13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Não viaje só para tirar fotos

Post rápido, só pra compartilhar com vocês um pequeno texto que li e concordei muito.

Nas minhas andanças, muitas vezes vejo as pessoas que estão ali, naqueles locais incríveis, apenas para tirar a foto com jeito de quem bate o ponto, e sair rápido em busca da próxima selfie, do próximo destino, da próxima compra. Muitas pessoas não sabem nada sobre os locais que estão conhecendo, não leem a respeito antes, durante ou depois (eu muitas vezes prefiro ler durante ou depois, para ter uma primeira impressão “não contaminada” das visões dos folhetos e guias, mas em outros momentos prefiro planejar bem, depende da viagem), não interagem com os locais de verdade. A impressão que tenho é que algumas pessoas não querem sair da mesma vida globalizada de sempre, com as mesmas lojas, comidas, caras e roupas e apenas tirar selfies com “fundos” diferentes, como se fossem o gnomo da Ameliè Poulain.

E penso também nas pessoas que gostariam de viajar e não podem financeiramente, ou que não conseguem por questões de medo, ou insegurança, e que são muitas vezes pessoas que conhecem os lugares, por livros, guias, mais do que locais!

Então é preciso juntar essas paixões! Se você pode viajar, faça uma viagem envolvente, que te mude de fato! Leia a respeito, pesquise e vivencie o local para além das selfies clichês dos pontos turísticos e da balada famosa. O mundo ainda é muito grande e diferente.

E se você gosta tanto de ler a respeito e sonhar, vá! Tome coragem, planeje-se financeiramente e em relação ao tempo e as dificuldades da vida. Muitos viajam com pouco, comendo comida feita em casa, pegando caronas, dormindo em casa dos outros. É possível, com um pouco de esforço e planejamento!

De todas as formas, por favor, viaje muito e viaje com a cabeça aberta e volte diferente, sempre!

Não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos, postar no Instagram e voltar pra casa

“Eu sempre acreditei que, ao fazer uma viagem, o mais importante é ter a cabeça aberta.  Cabeça aberta e livre de preconceitos pra entender a cultura que você está emergindo. Pra experimentar as comidas típicas e fugir dos fast foods americanos. Pra conversar com os locais além de taxista, garçom e atendente do hotel.

 E eu te peço, não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos em frente à monumentos, postar no Instagram e voltar pra casa.

Explore os lugares que você visita. Converse com as pessoas, ande sem direção pelas cidades, mergulhe de cabeça nas diferentes culturas que você conhecer ao longo da sua vida.

Deixe o mapa de lado e se perca. As vezes é se perdendo por uma cidade desconhecida que você se encontra na vida.

Se for um país pobre, não ande com medo dos locais.

Se for um país rico, não o ache melhor que os demais países. 

Entenda e respeite as diferenças de cada lugar.

Dessa forma, você terá sempre um pouquinho de cada cultura dentro de si, e nunca andará sozinha por aí.

 Não volte de uma viagem do mesmo jeito que chegou, apenas com umas fotos bonitas a mais no celular e uns dólares a menos na conta do banco. 

Volte sempre diferente, com novos aprendizados, novos amigos, novas histórias.

O conhecido já estará te esperando em casa, pra quando você voltar.

Fuja o máximo possível dele enquanto estiver longe.

Brinque com as crianças na rua, compre comida nas feiras, ande de transporte público, se vista com as roupas típicas, saia a noite com os locais.

Se uma viagem não te desafiar a sair da sua bolha, ela não estará te agregando em nada.

Crie laços com o desconhecido, é ele que vai te levar mais longe.” 

Texto da Amanda Areias disponível no: Mochila Brasil.

Prat de Cadí

 18/03/17

Depois de um bom tempo sem uma caminhada original pra relatar, resolvemos seguir o conselho de um amigo e explorar a região próxima à face norte da Serra de Cadí. Achamos no nosso mapa algumas marcações que pareciam interessantes e seguimos o caminho até lá!

Pegamos a estrada até Martinet, cidadezinha que faz a divisa da Cerdanyà com Alt Urgell. De lá pegamos a estradinha para Estana. Tivemos a surpresa de cruzar com uma região de bunkers (também especificado por esse amigo), construídos ali, segundo a placa, devido ao medo que Franco tinha de uma possível invasão francesa. A sequência de fortificações e túneis parece aberto em outros dias, mas não no sábado… De qualquer jeito, é bem interessante reparar nesse trecho da história dos Pirineus.

A subida até Estana é longa e tortuosa. Dá pra sentir a temperatura caindo e o vento intensificando. A vila em si é muito charmosa, e tem uma vista privilegiada da serra. Há, no início da trilha, depois de passar a cidade em uns 700m, um estacionamento. Mas nós não sabíamos e paramos na cidade mesmo, o que foi bom, pra poder observar as casas reformadas que provavelmente servem para veraneio.

A trilha segue bem demarcada e sinalizada, apesar de ser em boa parte bem acidentada. Também é uma das mais movimentadas que fizemos até agora, junto com a dos Estanys de la Pera. São obviamente as mais famosas, não à toa, pois são também as mais bonitas. A inclinação do caminho é leve, mas constante. Só um trecho escapa disso, e a neve abundante exatamente ali fez a subida um pouco mais delicada. Vimos, na volta, um grupo de senhores e senhoras desistir da caminhada exatamente nesse trecho. Porém, não estavam com nenhum equipamento específico e apesar da disposição, não pareciam ter a mesma mobilidade de décadas atrás. Mas com exceção desse trecho, o caminho todo até o Prat é fácil, seguindo principalmente por entre bosques e só eventualmente saindo para algum trecho aberto.

A chegada ao Prat é para deixar claro porque a trilha é famosa. De repente, o campo se abre em um platô logo abaixo da Serra de Cadí, com as imensas pedras que formam a espinha tão próximas que é possível ver seus detalhes. O campo estava todo nevado, e se alguma parte já derreteu, eu não quero saber como estava antes! Não levamos equipamento adequado porque não achávamos que seria necessário. Mas afundamos até a coxa na neve, e as mãos doíam de frio ao tentar se levantar. Também tivemos neve adentrando o tênis e a meia, uma sensação desagradável, que nos fez tomar a decisão de guardar nossas polainas de proteção permanentemente no porta-malas do carro.

Algumas pessoas descansavam na lateral do Prat, enquanto outras passavam esquiando pela leve inclinação da região. O Picot ficou realmente impressionado com o fato de pessoas passarem a tal velocidade sem movimentar as pernas. Mas logo depois disso, ele se recuperou e nos ajudou a achar uma trilha para nos aproximarmos mais da Serra sem ter que atravessar a neve. Mas nosso esforço durou pouco, pois logo percebemos que pra qualquer lugar que fossemos a neve nos cercaria.

Voltamos pelo mesmo caminho, agora só na descida. Foi bastante tranquilo, exceto pelas meias molhadas. Conseguimos chegar em casa ainda cedo, não tendo nos desgastado tanto quanto em outras caminhadas. Essa trilha, além de belíssima, também é boa opção pra quem não está com todo aquele preparo físico, mesmo com seu total de aproximadamente 12km.

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Bunkers

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Vista de Cadí em Estana

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Picot rolando na neve

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Chegada ao platô

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Cadí em detalhes logo aí do lado

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A travessia do platô exigia equipamento pra neve, mas não tínhamos no dia

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Arseguel: cidadezinha onde paramos na volta para conhecer. Um charme! 

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Road Trip 3 – Pallars Sobirà

Mais uma vez aproveitamos os trâmites burocráticos para viajar um pouco mais! Desta vez tínhamos que passar por Lérida (LLeida para os íntimos), e na volta pegamos a estrada que subia por Pallars Jussa e Pallars Sobirà, nossas províncias vizinhas. Uma ideia de última hora, e mesmo com a falta de planejamento, conseguimos aproveitar bem.

Nossa primeira parada da volta foi na cidade de Camarasa, onde uma ponte de pedra desabada sobre o rio Segre justifica ainda mais a minha escolha de um rio preferido. A água verde semi transparente em oposição às encostas do outro lado do rio fazem um cenário maravilhoso pra passar uma tarde ali e, de repente, até nadar um pouco. Mas não estávamos no luxo de gastar tanto tempo assim…

Seguimos até a a represa de Camarasa, pouco acima, e paramos novamente para apreciar a vista. O represamento nas províncias do norte da Catalunha iluminam o estado todo com as hidrelétricas, e as províncias de Pallars se sobressaem nessa tarefa. A criação dos lagos artificiais não parece destruir muito da natureza no entorno, já que a água se acumula na própria garganta que os rios de montanha tendem a criar. Mas ainda é assombroso perceber os desníveis que as estradas tem que percorrer para alcançar a altura das represas.

Paramos um pouco mais a frente de novo para ver as ruínas de uma antiga vila, La Maçana. Toda a minha fascinação com ruínas foi satisfeita ali, foi possível ver um antigo porão, sacadas, cemitério e capela, além de poder fazer uma boa aproximação das estruturas, o que geralmente os espinheiros não permitem… O Picot se mostrou um bom explorador, bastante ágil e cuidadoso, se assustando só um pouco quando eu derrubei algumas pedras.

Nossa próxima parada foi em La Baronia de Sant Oisme. Esse lugar curioso é uma pueblo em uma montanha na curva do rio. Não parece ter muitos habitantes permanentes, mas as casas reformadas do pessoal com grana que deve viver em Lleida ou Tremp estão realmente muito arrumadas e em um lugar privilegiado. Há, na ponta da cidade, um tunelzinho por baixo das casas e uma espécie de arco de pedra, visível da estrada. Junto com a torre ao lado, formam uma vista impressionante para um lugar tão pequeno. A torre é aberta e não proporciona uma visão tão melhor assim, mas certamente é bastante divertido subir, menos pro Picot, que subiu um pouco estimulado, um pouco empurrado. Na saída da cidade, passei pra comprar umas batatas fritas no restaurante/hotel beira de estrada e tive uma surpresa ao descobrir que a atendente não só era brasileira, como era do Tocantins. Achei curioso!

Paramos na beira de uma ponte depois disso para ver um túnel escavado na pedra, com algumas “janelas” para a represa ao lado. Só uma curiosidade, mas ficamos atraídos pelo local. Passamos reto logo depois por Tremp, capital da comarca de Pallars Jussa, mas paramos em seguida em Talarn para ver uma fortificação antiga e uma cidade simpática e bem cuidada. Vale encostar e dar uma olhada, e dali a vista para uma das represas é privilegiada.

Decidimos então parar de encostar em cada cidadezinha, pois não tínhamos muito tempo, e fomos direto pra Sort, que não deixa de ser também uma cidadezinha, mas um pouco menos inha. Sort tem um foco em ecoturismo, pois tem muito mais lojas de caiaque e alpinismo do que seria comum em um povoamento com pouco mais de 2000 habitantes. O rio tem uma correnteza forte, todo marcado para provas aquáticas, e os parques são muito bonitos, mas não permitem a entrada de cachorros, não entendi o motivo… Rodamos um pouco e logo pegamos a estrada para La Seu, que atravessa uma cadeia de montanhas, passando pela vila mais alta da Catalunha, a 1600 metros e uns quebrados. a vila se chama Rubió, por causa das pedras avermelhadas que compõe as montanhas em volta e que deixaram a Ju como uma criança com lápis-de-cor novos! A estrada toda tem vistas deslumbrantes, e em alguns locais há como parar o carro para apreciar a vista e fazer um piquenique. O único problema é a quantidade de curvas, que deixa qualquer um tonto.

Chegamos no final do dia em La Seu, o que foi bom para aproveitar a vista da estrada toda. Iremos mais vezes pra lá, pois faltou muita coisa que estava em nosso roteiro…

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Rio Camarasa

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Represa do Rio Camarasa

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Ruínas de La Maçana

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La Baronia de Sant Oisme

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Túnel com janelas

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Talarn

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Sort

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Road trip 2 – Tarragona

Aproveitamos que teríamos que ir até Barcelona buscar uns papéis traduzidos (que no fim não serviram pra nada, mas é outra história…) e alongamos a viagem até a cidade de Tarragona. A ideia já era um pouco antiga, mas aguardávamos uma boa oportunidade, que finalmente veio. Saímos cedo de La Seu e seguimos até Cornellà de Llobregat, onde eu e o Picot ficamos aguardando a Ju ir até Barcelona buscar os tais papéis. Dali, pegamos a estrada para Sudoeste, beirando a costa até chegarmos ao nosso destino.

Tarragona é uma cidade bem menor do que eu esperava (tem 130.000 habitantes), mas possuí uma história marcante. Foi uma cidade romana importantíssima, capital da maior província hispânica de Roma. Contava com anfiteatro, circo para corrida de bigas, um forte para a administração da cidade, termas, fórum, muralhas, um porto e aqueduto, Ufa. Uma parte significativa dessa estrutura sobreviveu parcialmente ou com algumas modificações posteriores, lembrando que a cidade foi ocupada por mais algumas civilizações depois dos romanos, como visigodos, por exemplo.

Fizemos na tarde de sábado um passeio acelerado pela cidade, reconhecendo seus principais pontos, depois de uma ajuda amigável do atendente do hotel. Passamos pelo centro romano, pela rambla nova (onde comemos um crepe maravilhoso!) e pela praia. Essa última, curiosamente, fica bem isolada da cidade, não só pela geografia, que faz uma subida abrupta até o platô onde a cidade está construída como também por uma linha de trem que passa próximo à costa e impede o fácil acesso. O Picot achou as ondas bastante assustadoras, mas aparentemente achou também a água do mar saborosa e depois disso esgotou nosso estoque de água doce para aliviar a sede. Vimos as muralhas e o seu interior, com uma catedral imensa, na qual não entramos por falta de tempo e disposição para pagar e ver mais uma igreja. Vimos também uma procissão que não descobrimos se era a favor ou contra a igreja (como uma paródia) e acho que nunca descobriremos…

No domingo, nos revezamos nos cuidados do cachorro enquanto o outro visitava os museus mais marcantes da cidade. Vimos o que sobrou do circo, além da torre del pretori, o museu de arqueologia e a necrópolis. O circo e a torre são interligados, e podem ser visitados tranquilamente em 1h. A vista de cima da torre e de dentro dos túneis do circo dão uma ideia da capacidade da engenharia romana e até onde iam pra dar a diversão para os cidadãos (cidadão feliz é cidadão que não se rebela!). O museu arqueológico dá uma boa noção de como era o dia-a-dia na pólis. Há mosaicos, ancoras, ânforas, potes de todos os tipos e tamanhos, estátuas, fontes, moedas (amei aprender sobre o sistema monetário romano!) e por aí vai. O tempo de visita aqui dependerá da dedicação à leitura das placas.

A necrópolis fica mais isolada. Nós vimos os restos do que foi uma terma, além dos diversos tipos de túmulos e uma cripta. Há um esqueleto inteiro de um soldado romano, e é possível reparar como eles eram baixos. Os romanos tinham o hábito de montar seus cemitérios na beira das estradas, próximo às cidades. Eu achei meio mórbido, mas a relação deles com a morte parecia bem diferente do que o cristianismo impôs depois. Inclusive, aqui parece que foram enterrados os três primeiros mártires cristãos da cidade, o que a igreja parece ter usado extensivamente depois como propaganda.

O Aqueduto fica mais afastado, uns 4 km do centro. Há um parque bastante agradável, com trilhas e espaço para piqueniques. E de repente, se ergue aquela coisa de pedra, parada ali há 19 séculos. O tamanho impressiona, e a funcionalidade também, já que ele tinha uma inclinação levíssima, especialidade romana visando trazer água limpa cada vez mais de longe ao longo de seus territórios. Há uma citação de um romano que eu achei sensacional, sobre os aquedutos, e que bate com a opinião de Voltaire sobre o mesmo assunto. Dizia o tal Frontinus: “{…}com tal arranjo de estruturas indispensáveis carregando tanta água, compare, se te apraze, com as ociosas pirâmides ou os inúteis, porém famosos trabalhos dos gregos.” Fica a reflexão utilitarista.

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Muralhas de Tarragona

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Parque ao lado da entrada da Muralha

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Um pouco do charme das ruas

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Catedral

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“Procissão” 

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Ruínas no que hoje é uma enorme praça

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Ruínas da Casa do Judeu

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Museu de Arqueologia 

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Picot

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Torre del Pretori

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Anfiteatro

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Forte

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Vista da praia 

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Circo

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Torreta dels Monges

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Túneis abaixo do circo

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Túnel de conexão do Circo com a Torre

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Na época medieval a cidade cresceu dentro das antigas ruínas romanas, e hoje estão muito próximas e interligadas 

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Vista do alto da Torre

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Aqui é possível ver bem como a cidade cresceu dentro das ruínas romanas

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Museu de Arqueologia

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Necrópolis

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Termas

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escadas pra cripta

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Entrada da cripta

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Escavações da Necrópolis

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Mensagem ao “viajero” no parque que dá acesso ao Aqueduto

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Aqueduto Romano, de pé a cerca de 1900 anos

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Humana e cachorro pra perspectiva

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Parte superior do Aqueduto, por onde a água vinha

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Só a humana pra perspectiva dessa vez

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Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!

Serra del Morral

19/01/17

Fizemos essa trilha bem pertinho da cidade pra ver de perto o que o nosso mapa indica como Torreta dels Moros e Torre de Sant Climenç. O caminho foi todo por uma serra baixa que faz a parede nordeste do vale de Castellbó, com a ida pelo lado Sul e a volta pelo lado norte. Foi uma trilha curta e sem grandes dificuldades, e as recompensas que ela trouxe foram menos exuberantes do que em outros locais como os Estanys de la Pera ou Pic Negre, mas ainda assim foi agradabilíssima e ainda fizemos algumas amizades inter-espécies no caminho! Começamos e terminamos por Aravell.

Aravell (1) – Hotel Rural Mas d’en Roqueta Pirineos (2) – Torrent de Mas d’en Roqueta (3) – Mardiscla (4) – Torreta dels Moros (5) – Torre de Sant Climenç(6).

1 – Essa cidadezinha parece quase inteiramente composta de “segundas casas”. Tudo parecia muito caro e fechado, além da presença incomum de um campo de golfe. Na verdade, pouco mais pode ser dito desse lugar, exceto que não é muito convidativo e que abundam as placas de “propiredade privada, proibido passar”…

2 – O caminho seguiu até esse hotel, que parecia ter pouco movimento na ocasião. Há quadras de tênis e outras coisas do estilo. O que realmente fez valer a pena ignorar as placas avisando para não passar foram 2 cabras muito simpáticas em um recinto de madeira!

3 – Subindo pela lateral direita do hotel, a trilha faz uma curva a direita e logo outra a esquerda. Nesta segunda, uma pequena estradinha de terra sai pelo lado. Depois de evitar vários caminhos onde as placas nos proibiam, resolvemos ignorar o aviso e passamos a linha imaginaria dessa tal propriedade (não havia sequer um arame para demarcar). O caminho então seguiu até um riachinho encoberto por uma mata alta e depois o acompanhou. Eventualmente a estrada nos obrigou a uma virada brusca à esquerda e uma ladeira inclinadíssima surgiu, como esperado pelo mapa.

4 – Depois de subir um trecho curto mas quase vertical, chegamos ao topo da Serra del Morral, e a estrada seguiu até uma casa isolada na montanha e que serve como marco na trilha. Não sei quem vive ali, mas imagino que tenha alguma habitação permanente, pois havia um cachorro que nos detectou de longe. A vista deste local é privilegiada!

5 – Quase passamos reto por aqui. Eu vi num canto afastado da estrada uma construção antiga de pedra e ao verificarmos percebemos que já era a tal Torreta. Parece bem antiga, a maior paerte dela já desabou. Também não é muito grande, até porque só serviria pra vigiar o tal vale de Castellbó, que não é assim um vale tão importante. Paramos aqui para almoçar um pouco de pão e pra eu procurar minha funda que eu tinha feito na noite anterior e já perdido. Mas achei, ainda bem! Mais na frente há uma outra ruína, no meio da neve, que parecia uma casa.

6 – A estrada bifurca algumas vezes depois da Torreta, mas mantendo a esquerda é possível dar a volta na serra. Chegamos a outra casa de grande porte, identificada como a Torre de Sant Climenç. Não vimos nenhuma torre, no entanto… Havia sim 3 cavalos soltos num pasto próximo, dois dos quais muitos dados. Vieram nos receber e ficaram pedindo carinho e nos seguindo. Mais um pouco e eu teria trazido eles para o apartamento para dormir conosco de conchinha. Mas acho que eles não conseguiriam entrar no elevador… Também havia uma igreja abandonada ali pertinho, descendo uma encosta e atravessando um rio e um espinheiro. O machado novo que levei (sim, eu comprei um machado!) quase foi útil, mas a Ju achou caminhos escondidos pelo meio dos espinhos e o meu trabalho foi em vão. Conseguimos depois de muito esforço e muitos cortes entrar na igreja, pensando constantemente em quem teria construído aquele coisa tão isolada. Dali, o caminho de volta foi só seguir pela estrada de volta até o hotel já mencionado.

Obs da JuReMa: na volta, já na cidadezinha de Aravell, enquanto andávamos na direção do carro, vi uma raposa linda, próxima a cerca do campo de golfe. Mostrei pro André e dessa vez ele viu também! (já tinha visto outra na estrada, mas como ele estava dirigindo não viu). Tentamos nos aproximar, mas no primeiro movimento ela fugiu. Foto, só as da memória! 

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La Seu – Aravell fizemos de carro. Até o Hotel Rural foi a pé. 

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O trecho em laranja o google não marca, então fiz a mão mesmo. Seguimos pelo rio, até começar a subida, como descrito no texto. O trecho em azul é mais bem marcado, como uma estrada, o que fizemos em laranja são trilhas mais fechadas. O ponto marcado como Unnamed Road é a Torre de Sant Climenç. O trecho em laranja não está contabilizado e deve ter acrescentado cerca de  1h, na caminhada, dado que é uma subida. 

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Não parece, mas essa era a ladeira quase vertical. Minhas panturrilhas ficaram cheias de lembranças desse local no dia seguinte. 

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Torreta dels Moros

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Torre de Sant Climenç

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A igrejinha em ruínas lá em baixo

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o mar de espinheiros ao redor dela que deixou lembranças

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Essa comemoração toda era por ter entrado! Ficamos um bom tempo até conseguir acessar a porta por causa dos espinheiros. 

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Passagens aéreas e custos de viagem

Muitas pessoas me perguntam sobre passagens aéreas e custos de viagem. O primeiro ponto importante é que viagem não é necessariamente sinônimo de luxo. Às pessoas acham que viajar significa não trabalhar, ter grana sobrando, e viver vida de rei. Não é bem assim. É claro que é possível trabalhar duro o ano todo, tirar alguns dias de folga e aproveitar pra se dar todo o luxo possível em troca. Algumas pessoas nem precisam disso tudo e podem simplesmente curtir um luxo a qualquer momento, mas a maioria só nas condições acima. Algumas pessoas não conseguem nem isso. Mas a minha especialidade, que desenvolvi desde a infância com as viagens com minha mãe e tenho especializado ao longo dos anos, primeiro sozinha e agora com o André, é o que eu chamo de viagem fuleira! E eu amo as viagens fuleiras!

Meu lema é ir sempre mais longe e por mais tempo!

Mas isso é uma opção pessoal. Não estou “vendendo” esse estilo. Acho que cada um deve viajar da forma que lhe convém, dentro do orçamento que cada um pode. Eu prefiro esticar meu tempo e dinheiro o máximo possível. Para isso, existem técnicas! E vou compartilhá-las porque mais gente pode se beneficiar também.

O primeiro passo é organizar sua rotina normal, fora da viagem e descobrir de onde dá pra cortar gastos, criando uma poupança-viagem. A minha preferida é comer em casa! Comendo em casa eu garanto muitas vantagens: alimentação real, saudável e mais barata. Comer em casa sempre sai um pouco mais barato do que na rua e com um pouco de planejamento sai muito mais barato. Uma alimentação baseada em vegetais e grãos também faz milagres! (Pra saúde e pro bolso!). Pesquise feiras e mercados, compre frutas e vegetais da estação, esqueça as bebidas industrializadas, elas são sempre o mais caro. Faça tudo em casa, sucos, sopas, chás gelados caseiros, e ande com suas garrafinhas! Tenha sempre água na mochila ou bolsa, isso vai te garantir uma economia bruta no fim do mês, além de ser muito mais saudável.

Outro ponto na rotina é trocar os deslocamentos próximos para a pé! Deixe o carro em casa, pule o ônibus e vá a pé sempre que puder. Saia mais cedo. Volte mais tarde e já garanta o exercício do dia. Sei que em muitas situações não é possível, por conta de clima, horário, segurança, distância, etc, mas faça os que puder. Já vai fazer diferença no bolso e na saúde. A terceira é cortar gastos com comidas e bebidas que não são essenciais. Essa é a mais difícil e polêmica, vou deixar como uma dica e não me levem a mal. Confesso que se colocarem no papel o custo de bebidas alcoólicas, cigarros, excesso de doces, e outros do tipo, vão perceber que muitas vezes eles pegam uma parte significativa do orçamento mensal, e da sua saúde. Mas sem radicalismos. Veja o que é bom pra você. Eu, por exemplo, não abandonei o açúcar ainda, (embora os demais sim). A ideia aqui é você “limpar” seu orçamento de gastos supérfluos e guardar uma graninha a mais!

Outro ponto é desde o começo do ano planejar seu calendário e organizar as folgas. Quem trabalha freelancer ou autônomo tem como se planejar pra folgas maiores, mas o planejamento precisa ser mais bem-feito, porque deve incluir guardar mais dinheiro. Quem tem emprego fixo vai precisar organizar bem o calendário, juntar com feriados, emendar e outras artimanhas, mas é sempre possível, desde que feito com antecedência. Eu geralmente indico que a poupança-viagem seja separada da poupança regular, assim, caso você tenha algum contratempo, imprevisto com carro, gasto a mais, pode optar por mexer na poupança e manter a viagem intacta ou o contrário. Claro, nem sempre isso é possível, mas ter o dinheiro separado especificamente para viagens ajuda muito o planejamento. Outra dica é evitar as dívidas. Em vez de jogar tudo no cartão parcelado e depois se enrolar e nunca conseguir viajar, guarde antes. Isso evita muita dor de cabeça e torna os sonhos mais concretos.

Em relação a viagem propriamente dita, um dos truques é começar já economizando na passagem. Geralmente encontro boas promoções e a melhor até agora foi a última, fizemos São Paulo – Barcelona, por US$150,00 o trecho, em voo direto pela Latam, com refeição vegetariana e tudo! Para as passagens, roteiros e hospedagem minha dica preferida é seguir outros blogs de viagem e vou citá-los aqui:

Passagens Imperdíveis – http://www.passagensimperdiveis.com.br/

Quanto Custa Viajar – https://quantocustaviajar.com/

Melhores Destinos – http://www.melhoresdestinos.com.br/

Mochileiros – http://www.mochileiros.com/

Hostel World – http://www.brazilian.hostelworld.com/

Booking – http://www.booking.com/

World Packers – https://www.worldpackers.com/ (onde você também pode trocar habilidade por acomodação)

BlaBlaCar – https://www.blablacar.com.br/ (tem uma terminação do site para cada país, e é de caronas compartilhadas)

World Nomads – https://www.worldnomads.com/ (site primordialmente de seguros para viagens, mas com dicas também)

Decolar – http://www.decolar.com/passagens-aereas/ (esse muita gente conhece, mas poucos sabem que é possível criar um alerta de passagem, com seu destino preferencial, e receber por e-mail diariamente o menor valor do dia, assim da pra ter um bom acompanhamento de altas e baixas nos preços das passagens)

Um site que na verdade é sobre um empreendimento de vida e vou deixar como sugestão, para que vocês acompanhem, se surpreendam e descubram outras formas de viajar é o Livre Partida – http://www.livrepartida.com/

Outro é o Walk Across Europe, que conta uma aventura fantástica e ainda mais radical – https://walkacrosseurope.wordpress.com/

Recomendo seguir as páginas nas mídias sociais dos sites de passagem e fazer o alerta do Decolar.com para e-mail. Caso prefira ir de carro, usar o BláBláCar pode ser uma boa. Tentamos em janeiro do ano passado, indo pra Floripa e depois pra Porto Alegre, mas acabamos não conseguindo por mudanças de dia/horário da viagem, e acabamos fazendo de ônibus. Para quem não conhece, é um site de caronas coletivas, ou seja, você registra pra onde vai, quando gostaria de contribuição em dinheiro para gasolina e quantos lugares vazios possui no carro, além de outros detalhes, como quanta bagagem pode levar, se aceita fumantes no carro ou pets. Aí as pessoas podem acessá-lo e caso ambos aceitem, podem trocar mensagens por whatsapp ou sms e combinar a carona. Você pode tanto oferecer a carona como procurar por uma no site. No Brasil ainda não é tão difundido, mas tem mais opções do que parece. Caso vá de ônibus eu sempre prefiro pegar a estrada à noite, assim você economiza uma noite de acomodação e não perde um dia de passeio. É cansativo, mas faz parte desse estilo de viagem, low cost.

Uma vez que a passagem esteja garantida, o próximo passo é pensar em acomodação. Consegui bons hostels e campings pelo Booking.com, e uma das maiores vantagens é ter o app e poder cancelar sem custo até 24h antes do check-in na maioria dos casos. Não tenha medo de se hospedar em hostels e campings, o pessoal que frequenta está acostumado com esse tipo de viagem, ajuda os novatos e recebe bem, e todos tem muito espirito coletivo. Esteja preparado para abrir mão de individualismos, os banheiros são coletivos, separados em homens e mulheres, mas geralmente muito parecidos com os de ginásios esportivos e academias. Muitos possuem também cozinhas coletivas, e esse é outro diferencial para fazer uma viagem de baixo custo, abrir mão dos restaurantes famosos! No caso dos hostels, muitos aceitam trabalho em troca de hospedagem, especialmente se for por uma temporada completa, e não alguns dias. No site do World Packers tem mais sobre isso. O Airbnb – https://www.airbnb.com.br/ pode ser uma boa opção também, especialmente caso vá com uma família grande ou grupo grande de amigos, e nesse caso o valor de uma casa ou apartamento dividido fica menor do que o da diária de um hostel ou camping, mas para até duas pessoas dificilmente compensa, se bem pesquisado. Acima disso já vale a pena.

Caso queira passar um tempo trabalhando fora, existem outras opções, como AuPairhttps://www.aupairworld.com/en , Work Away – https://www.workaway.info/ e outros sites similares. Esses fogem da ideia de férias convencionais, e são mais para quem quer ficar uma temporada fora, conhecer outras culturas, conseguir acomodação e ficar pelo estrangeiro, ainda que trabalhando. E saiba que vai ter trabalho sim, e a remuneração é a hospedagem e (parte da) alimentação.

Uma outra opção, ainda mais baixo custo é o free-camping, ou seja, acampar em áreas que não são privadas e, em contrapartida, sem infra-estrutura. Nesse modelo contente-se com um banho de rio e uma fogueira, se muito. Para poucos dias pode ser muito divertido e barateia bastante a viagem. Outra opção é dormir no carro. No Brasil pode ser perigoso em muitas cidades, mas em rotas turísticas famosas, como Patagônia, Oeste do EUA, Caminho de Santiago de Compostela, e outras é mais comum. Para conhecer mais experiencias desse tipo leiam o post sobre o Pico da Onça do blog, e os blogs da Livre partida e Walk Across Europe!

Planejamento da comida é essencial. Caso o hostel ou família que o abriga (host family) ofereçam café da manhã, aproveite. Se não sentir muita fome pela manhã, embale e leve como lanche. Geralmente em viagem eu não almoço, no sentido tradicional de almoço grande e sentada normalmente à mesa, para economizar tempo de passeio e dinheiro. Costumo ir ao mercado local e comprar coisas para sanduíche, frutas, frescas e secas, sementes e castanhas, barrinhas de cereal, de frutas e de proteínas isolada, e taco tudo na mochila. Esses são meus lanches ao longo do dia. A noite procuro comer algo mais tradicional, especialmente se puder cozinhar. Geralmente em hostels e campings isso é fácil. O segredo é comprar coisas que deem sustância e energia para ir gastando no dia seguinte. Como ao longo do dia os lanches são mais leves, geralmente faço arroz com vegetais ou macarrão à noite, comidas que também são práticas para a fogueira. Geralmente evito “carne” de soja, mas em viagens curtas, especialmente camping, costumo levar, pois existem muitas opções enlatadas o que facilita e não requer fogo para serem preparadas. Nas viagens de free-camping geralmente levo algo como grão-de-bico e feijão em conserva e comemos frio mesmo, pois nem sempre dá pra garantir que vai sair uma fogueira.

Eventualmente vale a pena ir a um restaurante, especialmente se for algo único que não encontramos em outros locais, mas se render a fast-foods e restaurantes de redes tende a ser a pior opção, pois acabamos gastando muito e comendo mal. Comida de rua pode ser uma boa pra conhecer melhor a cultura local, mas os de estômago mais sensível podem sofrer com isso, e nos locais mais turísticos nem sempre é tão mais barato assim. Os lanches pre-preparados fazem muita diferença, e ande sempre com muita água. Evitar comprar água mineral em todo canto também da uma ajudada nas despesas. Lembre-se sempre de encher as garrafas de água onde estiver hospedado antes de sair pro dia.

Em viagens eu desligo o roaming do celular. Acaba com a bateria e com os créditos/conta. Se for pro exterior, compro um chip pré-pago local. E só uso pra emergências. Deixo pra me atualizar, dar notícias e postar fotos quando tenho Wi-Fi disponível. Geralmente acabo usando muito para ver mapas e localização, o que consome horrores de crédito, então existem algumas dicas nesse sentido. A primeira é comprar um bom e velho mapa do local em papel. Isso ajuda mais do que parece! A segunda é usar a opção de mapas offline, que consome memória, mas não bateria e internet, e já deixar os pontos que quer visitar salvos como favoritos no mapa offline no seu celular, o google maps oferece isso de graça.

Aliás, sempre gosto de viajar com o google maps antes de ir de fato. Ver o street view, já ter uma noção de como é a rua e a fachada do local onde vou me hospedar e dos endereços onde quero ir, assim, tendo esses anotados e na memória, ou no screen shot a vista de como se parecem, ainda que me perca, consigo achar os locais onde queria ir. Ainda não testei o uso de GPS para as trilhas e tenho muita vontade, mas fica pra quando comprar um. Para mapas, além do google maps, recomendo o wikilocs, especialmente pra offroads e trilhas, já mencionado em outros posts de trilhas aqui no blog.

Viaje leve! Em todos os sentidos. Leve o mínimo de bagagem possível! De preferência em mochila(s) e não mala. Mala de rodinha é bom pra chão de aeroporto, shopping e hotel. Arrastar aquelas rodinhas por calçadas irregulares de cidades históricas, chão de barro em camping, é loucura. Além disso, se você leva pouco e carrega tudo sozinho, a chance de comprar besteira diminui muito, porque você não vai ter nem espaço nem força pra levar os souvenirs. Antes de ir se planeje para lavar as roupas em algum local da viagem e com isso, levar o mínimo. Leve peças que combinem entre si. Esqueça tudo que não for essencial. Um casaco impermeável  é sempre uma boa pedida, mesmo que não seja chique. Um bom tênis de caminhada também. Eu optaria por um impermeável aqui de novo. Garantir os pés secos e o vento fora do peito é um excelente jeito de não ficar doente e aproveitar a viagem ao máximo!

Por fim é sempre bom ter uma fonte de renda para emergências. Ou uma grana em cash que você vai costurar do lado de dentro da calça e esquecer ali, ou um cartão de crédito, ou os dois. É essencial ter um pouco de dinheiro de emergência em cédulas porque já vi muita gente sofrer, especialmente em cidades menores, por não encontrar caixa eletrônico disponível no momento da necessidade. Isso sem falar que feiras, entradas de parques ambientais e o pagamento de muitas hospedagens comumente só são aceitos em dinheiro.

Mantenha seus pertences essenciais, como documentos e dinheiro em uma pequena bolsa, tipo doleira, longe das vistas e dentro das calças. Se for dormir em hostels sem locker com chave, durma com a doleira presa na cintura. Se te roubarem outras coisas, pelo menos com o dinheiro e os documentos você fica e se vira, nem que seja pra voltar pra casa. Não fique tirando dinheiro de lá em público. Mantenha um trocado na carteira, bolso ou bolsa e o restante na doleira. Faça a transferência em locais reservados. Caso vá se molhar, andar de roupa de banho, etc, deixe seus pertences em local de confiança. Leve sempre um cadeado bom para poder deixar os itens no locker do hostel, ou camping.

No mais, aprenda a usufruir de experiências e não de coisas! Aproveite a paisagem mais do que as fotos! Leia sobre onde está indo! Informe-se! Visite com calma, vá em locais menos turísticos, converse com locais. Aprecie o por-do-sol. Ande a pé. Veja as cidades de perto, sinta seu cheiro. Compre ingressos de locais famosos com antecedência. Evite perder tempo de viagem em filas. E por último, use calçados resistentes e extremamente confortáveis!

A vida pode ser muito boa e também fuleira! Aprenda a ter prioridades. Não é só de táxi e hotel 5 estrelas que se viaja. Existem inúmeras opções e um tamanho para cada bolso. Planejamento é tudo! No mais, só a paixão por viajar sempre!

Estanys de la Pera – Trilha 6

29/12/16

Estanys de la Pera

Essa foi sem dúvida a trilha mais bonita que fizemos até agora, além de ser uma das mais fáceis também. A trilha segue da estação de esqui de Aransa (esqui nórdico, que é parecido com uma patinação) e vai seguindo próximo ao rio Molí por quase o caminho todo. O resultado é que a trilha é quase toda plana e com imagens memoráveis do processo de congelamento do rio, com caverninhas de gelo e esculturas modernistas feitas pela natureza, além da vista para as montanhas em quase todas as direções. Desta vez não vou marcar o roteiro porque só existe basicamente essa trilha pelo caminho e são poucos os pontos de identificação.

Saímos cedinho de casa e fomos de carro até a estação de esqui de Aransa. A estrada está bem limpa e preservada, não há nada com o que se preocupar. De lá, cobra-se uma taxa de 3,50 euros para fazer a trilha, justificados como manutenção de estrada e sinalização das trilhas. É possível passar por outros caminhos, mas realmente sem um gasto na preservação, as outras estradas ficam horríveis. O caminho começa um pouco mal sinalizado, mas nada que um pouco de atenção não resolva. Ele deve seguir por uma estrada mais aberta, por dentro de uma mata de pinheiros.

Eventualmente, a trilha abre vista para um vale a leste e alguns pequenos córregos cortam a estrada e se congelam. Muito cuidado para não escorregar, falamos isso por experiência própria! Mais a frente a estrada acaba, mas há uma marcação tímida indicando uma trilha que sobe para a esquerda. A subida é bem leve e pouco a frente começa o trecho em que o rio se aproxima. Ele segue junto à trilha até uma grande área bosqueada mais a frente onde é possível ver um pequeno refúgio, mesas de pedra e churrasqueiras. Claro, ninguém usa esse aparato nesta época do ano, mas voltaremos em outro momento para ver como fica sem a neve e com pessoas.

A continuação da trilha encontra com a estrada e os dois caminhos são possíveis. Eu indico fortemente a trilha, pois além de mais reservada, há momentos que a estrada não proporciona, como a aproximação de uma pequena cachoeira. A formação de uma pirâmide de gelo em volta dela é uma coisa que impressiona alguém como eu, que até pouco tempo atrás conhecia muito pouco desse tipo de clima.

Não muito depois da cachoeira é possível ver o final do vale, com as montanhas fechando o cenário em volta. Neste momento desponta o Refugi dels Estanys de la Pera no alto de um platô. É sem dúvida o mais bonito dos refugis, mas parecia estar todo trancado. De fim de semana parece que abre-se a parte principal dele para turistas. De lá, a trilha bifurca para dois pontos de Andorra, um caminho indo para o vale de Perafita, a noroeste, e outro seguindo para os picos mais a leste.

Abaixo do refugi, está o menor dos lagos. Na ocasião da nossa visita, estava recoberto de neve por sobre o gelo. Eu andei um pouco sobre o lago, mas confesso que o medo do gelo partir me fez voltar rápido. Seguimos para cima até encontrar o lago maior, também recoberto, e um pouco mais difícil de encontrar pelas montanhas em volta. Um casal que andava a nossa frente tentou seguir pra lá do lago, mas desistiu pela profundidade da neve. Nós, claro, não desistimos tão fácil e seguimos nos arrastando pela neve alta e subindo nas pedras que surgiam no caminho, como náufragos. Depois de algumas centenas de metros e muito cansaço depois, vimos que acompanhar a trilha até o pico de Perafita seria impossível. A marcação das trilhas nas pedras era visível, mas a trilha em si havia desaparecido. Cavamos nosso caminho de volta até o refugi e de lá seguimos, molhados, de volta pela mesma trilha.

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Calçados para trilha

Hoje fui andar pela cidade enquanto esperava a biblioteca abrir, minha atual única fonte de internet! E fiquei toda feliz olhando para minha bota nova de neve, surpresa de não estar sentindo nenhum frio, embora estivesse de legging e com apenas uma blusa em baixo do casacão. No meio do passeio, entre terrenos lindos, com casinhas fofíssimas de um lado e o rio Segre, com o parque olímpico de remo do outro, resolvi escrever um pouco sobre vestimenta para trilhas no frio. Prometo que no próximo escrevo sobre o Parc Olimpic del Segre porque também vale a pena!

Antes de começar vale citar que por falar de roupas, calçados, etc, vou citar marcas e dar minha opinião sobre o que já usei. Não é propaganda, nunca recebemos nada por isso, pelo contrário, já gastei um bocado com esse tipo de roupa. Dado o aviso, vamos lá.

Vou começar pelo calçado, que na minha opinião é a parte mais importante para o trilheiro. Eu tive durante longos e assustadores 11 anos uma bota de trilha da Reebok, o modelo super antigo já não se encontra disponível, mas ela foi uma fiel companheira para uso eventual e descontinuado, embora intensivo. Em 2014 ela já estava mais gasta na sola que pneu de carro velho, e, embora com aspecto usado, estava em boas condições na parte superior, uma vez que eu sempre fiz manutenção, troquei o cadarço umas 3X nesses anos e alguns ilhoses também. Mas bota de trilha tem que estar com a sola em dia, a lógica é a mesma do pneu. Se as ranhuras não estiverem suficientemente profundas, você escorrega.

Troquei por uma Timberland (Chocorua Trail Mid with GORE-TEX®) que atualmente está sendo vendida por 140 euros no site da Timberland. Apesar de cara (em 2014 paguei em Brasília entre R$500-R$600) gostei muito, sempre foi muito confortável e prática e já estreei numa viagem de 15 dias de mochilão: Amsterdã – Madri – Barcelona, na qual só usei ela todos os dias. Minha experiência com essa bota foi bem diferente da anterior da Reebok, por causa do tipo de uso.

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Existem três classificações que devem ser consideradas para analisar o tipo de uso, e consequente desgaste, de um calçado: frequência, intensidade e altitude. Frequência se refere a quantas vezes por semana você usa o calçado, se for todos os dias, a frequência é alta. A intensidade diz respeito ao tipo de uso. Se por apenas 1h 0u 2h, como calçados de corrida, a intensidade é menor que os de trilha, que geralmente são usados por entre 6h a 12h em um único dia. Ainda assim, nesse exemplo ambos estão sendo usados para fins esportivos, o que exige uma intensidade alta. Caso use para trabalhar a intensidade do uso muda se você trabalha sentado ou andando, se se locomove até o trabalho a pé ou de carro, etc, quanto mais tempo de contato do calçado com o chão no seu pé e quanto maior seu esforço, maior a intensidade de uso. E a altitude é se você usa o calçado em planície ou montanha. O desgaste em montanha é bem maior.

O da Reebok, que durou 11 anos, foi usado em baixa frequência, apenas em viagens, com grande intensidade, e em altitudes variadas. O que garantiu a ele a sobrevida, além da manutenção, foi o uso eventual. O da Timberland, comprado em 2014, teve uso frequente (quase diário por 2 anos e meio), intensivo e além do dia-a-dia em planície, pegou muita montanha. Por isso já estava um tanto desgastado, inclusive na sola. Quando coloquei ele na neve, refazendo a trilha 3 (Coll Midós) com o André no meio de dezembro ele quase não aguentou. A parte frontal queimou muito, o que o deixou manchado. Culpa minha que coloquei na neve alta e fofa um calçado que não era para essa finalidade. Com isso a borracha dianteira abriu e agora e impermeabilização ficou um pouco comprometida e visualmente ele está bem velho e acabado.

Por isso fui pesquisar e comprei uma bota específica para caminhada em altitude na neve. Minha preocupação maior foi a durabilidade e a resistência, embora ela aqueça também. O uso aqui será frequente, intensivo e de montanha. No fim do inverno conto como ela se comportou. Comprei a bota de travessia Forclaz 500 Warm impermeável Quechua, disponível em preto e rosa ou azul e salmao, na Decatlhon por 54,99 euros.

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Já fiz uma trilha bem puxada com ela, e o resultado foi bom. E olha que a neve vinha até a coxa em alguns momentos. Ela parece bem bruta mesmo, e espero que seja, pra aguentar esse ritmo. No verão acho que vou ter que trocar a minha da Timberland e comprar outra.

Ainda sobre calçados, algo absolutamente fundamental para o caminhante é o fator impermeabilidade. O calçado, seja verão ou inverno, tem que ser impermeável, se o uso for intensivo. Mesmo pra quem, como eu, morou anos no cerrado e só via chuva às vezes, ainda acho que vale a pena investir na impermeabilidade do calçado de trilha. Caso você esteja na trilha e chova, ou se precisar atravessar um rio e ele for bem raso, e dê pra molhar só a ponta, tudo isso o impermeável aguenta. Caminhar com os pés (meias e parte interna do calçado) molhados é a pior opção que você pode fazer. O calçado e você perdem desempenho, o pé machuca, e você perde muito calor (o que se for inverno pode ser um erro fatal). Além disso, caminhar com o calçado molhado por dentro, além de te machucar mais, danifica o calçado mais rápido.

Existem inúmeras formas de deixar um calçado impermeável, a mais básica é utilizar borracha ou plástico por fora, como é o caso das galochas e mesmo das Melissas. Só que esse material tende a ser menos anatômico e a ter pouco agarre, assim, as botas especializadas para trilha possuem membranas com tecnologia para torná-las impermeáveis. Essas membranas atuam em 3 quesitos: transpirabilidade, impermeabilidade e corta-vento. O plástico e a borracha são impermeáveis e corta-vento, mas não permitem transpiração. Para manter os pés secos em marcha, o calçado deve permitir que a transpiração evapore, ou o pé ficará molhado com ou sem chuva depois de algumas horas de caminhada fazendo esforço na subida. E não há meia que aguente. A impermeabilidade em si é a capacidade de agua escorrer por cima sem penetrar a membrana. E o corta-vento é o poro estreito que não permite que o vento entre, embora permita que o suor saia.

O nível de impermeabilidade é medido em flexões. Geralmente se usam 3 medidas: 2000, 4000 ou 8000 flexões, que equivalem a 2h, 4h, ou 8h em marcha sob chuva intensa. O trilheiro costuma passar o dia todo em marcha, por isso eu prefiro investir em 8000 flexões embora caçados com esse nível de impermeabilidade sejam um pouco mais caros.

Existem duas marcas famosas de membranas: a Gore-TEX (que marcas famosas como a Timberland e a Salomon usam) e a Novadry (utilizada pela Quechua e produtos Decatlhon). A Gore-TEX me atendeu muito bem até hoje, e agora a Novadry tem sido excelente também. Li muitos relatos, blogs e comentários sobre elas. Há quem prefira um tipo ao outro, há quem diga que é a mesma coisa com dois nomes comerciais. A tecnologia é similar e o efeito também. Não sei ainda se a durabilidade é a mesma, mas há que se considerar a diferença de preço, que talvez compense uma mais cara por mais tempo ou dois pares mais baratos em menos tempo. Como agora, morando num clima mais temperado, vou precisar diferenciar em verão e inverno, prefiro ter dois pares com preço mais acessível e aliviar na frequência.

Também é necessário considerar o nível técnico do calçado como um todo, o número de flexões, a profundidade das ranhuras na sola, o nível de transpirabilidade e isolamento térmico. Todos esses fatores influenciam, e claro, o uso e a manutenção que cada um faz. Nunca subestime o poder da manutenção. Passar uma água por fora, nunca lavar na máquina, deixar secar bem por dentro (suor e/ou chuva) antes de usar de novo, tudo isso garante uma vida maior ao calçado.

Mesmo com toda essa tecnologia, na última trilha ainda voltamos com os pés um pouco molhados, pois a neve estava tão alta que acabou entrando entre a calça e a bota e aos poucos a água minou para dentro. O modelo de bota de neve do André (Novadry – Decatlhon também) com preço ainda mais acessível e menos níveis técnicos molhou mesmo por dentro. A minha (que segundo ele só falta fazer café) molhou só a parte superior do tornozelo, e a água não minou para dentro da bota. Ainda assim foi um pouco desconfortável na trilha de volta. Na próxima usaremos a calça impermeável para dentro da bota.

O ideal para os trilheiros e ter pelo menos 2 calçados disponíveis. Com esse tipo de uso intensivo eles arrebentam mesmo. Para viagens de 1 a 15 dias eu recomendaria levar um só, adaptado à estação do ano. Para mais do que isso eu recomendo levar 2 pares. Caso você não more próximo a uma boa loja de artigos esportivos, ou esteja em viagem, vale a pena ter no mínimo um par sobressalente. Foi o erro que cometi. Vim para La Seu com apenas a bota da Timberland, e alguns outros calçados adaptados para verão ou passeios leves em planície, ainda que na neve, como minha galocha da Hunter, adquirida na Escócia e muito popular por lá, que é ótima para uma caminhada em terreno plano, ou em charcos e pântanos, aí ela se supera!  Mas que não tem agarre e nem desenho anatômico pra montanha.

Acabamos tendo que ir até Girona para adquirir a bota de neve. Em Andorra eu poderia ter comprado outra Timberland. Mas confesso que o diferencial de preço oferecido pela Decatlhon me convenceu a ir até lá, além de ser uma ótima desculpa para viajar mais um pouco. E o valor da gasolina valeu a diferença!

Nos próximos vou comentar sobre as roupas, o sistema de três camadas e a importância de um tecido corta-vento no frio!