldado romano, e é possível reparar como eles eram baixos. Os romanos tinham o hábito de montar seus cemitérios na beira das estradas, próximo às cidades. Eu achei meio mórbido, mas a relação deles com a morte parecia bem diferente do que o cristianismo impôs depois. Inclusive, aqui parece que foram enterrados os três primeiros mártires cristãos da cidade, o que a igreja parece ter usado extensivamente depois como propaganda.

O Aqueduto fica mais afastado, uns 4 km do centro. Há um parque bastante agradável, com trilhas e espaço para piqueniques. E de repente, se ergue aquela coisa de pedra, parada ali há 19 séculos. O tamanho impressiona, e a funcionalidade também, já que ele tinha uma inclinação levíssima, especialidade romana visando trazer água limpa cada vez mais de longe ao longo de seus territórios. Há uma citação de um romano que eu achei sensacional, sobre os aquedutos, e que bate com a opinião de Voltaire sobre o mesmo assunto. Dizia o tal Frontinus: “{…}com tal arranjo de estruturas indispensáveis carregando tanta água, compare, se te apraze, com as ociosas pirâmides ou os inúteis, porém famosos trabalhos dos gregos.” Fica a reflexão utilitarista.

DCIM100GOPRO

Muralhas de Tarragona

DCIM100GOPRO

Parque ao lado da entrada da Muralha

DCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Um pouco do charme das ruas

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Catedral

DCIM100GOPRO

“Procissão” 

DCIM100GOPRO

Ruínas no que hoje é uma enorme praça

DCIM100GOPRO

Ruínas da Casa do Judeu

DCIM100GOPRO

Museu de Arqueologia 

DCIM100GOPRO

Picot

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Torre del Pretori

DCIM100GOPRO

Anfiteatro

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Forte

DCIM100GOPRO

DCIM100GOPRO

Vista da praia 

WP_20170311_002

WP_20170312_002

Circo

WP_20170312_003

WP_20170312_005

Torreta dels Monges

WP_20170312_006WP_20170312_017

WP_20170312_018

Túneis abaixo do circo

WP_20170312_027

WP_20170312_032

Túnel de conexão do Circo com a Torre

WP_20170312_034

WP_20170312_043

Na época medieval a cidade cresceu dentro das antigas ruínas romanas, e hoje estão muito próximas e interligadas 

WP_20170312_051WP_20170312_059WP_20170312_066WP_20170312_077WP_20170312_096WP_20170312_099

WP_20170312_107

Vista do alto da Torre

WP_20170312_110

WP_20170312_111

Aqui é possível ver bem como a cidade cresceu dentro das ruínas romanas

WP_20170312_112WP_20170312_113

WP_20170312_121

Museu de Arqueologia

WP_20170312_124WP_20170312_133WP_20170312_144WP_20170312_147WP_20170312_148WP_20170312_156

WP_20170312_184

Necrópolis

WP_20170312_189

WP_20170312_193

Termas

WP_20170312_197

WP_20170312_208

escadas pra cripta

WP_20170312_224

Entrada da cripta

WP_20170312_229

Escavações da Necrópolis

WP_20170312_233WP_20170312_235

WP_20170312_237

Mensagem ao “viajero” no parque que dá acesso ao Aqueduto

WP_20170312_238WP_20170312_239

WP_20170312_241

Aqueduto Romano, de pé a cerca de 1900 anos

WP_20170312_246

WP_20170312_250

Humana e cachorro pra perspectiva

WP_20170312_251

Parte superior do Aqueduto, por onde a água vinha

WP_20170312_252

Só a humana pra perspectiva dessa vez

WP_20170312_253WP_20170312_258

Road Trip 1 – 1ª Parte

Languedoc-Rousillon / Empordà / Girona -16/02 a 19/02

Fizemos finalmente a nossa primeira grande viagem de carro! Por grande, quero dizer mais de 2 dias na estrada. Temos planos pra viagens muito maiores, é verdade, mas como somos razoavelmente precavidos, estamos fazendo uma série de pilotos com relação a equipamento, planejamento, estrutura a ser utilizada e por aí vai. Dessa vez, testamos a disponibilidade de banheiros e wifi nas estradas (obrigado, McDonalds!), dormimos uma noite no carro e descobrimos um pouco mais sobre como evitar pedágios (depois de pagar 5 euros para andar 50 min…). A ideia é estarmos sempre aprendendo alguma coisinha para aproveitar na próxima viagem, podendo então ficar mais tempo, conhecer mais lugares, com menos gastos e mais conforto.

Para a estréia, aproveitamos que alguns amigos iriam para Girona no domingo e saímos de casa na quinta. Marcamos alguns pontos no mapa para uma rota circular e juntamos nossas coisas, entre roupa, comida e equipamentos em geral (quem sai de casa sem uma lanterna ou uma luneta?). Começamos pelo “estado” francês de Languedoc-Rousillon, “comarcas” de Pyrénées Orientales e Aude, e depois passamos para Empordà e Girona, de volta a Catalunha.

Começamos a viagem seguindo para a estrada que vai até Puigcerdà e de lá passando para Bourg-Madame, já na França, nos Pyrénées Orientales, mas só uns 20 metros. Uma pausa pra foto na beira do rio Segre, meu rio favorito, e seguimos viagem. Chegamos até Mont Louis e tivemos que fazer uma parada não planejada. De repente, uma muralha gigantesca de um forte em formato de estrela surgiu na nossa frente! Entramos na cidade, onde existe um batalhão do exército francês pronto pra bater em retirada em caso de emergência. A cidade é bem bonitinha, e a altitude dela faz com que a neve seja muito mais frequente, dando um ar bem charmoso. Só achamos que poderia ser mais bem cuidada e ter algum vendedor de crepes de nutella mais acessível. A viagem continuou até a beira do lago Matemale, onde alguns chalés se amontoam frente a uma vista incrível. Fizemos a promessa de voltar no verão para ver o lago descongelado.

Depois disso passamos para a província de Aude, que começa no aprofundamento do vale do rio com o mesmo nome. Quando digo aprofundamento do vale, é de verdade. A estrada serpenteia para um buraco gigantesco, do fundo do qual é realmente difícil ver o sol. As encostas são forradas de coníferas, o que sombreia ainda mais a região. Eventualmente chegamos em uma vila chamada Carcanières les bains, um distrito de Carcanières junto ao rio. A primeira vista a cidade pareceu incrivelmente linda. Há uma ponte que passa a poucos metros de uma cachoeirazinha, enquanto o rio que divide a cidade corre por entre as casas. Mas nossa impressão se mostrou falsa…

Paramos o carro na beira da estrada e saímos a pé para apreciar. Rapidamente um cachorro apareceu pedindo carinho, mas do nada mudou de ideia e tentou me morder. Logo, vimos um cartaz na parede de um prédio que anunciava um exorcista, médium e vidente, atendendo com hora marcada, ali mesmo. Rimos, achando graça da situação. Então percebemos que a esmagadora maioria das janelas da cidade estava fechadas. A única vitrine aberta no térreo tinha anões de jardim com sorrisos macabros empilhados junto à plantas que precisavam ter sido podadas anos atrás. As casas da cidade se concentravam do outro lado do rio, e as pontes de pedestre para alcançá-las estavam todas fechadas com portões e cadeados de tamanhos consideráveis. O bar da cidade, visível da estrada, tinha cara de estar abandonado já a tempos. Subimos para a tal ponte já descrita e de lá foi possível ver do outro lado do rio, sobre um pico, uma grande cruz meio que improvisada. Aquele era um dos poucos lugares onde batia sol na cidade… Rimos de novo, dessa vez de nervoso, e na volta pro carro, que fizemos sensivelmente mais rápida do que a ida, percebemos que a igreja tinha grades imensas na porta, fechando a passagem permanentemente. Ficamos na dúvida se era pra evitar que as pessoas entrassem ou se era pra que o que estivesse lá dentro não saísse…

Seguimos viagem o mais breve possível e logo estávamos em Carcassonne. Talvez o local mais bonito e amigável de toda a viagem. A cidade tem um castelo que, segundo a Ju, é o castelo da imaginação das crianças. Eu aproveitei a dica e defini como “castelo de Platão”, o castelo das ideias, e todos os castelos do mundo são cópias imperfeitas dele. Esse castelo tem ponte elevadiça, muralhas duplas com crenelação, torreão, uma vila interna, fosso. Não falta nada! Claro que a vila hoje se especializou em restaurantes e lojas de suvenir, mas comemos um bom crepe de nutella com um vendedor bastante simpático (não ganha do crepe da marmota, em Font Romeo, mas acho que nada ganha…). Passeando pelo centro moderno, comemos um panini de nutella também. Me pergunto por que isso não vende no mundo inteiro. O rio Aude cruza a cidade, já mais amplo e com um parque margeando, deixando o cenário ainda mais completo.

De Carcassonne fomos para Narbonne, onde demos um passeio noturno. A cidade, já bem mais próxima do mar, tem um canal estreito atravessando o centro histórico. Esse canal não é muito agradável, mas as construções em volta compensam essa falta de charme. Na praça central há uma escavação que expõe um trecho da via Domitia, uma estrada que ligava os territórios romanos, indo da atual Suíça (ou perto) até a Espanha. Incrível o que esses romanos deixaram espalhados por aí. A cidade também tem uma catedral que é absolutamente gigantesca, mas estava fechada durante a nossa passagem noturna… Fomos ainda na mesma noite até Perpignan, onde dormimos no carro mesmo, e assim acabou o primeiro dia de viagem.

01b1d126b4ba48511a06c9fceb5fc5a32d4e1e96fb-7

Muralha de Mont Louis

01f54f802e1e08e6af1215318a3201e1f71e2fdcb3-8016b9412d05130a452e1b0c7a8340c2d0ce01cbdf2-8017a371a366e5dc74937a822d17315d55ab1cb9892-70110f933fd95cbcc527599b8cec938dc86d21776da-701195e9765b87f03df03a0d80a4d0c36470872ce65-7011291f056f61cdfa81ae64e23322958f2991953e5-7

_________________________________________________________________

01c2dceaa84041fc989cdc333e3c986da5e9db6e38-8

Carcanières Les Bains

0123c1e37363e6eaeaa5ee9fed00bff5ed307f285f-70145a479189b86a707a46d7b29e4c3408815e3d41f-80173df21bc865f490333077d8a452d8fd0a49f2d65-7017b2b40a301002ddd60874f48d141598dd7dd96d5-8

013d6f3cf96eb79478458f53749e32c2e54be67c01-7

Detalhe dos portões e grades nas pontes de acesso às casas

01f11a09723eb238ef933614bda5bdd2c752596e5d-7

01210cf8fcd27183360c5369dfae1750a5b18d7f36-7

Tudo abandonado…

 

 

 

 

01ed78eb5cea433306d1865e3b7620e422e9560474-8

E frio!

_________________________________________________________________

0118e79465711ec7e69b45e5dd0ed71e1df11680e5-8

Carcassonne

012f2b91d584e6daf2503f48eb5244086eb830dfa4-801a8d5bfdec551ac20cac0342d8bebc03ea993485601ad8d5044f3fca473dca4c576342fe09a3c72818a-801327c629ac681002bd8e1f8743f403272df2ebf21-8014e551404f432583717aaca32c16e496536ed764f-701beec1e854cc2513692d69e743eb1b4c103bffba9-701a464fde7683adb1dacf905504497075310a62dac01b7a29496fa5d2d7ba0a8faea798cec844ca47525-701a3d2d2db630aa44529aad3a0732fb5f83373cf06-701aa8d3b77b6f5086b35ff5ef2b2506257b474ec94-801eca0a35c0dc42c779f339c7559af0498aca096a4-701b8b50728453737f87f3867eff9dbd73a1d39658f-701cc1194e3d7e6d21cf83bd837c80686dcdd3b546201bba49e21e55e10d81c964dc7e98fb1b4d8f640f6-7013ea0fd37525f7f0ed5bdf826094583d7dd19530e-70172ed63c0a2e4cec3f3d57aae71f005c47865c71f-7

01dc564cd1fe2b49c26ba1c5dc02b3c4f2cb9adf21-7

Cidadela dentro da muralha, hoje com restaurantes e lojinhas 

014d9c769d6e5665d7ccdeeeb48315e17bac613f5a-7016f1e939b95167725668312c315576bae4114be3b-7017b10b936a2ba9b6e5691d38d5dfb9f731705ffa60108eea751fbd27f845cd825ac0c63f63db0dbe1aa0138f817dcfe80f2758d6f3c1c20565f6990638d43-7012556c6506e5eaa72b107c4c2a288d6cdcb1c5500-7

01158e6b46323ab3490177574ef0d25b4a587accc9-7

Vista da cidade, de cima da Muralha 

01317b7151d37840d2ff4648f389b9286cee281c2a-7018288ff7220ad811c14b1e67f064e0f2c4e2600f1-8011885255b4dbe905538661acb406e1a89d0adf13d-801f580edc988178440b33cc088c05c04fbbe8237f2-8

010fa8798cb07a5ef3515554665cd546688904ea6d-7

Rio Aude

012b32d8bf9e76779784600b069498907697ed8e3a-3

Panini quentinho com nutella derretida! (Do crepe nem deu tempo pra foto!)

01a3bc1ac686078ac8dc3c43eb65940d007dbb847a01161aacdc1b84b6af1b17d8a40c5d5b81a1105396-8014118b7462510f8b82504954c77711c7cd37505a0

_________________________________________________________________

014aa8cc84fc861e9805d651f91b3b9cdb701c3b81

Narbonne

016a06a69dce32797428671d54b4feb809f743bfce

01c2e2a443214bfb3334fc25805c43ab26ff7b3442-7

A Catedral é realmente imensa

019dc203e5b44b3d8c37c19735b1ed48beddd48a92-7

Fonte da Praça Central

01609cb7f4e704f60210284f6775e010216472089a-70116dbf093003d2c9b058d2520bcc27363c716c105-701833b7f745f7e995a2ac6bba4770f94dfc1a88fa1-701ce0cce336764e1674cefaeed578a6314721af000

01ece29e19b9f61eca57d141745be2551aa90d6654

Via Domitia (trecho original romano)

0122d40e8da9036dc65bcf145c99bbcad49a70ce8b-80133b3a96887885204a57b02e813c4bf7dbdb7b834-70183c4ae2bac801c8164fa34a81226e74d22611dea-8

Passagens aéreas e custos de viagem

Muitas pessoas me perguntam sobre passagens aéreas e custos de viagem. O primeiro ponto importante é que viagem não é necessariamente sinônimo de luxo. Às pessoas acham que viajar significa não trabalhar, ter grana sobrando, e viver vida de rei. Não é bem assim. É claro que é possível trabalhar duro o ano todo, tirar alguns dias de folga e aproveitar pra se dar todo o luxo possível em troca. Algumas pessoas nem precisam disso tudo e podem simplesmente curtir um luxo a qualquer momento, mas a maioria só nas condições acima. Algumas pessoas não conseguem nem isso. Mas a minha especialidade, que desenvolvi desde a infância com as viagens com minha mãe e tenho especializado ao longo dos anos, primeiro sozinha e agora com o André, é o que eu chamo de viagem fuleira! E eu amo as viagens fuleiras!

Meu lema é ir sempre mais longe e por mais tempo!

Mas isso é uma opção pessoal. Não estou “vendendo” esse estilo. Acho que cada um deve viajar da forma que lhe convém, dentro do orçamento que cada um pode. Eu prefiro esticar meu tempo e dinheiro o máximo possível. Para isso, existem técnicas! E vou compartilhá-las porque mais gente pode se beneficiar também.

O primeiro passo é organizar sua rotina normal, fora da viagem e descobrir de onde dá pra cortar gastos, criando uma poupança-viagem. A minha preferida é comer em casa! Comendo em casa eu garanto muitas vantagens: alimentação real, saudável e mais barata. Comer em casa sempre sai um pouco mais barato do que na rua e com um pouco de planejamento sai muito mais barato. Uma alimentação baseada em vegetais e grãos também faz milagres! (Pra saúde e pro bolso!). Pesquise feiras e mercados, compre frutas e vegetais da estação, esqueça as bebidas industrializadas, elas são sempre o mais caro. Faça tudo em casa, sucos, sopas, chás gelados caseiros, e ande com suas garrafinhas! Tenha sempre água na mochila ou bolsa, isso vai te garantir uma economia bruta no fim do mês, além de ser muito mais saudável.

Outro ponto na rotina é trocar os deslocamentos próximos para a pé! Deixe o carro em casa, pule o ônibus e vá a pé sempre que puder. Saia mais cedo. Volte mais tarde e já garanta o exercício do dia. Sei que em muitas situações não é possível, por conta de clima, horário, segurança, distância, etc, mas faça os que puder. Já vai fazer diferença no bolso e na saúde. A terceira é cortar gastos com comidas e bebidas que não são essenciais. Essa é a mais difícil e polêmica, vou deixar como uma dica e não me levem a mal. Confesso que se colocarem no papel o custo de bebidas alcoólicas, cigarros, excesso de doces, e outros do tipo, vão perceber que muitas vezes eles pegam uma parte significativa do orçamento mensal, e da sua saúde. Mas sem radicalismos. Veja o que é bom pra você. Eu, por exemplo, não abandonei o açúcar ainda, (embora os demais sim). A ideia aqui é você “limpar” seu orçamento de gastos supérfluos e guardar uma graninha a mais!

Outro ponto é desde o começo do ano planejar seu calendário e organizar as folgas. Quem trabalha freelancer ou autônomo tem como se planejar pra folgas maiores, mas o planejamento precisa ser mais bem-feito, porque deve incluir guardar mais dinheiro. Quem tem emprego fixo vai precisar organizar bem o calendário, juntar com feriados, emendar e outras artimanhas, mas é sempre possível, desde que feito com antecedência. Eu geralmente indico que a poupança-viagem seja separada da poupança regular, assim, caso você tenha algum contratempo, imprevisto com carro, gasto a mais, pode optar por mexer na poupança e manter a viagem intacta ou o contrário. Claro, nem sempre isso é possível, mas ter o dinheiro separado especificamente para viagens ajuda muito o planejamento. Outra dica é evitar as dívidas. Em vez de jogar tudo no cartão parcelado e depois se enrolar e nunca conseguir viajar, guarde antes. Isso evita muita dor de cabeça e torna os sonhos mais concretos.

Em relação a viagem propriamente dita, um dos truques é começar já economizando na passagem. Geralmente encontro boas promoções e a melhor até agora foi a última, fizemos São Paulo – Barcelona, por US$150,00 o trecho, em voo direto pela Latam, com refeição vegetariana e tudo! Para as passagens, roteiros e hospedagem minha dica preferida é seguir outros blogs de viagem e vou citá-los aqui:

Passagens Imperdíveis – http://www.passagensimperdiveis.com.br/

Quanto Custa Viajar – https://quantocustaviajar.com/

Melhores Destinos – http://www.melhoresdestinos.com.br/

Mochileiros – http://www.mochileiros.com/

Hostel World – http://www.brazilian.hostelworld.com/

Booking – http://www.booking.com/

World Packers – https://www.worldpackers.com/ (onde você também pode trocar habilidade por acomodação)

BlaBlaCar – https://www.blablacar.com.br/ (tem uma terminação do site para cada país, e é de caronas compartilhadas)

World Nomads – https://www.worldnomads.com/ (site primordialmente de seguros para viagens, mas com dicas também)

Decolar – http://www.decolar.com/passagens-aereas/ (esse muita gente conhece, mas poucos sabem que é possível criar um alerta de passagem, com seu destino preferencial, e receber por e-mail diariamente o menor valor do dia, assim da pra ter um bom acompanhamento de altas e baixas nos preços das passagens)

Um site que na verdade é sobre um empreendimento de vida e vou deixar como sugestão, para que vocês acompanhem, se surpreendam e descubram outras formas de viajar é o Livre Partida – http://www.livrepartida.com/

Outro é o Walk Across Europe, que conta uma aventura fantástica e ainda mais radical – https://walkacrosseurope.wordpress.com/

Recomendo seguir as páginas nas mídias sociais dos sites de passagem e fazer o alerta do Decolar.com para e-mail. Caso prefira ir de carro, usar o BláBláCar pode ser uma boa. Tentamos em janeiro do ano passado, indo pra Floripa e depois pra Porto Alegre, mas acabamos não conseguindo por mudanças de dia/horário da viagem, e acabamos fazendo de ônibus. Para quem não conhece, é um site de caronas coletivas, ou seja, você registra pra onde vai, quando gostaria de contribuição em dinheiro para gasolina e quantos lugares vazios possui no carro, além de outros detalhes, como quanta bagagem pode levar, se aceita fumantes no carro ou pets. Aí as pessoas podem acessá-lo e caso ambos aceitem, podem trocar mensagens por whatsapp ou sms e combinar a carona. Você pode tanto oferecer a carona como procurar por uma no site. No Brasil ainda não é tão difundido, mas tem mais opções do que parece. Caso vá de ônibus eu sempre prefiro pegar a estrada à noite, assim você economiza uma noite de acomodação e não perde um dia de passeio. É cansativo, mas faz parte desse estilo de viagem, low cost.

Uma vez que a passagem esteja garantida, o próximo passo é pensar em acomodação. Consegui bons hostels e campings pelo Booking.com, e uma das maiores vantagens é ter o app e poder cancelar sem custo até 24h antes do check-in na maioria dos casos. Não tenha medo de se hospedar em hostels e campings, o pessoal que frequenta está acostumado com esse tipo de viagem, ajuda os novatos e recebe bem, e todos tem muito espirito coletivo. Esteja preparado para abrir mão de individualismos, os banheiros são coletivos, separados em homens e mulheres, mas geralmente muito parecidos com os de ginásios esportivos e academias. Muitos possuem também cozinhas coletivas, e esse é outro diferencial para fazer uma viagem de baixo custo, abrir mão dos restaurantes famosos! No caso dos hostels, muitos aceitam trabalho em troca de hospedagem, especialmente se for por uma temporada completa, e não alguns dias. No site do World Packers tem mais sobre isso. O Airbnb – https://www.airbnb.com.br/ pode ser uma boa opção também, especialmente caso vá com uma família grande ou grupo grande de amigos, e nesse caso o valor de uma casa ou apartamento dividido fica menor do que o da diária de um hostel ou camping, mas para até duas pessoas dificilmente compensa, se bem pesquisado. Acima disso já vale a pena.

Caso queira passar um tempo trabalhando fora, existem outras opções, como AuPairhttps://www.aupairworld.com/en , Work Away – https://www.workaway.info/ e outros sites similares. Esses fogem da ideia de férias convencionais, e são mais para quem quer ficar uma temporada fora, conhecer outras culturas, conseguir acomodação e ficar pelo estrangeiro, ainda que trabalhando. E saiba que vai ter trabalho sim, e a remuneração é a hospedagem e (parte da) alimentação.

Uma outra opção, ainda mais baixo custo é o free-camping, ou seja, acampar em áreas que não são privadas e, em contrapartida, sem infra-estrutura. Nesse modelo contente-se com um banho de rio e uma fogueira, se muito. Para poucos dias pode ser muito divertido e barateia bastante a viagem. Outra opção é dormir no carro. No Brasil pode ser perigoso em muitas cidades, mas em rotas turísticas famosas, como Patagônia, Oeste do EUA, Caminho de Santiago de Compostela, e outras é mais comum. Para conhecer mais experiencias desse tipo leiam o post sobre o Pico da Onça do blog, e os blogs da Livre partida e Walk Across Europe!

Planejamento da comida é essencial. Caso o hostel ou família que o abriga (host family) ofereçam café da manhã, aproveite. Se não sentir muita fome pela manhã, embale e leve como lanche. Geralmente em viagem eu não almoço, no sentido tradicional de almoço grande e sentada normalmente à mesa, para economizar tempo de passeio e dinheiro. Costumo ir ao mercado local e comprar coisas para sanduíche, frutas, frescas e secas, sementes e castanhas, barrinhas de cereal, de frutas e de proteínas isolada, e taco tudo na mochila. Esses são meus lanches ao longo do dia. A noite procuro comer algo mais tradicional, especialmente se puder cozinhar. Geralmente em hostels e campings isso é fácil. O segredo é comprar coisas que deem sustância e energia para ir gastando no dia seguinte. Como ao longo do dia os lanches são mais leves, geralmente faço arroz com vegetais ou macarrão à noite, comidas que também são práticas para a fogueira. Geralmente evito “carne” de soja, mas em viagens curtas, especialmente camping, costumo levar, pois existem muitas opções enlatadas o que facilita e não requer fogo para serem preparadas. Nas viagens de free-camping geralmente levo algo como grão-de-bico e feijão em conserva e comemos frio mesmo, pois nem sempre dá pra garantir que vai sair uma fogueira.

Eventualmente vale a pena ir a um restaurante, especialmente se for algo único que não encontramos em outros locais, mas se render a fast-foods e restaurantes de redes tende a ser a pior opção, pois acabamos gastando muito e comendo mal. Comida de rua pode ser uma boa pra conhecer melhor a cultura local, mas os de estômago mais sensível podem sofrer com isso, e nos locais mais turísticos nem sempre é tão mais barato assim. Os lanches pre-preparados fazem muita diferença, e ande sempre com muita água. Evitar comprar água mineral em todo canto também da uma ajudada nas despesas. Lembre-se sempre de encher as garrafas de água onde estiver hospedado antes de sair pro dia.

Em viagens eu desligo o roaming do celular. Acaba com a bateria e com os créditos/conta. Se for pro exterior, compro um chip pré-pago local. E só uso pra emergências. Deixo pra me atualizar, dar notícias e postar fotos quando tenho Wi-Fi disponível. Geralmente acabo usando muito para ver mapas e localização, o que consome horrores de crédito, então existem algumas dicas nesse sentido. A primeira é comprar um bom e velho mapa do local em papel. Isso ajuda mais do que parece! A segunda é usar a opção de mapas offline, que consome memória, mas não bateria e internet, e já deixar os pontos que quer visitar salvos como favoritos no mapa offline no seu celular, o google maps oferece isso de graça.

Aliás, sempre gosto de viajar com o google maps antes de ir de fato. Ver o street view, já ter uma noção de como é a rua e a fachada do local onde vou me hospedar e dos endereços onde quero ir, assim, tendo esses anotados e na memória, ou no screen shot a vista de como se parecem, ainda que me perca, consigo achar os locais onde queria ir. Ainda não testei o uso de GPS para as trilhas e tenho muita vontade, mas fica pra quando comprar um. Para mapas, além do google maps, recomendo o wikilocs, especialmente pra offroads e trilhas, já mencionado em outros posts de trilhas aqui no blog.

Viaje leve! Em todos os sentidos. Leve o mínimo de bagagem possível! De preferência em mochila(s) e não mala. Mala de rodinha é bom pra chão de aeroporto, shopping e hotel. Arrastar aquelas rodinhas por calçadas irregulares de cidades históricas, chão de barro em camping, é loucura. Além disso, se você leva pouco e carrega tudo sozinho, a chance de comprar besteira diminui muito, porque você não vai ter nem espaço nem força pra levar os souvenirs. Antes de ir se planeje para lavar as roupas em algum local da viagem e com isso, levar o mínimo. Leve peças que combinem entre si. Esqueça tudo que não for essencial. Um casaco impermeável  é sempre uma boa pedida, mesmo que não seja chique. Um bom tênis de caminhada também. Eu optaria por um impermeável aqui de novo. Garantir os pés secos e o vento fora do peito é um excelente jeito de não ficar doente e aproveitar a viagem ao máximo!

Por fim é sempre bom ter uma fonte de renda para emergências. Ou uma grana em cash que você vai costurar do lado de dentro da calça e esquecer ali, ou um cartão de crédito, ou os dois. É essencial ter um pouco de dinheiro de emergência em cédulas porque já vi muita gente sofrer, especialmente em cidades menores, por não encontrar caixa eletrônico disponível no momento da necessidade. Isso sem falar que feiras, entradas de parques ambientais e o pagamento de muitas hospedagens comumente só são aceitos em dinheiro.

Mantenha seus pertences essenciais, como documentos e dinheiro em uma pequena bolsa, tipo doleira, longe das vistas e dentro das calças. Se for dormir em hostels sem locker com chave, durma com a doleira presa na cintura. Se te roubarem outras coisas, pelo menos com o dinheiro e os documentos você fica e se vira, nem que seja pra voltar pra casa. Não fique tirando dinheiro de lá em público. Mantenha um trocado na carteira, bolso ou bolsa e o restante na doleira. Faça a transferência em locais reservados. Caso vá se molhar, andar de roupa de banho, etc, deixe seus pertences em local de confiança. Leve sempre um cadeado bom para poder deixar os itens no locker do hostel, ou camping.

No mais, aprenda a usufruir de experiências e não de coisas! Aproveite a paisagem mais do que as fotos! Leia sobre onde está indo! Informe-se! Visite com calma, vá em locais menos turísticos, converse com locais. Aprecie o por-do-sol. Ande a pé. Veja as cidades de perto, sinta seu cheiro. Compre ingressos de locais famosos com antecedência. Evite perder tempo de viagem em filas. E por último, use calçados resistentes e extremamente confortáveis!

A vida pode ser muito boa e também fuleira! Aprenda a ter prioridades. Não é só de táxi e hotel 5 estrelas que se viaja. Existem inúmeras opções e um tamanho para cada bolso. Planejamento é tudo! No mais, só a paixão por viajar sempre!

Estanys de la Pera – Trilha 6

29/12/16

Estanys de la Pera

Essa foi sem dúvida a trilha mais bonita que fizemos até agora, além de ser uma das mais fáceis também. A trilha segue da estação de esqui de Aransa (esqui nórdico, que é parecido com uma patinação) e vai seguindo próximo ao rio Molí por quase o caminho todo. O resultado é que a trilha é quase toda plana e com imagens memoráveis do processo de congelamento do rio, com caverninhas de gelo e esculturas modernistas feitas pela natureza, além da vista para as montanhas em quase todas as direções. Desta vez não vou marcar o roteiro porque só existe basicamente essa trilha pelo caminho e são poucos os pontos de identificação.

Saímos cedinho de casa e fomos de carro até a estação de esqui de Aransa. A estrada está bem limpa e preservada, não há nada com o que se preocupar. De lá, cobra-se uma taxa de 3,50 euros para fazer a trilha, justificados como manutenção de estrada e sinalização das trilhas. É possível passar por outros caminhos, mas realmente sem um gasto na preservação, as outras estradas ficam horríveis. O caminho começa um pouco mal sinalizado, mas nada que um pouco de atenção não resolva. Ele deve seguir por uma estrada mais aberta, por dentro de uma mata de pinheiros.

Eventualmente, a trilha abre vista para um vale a leste e alguns pequenos córregos cortam a estrada e se congelam. Muito cuidado para não escorregar, falamos isso por experiência própria! Mais a frente a estrada acaba, mas há uma marcação tímida indicando uma trilha que sobe para a esquerda. A subida é bem leve e pouco a frente começa o trecho em que o rio se aproxima. Ele segue junto à trilha até uma grande área bosqueada mais a frente onde é possível ver um pequeno refúgio, mesas de pedra e churrasqueiras. Claro, ninguém usa esse aparato nesta época do ano, mas voltaremos em outro momento para ver como fica sem a neve e com pessoas.

A continuação da trilha encontra com a estrada e os dois caminhos são possíveis. Eu indico fortemente a trilha, pois além de mais reservada, há momentos que a estrada não proporciona, como a aproximação de uma pequena cachoeira. A formação de uma pirâmide de gelo em volta dela é uma coisa que impressiona alguém como eu, que até pouco tempo atrás conhecia muito pouco desse tipo de clima.

Não muito depois da cachoeira é possível ver o final do vale, com as montanhas fechando o cenário em volta. Neste momento desponta o Refugi dels Estanys de la Pera no alto de um platô. É sem dúvida o mais bonito dos refugis, mas parecia estar todo trancado. De fim de semana parece que abre-se a parte principal dele para turistas. De lá, a trilha bifurca para dois pontos de Andorra, um caminho indo para o vale de Perafita, a noroeste, e outro seguindo para os picos mais a leste.

Abaixo do refugi, está o menor dos lagos. Na ocasião da nossa visita, estava recoberto de neve por sobre o gelo. Eu andei um pouco sobre o lago, mas confesso que o medo do gelo partir me fez voltar rápido. Seguimos para cima até encontrar o lago maior, também recoberto, e um pouco mais difícil de encontrar pelas montanhas em volta. Um casal que andava a nossa frente tentou seguir pra lá do lago, mas desistiu pela profundidade da neve. Nós, claro, não desistimos tão fácil e seguimos nos arrastando pela neve alta e subindo nas pedras que surgiam no caminho, como náufragos. Depois de algumas centenas de metros e muito cansaço depois, vimos que acompanhar a trilha até o pico de Perafita seria impossível. A marcação das trilhas nas pedras era visível, mas a trilha em si havia desaparecido. Cavamos nosso caminho de volta até o refugi e de lá seguimos, molhados, de volta pela mesma trilha.

DCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPRODCIM100GOPROimg_3279img_3280img_3282img_3283img_3284img_3286img_3287img_3288img_3289img_3290img_3291img_3293img_3297img_3298img_3300img_3301img_3302img_3304img_3306img_3307img_3308img_3309img_3311img_3312img_3313img_3314img_3316img_3317img_3318img_3319img_3320img_3321img_3322img_3324img_3325

Calçados para trilha

Hoje fui andar pela cidade enquanto esperava a biblioteca abrir, minha atual única fonte de internet! E fiquei toda feliz olhando para minha bota nova de neve, surpresa de não estar sentindo nenhum frio, embora estivesse de legging e com apenas uma blusa em baixo do casacão. No meio do passeio, entre terrenos lindos, com casinhas fofíssimas de um lado e o rio Segre, com o parque olímpico de remo do outro, resolvi escrever um pouco sobre vestimenta para trilhas no frio. Prometo que no próximo escrevo sobre o Parc Olimpic del Segre porque também vale a pena!

Antes de começar vale citar que por falar de roupas, calçados, etc, vou citar marcas e dar minha opinião sobre o que já usei. Não é propaganda, nunca recebemos nada por isso, pelo contrário, já gastei um bocado com esse tipo de roupa. Dado o aviso, vamos lá.

Vou começar pelo calçado, que na minha opinião é a parte mais importante para o trilheiro. Eu tive durante longos e assustadores 11 anos uma bota de trilha da Reebok, o modelo super antigo já não se encontra disponível, mas ela foi uma fiel companheira para uso eventual e descontinuado, embora intensivo. Em 2014 ela já estava mais gasta na sola que pneu de carro velho, e, embora com aspecto usado, estava em boas condições na parte superior, uma vez que eu sempre fiz manutenção, troquei o cadarço umas 3X nesses anos e alguns ilhoses também. Mas bota de trilha tem que estar com a sola em dia, a lógica é a mesma do pneu. Se as ranhuras não estiverem suficientemente profundas, você escorrega.

Troquei por uma Timberland (Chocorua Trail Mid with GORE-TEX®) que atualmente está sendo vendida por 140 euros no site da Timberland. Apesar de cara (em 2014 paguei em Brasília entre R$500-R$600) gostei muito, sempre foi muito confortável e prática e já estreei numa viagem de 15 dias de mochilão: Amsterdã – Madri – Barcelona, na qual só usei ela todos os dias. Minha experiência com essa bota foi bem diferente da anterior da Reebok, por causa do tipo de uso.

bota-timberland-1

Existem três classificações que devem ser consideradas para analisar o tipo de uso, e consequente desgaste, de um calçado: frequência, intensidade e altitude. Frequência se refere a quantas vezes por semana você usa o calçado, se for todos os dias, a frequência é alta. A intensidade diz respeito ao tipo de uso. Se por apenas 1h 0u 2h, como calçados de corrida, a intensidade é menor que os de trilha, que geralmente são usados por entre 6h a 12h em um único dia. Ainda assim, nesse exemplo ambos estão sendo usados para fins esportivos, o que exige uma intensidade alta. Caso use para trabalhar a intensidade do uso muda se você trabalha sentado ou andando, se se locomove até o trabalho a pé ou de carro, etc, quanto mais tempo de contato do calçado com o chão no seu pé e quanto maior seu esforço, maior a intensidade de uso. E a altitude é se você usa o calçado em planície ou montanha. O desgaste em montanha é bem maior.

O da Reebok, que durou 11 anos, foi usado em baixa frequência, apenas em viagens, com grande intensidade, e em altitudes variadas. O que garantiu a ele a sobrevida, além da manutenção, foi o uso eventual. O da Timberland, comprado em 2014, teve uso frequente (quase diário por 2 anos e meio), intensivo e além do dia-a-dia em planície, pegou muita montanha. Por isso já estava um tanto desgastado, inclusive na sola. Quando coloquei ele na neve, refazendo a trilha 3 (Coll Midós) com o André no meio de dezembro ele quase não aguentou. A parte frontal queimou muito, o que o deixou manchado. Culpa minha que coloquei na neve alta e fofa um calçado que não era para essa finalidade. Com isso a borracha dianteira abriu e agora e impermeabilização ficou um pouco comprometida e visualmente ele está bem velho e acabado.

Por isso fui pesquisar e comprei uma bota específica para caminhada em altitude na neve. Minha preocupação maior foi a durabilidade e a resistência, embora ela aqueça também. O uso aqui será frequente, intensivo e de montanha. No fim do inverno conto como ela se comportou. Comprei a bota de travessia Forclaz 500 Warm impermeável Quechua, disponível em preto e rosa ou azul e salmao, na Decatlhon por 54,99 euros.

bota-quechua-neve-1

Já fiz uma trilha bem puxada com ela, e o resultado foi bom. E olha que a neve vinha até a coxa em alguns momentos. Ela parece bem bruta mesmo, e espero que seja, pra aguentar esse ritmo. No verão acho que vou ter que trocar a minha da Timberland e comprar outra.

Ainda sobre calçados, algo absolutamente fundamental para o caminhante é o fator impermeabilidade. O calçado, seja verão ou inverno, tem que ser impermeável, se o uso for intensivo. Mesmo pra quem, como eu, morou anos no cerrado e só via chuva às vezes, ainda acho que vale a pena investir na impermeabilidade do calçado de trilha. Caso você esteja na trilha e chova, ou se precisar atravessar um rio e ele for bem raso, e dê pra molhar só a ponta, tudo isso o impermeável aguenta. Caminhar com os pés (meias e parte interna do calçado) molhados é a pior opção que você pode fazer. O calçado e você perdem desempenho, o pé machuca, e você perde muito calor (o que se for inverno pode ser um erro fatal). Além disso, caminhar com o calçado molhado por dentro, além de te machucar mais, danifica o calçado mais rápido.

Existem inúmeras formas de deixar um calçado impermeável, a mais básica é utilizar borracha ou plástico por fora, como é o caso das galochas e mesmo das Melissas. Só que esse material tende a ser menos anatômico e a ter pouco agarre, assim, as botas especializadas para trilha possuem membranas com tecnologia para torná-las impermeáveis. Essas membranas atuam em 3 quesitos: transpirabilidade, impermeabilidade e corta-vento. O plástico e a borracha são impermeáveis e corta-vento, mas não permitem transpiração. Para manter os pés secos em marcha, o calçado deve permitir que a transpiração evapore, ou o pé ficará molhado com ou sem chuva depois de algumas horas de caminhada fazendo esforço na subida. E não há meia que aguente. A impermeabilidade em si é a capacidade de agua escorrer por cima sem penetrar a membrana. E o corta-vento é o poro estreito que não permite que o vento entre, embora permita que o suor saia.

O nível de impermeabilidade é medido em flexões. Geralmente se usam 3 medidas: 2000, 4000 ou 8000 flexões, que equivalem a 2h, 4h, ou 8h em marcha sob chuva intensa. O trilheiro costuma passar o dia todo em marcha, por isso eu prefiro investir em 8000 flexões embora caçados com esse nível de impermeabilidade sejam um pouco mais caros.

Existem duas marcas famosas de membranas: a Gore-TEX (que marcas famosas como a Timberland e a Salomon usam) e a Novadry (utilizada pela Quechua e produtos Decatlhon). A Gore-TEX me atendeu muito bem até hoje, e agora a Novadry tem sido excelente também. Li muitos relatos, blogs e comentários sobre elas. Há quem prefira um tipo ao outro, há quem diga que é a mesma coisa com dois nomes comerciais. A tecnologia é similar e o efeito também. Não sei ainda se a durabilidade é a mesma, mas há que se considerar a diferença de preço, que talvez compense uma mais cara por mais tempo ou dois pares mais baratos em menos tempo. Como agora, morando num clima mais temperado, vou precisar diferenciar em verão e inverno, prefiro ter dois pares com preço mais acessível e aliviar na frequência.

Também é necessário considerar o nível técnico do calçado como um todo, o número de flexões, a profundidade das ranhuras na sola, o nível de transpirabilidade e isolamento térmico. Todos esses fatores influenciam, e claro, o uso e a manutenção que cada um faz. Nunca subestime o poder da manutenção. Passar uma água por fora, nunca lavar na máquina, deixar secar bem por dentro (suor e/ou chuva) antes de usar de novo, tudo isso garante uma vida maior ao calçado.

Mesmo com toda essa tecnologia, na última trilha ainda voltamos com os pés um pouco molhados, pois a neve estava tão alta que acabou entrando entre a calça e a bota e aos poucos a água minou para dentro. O modelo de bota de neve do André (Novadry – Decatlhon também) com preço ainda mais acessível e menos níveis técnicos molhou mesmo por dentro. A minha (que segundo ele só falta fazer café) molhou só a parte superior do tornozelo, e a água não minou para dentro da bota. Ainda assim foi um pouco desconfortável na trilha de volta. Na próxima usaremos a calça impermeável para dentro da bota.

O ideal para os trilheiros e ter pelo menos 2 calçados disponíveis. Com esse tipo de uso intensivo eles arrebentam mesmo. Para viagens de 1 a 15 dias eu recomendaria levar um só, adaptado à estação do ano. Para mais do que isso eu recomendo levar 2 pares. Caso você não more próximo a uma boa loja de artigos esportivos, ou esteja em viagem, vale a pena ter no mínimo um par sobressalente. Foi o erro que cometi. Vim para La Seu com apenas a bota da Timberland, e alguns outros calçados adaptados para verão ou passeios leves em planície, ainda que na neve, como minha galocha da Hunter, adquirida na Escócia e muito popular por lá, que é ótima para uma caminhada em terreno plano, ou em charcos e pântanos, aí ela se supera!  Mas que não tem agarre e nem desenho anatômico pra montanha.

Acabamos tendo que ir até Girona para adquirir a bota de neve. Em Andorra eu poderia ter comprado outra Timberland. Mas confesso que o diferencial de preço oferecido pela Decatlhon me convenceu a ir até lá, além de ser uma ótima desculpa para viajar mais um pouco. E o valor da gasolina valeu a diferença!

Nos próximos vou comentar sobre as roupas, o sistema de três camadas e a importância de um tecido corta-vento no frio!

La Seu es Seva – Trilha 3

Antes de falar da trilha, queria fazer alguns esclarecimentos. Estava empolgado pra descrever as duas primeiras trilhas e pulei alguns passos. É importante informar sobre o mapa que tenho utilizado. É um mapa de excursionistas de Alt Urgell, pode ser encontrado em livrarias. Pertinho da Plaza Catalunya, em La Seu d´Urgell mesmo pode-se comprar um por 6 euros e alguma coisa. As trilhas (onde só se pode ir a pé), estradas (permitem passagem de carros) e pontos de referência que uso são a partir desse mapa. Na trilha 1, por exemplo, dei como referência a altura de um pico, para melhor localização de acordo com o mapa. Tem coisas nele que não estão corretas, mas no geral tem sido extremamente útil. Dito isso, podemos dar continuidade!

mapa-la-seu

Trilha 3 – 10/12/16

Roteiro – Bescarán (1) – Riu de Bescarán (2) – Paluc (3) – Refugi del Coll de Midós (4)- Coll de Midós (5) – Coll Jovell (6)

Essa trilha começa já em Bescarán. Não acho que seja possível fazê-la em 1 dia a partir de La seu d´Urgell, a não ser que você tenha uma velocidade e resistência excepcionais e esteja andando no solstício de verão! Um carro ou uma carona serão necessários aqui.

1 – A vila de Bescarán é simpática, mas não encanta como Arcavell. Durante a manhã a cidade é sombreada pela montanha atrás dela, deixando o frio de dezembro ainda mais agudo. Algumas casas estão bem reformadas e parecem ser de quem tem o suficiente para ter uma segunda casa, mas outras estão decadentes ou reformadas sem a preservação do estilo local, o que quebra um pouco a magia. Eles tem, porém, uma torre de estilo lombardo que sobrou de uma igreja do século XI ou XII! Infelizmente eu não tenho nenhuma foto boa da torre. Um ponto interessante que pude perceber aqui é que as construções de pedra antigamente eram rebocadas. Uma das casas ainda tem restos do reboco. Parece que a intenção de expor as pedras é mais recente.

Campanar de Sant Martí.jpg

Campanar de Sant Martí – construída no ano de 914 d.C.

2 – Saindo pelo norte da cidade, a parte mais alta, há uma trilha bem marcada. Ela anda muito pouco até bifurcar, aqui o caminho da esquerda parece ir em direção a Andorra, mas meu plano estava em subir à direita. Depois disso, é só manter à esquerda por um bom tempo! O começo da trilha beira um vale bem fundo, com o som da água corrente e vista para um cachoeira do outro lado. A subida segue acentuada até uma passagem daquelas que impede a saída de gado e uma seringa para gado também. Aí sairemos em uma estrada. Mantendo à esquerda, essa estrada segue por uma boa distância, eventualmente se aproximando do Riu de Bescarán o suficiente para descer e colher água ou apreciar a vista. Do outro lado do rio há algumas casinhas bem preservadas. Quando passei, o trecho todo de estrada estava entre gelo e neve. O gelo reduz a velocidade e há um grande risco de escorregar. A neve alta só reduz a velocidade e cansa um pouco. A neve baixa é uma delícia de andar! Eventualmente, a estrada serpenteia pra cima. Eu tentei cortar caminho por fora da estrada, mas me arrependi. A neve fofa acabou com meu fôlego! Esse trecho todo até aqui é feito na encosta norte, o que significa frio!

3 – Quando a estrada contorna o Pico Paluc, a vista se abre para o sol e para os vales abaixo! Há uma casinha de pedra bem junto a estrada, quase impossível de não ver. Só não digo impossível porque eu não vi. Voltaremos nela mais tarde. Se você seguir a estrada do lado sul, eventualmente você se afastará do Pico Paluc e irá na direção de Cerdanya, a província mais a leste. O pico mesmo não tem trilha que leve a ele e imagino que seja território de caça. Ele não faz exatamente um pico, mas há uma clareira mais larga em seu topo. Eu subi pela encosta mesmo, a passagem é bem limpa e a inclinação não é um impeditivo. Fora da trilha é possível ver sinais de cervídeos, como patas na neve e fezes em síbalas. Em um trecho, foi possível perceber que uns 2 ou 3 deles estavam correndo quando passaram. Também parece haver javalis, mas ainda não sei identificar tão bem os rastros! O topo tem uma vista incrível para o sul e sudoeste, sendo possível ver até o aeroporto e Castelciutat (La Seu fica escondida atrás de uma serrinha), mas do lado norte as árvores bloqueiam a visão pras montanhas de Andorra. Ainda assim, é lindo e a neve entra no seu tênis de tão alta em alguns trechos. Aliás, vale reforçar, vá com calçados confortáveis!!!

4 – Descendo de volta até aquela casinha de pedra, temos um local perfeito pare ler Toureau ou Hemmingway. O refugi de Coll Midós estava trancado, mas sua vista para o oeste dá um panorama incrível. A construção é muito simpática e a estrutura em volta para lidar com gado cria uma imagem curiosa do que o trabalho e o isolamento deveriam ser em outros tempos, ou pelo menos no verão. Há um cocho com uma água limpíssima e, agora no fim do ano, com gelo cobrindo algumas partes da água. Num mundo paralelo perfeito, eu moro aqui com um Bernesse e trabalho de lenhador ou guarda florestal. Um excelente lugar, não interessa pra quê.

5 – A descida eu fiz fora da trilha, descendo exatamente para sul. Supostamente há uma trilha ali, mas eu não vi nada. Mas também o caminho é bem suave. Parece que tem uma trilha que desce do refugi mais para oeste, mas eu não fui checar. Saí numa estrada que faz parte da trilha de Sorri, uma trilha que se sobrepõe a essa minha algumas vezes e que é bem demarcada. Virei a direita (oeste) e segui a estrada. No mapa diz que há um Dólmen de Coll Jovell no caminho, mas eu não vi nada. Esse trecho todo é um bosque com uma estrada bem aberta, apesar de pouco usada. Depois descobri que ali é fechado pra carros (não fiz muitas perguntas quanto a ser fechado pra pedestres), mas que passam caminhões e há extração madereira. Diferente da primeira trilha, eles não devastaram o bosque todo, mas tiraram algumas árvores somente. Fiquei refletindo sobre a necessidade da geração de empregos e produtos contrapostos à exploração do ambiente. Me pareceu uma saída viável usar a área daquela maneira, mais responsável.

6 – A única bifurcação dessa estrada eu mantive à esquerda. A trilha estava com bastante neve, mas nada que atrapalhasse o caminhar. Depois de alguns quilômetros, saí exatamente onde estava a seringa para gado do trecho 2. Ali havia a placa de proibido passar, estipulando multa e tudo, e eu estava voltando “por dentro”. Mas me pareceu seriamente que isso se destinava a carros, até porque havia mais pegadas na neve nesse trecho todo (parecia de um casal, pelos tamanho, formatos e disposições). Dali tomei o mesmo caminho de antes até Bescarán, marcado como 30min a pé, pois a estrada estava sinalizada como mais 5km.

Resumindo, adorei essa trilha, caminhar pela neve foi uma experiência nova e encantadora, e a vista também foi incrível. A combinação da montanha com a neve deu uma sensação curiosa, de felicidade sem alegria. Eu não estava querendo rir, brincar, contar piadas, só estar ali, ouvindo o barulho da neve sob meus pés. As cores e os cheiros acalmavam e davam uma sensação de plenitude. Pensei muito sobre os primeiros povos a viver ali. Não à toa as primeiras deusas e primeiros deuses controlavam a natureza e seus elementos. Este final de outono também é um período interessante, a vida parece estar se despedindo do sol e preparando pra se esconder. Tudo é silêncio e recolhimento.

As montanhas e o frio sempre abrigaram seres mitológicos, mágicos. Os da montanha sempre foram trabalhadores, industriosos. Os do frio tendiam a ser perversos e sorrateiros. É possível entender tudo isso, a vida nas montanhas antes das facilidades modernas devia ser penosa, e o inverno devia colher pessoas como as pessoas colhiam as abóboras na estação anterior. Hoje, liga-se o aquecedor, move-se de carro, alimenta-se do supermercado. Ainda bem que pudemos enquanto espécie facilitar nossas vidas, mas estar em contato com esses elementos até instintivos da nossa espécie é ainda impactante.

bescaranbescaran-12

Bescaran 13.jpgbescaran-11bescaran-10bescaran-9bescaran-3bescaran-4bescaran-5bescaran-6bescaran-7

Coll de Midós.jpg

bescaran-8bescaran-2

La Seu es Seva

Estamos inciando essa semana uma série de post sobre trilhas na região dos Pirineus, na Catalunha, Espanha. Esperamos poder contribuir com as viagens de vocês e cada vez mais poderemos dar um apoio para sua viagem. Mais fotos e vídeos virão, mais mapas, coordenadas e muito, mas muito mais, trilhas! Esqui, trilha na neve, refúgios, Camping livre (a partir da primavera), road trips e muito mais!

Começamos com um breve gostinho! Espero que aproveitem!

Trilha 1 – 28/11/2016

Roteiro – La Seu – Vall de Vallira(1º) – Arcavell(2º) – Pic de Boloriu(3º) – Coll de Jou(4º) – Bosc de Pinya(5º)- Cortal de Sant Andreu(6º) – La Seu

Trilha 1 La Seu - Fargas - Arcavell.png

1° trecho – Nada de realmente interessante no vale, exceto pela catedral de Anserall, Sant Serni de Tavernoles. Muito antiga e muito bonita. É possível marcar uma visita gratuita por telefone 639 060 898. O rio em si é amigável, mas o vale é muito fundo e pelo menos nessa época do ano fica enevoado boa parte do dia, mesmo quando o sol bate nos picos em volta. É uma trilha bem plana, mas a proximidade constante com a estrada estraga um pouco.

2° trecho – Da aduana de Andorra até aqui é uma subida considerável, mas não muito inclinada. Um povoado extremamente simpático. As casas estão muito bem cuidadas, evitando o ar de abandono que outros locais passam. Os tetos de quase todas as casas são feitos de pedras chatas sobrepostas, me pareceu muito curioso! Há fontes de água com o aviso de que não é água tratada sanitariamente, mas eu bebi e estou vivo e bem. A vista é boa, e parece ter algum tipo de comércio. Não explorei essa parte…

3° trecho –  A subida de Arcavell até o pico foi confusa. É difícil saber que estrada sai para qual lado, e o serpentear constante do caminho oficial me causou uma confusão. Resultado foi que eu subi pela encosta, atravessando os pastos, na maior parte do tempo. Como essas encostas ficavam do lado norte, havia uma quantidade razoável de gelo. Nada de mais, mas as vezes escorregava um pouco. O pico em si foi, com o perdão da expressão, o ponto alto da trilha! Algumas ruinazinhas pelo caminho, um pasto com pinheiros esparsos e vacas leiteiras com bezerros ao pé se espalhavam pela encosta, e do topo é possível ver uma boa parte do vale do Vallira e até mesmo La Seu d´Urgell. Do outro lado, os picos mais altos de Andorra, com neve, criam uma paisagem incrível 360°. Havia uma casa que parecia reformada, mas não tenho muita certeza, pois não me aproximei. Imagino que seja usada por caçadores.

4° trecho – a descida seguiu por um trecho absolutamente desabitado, onde nem os picos tem nome. É uma grande mata de pinheiros, com uma estradinha que, por sorte, manteve os caminhos que eu pretendia seguir abertos. Quem quisesse ir para outros locais talvez não tivesse a mesma sorte, pois a realidade não parecia bater com o mapa. É um trecho longo, porém relaxante e pouco cansativo. A trilha dá a volta em uma bacia chamada Estremir e no final dessa parte a vista se abre majestosamente para a serra de Cadí.

5° trecho – Segue-se até um tal de bosc de Pinya, onde todas as árvores haviam sido recentemente cortadas. Pouco antes do bosque, há um pico com 1458 metros de altitude. Não há trilha até o topo, mas a encosta é limpa o suficiente pra subir assim mesmo. De lá, é possível ver Alàs, no vale do Segre, e LLirt, na serra ao lado. Ao descer do bosque, há uma casa que não parece habitada permanentemente, e a estrada é fechada por uma cancela. Achei que fosse uma entrada particular e me perdi por meia hora por causa disso. Descendo pelo trecho da cancela a estrada faz um zigue zague até o Cortal.

6° trecho – De repente, aparecem caixas e mais caixas de abelhas! Logo mais um agrupamentozinho de casas marca a trilha. Nada de mais, mas serve como referência. Um pouco mais abaixo (algumas centenas de metros) na estrada está sinalizada a saída da pequena trilha para LLirt e logo depois outra trilha sai para o Vale, indo direto até o bairro de Sant Pere, já em La Seu.

Resumo: A partir de La Seu, não requer carro ou ônibus. Uma trilha boa pra quem tem um dia livre e gosta muito de andar. Foram mais de 20km, com subidas pesadas no caminho. Tempo também é um recurso escasso, quase fiquei depois do escurecer na trilha. Na verdade, a ideia era explorar mais, mas superestimei minha velocidade. Havia trechos alagados e escorregadios que me forçavam a ir bem devagar. Por ser uma trilha circular, oferece a oportunidade de passar em mais locais e de se perder mais vezes!

Trilha 2 – 03/12/16

La Seu – Llirt – Estamariu

(Não foi possível fornecer o mapa dessa segunda, pois os pontos de referência não são localizáveis pelo google maps, mas é possível encontrar a referência em mapas físicos que podem ser adquiridos na cidade de La Seu D’Urgell).

Essa trilha pode parecer curta, mas ainda assim leva um bom tempo. Saindo de La Seu pelo bairro de San Pere, há uma trilha sinalizada até Llirt. Essa trilha sai paralela a estrada principal no vale, e não segue o pequeno rio que desemboca no bairro, aviso porque perdi um tempo aqui. Ela toda vai marcada com tinta amarela pelas pedras a cada centena de metros, aproximadamente. Mesmo assim, eu consegui me perder e acabei fazendo boa parte da subida por fora da trilha. De qualquer jeito um trecho curto essa trilha é feita na estrada.

Ao chegar em LLirt, não há muito para se ver, além da vista que já vem se formando ao longo do resto da trilha. Mesmo assim, o pouco que está lá é impressionante. Menos de uma dúzia de casas abandonadas, construções de pedra deixadas como que do dia pra noite. Essas ruínas não parecem muito velhas, comparadas com outras que já vi por aqui. Digo isso porque ainda há restos de reboco em uma das casas, e em muitas portas e janelas a madeira que sustenta a parede logo acima ainda não cedeu. Ainda assim, muito cuidado com os prédios, pois parecem estar a beira de desabar. Os espinheiros cobriram boa parte das entradas, de qualquer jeito.

A estrada segue para Estamariu. Apesar da placa em Llirt, só teria uma direção para se ir mesmo. Menos de 1km a frente, a trilha divide, mas ainda é meio óbvio que o caminho continua para leste, já que a outra opção só subiria a encosta. O problema maior vem mais pra frente, quando a estrada divide em cruz, sem nenhuma sinalização. Pelo mapa que eu tenho, me pareceu ser o caminho que virava a esquerda e mantinha a direção leste. Pois a estrada segue até uma casa de pedra em um pasto e depois se converte em uma trilha, um pouco mal demarcada. Atravessando um pequeno riacho e virando à direita, logo há uma saída para a esquerda que sobe a encosta. Foi o único caminho que tentei e cheguei em Estamariu, então recomendo! No final dessa subida, que deve levar próximo de 1km, a trilha bifurca novamente. Segui pela esquerda, e poucos metros a frente a vista se abre para um vale com Estamariu do outro lado! Foi a vista mais incrível do dia, certamente. Daqui pra frente a trilha é fácil até o final, ainda que longa.

Contornando o vale, a trilha chega a Estamariu pelo fundo. A cidade vale uma caminhada, e uma estória da cidade está escrita em um informativo turístico muito interessante, bem no caminho. A descida se dá pela estrada asfaltada mesmo, até o Vale, próximo de Alàs. Não tente sair da estrada, a encosta é bem íngreme e cheia de espinho. Mesmo! Já no vale do Segre novamente, serão mais 4 km aproximadamente de volta até La Seu. Esse trecho todo de Estamariu até La Seu é longo mas simples. Uma pena que aqui já não há nada muito mais interessante para se ver.

Ficam algumas fotos! Boa trilha!

cap-de-boloriu-vista-norte

Cap de Boloriu, Vista norte

em-estamariu

Estamariu

entrada-de-andorra

Entrada de Andorra

estamariu-2

Ruínas em Estamariu

estamariu-3

Estamariu

estamariu-4

Estamariu

estamariu

Estamariu

les-valls-de-vallira

Les Valls de Vallira

llirt-estamariu

Estamariu

sant-serni-de-tavernoles

Sant Serni de Tavernoles

vale-do-segre-e-serra-de-cadi

Vale do Segre e Serra de Cadí