Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).