Road trip 3 (I)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Como não estávamos em condição de caminhar devido à um acidente que eu tive com um vidro, resolvemos fazer uma viagem de carro mesmo, para não ficarmos muito parados. Como já havíamos avançado nas regiões próximas da França e também até Tarragona, o destino mais óbvio desta vez foi seguir para Oeste, conhecendo as províncias vizinhas de Aragão, Navarra e La Rioja.

O planejamento foi meio de surpresa, feito de um dia pro outro, mas acho que nós estamos ficado bons nisso, porque mesmo assim a viagem foi surpreendentemente boa, apesar do calor escaldante que enfrentamos…

Saímos em torno das 5h30 de casa e pegamos a estrada direto para Huesca, passando por Balaguer. Ali vimos algumas construções que merecem ser visitadas em outra hora, como igrejas e ruínas que, pra variar, ficam no topo de colinas.

Chegamos em Huesca ainda cedo e demos uma volta a pé pela cidade. A universidade pareceu bem movimentada, e acaba atraindo muita vida jovem para o centro da cidade. A catedral é imensa e feita de uma pedra marrom, porosa, que parece se desgastar com o tempo. Outras construções na cidade são com o mesmo material, e elas ficam com pedaços da pedra faltando, principalmente na parte mais baixa, onde a água provavelmente pega mais… O prédio da prefeitura é bastante impressionante também, e no geral a cidade me pareceu muito tranquila.

Saímos de Huesca em direção norte, passando por um pequeno vale onde está localizada a cidade de Jaca. É claro que pensamos mil vezes em como fazer o trocadilho de enfiar o pé na Jaca, mas no final resolvemos não provocar muito. Isso porque a cidade possui uma presença militar fortíssima, pela sua posição altamente defensável, pela fronteira que faz com a França e provavelmente também porque é um lugar de natureza incrível e algum general de bom gosto resolveu morar ali.

A cidade tinha uma aura de tranquilidade e vida familiar, com conjuntos habitacionais muito simpáticos e aparentemente baratos (ficamos um tempo olhando a imobiliária, como de costume!), mas a falta de variedade de estilos nos jovens (coisa muito comum na Espanha de maneira geral) somado à presença frequente de policiais me fez achar tudo muito artificial e, de certa forma, assutador. A cidade é em si muito bonita, mas preferimos sair de lá um tanto quanto rápido.

Seguimos a viagem para o oeste, e eventualmente passamos em uma represa muito bem cuidada, onde algumas vans de acampamento estavam estacionadas. Isso alimentou ainda mais nossa vontade de fazer isso também o mais rápido possível. Logo depois encontramos ruínas de uma vila romana, imensa e até que bem preservada. Havia baias para os animais, termas e uma ponte que infelizmente já caiu, mas que fica em um cenário de filme de fantasia, cruzando o final de um desfiladeiro.

(Parte II – Pamplona, Logroño e Saragoça na próxima sexta aqui no blog!)

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Huesca

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Jaca

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Refresco pro Picot na estrada, saindo de Jaca

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Ruínas romanas

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Se vocês repararem bem, ali na ravina, há uma ponte romana quebrada. Aliás, que ravina maravilhosa! 

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Detalhes da ruína romana. Daí seguimos para Pamplona (ponto altíssimo da viagem!) que vocês podem acompanhar semana que vem no blog! 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Road trip 2 – Tarragona

Aproveitamos que teríamos que ir até Barcelona buscar uns papéis traduzidos (que no fim não serviram pra nada, mas é outra história…) e alongamos a viagem até a cidade de Tarragona. A ideia já era um pouco antiga, mas aguardávamos uma boa oportunidade, que finalmente veio. Saímos cedo de La Seu e seguimos até Cornellà de Llobregat, onde eu e o Picot ficamos aguardando a Ju ir até Barcelona buscar os tais papéis. Dali, pegamos a estrada para Sudoeste, beirando a costa até chegarmos ao nosso destino.

Tarragona é uma cidade bem menor do que eu esperava (tem 130.000 habitantes), mas possuí uma história marcante. Foi uma cidade romana importantíssima, capital da maior província hispânica de Roma. Contava com anfiteatro, circo para corrida de bigas, um forte para a administração da cidade, termas, fórum, muralhas, um porto e aqueduto, Ufa. Uma parte significativa dessa estrutura sobreviveu parcialmente ou com algumas modificações posteriores, lembrando que a cidade foi ocupada por mais algumas civilizações depois dos romanos, como visigodos, por exemplo.

Fizemos na tarde de sábado um passeio acelerado pela cidade, reconhecendo seus principais pontos, depois de uma ajuda amigável do atendente do hotel. Passamos pelo centro romano, pela rambla nova (onde comemos um crepe maravilhoso!) e pela praia. Essa última, curiosamente, fica bem isolada da cidade, não só pela geografia, que faz uma subida abrupta até o platô onde a cidade está construída como também por uma linha de trem que passa próximo à costa e impede o fácil acesso. O Picot achou as ondas bastante assustadoras, mas aparentemente achou também a água do mar saborosa e depois disso esgotou nosso estoque de água doce para aliviar a sede. Vimos as muralhas e o seu interior, com uma catedral imensa, na qual não entramos por falta de tempo e disposição para pagar e ver mais uma igreja. Vimos também uma procissão que não descobrimos se era a favor ou contra a igreja (como uma paródia) e acho que nunca descobriremos…

No domingo, nos revezamos nos cuidados do cachorro enquanto o outro visitava os museus mais marcantes da cidade. Vimos o que sobrou do circo, além da torre del pretori, o museu de arqueologia e a necrópolis. O circo e a torre são interligados, e podem ser visitados tranquilamente em 1h. A vista de cima da torre e de dentro dos túneis do circo dão uma ideia da capacidade da engenharia romana e até onde iam pra dar a diversão para os cidadãos (cidadão feliz é cidadão que não se rebela!). O museu arqueológico dá uma boa noção de como era o dia-a-dia na pólis. Há mosaicos, ancoras, ânforas, potes de todos os tipos e tamanhos, estátuas, fontes, moedas (amei aprender sobre o sistema monetário romano!) e por aí vai. O tempo de visita aqui dependerá da dedicação à leitura das placas.

A necrópolis fica mais isolada. Nós vimos os restos do que foi uma terma, além dos diversos tipos de túmulos e uma cripta. Há um esqueleto inteiro de um soldado romano, e é possível reparar como eles eram baixos. Os romanos tinham o hábito de montar seus cemitérios na beira das estradas, próximo às cidades. Eu achei meio mórbido, mas a relação deles com a morte parecia bem diferente do que o cristianismo impôs depois. Inclusive, aqui parece que foram enterrados os três primeiros mártires cristãos da cidade, o que a igreja parece ter usado extensivamente depois como propaganda.

O Aqueduto fica mais afastado, uns 4 km do centro. Há um parque bastante agradável, com trilhas e espaço para piqueniques. E de repente, se ergue aquela coisa de pedra, parada ali há 19 séculos. O tamanho impressiona, e a funcionalidade também, já que ele tinha uma inclinação levíssima, especialidade romana visando trazer água limpa cada vez mais de longe ao longo de seus territórios. Há uma citação de um romano que eu achei sensacional, sobre os aquedutos, e que bate com a opinião de Voltaire sobre o mesmo assunto. Dizia o tal Frontinus: “{…}com tal arranjo de estruturas indispensáveis carregando tanta água, compare, se te apraze, com as ociosas pirâmides ou os inúteis, porém famosos trabalhos dos gregos.” Fica a reflexão utilitarista.

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Muralhas de Tarragona

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Parque ao lado da entrada da Muralha

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Um pouco do charme das ruas

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Catedral

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“Procissão” 

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Ruínas no que hoje é uma enorme praça

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Ruínas da Casa do Judeu

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Museu de Arqueologia 

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Picot

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Torre del Pretori

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Anfiteatro

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Forte

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Vista da praia 

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Circo

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Torreta dels Monges

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Túneis abaixo do circo

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Túnel de conexão do Circo com a Torre

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Na época medieval a cidade cresceu dentro das antigas ruínas romanas, e hoje estão muito próximas e interligadas 

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Vista do alto da Torre

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Aqui é possível ver bem como a cidade cresceu dentro das ruínas romanas

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Museu de Arqueologia

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Necrópolis

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Termas

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escadas pra cripta

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Entrada da cripta

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Escavações da Necrópolis

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Mensagem ao “viajero” no parque que dá acesso ao Aqueduto

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Aqueduto Romano, de pé a cerca de 1900 anos

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Humana e cachorro pra perspectiva

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Parte superior do Aqueduto, por onde a água vinha

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Só a humana pra perspectiva dessa vez

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Serra del Morral

19/01/17

Fizemos essa trilha bem pertinho da cidade pra ver de perto o que o nosso mapa indica como Torreta dels Moros e Torre de Sant Climenç. O caminho foi todo por uma serra baixa que faz a parede nordeste do vale de Castellbó, com a ida pelo lado Sul e a volta pelo lado norte. Foi uma trilha curta e sem grandes dificuldades, e as recompensas que ela trouxe foram menos exuberantes do que em outros locais como os Estanys de la Pera ou Pic Negre, mas ainda assim foi agradabilíssima e ainda fizemos algumas amizades inter-espécies no caminho! Começamos e terminamos por Aravell.

Aravell (1) – Hotel Rural Mas d’en Roqueta Pirineos (2) – Torrent de Mas d’en Roqueta (3) – Mardiscla (4) – Torreta dels Moros (5) – Torre de Sant Climenç(6).

1 – Essa cidadezinha parece quase inteiramente composta de “segundas casas”. Tudo parecia muito caro e fechado, além da presença incomum de um campo de golfe. Na verdade, pouco mais pode ser dito desse lugar, exceto que não é muito convidativo e que abundam as placas de “propiredade privada, proibido passar”…

2 – O caminho seguiu até esse hotel, que parecia ter pouco movimento na ocasião. Há quadras de tênis e outras coisas do estilo. O que realmente fez valer a pena ignorar as placas avisando para não passar foram 2 cabras muito simpáticas em um recinto de madeira!

3 – Subindo pela lateral direita do hotel, a trilha faz uma curva a direita e logo outra a esquerda. Nesta segunda, uma pequena estradinha de terra sai pelo lado. Depois de evitar vários caminhos onde as placas nos proibiam, resolvemos ignorar o aviso e passamos a linha imaginaria dessa tal propriedade (não havia sequer um arame para demarcar). O caminho então seguiu até um riachinho encoberto por uma mata alta e depois o acompanhou. Eventualmente a estrada nos obrigou a uma virada brusca à esquerda e uma ladeira inclinadíssima surgiu, como esperado pelo mapa.

4 – Depois de subir um trecho curto mas quase vertical, chegamos ao topo da Serra del Morral, e a estrada seguiu até uma casa isolada na montanha e que serve como marco na trilha. Não sei quem vive ali, mas imagino que tenha alguma habitação permanente, pois havia um cachorro que nos detectou de longe. A vista deste local é privilegiada!

5 – Quase passamos reto por aqui. Eu vi num canto afastado da estrada uma construção antiga de pedra e ao verificarmos percebemos que já era a tal Torreta. Parece bem antiga, a maior paerte dela já desabou. Também não é muito grande, até porque só serviria pra vigiar o tal vale de Castellbó, que não é assim um vale tão importante. Paramos aqui para almoçar um pouco de pão e pra eu procurar minha funda que eu tinha feito na noite anterior e já perdido. Mas achei, ainda bem! Mais na frente há uma outra ruína, no meio da neve, que parecia uma casa.

6 – A estrada bifurca algumas vezes depois da Torreta, mas mantendo a esquerda é possível dar a volta na serra. Chegamos a outra casa de grande porte, identificada como a Torre de Sant Climenç. Não vimos nenhuma torre, no entanto… Havia sim 3 cavalos soltos num pasto próximo, dois dos quais muitos dados. Vieram nos receber e ficaram pedindo carinho e nos seguindo. Mais um pouco e eu teria trazido eles para o apartamento para dormir conosco de conchinha. Mas acho que eles não conseguiriam entrar no elevador… Também havia uma igreja abandonada ali pertinho, descendo uma encosta e atravessando um rio e um espinheiro. O machado novo que levei (sim, eu comprei um machado!) quase foi útil, mas a Ju achou caminhos escondidos pelo meio dos espinhos e o meu trabalho foi em vão. Conseguimos depois de muito esforço e muitos cortes entrar na igreja, pensando constantemente em quem teria construído aquele coisa tão isolada. Dali, o caminho de volta foi só seguir pela estrada de volta até o hotel já mencionado.

Obs da JuReMa: na volta, já na cidadezinha de Aravell, enquanto andávamos na direção do carro, vi uma raposa linda, próxima a cerca do campo de golfe. Mostrei pro André e dessa vez ele viu também! (já tinha visto outra na estrada, mas como ele estava dirigindo não viu). Tentamos nos aproximar, mas no primeiro movimento ela fugiu. Foto, só as da memória! 

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La Seu – Aravell fizemos de carro. Até o Hotel Rural foi a pé. 

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O trecho em laranja o google não marca, então fiz a mão mesmo. Seguimos pelo rio, até começar a subida, como descrito no texto. O trecho em azul é mais bem marcado, como uma estrada, o que fizemos em laranja são trilhas mais fechadas. O ponto marcado como Unnamed Road é a Torre de Sant Climenç. O trecho em laranja não está contabilizado e deve ter acrescentado cerca de  1h, na caminhada, dado que é uma subida. 

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Não parece, mas essa era a ladeira quase vertical. Minhas panturrilhas ficaram cheias de lembranças desse local no dia seguinte. 

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Torreta dels Moros

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Torre de Sant Climenç

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A igrejinha em ruínas lá em baixo

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o mar de espinheiros ao redor dela que deixou lembranças

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Essa comemoração toda era por ter entrado! Ficamos um bom tempo até conseguir acessar a porta por causa dos espinheiros. 

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Sant Aniol de Aguja – Trilha 4

22/12/16

Trilha 4 – Sant Aniol de Aguja.

Essa foi nossa primeira trilha dessa série que não se passou em Alt Urgell. Fomos até a Garrotxa e fizemos a famosa trilha de Sant Aniol. Na verdade, a Juliana teve um problema com o calçado dela na neve e precisava ir comprar um novo, mas as Decathlons ficam realmente longe de onde estamos. Então aproveitamos a viagem para visitar uma série de lugares no caminho e fazer essa trilha, que eu já conhecia, mas que nunca é demais fazer de novo. O esquema da viagem foi:

La Seu d´Urgell – Ripoll – Olot – Castellfollit de la Roca – Argelaguer – Tortellà – Sardenes à Sant Aniol e volta – Pont de LLierca – Besalú – Girona – Solsona – La Seu d`Urgell.

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Mapa La Seu – Ripoll – Girona (ida)

O único trecho a pé foi de Sardenes a Sant Aniol mesmo, o resto foi todo de carro, até porque as distâncias são imensas. Mas acabamos conhecendo ou revisitando uma série de cidadezinhas no caminho!

Saímos bem cedo de casa, às 6h00. Mas só começamos a dirigir às 6h20 porque demora pra tirar o gelo de cima do carro! Uma parte da estrada até Ripoll e dali até Girona passa por trechos muito sinuosos de montanha, e foram necessárias algumas paradas pra Ju se recompor da náusea do caminho, um inferno da labirintite e da teimosia em tomar iogurte mesmo com intolerância à lactose. Paramos para ver a cidadezinha de Castellfollit quando o sol ainda estava aparecendo. Essa cidade é frequentemente citada em listas de vilas pra se conhecer, mas eu sinceramente não achei tudo isso, ela é muito mais imponente vista da estrada. Paramos novamente em Tortellà, vila pela qual eu tenho uma imensa simpatia! De lá seguimos para Sardenes e começamos a parte importante: a Trilha!

O caminho leva 4h ida e volta, mas fizemos uma volta não planejada mas bem vinda e demoramos mais. A trilha segue pelo vale do rio Llierca, então se feita corretamente não incluirá muitos desníveis. Fato é que ela não está muito bem sinalizada como costumava ser e passamos reto por um trecho onde deveríamos ter cruzado o rio por sobre umas pedras… Resultado foi que pegamos uma subida imensa em direção das ruínas de Talaixà. Antes de chegar a Talaixà, porém, a trilha bifurcou e corrigimos nosso caminho. Essa subida nos deu uma bela vista do vale e também passagem pelo terrível Salto da Noiva!

O mapa do wikiloc (recomendo fortemente para mapas de trilhas) não marca exatamente o trecho que fizemos justamente por causa do desvio, mas é bem similar. Na hora dá para seguir as placas Salto de la Nuvia caso queiram suar frio um pouquinho!

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Trilha a pé: Sadernas – Talaixá – Sant Aniol de Aguja (wikiloc)

O Salto da Noiva é um trecho de trilha onde ela estreita bem num ponto onde a inclinação da ribanceira se inclina abruptamente. Somado a isso, o paredão de pedra se protunde para fora. Felizmente o pessoal daqui teve bom senso e botou umas correntes pra quem passa poder se segurar. Mas ainda assim é um pouco assustador. Alguém colocou junto ao trecho um véu branco, referência a história do lugar e detalhe macabro para o caminho. Diz a lenda que uma noiva que ia de Talaixà para a igreja Sant Aniol para se casar se matou pulando dali. Eu pessoalmente acho bem provável que ela tenha caído mesmo, mas deixemos a noiva e suas motivações no passado.

Deste ponto em diante, a trilha desce até a Igreja. Ela estava trancada, mas foi possível ver pelas grades o seu interior escuro. A construção, como tudo por aqui, é de estilo lombardo e beira os 1000 anos de idade. Paramos para comer nesse ponte e depois seguimos para cima do Llierca, onde há uma piscina natural absolutamente maravilhosa. Apesar do frio e da falta de toalha, resolvi dar um pulo na água e até agora não sei se me orgulho ou me arrependo do feito. Mais acima do rio há um cânion que segue até uma cachoeira, onde não há mais passagem. A altura dos paredões e a cor da água impressionam nesses dois trechos.

A volta foi mais simples, achamos a trilha que havíamos perdido antes. Não é uma trilha difícil, mas também não é do tipo que todas as idades e condições físicas podem fazer. É preciso um mínimo de agilidade e mobilidade para os trechos pedregosos ou para atravessar o rio. Também a distância não é pequena, e é importante ter um mínimo de resistência física e planejamento para não terminar muito tarde.

Ao pegarmos o carro de volta, seguimos até a ponte sobre o rio LLierca, mais abaixo. A sua altura e sua construção em arco único marcam o vale. a profundidade do rio nesse trecho parece imensa, principalmente visto de cima dos mais de 20m de ponte com mureta baixa. Seguimos para Besalú, onde outra ponte imponente, com portões e seteiras, marca a entrada antiga da cidade.

Ao chegar em Girona, já estava tarde e pegamos trânsito. Muito trânsito. Acabamos não conhecendo o centro velho e nos concentrando nas compras que deveríamos fazer. Se a Ju reclamar novamente de frio no pé, eu sinceramente não sei que outro calçado ela poderia escolher. A nova bota dela só falta fazer café. Eu peguei uma bota mais simples mas também para neve, além de uma luva impermeável. Temos planos grandes para os próximos dias!!

Na volta, pegamos a auto estrada que vem por baixo das montanhas, passando por Vic. Fizemos um caminho novo que passava por Solsona. Já passava das 10h30 da noite quando, encantados com a capital da província vizinha, paramos para rodar a cidade. Solsona é uma joia bem cuidada e lapidada. As construções são maravilhosas e imponentes e a vida noturna parece bem animada, a despeito dos seus poucos habitantes. Havia também o que parecia uma fortificação em cima de uma colina. Estava bem iluminada, diferente do caminho que levava a ela. Por isso achamos melhor visita-la em outra ocasião. A volta de Solsona a La Seu foi tranquila, apesar do sono. Chegamos de volta em casa quase a meia noite e eu nem sequer lembro se tomei banho ou dormi direto.

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Girona – Vic – Solsona – La Seu (volta) 

Foi um dia cheio, com uma trilha icônica e única, conhecendo uma série de cidades tradicionais da região. Só seria necessário dois dias parados para recuperar a energia!

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Castellfollit de la Roca  – Ainda tava cedo, frio e um tanto escuro desse lado da montanha

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Catellfollit de la Roca

 

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Castellfollit de la Roca

Início da trilha a pé por Sadernes. Esse rio lindo é o Llierca:

Montanha a cima e El Salto de la Nuvia. Nas fotos não fica tão claro, mas o sufoco do Salto é que a passagem é realmente muito estreita, de um lado a montanha desce escarpada muito alta e íngreme e do outro as pedras se projetam por sobre a trilha, deixando um espaço muito pequeno pra passagem, em curva. As fotos com o tecido branco, alusão ao véu da noiva,  são um pouco abaixo do ponto exato do salto e marcam o local. As marcas coloridas na pedra são pintadas por todo o caminho, em árvores, troncos e pedras e cada cor marca uma trilha:

Chegada a Sant Aniol, ruínas, a igreja propriamente dita e o rio acima, com as quedas e o ponto final. Além de claro a comprovação do banho de água gelada em pleno solstício de inverno:

A ponte sobre o Llierca, que vale a pena parar pra ver:

Besalú e a ponte, já com pouca luz:

De Girona e Solsona ficamos devendo as fotos, nem câmera, nem celular, nem nós tínhamos mais bateria. O dia foi intenso, mas incrível!