13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Sobre as viagens

 

Sempre tive esse coração nômade, minha casa é onde está meu coração (Skank – Nômade)

 

 

Durante minha infância e adolescência viajei com certa frequência, mas para poucos destinos. Eu e minha eterna companheira, minha mãe, dona Bia, viajávamos sozinhas, e com orçamento muito limitado, por isso nosso destino de férias era sempre a casa da família de coração na Bahia. Dona Bia garantia hospedagem e umas boas férias para nós duas, entre primas e amigas, sempre tínhamos companhia.

O cheiro do cuscus amarelinho, com leite de coco tirado do pé naquela manhã, as granolas caseiras, a maresia e as histórias do interior coronelista de Dona Zelita. Assim meus dias começavam a cada férias. O cheiro das algas na praia, as pegadas de tartaruga, a descoberta dos pequenos ovos. Eu não tinha mais do que 5 anos, e falei para minha mãe, com uma certa vergonha, que ela estava precisando de um banho, ao que indignadíssima ela retrucou perguntando se eu achava que aquele cheiro vinha dela. Eu fiquei meio sem graça e assim descobri o sargaço, ou a alga que apodrece na areia.

As conchas bolachas, o salvamento das caravela, o cuidado com os ouriço e a eterna caça aos tatuís. A água de coco, o picolé de acerola, mangaba ou umbu. O suco de mangaba que prega a boca. O bolinho frito de peixe, que na época ainda fazia parte da minha alimentação, e os acarajés ao por do sol. Todos compunham os cheiros, as cores, os sons, e os sabores das minhas férias.

Confesso que a primeira vez que presenciei uma caranguejada fiquei chocada, não quis participar e fui dormir mais cedo. Aos poucos a idade e a banalidade da vida me fizeram entender que aquilo fazia parte das iguarias da praia, mas nunca consegui concordar ou gostar. Os picolés, as frutas e o coco sempre foram mais meus amigos nesse ponto.

 

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Uma das melhores partes da praia era a pouca roupa. Nunca fui muito dada às mil camadas de roupas. Até hoje amo um shortinho, e passar a infância só de calcinha de biquíni fez parte. As queimaduras de sol, o ouvido cheio de água e os machucados também. Sempre fui muito desastrada. Mas algumas das melhores lembranças que tenho são do sentimento de aventura.

 

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Hoje em dia sei que essa aventura toda tinha muito mais relação com o orçamento limitado da minha mãe do que com um estilo de vida, embora ela sempre tenha sido hippie, e preferisse deliberadamente as cabanas de praia, os bangalôs, as pousadas, as redes na varanda, o chão de areia e as miçangas aos hotéis e resorts. Ouso dizer que havia até um certo ressentimento quanto aos últimos, que geralmente isolam parte das praias como se fossem privadas e cobram pelo uso, o que a deixava louca.

Seja como for, nós pegávamos os vôos da madrugada, porque eram consideravelmente mais baratos e ela não se arriscava a ir de carro sozinha, comigo pequena e o carro velho. Dormimos muito em aeroportos. As malas eram as que sobravam do resto da família. Aqueles sacolões que hoje em dia as pessoas usam para ir à academia, cilíndricos e grandes, com alças curtas e sem estrutura, além da minha fiel mochilinha. Tive a mesma mochila dos 7 aos 28. Isso somado ao fato de que minha mãe sempre levava os próprios travesseiros, então basicamente a imagem era a de uma mulher muito magra e sem força, chutando um cilindro enorme e pesado, difícil de carregar, cheio de roupas e roupas de cama, um travesseiro embaixo do braço, e uma menina muito curiosa, que precisa(va) ir ao banheiro muuuuito mais vezes que o conveniente, de mochila, uma Barbie na mão, um boné e uma garrafa de água, chutando a “mala” toda vez que ela caía no chão. Eramos quase uma trupe de circo.

Toda essa situação fez com que eu me acostumasse desde muito nova a viajar com pouco peso, dormir em aeroportos, portos, trens e ônibus. Sempre ter meu lanche, afinal comida nesses lugares é difícil de achar, cara e pouco saudável, e essas sempre foram três preocupações da minha mãe. Creio que podemos dizer que éramos farofeiras. Que bom! Isso fez de mim uma mochileira sem frescuras!

Além dessas, quase todo ano eu ia a Pirenópolis, cantinho maravilhoso, pertinho de Brasília, onde nasci e cresci. Os banhos de cachoeira, as trilhas, as pedras escorregadias, o sol inclemente nas trilhas longas, o choque térmico entre a temperatura do ar e da água, a seca, os animais, os insetos, as picadas que doíam por dias, os encontros com macacos, cobras, araras, mil outros pássaros, borboletas azuis gigantes (das quais sempre tive medo) e as bananas para os micos. Tudo isso aprendi lá. Foram inúmeras as viagens com primos, amigos, colegas, às vezes com a escola, às vezes com algum tio, e sempre, com quem estivesse indo. Até hoje não perco uma oportunidade.

Outro dia conto pra vocês as especificidades, tipo roteiro turístico mesmo, dessas viagens e localidades. Aqui, hoje, quero só abrir esse espaço, e contar um pouco da minha trajetória de viajante. Ou como sempre, fazer minhas reminiscências! Afinal, as viagens iam além da Bahia e de Pirenópolis. Eu cresci numa casa com um jardim enorme e uma área verde maior ainda. Cheio de árvores, muitas frutíferas, tínhamos amendoeiras e abacateiros, três variedades de manga distribuídas em seis pés, quatro jabuticabeiras, limoeiro, e também pitanga, acerola, amora, ameixa amarela, fruta-do-conde, e lima. Sem falar na erva-cidreira, hortelã, orégano, tomilho e manjericão. Cenoura, alface e couve. E a babosa, hoje conhecida de forma chique como aloe.

 

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E nesse jardim incrível eu viajava diariamente. Desde muito pequena, algo como meses de idade, frequentei a piscina e o balanço, fiz minhas festas, tomei banho de mangueira, aprendi a jogar vôlei, e a nadar. Compartilhei esse paraíso com primos e amigos, e muitas vezes, sozinha, com bonecas e livros. Sempre preferi ler em cima da árvore. E tinha minha mangueira preferida, com suas mangas espadas sem fiapo, maravilhosas, de lanche da tarde.

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Li O Mundo de Sophia inteiro emaranhada nesses galhos. Chorei todas as dores da adolescência aí também. Aprendi a respeitar os ciclos da natureza e aprendi a conhecer os meus.

 

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E ela foi minha companheira por muitos anos, até os 18, quando nos mudamos dessa casa!

 

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Seja pela família maravilhosa que sempre tive e que sempre me estimulou a ir mais longe e a sair para o mundo sempre, seja pelo orçamento restrito ou pela origem hippie, seja pela curiosidade intrínseca. Acabei mochileira. Ficou o amor intenso por explorar o mundo, por ir em busca do desconhecido.

Espero poder compartilhar outras viagens aqui. Algumas conterão mais memórias, reminiscências, outras serão relatos mais práticos.

Gostaria de ressaltar que essas fotos são do meu aquivo pessoal, tirei fotos das fotos, e a opção por não editá-las e deixar como foto de foto é uma opção consciente. Como se estivesse apenas colando recortes em meu diário. Sintam-se convidados a ler um diário pessoal e a conviver com um estilo pessoal.

Não inseri créditos pois não sei quem foi o fotógrafo de todas. Algumas foram tiradas pela minha mãe, outras por mim, outras por amigos, e familiares. Alguns mais profissionais e talentosos outros menos. Bem vindos a mais uma janela do meu mundo! E vamos viajar juntos!

 

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