Road trip de Julho – Parte 3 – Nice e Itália

20 e 21/07/2017

Saímos da região do Gorges du Verdon na direção de Nice, onde chegamos poucas horas depois. A estrada ali vai se afastando lentamente da região mais escarpada do parque e os vales se alargam conforme nos aproximamos do litoral. Essa parte da estrada só eu vi, porque saímos bem cedo e neste momento todas as passageiras dormiam profundamente! Eu faria isso também se pudesse… Chegamos em Nice no começo da manhã e rodamos um pouco a avenida junto ao mar antes de encontrar um lugar para estacionar. Passamos somente uma hora na cidade, que as meninas aproveitaram para nadar no mar e a Ju e eu utilizamos para subir em uma encosta com um mirante no topo. A vista da cidade lá de cima é bastante privilegiada, sendo possível ver toda a costa e boa parte da cidade. Também vimos o mar do alto, o que garantiu a certeza da limpidez da água, que mesmo nos trechos mais profundos ainda era possível enxergar as rochas ao fundo.

De Nice seguimos para Gênova, atravessando a fronteira. A estrada italiana era composta de pontes e túneis em sucessão, já que a região é muito acidentada, sendo o ponto de encontro dos Alpes com o mar Mediterrâneo. Com somente duas pistas e uma profusão de carros de luxo acelerando (passamos do lado de Mônaco, mas nem sequer tentamos entrar!) e caminhões obstruindo a passagem, essa estrada foi um tanto desafiadora e estressante. Mas mais estressante ainda foi chegar em Gênova e perceber que se os pedágios franceses são caros e numerosos, os da Itália os superam bastante… O primeiro pedágio nos custou coisa de 18 euros para um trecho de não mais de 3 horas.

Um grande amigo meu depois da viagem me disse que tinha adorado Gênova, e eu não duvido da experiência dele. Mas certamente tivemos outra. Paramos o carro no centro velho e pagamos outra hora de estacionamento e então fomos andar um pouco. A cidade de começo já tinha assustado pela desorganização do trânsito e pelo descuido. As fachadas todas da cidade estavam despedaçadas e a sujeira predominava. Os becos da cidade fazem com que o centro de São Paulo pareça uma maravilha. Uma crosta preta se alastrava pelas calçadas e paredes. Caminhamos novamente morro acima, por vielas malcuidadas, até chegarmos em um ponto que parecia mais bem tratado. De lá de cima, a vista da cidade não decepciona, mas a única maneira de parecer bonito é visto assim de longe mesmo. Talvez eu e meu amigo tenhamos visto partes ou momentos diferentes da cidade, imagino eu.

O plano ao sair de Gênova nos levaria até La Spezzia, onde contornaríamos a estrada e chegaríamos a Riomaggiore. Por conta dos pedágios, decidimos seguir pela estrada costeira e gratuita, aproveitando para ver outras vilas da famosa Cinque Terre. De começo já percebemos que teríamos problema ao longo de toda a viagem na Itália com as estradas, pois ou elas são pesadamente pedagiadas (preços que chegam a ser proibitivos!) ou são muitíssimo mal sinalizadas. Talvez isso seja para não destruir a tradição italiana de parar e perguntar, mas fato é que tivemos muita dificuldade para nos localizar em todos os percursos. A de Cinque Terre não foi diferente. E no caso, além de mal sinalizada, era terrivelmente conservada, com o capim em volta invadindo a pista em boa parte do percurso, isso no auge do verão e do turismo.

Descemos a encosta até a primeira cidade, onde não encontramos lugar para estacionar. A cidade estava cheia de carros de luxo, jovens vestidos na última moda e uma multidão de turistas. Não vamos reclamar muito, afinal também estávamos turistando, mas certamente seria preciso um controle mais rígido para a quantidade de pessoas para a região. Viramos o carro e seguimos viagem, dessa vez sem parar até chegarmos em Riomaggiore. Lá tivemos que esperar até o estacionamento local livrar uma vaga. Então seguimos a pé, descendo até onde a vila encontra o mar.

Eu não teria nada para reclamar caso fosse uma vila de pescadores no original, mas a cidade, mesmo recebendo hordas de turistas, não conta nem um pouco com alguma política de preservação. As casas todas estão despedaçando, um cenário que seria mais compatível com o abandono total, enquanto uma profusão de restaurantes completamente desvencilhados da cultura local se propagam. Achar um lugar para apreciar a paisagem junto ao mar é bastante difícil também, dada a movimentação. Aqui se misturam jovens mochileiros com jovens playboys, o que cada um dos grupos buscam eu não sei. Eu pensaria que o primeiro grupo procuraria autenticidade e tranquilidade, enquanto o segundo procuraria estética e luxo. Infelizmente, não encontrei nada disso ali. Riomaggiore provou pra mim o poder que a propaganda tem, atraindo tantas pessoas e fazendo-as se sentir simpáticas a um local que a meu ver não possui nenhum encanto. Melhor teria sido visitar Trindade ou Paraty, no Rio de Janeiro, que mesmo muito cheias no verão ainda preservam alguma autenticidade, além de serem mais bonitas e mais baratas!

Depois de Riomaggiore atravessamos La Spezzia, onde descobrimos que a gasolina mais barata da Itália custa 40% a mais que a média da Espanha, o que nos causou mais um aperto no coração. Dali pegamos uma estrada de montanha até nosso camping, próximo de Lucca, cidade que visitamos no dia seguinte. No camping chegamos tarde e saímos cedo, coisa que se tornaria corriqueira na viagem, portanto não vou emitir opinião sobre ele, pois seria injusto. Dali seguimos descendo uma serra que terminou por chegar em Lucca.

Lucca era uma cidade que eu já conhecia, mas que não vi nenhum problema em passar de novo. Acho que é um lugar agradável e simpático, apesar de estar desprovido da mesma fama que outros locais próximos ou de alguma beleza realmente excepcional. Paramos o carro perto da cidade murada e saímos para andar. Fizemos uma volta grande, vendo diversas catedrais em estilos diferentes e passamos pelo passeio que fica sobre as muralhas, esse último sendo o local que mais me agrada na cidade, por sua tranquilidade e pela vista privilegiada. Me chateou um pouco uma coisa que eu não lembrava em Lucca, que foi a quantidade absurda de lojas internacionais que se posicionaram no principal roteiro do centro velho. Não sei se já estavam lá quando visitei a primeira vez ou se eu que não tinha percebido, mas eu me incomodo com essa situação, que desloca os comerciantes locais e faz com que todas as cidades turísticas do mundo tenham a mesmíssima cara… Ainda assim, foi um momento agradável do dia. Seguimos de Lucca para Pisa.

Em Pisa passamos rapidamente, e sinceramente não acho que há outra maneira de passar por ali. A verdade é que a cidade de Pisa tem muito pouco a oferecer além da torre. Para quem está viajando como nós costumamos fazer, e portanto se abstém de visitar os museus e subir a tal torre, é possível completar a visita à cidade em cinco minutos. Pode-se dizer que perdemos muito não visitando esses locais, mas a verdade é que os museus eclesiásticos pelo mundo todo são bem, bem parecidos (para quem não sabe há uma imensa catedral junto à torre), e duvido muito que dentro da torre haja algo que possa valer a visita, considerando o quanto devem cobrar uma entrada em um ponto tão turístico assim. A torre, vista de fora, é até bem trabalhada, mas sua inclinação não é por motivos propositais, fossem eles de origem científica, estética ou qualquer outro (como aqui concedo algum mérito para a Torre Eiffel, que eu acho horrível, mas tinha um propósito técnico). A torre inclinou porque foi mal construída mesmo, e por algum motivo isso ficou famoso. O resultado disso é uma cidade em que se entra, tira-se uma foto e vai-se embora sem perder nada de mais.

Passada Pisa, fomos para Florença, essa sim uma cidade que merece o renome que tem. Claro, o erro foi visitá-la no verão, e por isso tivemos que nos acotovelar com grupos imensos de pessoas e máquinas fotográficas somente para poder passar no Uffizi, sem ter sequer chance de visitar por dentro. Mas Florença é uma cidade bem cuidada e preservada, de importância real na história da humanidade, com locais realmente interessantes para visitar, menos a Ponte Vecchio, que é meio sem graça e bem cheia. De qualquer jeito, essa é uma cidade que eu gostaria de ter mais tempo para explorar e conhecer em momentos mais tranquilos, mesmo sendo a segunda vez que a visitei. Acho realmente que apesar de os preços de museus aqui provavelmente serem absurdos, o que há para ver e aprender na cidade compensaria tal gasto.

Neste ponto nós nos despedimos da Clara e da Pietra, que seguiram sentido Roma de ônibus, enquanto nós fomos sentido Veneza. Seguimos por estradas vicinais, e gastamos um bom tempo cortando um caminho de montanha, através dos Apeninos, por pequenas vilas. Esse talvez tenha sido um dos meus trechos favoritos na Itália, por que pudemos ver locais que não foram feitos para turistas, com as pessoas se reunindo nos bares no final da tarde para conversar e tudo mais. Paramos para pedir informação e comprar comida e fomos recebidos com a típica cortesia grosseira italiana, uma outra vantagem desses locais que ninguém visita. Chegamos bastante tarde ao nosso camping, muito próximo de Veneza, e diferente dos campings de montanha que tínhamos frequentado até ali, pudemos sentir o calor sufocante do verão italiano…

Continuarei a descrição da viagem em um quarto post, começando com Veneza e seguindo até Rocamadour, mas por enquanto gostaria de explicar algumas coisas. Esse post deixa um pouco evidente o quanto eu fiquei insatisfeito com a Itália, e devo dizer que a Ju compartilha a minha sensação. Claro, para quem não viajou muito, ou é bastante influenciado pela propaganda, a Itália pode ser encantadora, visto os diversos filmes, livros e capas de revistas turísticas que se ambientam no local que visitamos (Sob o sol de Toscana; Comer, rezar, amar; Cartas para Julieta; Todos dizem eu te amo et cetera). Mas tanto eu como a Ju somos viajantes experientes e podemos garantir que há coisas muito melhores esperando para serem visitadas, por preços mais acessíveis e menos disputadas também. E para provar isso, no próximo post eu colocarei também uma lista de locais que nós conhecemos e que podem substituir os locais que visitamos na Itália, com a mesma qualidade ou até superior!

 

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Nice (França)

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Nice (França)

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Galleria Giuseppe Garibaldi, Gênova (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Lucca (Itália)

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Lucca (Itália)

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Pisa (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Estanys de Certascan e Naorte

Estanys de Certascan e Naorte- 03/07/17

Desde antes de vir para a Catalunha que eu tinha vontade de visitar a região desses lagos, tendo visto eles no google maps e marcando com uma estrelinha, pensando no dia que eu os visitaria. Pois bem, agora nós fomos e podemos contar como foi!

Saímos cedo de La Seu, passamos por cima das montanhas que levam a Sort (esse caminho já está ficando conhecido!) e de lá seguimos o vale na direção norte até a vila de Tavascan. A cidade é minúcula, mas possui alguma estrutura para explorar as altas montanhas que a cercam, como hotéis e jipes. Passamos a cidade e entramos na estrada de terra, mas logo nossas expectativas foram frustradas, pois o caminho que subia até mais próximo dos lagos estava fechado por uma corrente e havia uma placa que dizia que só proprietários podiam passar. Sem querer desanimar, estacionamos o carro e seguimos a pé, afinal uma placa de trânsito só pode legislar sobre a passagem de veículos, mas não de pedestres!

Esse contratempo acrescentou em torno de 3h de caminhada ao nosso dia, em torno de 14km a mais de caminhada e imagino que uns 600m a mais de desnível. Isso sem contar a redução de velocidade que tivemos pelo resto do dia, decorrente da fadiga. Certamente a caminhada ainda assim valeu o dia, mas tivemos muito mais dificuldade para terminar e algumas consequencias, como lesões por impacto e queimaduras de sol.

De qualquer jeito, subimos pela estrada até chegarmos em uma cachoeira, no fundo do vale. Até agora não sei o nome dessa cachoeira! Ali, não encontramos mais o caminho (a estrada seguia para outro lado), mas sabíamos pelo mapa que o lago estava pouco acima de nós. Então perguntamos para 2 funcionários do que parecia uma companhia de energia e que trabalhavam ali se eles sabiam o caminho. Eles nos disseram que teríamos que dar uma volta pela estrada mesmo, um caminho bem longo.

Bom, nós não temos tanto apego assim pelos caminhos oficiais, e decidimos então subir pela encosta, acompanhando a cachoeira! A escalada não foi difícil, mas o terreno, apesar de inclinado, estava bem encharcado, e a Ju pontuou que era o primeiro brejo de encosta que ela via na vida! Eu molhei o pé logo no começo, o que me rendeu uma bolha bem incômoda pelos próximos dias…

Após essa escalada off trail, encontramos o caminho já no topo. Seguimos por ele até o refúgio La Porta del Cel, uma casinha muito arrumadinha quase no lago. Ali, fomos avisados para amarrar o Picot, pois o burro que ali habitava não simpatizava com cães e os atacava. E nós, que inocentemente estávamos preocupados com os ursos que habitam a região, quando o perigo real era o burro!

Logo depois disso, chegamos no que talvez seja o lago mais bonito que já vi na vida. Ele se escondia quase no topo dos Pirineus, a poucos metros da divisa com a França. As montanhas em volta eram imponentes, e a água do lago de um azul escuro surpreendentemente transparente. Podíamos ver a uma profundidade que estimamos ser de 15 metros, mesmo ainda sendo muito próximo da margem, já que o lago afundava muito rápido. A água era extremamente fria, e com isso desistimos de qualquer ideia de tentar nadar.

Não ficamos muito tempo ali, já que o atraso da estrada fechada já tinha nos custado muito, e tínhamos horário para chegar de volta na cidade… Pegamos a trilha que saia desse lago e seguia até o Estany de Naorte, menor e em terreno mais baixo. O caminho foi todo pontuado por pequenos riachos de água transparente, onde matávamos a sede e o Picot se refrescava. Ao chegar no Naorte, paramos um pouco para descansar. Esse lago fica em um local bastante curioso. Logo ao lado dele está um paredão, por onde o ponto em que a água sai dele faz uma cachoeira bem alta. A vista do outro lado do lago faz parecer que ele flutua acima do vale, ameaçando cair a qualquer instante!

Deste ponto, a volta foi pautada por uma descida interminável, onde nenhum de nós três conseguiu completá-la impunemente. O Picot se jogava em qualquer sombra que encontrava, a Ju reclamava de dores em locais variados e eu sentia meu pé rachando no ponto em que ele havia molhado. Mas no final conseguimos chegar sem graves consequências, e o caminho de volta foi também bastante tranquilo. Não fosse as imposições de uma propriedade privada em meio a uma área de preservação (o que me deixou bastante irritado, alguém ser dono de um pedaço de um parque natural) teríamos uma experiência menos sofrida para relatar.

La seu - tavascan

La Seu – Tavscan

Tavascan - Camí

Tavascan até o ponto onde tivemos de deixar o carro

Rota dos estanys

Rota aproximada (mal desenhada no paint) que fizemos a pé. O google não reconhece como trilha possível a pé (talvez por isso tenha sido tão bonita e tão dolorida hehehe)!

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A cachoeira

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O dia em que escalamos o brejo!

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Pequeno lago após a cachoeira e antes do refúgio

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Estany de Certascan

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Estany Naorte

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Walden feelings

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Ultimo estany pequeno, antes de voltarmos pra estrada (esse tem acesso bem próximo para carros, mas apenas os jipes autorizados).

(Mais fotos na fan page do Facebook!)

Dicas de trilha – mochilas e o que levar

Ainda na vibe da série Dicas de trilha ( Calçados para trilha , Dicas de trilha – vestuário , Dicas de trilha – alimentação ) hoje vou falar um pouco sobre mochilas e o que levar nas viagens e trilhas. Para entender porque eu insisto tanto em viajar com mochilas e não malas, leia mais sobre nosso estilo de viagem e vida em Passagens aéreas e custos de viagem e em Sonhos e aprendizado .

O equipamento mais importante é a mochila, afinal o que seria de nós, mochileiros, sem ela?! Já tive vários tipos de mochila, de vários tamanhos, preços e qualidades. Depois de muito experimentar, hoje em dia sugiro 3 bagagens que são tudo que um mochileiro precisa: A mochila de carga (45 a 70 Litros), a mochila de passeio/trilha (25 a 40 Litros) e uma bolsa tipo carteiro (10 a 20 litros). Para as mochilas cargueiro e de trilha/passeio, tenha uma capa de chuva impermeável de mochila. São baratas nas lojas esportivas e fazem muita diferença. Caso vá levar eletrônicos para uma viagem camping de muitos dias, convém ter também um saco estanque, ou mochila leve estanque e manter os itens mais sensíveis à água dentro dele, ainda que dentro das mochilas, para evitar desgostos.

Procure mochilas anatômicas, com bom apoio nas costas, e com tiras peitorais e de quadril, que auxiliem na distribuição do peso. Minha mochila cargueiro é uma de 55L da Norte Face, com tecido rip-stop, muito anatômica, e acho o tamanho dela ideal. Maior que isso já se tornaria um estovo para carregar, afinal não sou muito forte. A mochila cargueiro do André é de 65 ou 70L, da Trilhas&Rumos, bem maior, mas fica muito pesada. O bom da um pouco menor é que você se obriga a manter a viagem minimalista, com poucos itens. A minha de trilha é uma de 30L da Quechua (presente de casório lindo!), com um sistema de aumentar a ventilação nas costas, um E.V.A. poroso e bem anatônico, coberto de tecido telado, que faz milagres em dias quentes, evitando aquela sensação de costas cobertas pela mochila. Também temos uma mochila saco-estanque (outro presente de casamento mara!), que ainda não testamos do ponto de vista da impermeabilidade, mas que tem sido muito útil como mochila leve extra, de passeios pequenos, em viagens maiores.

mochila cargueiro

Exemplo de mochila cargueiro (alguns modelos mais novos, como esse da foto, possuem um zíper que dá acesso a mochila como uma tampa, facilitando o acesso as coisas colocadas no fundo). 

mochila trilha passeio

Exemplo de mochila trilha/passeio (essa é quase igual a minha, muda a cor dos detalhes só) 

mochila carteiro

Exemplo de bolsa carteiro

mochila impermeável estanque

Mochila impermeável/ estanque (essa é igual a nossa mesmo) 

mochila saco estanque

Exemplo de saco estanque

mochila capa de chuva

capa de chuva de mochila (tenho igual) – quando for comprar atente que algumas mochilas cargueiro já vem com capa e, se for comprar, elas possuem tamanhos diferentes, baseado nos litros das mochilas. 

Se você for fazer uma viagem internacional, ou nacional longa, coloque todos os itens de viagem, roupas, equipamento, etc na cargueiro e despache, mantenha os eletrônicos, uma troca de roupa emergencial e lanches na mochila de passeio, que vai como bagagem de mão e fica no compartimento superior no avião, e leve os documentos, uma leitura e água na bolsa carteiro, que fica no colo ou debaixo da cadeira em pouso e decolagem. Para chegar e sair dos aeroportos e estações de trem é possível encaixar as três, deixando a carteiro para frente, com fácil acesso aos documentos, a cargueiro atrás, maior peso e você só retira do corpo em caso de pausas longas, e a de passeio na frente, facilmente retirável para conversar em balcões, ir ao banheiro, com os itens que não devem ser perdidos de vista. Assim, você consegue carregar tudo o que precisa, e não briga com carrinhos, não precisa de táxi, e nem sofre com as rodinhas empacando em calçadas de pedra irregulares. Chegando no destino você pode deixar a cargueiro onde estiver hospedado, lembre-se de levar cadeado se ficar em hostels (eu sempre levo um cadeado extra), e utilizar somente a bolsa carteiro, se for fazer passeios urbanos, ou a mochila de passeios, para trilhas curtas de um dia, ou dia de compras (cuidado com as compras em viagem, lembre-se que se estiver mochilando, tudo deve caber nas 3 mochilas na ida e na volta). Aí você me pergunta, mas não fica pesado? Minha filosofia de viagem é: leve o que você consegue carregar. Ande a pé. Se não conseguir carregar é porque está levando mais do que devia. Viaje leve, bagagem leve, alma leve, vida leve.

Se for fazer uma viagem de até 7 a 10 dias, é possível levar só a mochila de trilha e a bolsa carteiro. Leve a roupa e equipamento na mochila de trilha, e um eletrônico leve (notebook pequeno ou tablet), documentos, leitura e água na carteiro.

Quando for fazer trilhas de um dia, leve apenas a mochila de passeio, trilha. Nela você consegue colocar um casaco impermeável, e/ou fleece se for inverno, um óculos de sol, protetor solar, mapa, comida do dia, lanterna pequena, bússola, GPS (caso tenha), máquina fotográfica e água. Evite levar outros itens. Coloque no próprio corpo, bolsos da roupa, cinto, os equipamentos de acesso rápido e constante. Se for época de sol forte, já saia com os óculos de sol e boné ou chapéu, lembre de passar um camada de protetor, mas leve para reaplicar.

Se for fazer trilha em região com lago, cachoeira, praia, leve roupa de banho. Eu não gosto de já fazer a trilha de biquíni, pois normalmente não são tao confortáveis para caminhar, nem dão tanta sustentação nos seios e nem o maior conforto por baixo das calças, por isso prefiro trocar só na hora de nadar. Quando acabar de nadar, troque de volta a roupa íntima seca. Caminhar com roupa de baixo molhada vai te deixar incomodado.

Se for fazer uma caminhada de vários dias, com camping, leve apenas a cargueiro. E seja extremamente cuidadoso com a quantidade de coisas, quanto mais leve melhor, mas não deixe de levar tudo o que precisa. Essa é a bagagem mais difícil de acertar! Encaixe a barraca, saco de dormir e mat na parte baixa e laterais da cargueiro. Dentro coloque as trocas de roupa, evite muitas roupas. Leve 2 calças transformáveis em short (das com zíper), e menos blusas que dias de trilha. Use a mesma blusa por 2 dias se não estiver imunda e lave quando possível deixando secar a noite. Uma legging pode servir de pijama e calça extra em caso de necessidade, inclusive sendo usada por baixo de outra em caso de frio. Roupas íntimas também podem ser lavadas e secarem overnight. Evite peso. Leve um casaco impermeável, e um outro casaco leve se for verão, e fleece se for inverno. Use o mesmo casaco todos os dias. Os demais equipamentos: GPS, bússola, mapa, lanterna, máquina fotográfica vão na cargueiro. Leve toda a comida que for precisar, e uma garrafa de água de o mínimo 1L. Conforme os dias passam o cansaço aumenta mas o peso diminui, conforme você vai comendo!

Para campings fixos, com passeios variados, leve a cargueiro, com tudo citado acima, e adicione a mochila de trilha/passeio. Depois de montar o acampamento, deixe a mochila cargueiro dentro da barraca trancada, ou em local seguro, e leve para os passeios do dia, sejam urbanos ou trilha, a mochila menor, com o que for precisar no dia. Se quiser economizar com a alimentação, use as mesmas dicas da alimentação de trilha para o passeio urbano, comendo apenas lanches leves e deixando para preparar uma refeição no camping a noite.

Sobre o que levar nas viagens:

Se for verão:

  • 2 calças transformáveis (zíper na perna) de tecido bem leve
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e coloque pelo menos uma manga longa leve)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece (se for muito friorento, ou tiver receio de a temperatura cair a noite)
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 pescoceira de tecido leve transformável em faixa pode ser útil (serve para proteção do pescoço, rosto, testa ou cabeça, contra sol, vento e poeira)
  • toalha

Se quiser sair a noite (não é meu forte), inclua um par de sandálias ou sapatos mais arrumados e um ou dois vestidos e/ou uma ou duas mudas de roupa de sair, mas lembre-se que quanto mais roupa levar maior o peso nas costas e menor o espaço para trazer coisas de volta).

Se for meia estação (primavera ou outono):

  • 1 calça transformável (zíper na perna) de tecido mais leve
  • 1 calça jeans, ou de um tecido mais robusto ou perlante
  • 1 calça impermeável
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e manga longa)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • toalha

Se for inverno:

  • 2 calças térmicas justas ( para serem usadas por baixo)
  • 1 calça perlante mais quente
  • 1 calça impermeável (pode ser usada sobre as térmicas e perlante)
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre térmicas, pra noite e passeios leves e manga-longa dri-fit pra trilhas e atividade física)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias longas de inverno, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco impermeável
  • 2 ou 3 fleeces de gramatura mais densa
  • 1 casaco tipo sobretudo (pode ser o próprio impermeável ou um mais quente, de preferencia que caiba sob o impermeável)
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 par de botas de neve pra trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • gorro
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • luvas
  • toalha

Adapte essa lista de itens, reduzindo-a em caso de camping travessia/caminhada de vários dias, no qual tudo vai nas costa sempre. Reduza o número reutilizando as roupas mais dias e lavando quando possível. Quanto a comida, não utilize embalagens de vidro, caso saiba que estará em local sem lixeiras, pois é inconcebível deixar o lixo na natureza, e carregar os vidros vazios é uma carga desnecessária. Nesse caso, opte por embalagens de plastico, que possam ser esvaziadas e dobradas, assim você mantém um pequeno saco de lixo em um dos bolsos externos e pode esvazia-lo quando houver a oportunidade, sem carregar peso além do necessário.

Em caso de camping livre, lembre-se que alimentos e lixo atraem animais selvagens, por isso junte toda a comida do grupo num fardo (saco plástico ou rede) e todo o lixo em outro e pendure em árvores afastadas das barracas. No dia seguinte recolha ambos. Caso algum animal tenha comido, você perde seus alimentos, mas pelo menos evita um ataque a sua barraca e a você.

Evite deixar alimentos dentro da barraca, mesmo em campings fechados. Além do risco de estragar, outros animais podem rasgar sua barraca tentando pegá-los. Se não for possível carregar tudo com você o tempo todo, veja a possibilidade de deixar uma parte na cozinha coletiva, devidamente etiquetado com seu nome, ou em local seguro na sede do camping.

 

 

Ortedó

09/05/17

Primeiramente, peço desculpas pela demora em escrever esse texto, que devia ter saído semana passada. Mas como eu tinha certeza que essa semana a gente não caminharia, por causa de um acidente que tive, acabei postergando. Dito isso, vamos à trilha!

Eu sugeri dessa vez um caminho mais próximo da cidade, no qual não precisaríamos do carro. Resolvemos ir um pouco além de Alàs, onde costumeiramente passamos perto. O que não sabíamos era o quanto a trilha se estenderia.

Saímos de La Seu com um pedaço de queijo e umas frutas só, e seguimos o caminho de Alàs pela beira do rio, como sempre. Até próximo da vila, foi tudo certo, mas para chegar lá foi necessário pegar uma subida. Sofremos muito no processo, pensamos inclusive que estávamos fora de forma. Mas ao chegar a Praça da cidade, achamos uma fonte e nos refrescamos, e aí percebemos que era calor mesmo. Estamos os dois num ponto em que 25°C já está extremamente abafado, acho que morreremos no verão!

Seguimos até a Ermita de la Mare de Déu de les Peces, no topo de uma colina, e lá observamos a construção, bastante antiga. Pensamos muito sobre quem construía essas igrejas e sobre como eles deveriam estar entediados…

Dali seguimos montanha acima, por um caminho longo, onde paramos diversas vezes para tentar espantar o calor. Quem menos sofria era o Picot, que achava poças de lama pra se refrescar! Passamos por um lugarejo chamado Banat e, mais acima, achamos uma estrada asfaltada, já quase no topo.

Neste ponto a trilha ficou plana e o vento ficou forte. Isso ajudou muito a manter o ritmo. Andamos mais rápido até chegarmos na vila de Ortedó. É uma vila bem cuidada, num ponto com uma vista incrível pro vale de La Seu. Tiramos poucas fotos, pois a Ju não levou a Go-Pro, e só tínhamos o meu celular pra isso.

Agora precisávamos decidir se voltaríamos pela vila de Cerc ou por um ponto indicado no mapa como Bell Lloc. Decidimos pelo segundo, e pegamos uma trilha bastante fechada, até chegarmos em um portão que dizia que era proibida a passagem. Mas a placa indicava que era proibido passar pro lado em que nós já estávamos (como fomos parar ali, não sabemos até agora…), então resolvemos passar o portão e pronto. Bell Lloc é uma fazendinha, e a única saída dali, além da que usamos para chegar, também indicava que era proibida a passagem. Nos fizemos de desentendidos e descemos a estrada.

Neste momento, o Picot já tinha 3 tipos diferentes de lama recobrindo seus pelos. Nós estávamos bastante cansados e, ao chegar à estrada que já conhecíamos eu propus a Ju que um de nós (o que perdesse em algum tipo de jogo) fosse buscar o carro pra pegar o outro, mas ela não me levou a sério!!

Ao chegar em casa, além do banho emergencial no Picot, fui também olhar o roteiro que fizemos no google maps. Descobri que andamos em torno de 25km, boa parte disso montanha acima. Isso justificou bastante o nosso cansaço.

No final, conseguimos fazer um bom exercício e aproveitar uma vista bem bacana da cidade. Sem nem tocar no carro!

 

La seu - Ortedó - Bell lloc - la seu

Percurso total de cerca de 24.7km, sendo o desnível de 459m (mínimo 672m de altitude, próximo ao rio, e 1167m no topo do morro). 

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Ermita de la Mare de Déu de les Peces

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Vista para La Seu (desculpem a (má) qualidade da foto). 

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Ortedó

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Vaquinhas lindas

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O verde da primavera tomou conta de tudo já

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Ortedó, com figuração do Picot

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Bell Lloc

(* fotos e legendas by JuReMa)

Prat de Cadí

 18/03/17

Depois de um bom tempo sem uma caminhada original pra relatar, resolvemos seguir o conselho de um amigo e explorar a região próxima à face norte da Serra de Cadí. Achamos no nosso mapa algumas marcações que pareciam interessantes e seguimos o caminho até lá!

Pegamos a estrada até Martinet, cidadezinha que faz a divisa da Cerdanyà com Alt Urgell. De lá pegamos a estradinha para Estana. Tivemos a surpresa de cruzar com uma região de bunkers (também especificado por esse amigo), construídos ali, segundo a placa, devido ao medo que Franco tinha de uma possível invasão francesa. A sequência de fortificações e túneis parece aberto em outros dias, mas não no sábado… De qualquer jeito, é bem interessante reparar nesse trecho da história dos Pirineus.

A subida até Estana é longa e tortuosa. Dá pra sentir a temperatura caindo e o vento intensificando. A vila em si é muito charmosa, e tem uma vista privilegiada da serra. Há, no início da trilha, depois de passar a cidade em uns 700m, um estacionamento. Mas nós não sabíamos e paramos na cidade mesmo, o que foi bom, pra poder observar as casas reformadas que provavelmente servem para veraneio.

A trilha segue bem demarcada e sinalizada, apesar de ser em boa parte bem acidentada. Também é uma das mais movimentadas que fizemos até agora, junto com a dos Estanys de la Pera. São obviamente as mais famosas, não à toa, pois são também as mais bonitas. A inclinação do caminho é leve, mas constante. Só um trecho escapa disso, e a neve abundante exatamente ali fez a subida um pouco mais delicada. Vimos, na volta, um grupo de senhores e senhoras desistir da caminhada exatamente nesse trecho. Porém, não estavam com nenhum equipamento específico e apesar da disposição, não pareciam ter a mesma mobilidade de décadas atrás. Mas com exceção desse trecho, o caminho todo até o Prat é fácil, seguindo principalmente por entre bosques e só eventualmente saindo para algum trecho aberto.

A chegada ao Prat é para deixar claro porque a trilha é famosa. De repente, o campo se abre em um platô logo abaixo da Serra de Cadí, com as imensas pedras que formam a espinha tão próximas que é possível ver seus detalhes. O campo estava todo nevado, e se alguma parte já derreteu, eu não quero saber como estava antes! Não levamos equipamento adequado porque não achávamos que seria necessário. Mas afundamos até a coxa na neve, e as mãos doíam de frio ao tentar se levantar. Também tivemos neve adentrando o tênis e a meia, uma sensação desagradável, que nos fez tomar a decisão de guardar nossas polainas de proteção permanentemente no porta-malas do carro.

Algumas pessoas descansavam na lateral do Prat, enquanto outras passavam esquiando pela leve inclinação da região. O Picot ficou realmente impressionado com o fato de pessoas passarem a tal velocidade sem movimentar as pernas. Mas logo depois disso, ele se recuperou e nos ajudou a achar uma trilha para nos aproximarmos mais da Serra sem ter que atravessar a neve. Mas nosso esforço durou pouco, pois logo percebemos que pra qualquer lugar que fossemos a neve nos cercaria.

Voltamos pelo mesmo caminho, agora só na descida. Foi bastante tranquilo, exceto pelas meias molhadas. Conseguimos chegar em casa ainda cedo, não tendo nos desgastado tanto quanto em outras caminhadas. Essa trilha, além de belíssima, também é boa opção pra quem não está com todo aquele preparo físico, mesmo com seu total de aproximadamente 12km.

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Bunkers

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Vista de Cadí em Estana

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Picot rolando na neve

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Chegada ao platô

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Cadí em detalhes logo aí do lado

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A travessia do platô exigia equipamento pra neve, mas não tínhamos no dia

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Arseguel: cidadezinha onde paramos na volta para conhecer. Um charme! 

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Road Trip 3 – Pallars Sobirà

Mais uma vez aproveitamos os trâmites burocráticos para viajar um pouco mais! Desta vez tínhamos que passar por Lérida (LLeida para os íntimos), e na volta pegamos a estrada que subia por Pallars Jussa e Pallars Sobirà, nossas províncias vizinhas. Uma ideia de última hora, e mesmo com a falta de planejamento, conseguimos aproveitar bem.

Nossa primeira parada da volta foi na cidade de Camarasa, onde uma ponte de pedra desabada sobre o rio Segre justifica ainda mais a minha escolha de um rio preferido. A água verde semi transparente em oposição às encostas do outro lado do rio fazem um cenário maravilhoso pra passar uma tarde ali e, de repente, até nadar um pouco. Mas não estávamos no luxo de gastar tanto tempo assim…

Seguimos até a a represa de Camarasa, pouco acima, e paramos novamente para apreciar a vista. O represamento nas províncias do norte da Catalunha iluminam o estado todo com as hidrelétricas, e as províncias de Pallars se sobressaem nessa tarefa. A criação dos lagos artificiais não parece destruir muito da natureza no entorno, já que a água se acumula na própria garganta que os rios de montanha tendem a criar. Mas ainda é assombroso perceber os desníveis que as estradas tem que percorrer para alcançar a altura das represas.

Paramos um pouco mais a frente de novo para ver as ruínas de uma antiga vila, La Maçana. Toda a minha fascinação com ruínas foi satisfeita ali, foi possível ver um antigo porão, sacadas, cemitério e capela, além de poder fazer uma boa aproximação das estruturas, o que geralmente os espinheiros não permitem… O Picot se mostrou um bom explorador, bastante ágil e cuidadoso, se assustando só um pouco quando eu derrubei algumas pedras.

Nossa próxima parada foi em La Baronia de Sant Oisme. Esse lugar curioso é uma pueblo em uma montanha na curva do rio. Não parece ter muitos habitantes permanentes, mas as casas reformadas do pessoal com grana que deve viver em Lleida ou Tremp estão realmente muito arrumadas e em um lugar privilegiado. Há, na ponta da cidade, um tunelzinho por baixo das casas e uma espécie de arco de pedra, visível da estrada. Junto com a torre ao lado, formam uma vista impressionante para um lugar tão pequeno. A torre é aberta e não proporciona uma visão tão melhor assim, mas certamente é bastante divertido subir, menos pro Picot, que subiu um pouco estimulado, um pouco empurrado. Na saída da cidade, passei pra comprar umas batatas fritas no restaurante/hotel beira de estrada e tive uma surpresa ao descobrir que a atendente não só era brasileira, como era do Tocantins. Achei curioso!

Paramos na beira de uma ponte depois disso para ver um túnel escavado na pedra, com algumas “janelas” para a represa ao lado. Só uma curiosidade, mas ficamos atraídos pelo local. Passamos reto logo depois por Tremp, capital da comarca de Pallars Jussa, mas paramos em seguida em Talarn para ver uma fortificação antiga e uma cidade simpática e bem cuidada. Vale encostar e dar uma olhada, e dali a vista para uma das represas é privilegiada.

Decidimos então parar de encostar em cada cidadezinha, pois não tínhamos muito tempo, e fomos direto pra Sort, que não deixa de ser também uma cidadezinha, mas um pouco menos inha. Sort tem um foco em ecoturismo, pois tem muito mais lojas de caiaque e alpinismo do que seria comum em um povoamento com pouco mais de 2000 habitantes. O rio tem uma correnteza forte, todo marcado para provas aquáticas, e os parques são muito bonitos, mas não permitem a entrada de cachorros, não entendi o motivo… Rodamos um pouco e logo pegamos a estrada para La Seu, que atravessa uma cadeia de montanhas, passando pela vila mais alta da Catalunha, a 1600 metros e uns quebrados. a vila se chama Rubió, por causa das pedras avermelhadas que compõe as montanhas em volta e que deixaram a Ju como uma criança com lápis-de-cor novos! A estrada toda tem vistas deslumbrantes, e em alguns locais há como parar o carro para apreciar a vista e fazer um piquenique. O único problema é a quantidade de curvas, que deixa qualquer um tonto.

Chegamos no final do dia em La Seu, o que foi bom para aproveitar a vista da estrada toda. Iremos mais vezes pra lá, pois faltou muita coisa que estava em nosso roteiro…

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Rio Camarasa

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Represa do Rio Camarasa

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Ruínas de La Maçana

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La Baronia de Sant Oisme

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Túnel com janelas

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Talarn

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Sort

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Road Trip 1 – Parte 2

Road Trip 1 – Parte 2 – 16/02 a 19/02

Languedoc-Rousillon / Empordà / Girona

Dando prosseguimento ao relato de nossa viagem, conhecemos na manhã do segundo dia Perpignan. É uma cidade historicamente catalã, mas que em uma das muitas guerras foi cedida para a França, junto com a região em volta, o tal Rosilhão. Os catalães chamam também de Catalunya nord, ressaltando os laços culturais, mas por lá não vimos nenhuma “Estelada”, a bandeira independentista catalã, que abunda nos territórios sob domínio espanhol. Perpignan tem um lindo passeio ao longo do rio Basse, passando pelo centro histórico. O rio Tet, muito maior, divide a cidade não só fisicamente, mas também em estilo e aparentemente idade das construções. Há uma catedral imensa que, diferentemente das de Figueres, Girona ou mesmo de La Seu, é bastante iluminada e colorida (a torre me lembrou o Castelo Rá-Tim-Bum…). Destaca-se também nessa cidade um imenso forte que foi amplamente reformado durante sua história, devido as mudanças constantes de domínio sobre a cidade. É possível ver pelo menos 2 tipos diferentes de construção de pedra, além de trechos imensos de tijolos. A vista de cima do forte eu diria que é impagável, mas a entrada custa 4 euros, o que é bem pagável… O forte tem relação com algum palácio de Maiorca, pois houve um rei que teve os 2 territórios como domínio, mas a cidade trocou muitas vezes de mão, por diversos motivos, então é muito difícil mesmo descrever a cultura local em poucas palavras.

Saindo de Perpignan, seguimos sentido sudeste, chegando até as praias já quase na divisa com a Espanha. Paramos por um bom tempo em Port Vendres uma cidade muitíssimo charmosa, (*tipo Mônaco*) sem o problema de ter que lidar com ricaços. De fato, a cidade parece destino daqueles que realmente gostam de navegar mas só tem barcos pequeninos, além de aposentados. A marina da cidade possui uma grande quantidade de pequenas embarcações, mas poucas grandes e luxuosas. As construções são simples, mas bem preservadas, e também mantém um estilo coeso entre si. Demos uma boa volta pela cidade, até chegar a umas ruínas de fortes e bunkers na encosta de um penhasco. Além dos confrontos com a Espanha, ali também teve presença alemã na 2° guerra. Definitivamente um excelente lugar pra passar uma tarde despreocupada!

Seguimos a estrada passando por algumas outras cidades costeiras. Todas aqui seguem o padrão de além do litoral, por também estarem incrustadas nas montanhas, no trecho final dos Pirineus. As estradas são todas muito estreitas e os franceses dirigem assustadoramente mal por ali, mas a vista compensa. Eventualmente chegamos de volta a Catalunha, onde a gasolina é muito mais barata, mas não se encontra crepes de nutela… Na divisa, há um pequeno obelisco franquista, construído para marcar a vitória de seu golpe. Os catalães jogaram tinta vermelha no “monumento”, mas eu achei que ainda foi pouco… Por ali passaram muitos refugiados republicanos quando Franco tomou a Catalunha, tendo a França acolhido eles. Alguns inclusive lutaram pela França na segunda guerra, levando a Estelada para a batalha contra os nazistas. Claro, isso era proibido pelo governos francês, assim como outras línguas que não a oficial, mas catalães parecem não se preocupar com esses detalhes.

Seguimos pelo litoral até Cadaqués uma cidade absolutamente maravilhosa para se ver a distância, mas horrível para entrar. O cenário litorâneo e com construções todas brancas é magnífico, mas as ruas são todas muito estreitas e infestadas de carros. São pouquíssimos os pontos para se parar o carro fora da cidade e menos ainda para se parar dentro. De qualquer maneira, merece uma visita, principalmente para quem gosta do estilo da cidade de Paraty. Fomos até a vila de pescadores onde a Família do Salvador Dalí tinha uma casa. Lá tem um museu bem caro pro tamanho dele, e nós preferimos só ver de fora mesmo. Fomos a uma praia pequenina ali perto e quando criamos coragem para entrar na água gelada, percebemos que o mar estava infestado de águas vivas. Daí então mudamos nossos planos e fomos até um bairro com uns casarões no entorno da cidade e ficamos um bom tempo sentados assistindo ao mar se chocar contra os rochedos. Destacou-se nessa cidade uma “rua” com um rio no meio, que nos deixou muito confusos. Havia água correndo em quantidade no meio do caminho concretado, mas também haviam carros estacionados em volta. Sem saber se era uma rua alagada ou um canal quase vazio, resolvemos sair rápido dali.

Chegamos a Figueres no final do dia, desta vez com uma pousada agendada. *A pousada, chamada Don Pepe, é uma pequena hospedaria de um casal muito gentil, que vive no piso superior e aluga os quartos do piso intermediário. Por fora não daria nada pelo local, uma sobreloja numa avenida movimentada no perímetro da cidade, mas ao entrar nos deparamos com um local muito aconchegante, limpo, arrumado e confortável! Dormimos muitíssimo bem e aproveitamos os banhos quentes! Recomendo pra quem quiser se hospedar em Figueres. O preço é excelente e é possível reservar pelo booking.com, inclusive pelo app (http://hostaldonpepe.com/). Além disso está próxima da Decathlon local e de restaurantes mais baratos de rede, para os que preferem.*  Depois de um bom e necessário banho, andamos até o centro da cidade para ver a catedral e alguns marcos na frente do museu Dalí, que estava fechado pelo horário já. Figueres é uma cidade que eu acho bastante curiosa. Se situa entre as montanhas e o mar, então há opções para todos os gostos! Também é pequena sem ser provinciana, e a presença do Dalí certamente contribui demais para isso. É bastante quente, mesmo agora no inverno, mas quem está ali e deseja esquiar pode obter isso com algumas poucas horas de estrada. Uma excelente cidade para os amantes de surrealismo e natureza!

No terceiro dia da viagem, descansados e revigorados pela boa noite de sono, resolvemos nos desgastar de novo logo pela manhã! Seguimos pra vila de Albanya, encravada no vale do rio Muga, e de lá pegamos uma estrada de terra até o começo da trilha para Sant Joan Bossols (Mussols em algumas versões). Dali, foram uns 40 minutos de subida por uma trilha com muita pedra solta até chegarmos na igreja. A vista de cima do cume é bastante ampla, podendo ver, em dias limpos, Figueres tranquilamente, apesar dos mais de 20 km de distancia em linha reta. Ficamos um pouco ali apreciando a paisagem e a antiga construção de pedra em um lugar tão ermo. Dali, seguimos para a encosta do rio Muga, mas a água fria e a correnteza forte impediram de até pensar em nadar.

De Figueres seguimos direto para Girona, onde vimos as impressionantes construções do centro velho. É um distrito construído numa encosta, com direito a uma catedral de proporções absurdas, uma extensa muralha com torres em intervalos regulares e jardins muito bem cuidados. As construções, todas de pedra, somadas a falta de qualquer presença de cor, faz com que a região pareça sinistra. Ainda assim, é tudo muito imponente. Seu rio, o Oñar, é bastante limpo, e as pontes notáveis e os prédios construídos sobre as margens criam um cenário delicioso para um passeio. Girona é uma cidade de extrema importância cultural e histórica para a Catalunha. Suas muralhas, por exemplo, são da época carolíngia, e seu bairro judeu é um dos mais preservados da Europa. Aqui encontramos os amigos que foram o motivo original da viagem. Mas pelas circunstâncias, cada um voltou a seu próprio local para dormir. *Nós ficamos num hostel com infra estrutura muito boa, no centro velho de Girona, por preço imbatível. Ele faz parte de La Xarxa Nacional d’Albergs Socials de Catalunya (XANASCAT – https://www.xanascat.cat/), uma rede catalã muito interessante. O esquema é de hostel, com beliches e banheiros compartilhados, mas conseguimos um quarto apenas para nós dois.* 

No quarto e último dia seguimos todos para o litoral, passando por L´Estartit, onde almoçamos e passeamos pela marina da cidade, e depois indo até Begur, também no litoral, mas mais montanhosa. Ali subimos até uma pequena fortaleza no topo de uma colina, onde uma vista privilegiada para o mar aguardava, além de uma imensa e tremulante Estelada! Foi um dia mais tranquilo, mais focado nas refeições e nas conversas do que os anteriores e a volta nos tomou um tempo bastante longo, mas ainda assim foi uma viagem muito enriquecedora em todos os sentidos.

(*observações da JuReMa!As legendas das fotos também são by JuReMa)

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Perpignan

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Rio Basse

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Rio Tet

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Torre da Catedral

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Catedral

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Vista do forte

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Vista do Forte

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Forte

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Forte

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Forte

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Port Vendres

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Bunkers

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Cadaqués

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Vila onde está o Museu Dalí (casa onde ele viveu)

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Museu Casa Dalí

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Figueres Museu Dalí

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Albanya – Bifurcação próxima ao início da trilha, perto de onde deixamos o carro

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Ponto onde saímos da estrada pra entrar na trilha em subida abrupta.

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Igreja de St Joan de Mussols

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Ruínas de outra igreja, já próxima ao Rio Muga

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Rio Muga

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Girona

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os jardins são muitos e lindos

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parte de trás da catedral

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vista de cima da muralha

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L’Estartit

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Crédito da foto: Lívia Andrade

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Crédito da foto: Lívia Andrade

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Vista da subida pro forte de Begur

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Igrejinha no caminho – Sant Ramon Nonat

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Vista do alto da fortificação

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Estelada

Road Trip 1 – 1ª Parte

Languedoc-Rousillon / Empordà / Girona -16/02 a 19/02

Fizemos finalmente a nossa primeira grande viagem de carro! Por grande, quero dizer mais de 2 dias na estrada. Temos planos pra viagens muito maiores, é verdade, mas como somos razoavelmente precavidos, estamos fazendo uma série de pilotos com relação a equipamento, planejamento, estrutura a ser utilizada e por aí vai. Dessa vez, testamos a disponibilidade de banheiros e wifi nas estradas (obrigado, McDonalds!), dormimos uma noite no carro e descobrimos um pouco mais sobre como evitar pedágios (depois de pagar 5 euros para andar 50 min…). A ideia é estarmos sempre aprendendo alguma coisinha para aproveitar na próxima viagem, podendo então ficar mais tempo, conhecer mais lugares, com menos gastos e mais conforto.

Para a estréia, aproveitamos que alguns amigos iriam para Girona no domingo e saímos de casa na quinta. Marcamos alguns pontos no mapa para uma rota circular e juntamos nossas coisas, entre roupa, comida e equipamentos em geral (quem sai de casa sem uma lanterna ou uma luneta?). Começamos pelo “estado” francês de Languedoc-Rousillon, “comarcas” de Pyrénées Orientales e Aude, e depois passamos para Empordà e Girona, de volta a Catalunha.

Começamos a viagem seguindo para a estrada que vai até Puigcerdà e de lá passando para Bourg-Madame, já na França, nos Pyrénées Orientales, mas só uns 20 metros. Uma pausa pra foto na beira do rio Segre, meu rio favorito, e seguimos viagem. Chegamos até Mont Louis e tivemos que fazer uma parada não planejada. De repente, uma muralha gigantesca de um forte em formato de estrela surgiu na nossa frente! Entramos na cidade, onde existe um batalhão do exército francês pronto pra bater em retirada em caso de emergência. A cidade é bem bonitinha, e a altitude dela faz com que a neve seja muito mais frequente, dando um ar bem charmoso. Só achamos que poderia ser mais bem cuidada e ter algum vendedor de crepes de nutella mais acessível. A viagem continuou até a beira do lago Matemale, onde alguns chalés se amontoam frente a uma vista incrível. Fizemos a promessa de voltar no verão para ver o lago descongelado.

Depois disso passamos para a província de Aude, que começa no aprofundamento do vale do rio com o mesmo nome. Quando digo aprofundamento do vale, é de verdade. A estrada serpenteia para um buraco gigantesco, do fundo do qual é realmente difícil ver o sol. As encostas são forradas de coníferas, o que sombreia ainda mais a região. Eventualmente chegamos em uma vila chamada Carcanières les bains, um distrito de Carcanières junto ao rio. A primeira vista a cidade pareceu incrivelmente linda. Há uma ponte que passa a poucos metros de uma cachoeirazinha, enquanto o rio que divide a cidade corre por entre as casas. Mas nossa impressão se mostrou falsa…

Paramos o carro na beira da estrada e saímos a pé para apreciar. Rapidamente um cachorro apareceu pedindo carinho, mas do nada mudou de ideia e tentou me morder. Logo, vimos um cartaz na parede de um prédio que anunciava um exorcista, médium e vidente, atendendo com hora marcada, ali mesmo. Rimos, achando graça da situação. Então percebemos que a esmagadora maioria das janelas da cidade estava fechadas. A única vitrine aberta no térreo tinha anões de jardim com sorrisos macabros empilhados junto à plantas que precisavam ter sido podadas anos atrás. As casas da cidade se concentravam do outro lado do rio, e as pontes de pedestre para alcançá-las estavam todas fechadas com portões e cadeados de tamanhos consideráveis. O bar da cidade, visível da estrada, tinha cara de estar abandonado já a tempos. Subimos para a tal ponte já descrita e de lá foi possível ver do outro lado do rio, sobre um pico, uma grande cruz meio que improvisada. Aquele era um dos poucos lugares onde batia sol na cidade… Rimos de novo, dessa vez de nervoso, e na volta pro carro, que fizemos sensivelmente mais rápida do que a ida, percebemos que a igreja tinha grades imensas na porta, fechando a passagem permanentemente. Ficamos na dúvida se era pra evitar que as pessoas entrassem ou se era pra que o que estivesse lá dentro não saísse…

Seguimos viagem o mais breve possível e logo estávamos em Carcassonne. Talvez o local mais bonito e amigável de toda a viagem. A cidade tem um castelo que, segundo a Ju, é o castelo da imaginação das crianças. Eu aproveitei a dica e defini como “castelo de Platão”, o castelo das ideias, e todos os castelos do mundo são cópias imperfeitas dele. Esse castelo tem ponte elevadiça, muralhas duplas com crenelação, torreão, uma vila interna, fosso. Não falta nada! Claro que a vila hoje se especializou em restaurantes e lojas de suvenir, mas comemos um bom crepe de nutella com um vendedor bastante simpático (não ganha do crepe da marmota, em Font Romeo, mas acho que nada ganha…). Passeando pelo centro moderno, comemos um panini de nutella também. Me pergunto por que isso não vende no mundo inteiro. O rio Aude cruza a cidade, já mais amplo e com um parque margeando, deixando o cenário ainda mais completo.

De Carcassonne fomos para Narbonne, onde demos um passeio noturno. A cidade, já bem mais próxima do mar, tem um canal estreito atravessando o centro histórico. Esse canal não é muito agradável, mas as construções em volta compensam essa falta de charme. Na praça central há uma escavação que expõe um trecho da via Domitia, uma estrada que ligava os territórios romanos, indo da atual Suíça (ou perto) até a Espanha. Incrível o que esses romanos deixaram espalhados por aí. A cidade também tem uma catedral que é absolutamente gigantesca, mas estava fechada durante a nossa passagem noturna… Fomos ainda na mesma noite até Perpignan, onde dormimos no carro mesmo, e assim acabou o primeiro dia de viagem.

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Muralha de Mont Louis

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Carcanières Les Bains

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Detalhe dos portões e grades nas pontes de acesso às casas

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Tudo abandonado…

 

 

 

 

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E frio!

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Carcassonne

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Cidadela dentro da muralha, hoje com restaurantes e lojinhas 

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Vista da cidade, de cima da Muralha 

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Rio Aude

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Panini quentinho com nutella derretida! (Do crepe nem deu tempo pra foto!)

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Narbonne

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A Catedral é realmente imensa

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Fonte da Praça Central

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Via Domitia (trecho original romano)

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Dicas de trilha – vestuário

Quando fazemos trilhas parecemos crianças! Tá, eu sei que eu pareço criança sempre, mas o André faz a fachada de sério até estar no meio do mato. E é um tal de senta no chão, se joga de qualquer jeito, sobe em árvore, sacode a neve na cabeça, realmente, o espírito mais moleque fala alto nas trilhas. Aqui, com a neve e o gelo, descobrimos uma nova paixão, esquibunda, ou skibunda, versão neve! Cada colinazinha com um pouco mais de gelo é um convite pra descer escorregando. Descobrimos essa paixão no Pico Negro, como relatado no post específico do tema, e lá foi nosso melhor escorregador até agora pois tinha realmente muito gelo e descíamos facinho! Parceia até tobogã!

De lá pra cá o André tem tentado fazer o mesmo em qualquer barranco com neve que encontramos, e às vezes da certo, às vezes não. O não, às vezes não é um problema, ele só fica parado no chão, mas às vezes é, quando tem pedras no caminho escondidas na neve. E com isso descobrimos alguns senhores rasgos nas calças. Esses rasgos foram costurados e abertos de novo, com adicionais novos na trilha seguinte. Então passei a última semana pesquisando calças impermeáveis e rip-stop, e devido à pesquisa resolvi compartilhar com vocês algumas dicas relativas à vestuário para trilhas!

Dando uma folga na série SP by JuReMa, volto então nas Dicas de Trilha – vestuário! Fiquei muito feliz pois recebi um feedback positivo com o primeiro post de dicas de trilha, no qual comentei calçados, então espero que possa ser útil nesse também.

Bom, o básico de quem faz trilha é o fato de que subir montanhas à pé, geralmente carregando seu próprio equipamento, gera esforço físico e muito calor e suor. Mesmo na neve, mesmo no frio, o calor e o suor estão presentes. Então o bom caminhante se prepara para o esforço físico e se prepara para as camadas! Camadas são a palavrinha chave aqui! Principalmente se considerarmos que numa viagens de vários dias, seja mochilão urbano ou na montanha, você precisa carregar pouco e leve (já que vai tudo nas suas costas mesmo) e estar preparado para variações climáticas. Então vamos à todo meu amor por camadas!

A 1ª camada deve sempre ser de um tecido leve, que facilite a passagem do suor para fora do corpo, que seja de secagem rápida, tanto para secar em uma noite após lavagens quanto para secar do suor. Então prefira tecidos sintéticos, mas não confie em qualquer sintético. Algumas das roupas vendidas por aí como “fitness” ou “roupa de academia” na verdade retêm ainda mais o suor, apesar de secarem rápido após lavar. A roupa deve não só permitir, mas favorecer a transpiração. Para tempo quente, isso fica bem óbvio.

Para tempo frio, existem três opções de 1ª camada. Eu pessoalmente prefiro a mesma dri-fit que uso no verão! Sou calorenta e suo mesmo nas subidas. Mas para os friorentos existem as opções de esqui. Malhas térmicas que favorecem a transpiração e ao mesmo tempo auxiliam à manter o calor do corpo. No Brasil são mais caras, pois a demanda é menor. Aconselho comprar as de esqui, ou de corrida no frio! Existem muitas roupas 1ª camada térmica, que são excelente para dar aquele aporte de calor extra, que secam rápido e são leves e sem volume algum, mas que não são feitas para esporte, e por isso retêm o suor. E aí você me pergunta, mas qual a obsessão com o suor? E daí se eu estiver suada? E daí que se o suor não evaporar, a roupa de baixo fica úmida, a pele fica úmida e com o tempo frio essa umidade vai baixar muito sua temperatura corporal, aumentando o desconforto e o frio. Então no frio é essencial que o suor possa sair e seu corpo possa secar! Nas trilhas eu uso geralmente a primeira camada só na parte superior do corpo (camiseta) pois não sinto tanto frio na calça, e daqui a pouco vou falar das opções de baixo).

A terceira opção de 1ª camada eu ainda não testei mas estou louca para adquirir (assim que o orçamento permitir) que é a lã de merino! Merino é um tipo de carneiro neo-zelandês, que enfrenta temperaturas entre 35º (verão) e -25º (inverno). A sua lã é especial pois no animal ela já cresce em camadas, fazendo o papel que tentamos imitar aqui. Entre suas propriedades estão o fato de que seca muito rápido, segura o frio, permite uma respiração tão boa quanto a de dri-fit no calor, e não fica com odor, permitindo múltiplos usos antes de ser lavada. Por isso é a mais recomendada para excursionistas que acampam por vários dias! Eu quero muito testar essa questão do odor!!! Existem, nas lojas especializadas, desde regatas, passando por blusas justas de manga longa, até casacos de 2ª camada de lã de merino.

Mas se você for contra utilizar lã animal, ou simplesmente não quiser pagar o valor (é mais alto), o sistema de camadas funciona maravilhosamente bem com os sintéticos! Uso há tempos e super recomendo. Não use a primeira camada de algodão! Eu era super a favor do algodão e contra sintéticos, pela saúde da pele. Mas é tudo uma questão de conhecer os diferentes tecidos sintéticos e saber escolher. O algodão permite a transpiração, mas em velocidade mais baixa e com isso fica úmido e pesado. No verão isso já gera uma carga de peso e calor, mas no inverno é terrível, pois ele não seca embaixo das demais camadas, especialmente da impermeável, e com isso você fica com muito frio, além do sobrepeso. Então se foque em uma 1ª camada de excelente transpiração!

A segunda camada é para tempo frio. No calor pule essa etapa! Eu tenho uma preferência por flecee, um tecido sintético, que aporta muito calor, e é muito leve, seca em uma noite e aguenta muito frio! O mais importante, é que ele deixa o suor passar. E com isso não fica úmido nem pesado. Além disso não acumula odor. O flecee existe em diversas gramaturas, assim como qualquer tecido (só não estamos acostumados a reparar) e essa gramatura pode ser observada ao toque ou nas especificações da etiqueta ou site de algumas lojas especializadas. Os mais finos aportam menos calor e os mais densos mais calor. Eu ia escrever os mais grossos, mas a beleza do flecee, é que ao contrário da lã, ele não fica mais grosso, fica mais denso, mas mantém a leveza.

Para finalizar a terceira camada deve ser impermeável. Como sempre existe a preocupação com o clima, seja a chuva, a neve ou o gelo, a terceira camada deve também conter o vento. Existem tecidos impermeáveis, outros perlantes e os softshell, que são corta-vento. Vamos compreender as diferenças! O perlante é aquele que quando molhado por pouco tempo, sem ser submergido, repele a água, ou seja, você consegue visualizar a gota escorrendo sem deixar rastro, mas caso seja submergido ou fique em contato, por exemplo sentada na neve ou na grama úmida, ele vai aos poucos absorvendo parte da umidade. Para trilhas na neve quando você evita sentar no chão (sente em pedras ou sobre o casaco), ou para chuvas finas e breves, funcionam perfeitamente bem. O bom do perlante é que existem alguns que permitem a respiração da pele, e com isso você consegue que a transpiração saia e a pele seque. Mas em caso de ventos fortes, a sensação térmica de frio vai ser maior.

Os impermeáveis de verdade são aqueles que parecem mais plásticos. E por isso mesmo impedem a transpiração. Por isso o ideal é que tenham zíper próximos à axila que você possa abrir nos momentos de maior esforço físico e fechar em caso de chuva ou vento forte, controlando a temperatura interna. O tecido mais plástico tende a ser menos confortável na pele, então convém investir nos um pouco mais caros, que possuem forro telado, que evita o contato direto por dentro. Os impermeáveis devem ser usados no inverno e verão. Para o verão, eu aconselho colocá-los só quando a chuva começar. No frio eles são especialmente úteis, pois impedem que a umidade da neve e do gelo se torne um problema, e barram o vento!

O vento é uma questão muito importante e que muita gente desconsidera. A diferença entre temperatura real e sensação térmica pode variar bastante e com ventos fortes a sensação térmica tende a ficar 10º abaixo da temperatura real. Os impermeáveis, pela característica mais plástica (poros selados), barram completamente o vento. Os tecidos com softshell são os que melhor lidam com o vento, pois possuem uma espécie de cobertura, “casca” que é específica para barrar o vento. Os impermeáveis tendem a ser tecidos mais leves e moldáveis, os softshell são mais rígidos. Para os corredores podem ser úteis, embora sejam mais quentes.

O impermeável, per si, não aquece, embora por barrar o vento e a transpiração já suba a temperatura corporal significativamente. O softshell é menos aconselhado em mochilões, por ser mais rígido e mais adaptado ao frio. Mas caso você faça um mochilão mais urbano ele pode ser mais útil. Vale a pena conhecer.

Em todos os tecidos, de frio ou calor, é importante conhecer a tecnologia rip-stop. Que eu saiba ela foi desenvolvida para roupas militares e aos poucos migrou para o esporte, como acontece com muitas tecnologias. O rip-stop, significa exatamente isso, traduzindo do inglês, para rasgo. O tecido rip-stop possui inúmeros fio extremamente resistentes, embutidos no tecido, formando pequenos quadradinhos. Quando o tecido rasga, o rasgo desfia só até encontrar um desses fios mais resistentes e para ali. É importante destacar que o rip-stop não impede que o tecido rasgue, ele pode ser cortado com facilidade, seja por tesouras, facas, pedras, abrasão, etc. A vantagem é que o tecido não desfia, permitindo que seja costurado e aumentando a durabilidade de um tipo de vestimenta que vai sofrer com as intempéries e abrasões de uma vida ao ar livre.

Minha última observação sobre roupas para a trilha é sobre roupas íntimas. Vale a pena investir em roupas íntimas que também possuem a característica de não reter o suor e ter secagem rápida. Já me aconteceu muito de ficar com a roupa íntima encharcada de suor e a camiseta e calça secas, formando aqueles famosos e indesejados desenhos da sua underwear molhada marcada na roupa. Além de denunciar o que você está usando por baixo, se a roupa íntima fica úmida isso aumenta o desconforto, na trilha aumenta significativamente o risco de abrasão com a pele, especialmente considerando o atrito que justamente essas peças terão contra sua pele. No frio, além do atrito e da abrasão, há a questão do frio provocado pela umidade junto ao corpo. Quando falo de roupas íntimas me refiro não só a calcinhas e cuecas, mas tops (ou sutiã) e meias! As pessoas esquecem que meia também faz o papel de roupa íntima! Meias de secagem rápida fazem maravilhas pelo conforto dos pés! Se o calçado for impermeável ele vai reter o suor, mas com meias desse tipo, 5 minutos após retirar o calçado, seus pés estarão secos, o que fará toda a diferença para dormir, tanto em termos de conforto em geral, quanto de temperatura e odor.

Montando as camadas: (verão) roupa íntima que permita a transpiração, camiseta dri-fit (se for trilha em mato fechado ou com muito sol prefiro mangas longas, mesmo no calor, pois protegem do mato, insetos e raios UV). Por serem muito leves, quando o tempo tá excessivamente quente eu molho a camiseta, e deixo secar no corpo. Alivia o calor, e posso manter a manga longa. Mas as mangas curtas e regatas também funcionam bem, e uso dependendo da situação.

Calças de tecido extremamente leve, rip-stop e transpirante. Eu prefiro calça a short pelo mesmo motivo da manga longa, evita mato alto, cortes de espinhos, alergias a plantas, insetos e sol. Gosto das que possuem zíper e podem ser “transformadas” em bermudas. Podem ser especialmente úteis quando você quer nadar e está sem biquíni por baixo. Se bem que a roupa íntima esportiva tende a cobrir mais que biquíni e rola de usá-la. O zíper às vezes me incomoda um pouco, se a trilha for muito íngreme, e exigir muita flexibilidade do tecido na altura dos joelhos e coxas. Nesses casos o zíper diminui a flexibilidade. Eu gosto muito de leggings nesse tipo de trilha, embora elas não possuam bolsos nem sejam resistentes à abrasão. Algumas marcas especializadas possuem calças com excelente elasticidade, mantendo os bolsos e a resistência. São mais caras, mas eu prefiro. Geralmente também prefiro as perlantes, pois como sou calorenta, acho que as impermeáveis barram muito a transpiração. Mas levo uma impermeável simples na mochila pro caso de chuva forte.

Para o inverno acrescento aí o flecee. Embora na subida ele tenda a ficar na mochila. Até agora, mesmo com a neve e as temperaturas negativas só usei o flecee uma vez durante uma trilha inteira, e foi a da Bastida d’Hortons, que realmente o tempo estava fechado e com muita neve. Às vezes saio com ele, e tiro depois que o corpo esquentou, e até agora tive que colocar depois uma vez só, pois subimos muito e lá em cima estava uma nevasca e ventos assustadores, e acabamos voltando. E o impermeável. No verão o impermeável fica na mochila até segunda ordem (chuva), mas no frio gosto de colocá-lo logo para barrar o vento. E vou abrindo e fechando o zíper para ajustar a transpiração e o controle da umidade.

Meu impermeável foi dos mais completos, mas valeu cada centavo. Ele possui todas as funções, incluindo capuz, que pode ser completamente retirado, ou guardado enrolado em volta da gola. Embora sempre use com ele aberto, para proteger da chuva e/ou vento. Ele é telado por dentro. Já usei no verão só regata e ele por cima e a sensação com a pele é ótima. Além disso ele tem uma infinidade de pequenos bolsos, bolso pra óculos, pra luvas, pra celular, apoio elástico para o fio do fone de ouvido, etc. Também possui mil ajustes, ajuste de cintura, pulso, capuz, barra, e tem um cinturão interno para barrar completamente o vento, travando ele na cintura por baixo com bastante eficácia. Usei no Pico Negro, onde ventava horrores e foi muito eficiente. Na verdade eu descobri 85% das funções dele aqui nas montanhas, embora já tenha há quase três anos, pois no Brasil não tinha pegado nem tanto frio, nem tanta altitude. É o vermelhinho de todas as fotos! Me sinto uma personagem que não muda de roupa, mas a roupa muda, ok! Só o casaco que não!

A calça impermeável cheguei a conclusão, depois dos rasgos da do André, que vale a pena uma mais completa, com tecido rip-stop e aberturas laterais que permitam vesti-la por cima de outra, mesmo já estando no meio da trilha, caso a chuva chegue de repente. Uma lição que aprendi foi comprar a calça impermeável uns 2 números maior e fazer um bom ajuste de cintura! Perdi uma calça impermeável cara assim. Foi triste. Comprei muito justa. Usei no Brasil e estava ótimo, pois usei ela pura, sem outra por baixo. Cheguei aqui e precisei usar por cima de tudo, e dessas roupas mais grossas de inverno e ela ficou ridiculamente apertada, me travou muito a perna e quase joguei ela fora no meio da trilha dos estanys de la Pera, de tanta irritação que estava por não conseguir mexer a perna adequadamente, especialmente na subida, pois ela travava meu movimento ascendente. Prefiro parecer o Bozo com uma calça gigante do que não conseguir me mexer!

O André ouviu meu conselho até demais e comprou a nova impermeável gigante! Grande até demais, mas fizemos ajustes e ainda achamos que melhor grande demais do que pequena demais! Na trilha o conforto é primordial! Quando conseguir vou adquirir outra maior pra mim! Por enquanto tenho as perlantes, e uma impermeável simples, dessas bem de plástico fino, que segura em caso de chuva forte.

Em relação aos assessórios, alguns são imprescindíveis. Eu sempre estou de cabelo preso, e na trilha, com suor, vento, se ele não estiver firme fico louca. Então além de prender com elástico ou presilha, gosto de ter uma faixa que pode ser colocada na testa ou um pouco acima, que além de manter o cabelo fora dos olhos, segura o suor também. Aqui tenho usado muito minha pescoceira. O nome é feio, mas ela é incrível. Comprei uma de ciclista pra pedalar na poeira da seca de Brasília, e ela tá sendo minha salvação na neve! Protege o pescoço do frio, tampa no nariz e as orelhas quando o frio ta pegando, e se faz calor demais e o suor pega, enrolo e coloco na cabeça. A versatilidade dela é chave nesse esquema. o André advoga sempre em defesa do cinto! Além de segurar as calças no lugar, pode ser usado de várias formas no mato, inclusive como apoio de tala em caso de acidente, ou para fazer compressões, substituir uma tira de mochila rasgada, etc.

Por último, uma capa de chuva de mochila. Para ser usada em caso de chuva. A minha mochila, que foi presente de casamento maravilhoso dos amigos maravilhosos (quem te conhece é outra coisa né!) é perlante também, e só precisa da capa em caso de chuva pesada, na neve e chuva fina ela segura bem! Além dela, ganhamos vários equipamentos de camping e trilha, mas faço um outro post pra discutir mochilas, equipamentos, etc, porque já escrevi mais do que vocês dão conta de ler de uma vez!

E não se esqueça: camadas! Camadas e tecidos que permitam a transpiração!  E boa trilha!

ps: Caso você não precise trabalhar com roupas formais ou uniformes específicos, elas funcionam muito bem na cidade também, afinal é a selva de concreto!

ps2: A Decathlon é minha paixão, encontro lá tudo, com várias opções de preço e ótima qualidade. Vale a pena pesquisar bem no site e comparar os stats  da roupa, como nível de aporte de calor, inflexões de impermeabilidade, gramatura, rip-stop, etc, e ver os diferentes itens com diferentes preços.

Além das marcas da Decathlon, como Quechua, Forclaz, Kalenji, Wed’zee, e outras, para outdoors recomendo as coisas da North Face e Nord. A Trilhas&Rumos faz bons equipamentos e mochilas, no Brasil. Me decepcionei um pouco com a Timberland depois da destruição da minha bota na neve, mas nunca tive roupas para comparar. De um modo geral essas marcas são mais caras que as da Decathlon, então opto por essas hoje em dia. Meu casaco impermeável é da Nord, mas já vi outros da Quechua muito semelhantes e até com mais opções. Meus flecees são quase todos Quechua. Tenho um da Nord que veio acoplado no impermeável. O mais importante não é a marca, mas você se sentir confortável e ao mesmo tempo saber que pode confiar, ou seja, que não vai ficar na mão no momento de adversidade. Quando você está no mato o estilo não importa, importa o conforto e a sobrevivência!