A prata da casa

Nós geralmente contamos das viagens que fazemos pela Catalunha toda, e algumas vezes até além disso. Mas eu reparei que muito pouco foi dito da região próxima a La Seu. As grandes belezas naturais estão mais afastadas da cidade que a gente escolheu, é verdade, mas algumas pequenas jóias podem ser encontradas por perto, e resolvi dedicar um post para este assunto. Ainda mais com a nossa nova busca por locais adequados para banhos!

Organyà – Para começar a lista, essa cidade que a primeira vista é só uma passagem na estrada. Nela, contudo, estão alguns grupos de paraglider, o que já a torna um destino interessante. Porém, o mais valioso, para nós pelo menos, é um rio que cruza ao sul da cidade. Nele é possível encontrar pelo menos 4 cachoeiras, além de algumas piscinas naturais. O lugar, além de muito bonito, é pouco frequentado, o que torna muito agradável nadar por ali. A água é um pouco fria, mas nada perto do que encontramos em outros locais por aí. Temos ido com frequência, tentando nos refrescar no verão abafado da cidade.

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Tost – Uma vila toda em ruínas, exceto pela igreja, reformada e trancada. Além da diversão de explorar uma cidade abandonada e tomada por plantas, o lugar tem também uma figueira imensa crescendo dentro de uma de suas casas. Eu estou tentando monitorar o crescimento das frutas, que devem amadurecer logo mais, para tentar fazer uma colheita!

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Coll de Nargó – Outro cantinho bom para um banho de rio! A piscina natural daqui é maior e mais conhecida. Dividimos ela com muitos jovens e algumas outras pessoas não tão jovens assim. É bacana para quem quer realmente nadar ou socializar. Tem um poço menor um pouco acima do lago principal que é pequeno, mas muito profundo, e imagino que pode ser perigoso para crianças…

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Camarasa – Já não tão perto assim, mas ainda possível de fazer um bate-e-volta sem cansar muito, está a praia fluvial de Camarasa. Ali, o rio Segre é limpo e volumoso, seguindo com uma forte correnteza perto de uma ponte antiga e desabada. Algumas pessoas se aventuram a pular da ponte, alguns de um trecho mais baixo, onde a pilastra desabou, outros do topo, arriscando ferimentos na perna. Há também uma região onde o rio é mais suave, mas não chegamos a explorar porque havia um pessoal com cães soltos e tentávamos evitar encrenca para o Picot.

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(obs: vídeos disponíveis na fanpage do Facebook, inclusive um muito lindo do Picot pulando que nem um cabrito na praia fluvial de Camarasa).

13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Road trip 3 (II)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Dali até Pamplona a viagem foi rápida. Chegamos no meio da tarde e rapidamente nos localizamos. A cidade é até que grande, mas muito bem construída, de maneira que fica fácil se orientar por ela. Encontramos o hostel, onde o atendente foi absurdamente simpático. Nos explicou um pouco sobre a cidade e nos deu um mapa, além de me ensinar a falar obrigado em Basco (eskerrik asko)! Não sabia que Navarra também compartilhava a nacionalidade Basca e fiquei encantado com o quanto a língua deles é diferente, em todos os sentidos. Descansamos um pouco e tomamos um banho antes de sair novamente, o calor estava matando a gente!

(Obs da JuReMa: amamos o Hostel Xarma onde nos hospedamos em Pamplona. Além de sermos ultra super bem recebidos, ganhamos mapa, o Picot foi super bem aceito, o Hostel tem uma politica animal friendly! A cozinha pode ser usada sempre, entre 10h30 e 22h30 para preparação individual de alimentos. O café da manhã é incluso no preço e chá e café são gratuitos 24h, você só precisa esquentar sua própria água na chaleira /ou na cafeteira elétrica deles. Os quartos contam com opções coletivas, mais baratas, ou para duas pessoas, casal ou não. Pegamos uma de casal para acomodar o Picot melhor. Os banheiros são coletivos. Tudo muito limpo, charmoso e agradável, além de bem localizado!) 

A cidade de Pamplona (Iruña, em Basco) foi o ponto alto da viagem! A cidade funde o que existe de bom com o que poderia ser ruim mas acabou sendo bom também, e logo me explico. As construções das muralhas, das catedrais e de todo o centro velho se fundem com grupos imensos de jovens, idosos e adultos utilizando o espaço público. O uso da língua Basca e do castelhano se misturam em boa dose e sem presunção, respeitando o turista e o migrante ao mesmo tempo que valoriza o aspecto local. Sem presunção também são os estilos dos jovens, que não parecem se vestir necessariamente com a última moda ou para impressionar. Não é fácil encontrar pessoas super produzidas, mas é comum que cada um respeite seus gostos individuais ou coletivos. O resultado é uma mistura bastante saudável de velhos e novos figurinos que, de maneira geral, parecem feitos para agradar a quem veste, e não os outros. A cidade conta com muitas pichações e cartazes, mas todos em absoluto pedindo por mais liberdades, contra violências de todo tipo e pedindo melhorias no governo federal espanhol (notadamente a instauração de uma república – pra quem não sabe a Espanha é um reinado). As pessoas na rua param para puxar assunto sem mais nem porquê (apesar do Picot ter sido um assunto recorrente) e são agradabilíssimas. Assim, a cidade se enche de vida, de protestos, de história, de barulhos que provam que as pessoas ali tem uma vitalidade que dificilmente pode ser explicada!

Esse comportamento é condizente com a consrução da cidade, uma miríade de muralhas, passadiços, igrejas, fossos e fortes. As vezes é difícil saber pra onde se está indo, mesmo com um mapa, mas isso nunca tem problema, porque certamente o caminho será agradável. Passamos por pessoas bebendo, discutindo política, fazendo atividades circenses ou só passeando com o cachorro. Pasaamos por parques bem cuidados, um fosso transformado em granja para galinhas, patos e marrecos, por muralhas com uma vista surpreendente para o vale em volta.

Dormimos um pouco mais para recuperar nossas forças e saímos em torno das 9h30 de Pamplona. A viagem até Logroño foi tranquila. Lá, conhecemos uma cidade que parece bastante jovem. O centro velho é pequenino, mas muito bem cuidado, e a catedral é dedicada a Santiago, como tudo mais por ali. Me encantei com um parque que fica na beira do rio Ebro (nota: a palavra Ibéria vem desse rio, que os romanos usavam pesadamente) e com a Gran via deles (Juan Carlos I), uma avenida muito larga e com uma parte da calçada coberta pelos prédios, o que faz com que caminhar por ali seja muito agradável em dias ensolarados! Essa avenida me lembrou muito Lisboa, mas como já faz quase 20 anos que visitei Portugal, acho que precisarei voltar para poder ter certeza que a comparação foi boa!

O caminho para Saragoça foi quente, muito quente. Mas pior que isso foi a temperatura em Saragoça em si. Ao chegarmos, vimos o termômetro subir de 33°C para 36°C antes mesmo de parar o carro! O calor nos desaminou muito, e acabamos rodando muito menos do que gostaríamos. Vimos um pouco do centro velho, a praça em frente ao mercado onde há uma estátua de Augustus Cesar e, claro, a Catedral. Na verdade, não tem como não ver a catedral, já que ela toma conta da paisagem na beira do rio, com o seu tamanho e sua imponência. Ao tentarmos atravessar a praça, que é um grande descampado, o Picot começou a saltitar por causa do chão queimando suas patas, e tivemos que correr para a sobra com ele. A Ju até agora não se recuperou dessa cena. Entramos em turnos na catedral para poder cuidar do Picot. O que impressiona lá não é só o tamanho, mas o capricho com cada detalhe. Poucas das catedrais que eu já vi rivalizam com essa.

Ainda em Saragoça vimos um monumento em homenagem à America Latina ( o que me deixou especialmente feliz!) e uma estatuazinha de um cavalo de brinquedo, que deixou o Picot muitíssimo curioso. ele cheirava a estátua, tentando descobrir se era um animal de verdade. Um senhor parou para conversar com nós sobre como ele gostava da estátua e tudo mais, mas a Ju teve que traduzir pra mim, porque eu não entendi uma palavra do que ele disse… Dali fomos até o parque do outro lado do rio onde o carro estava e, antes de pegar a estrada de volta, tomamos um banho nas fontes, todos os três.

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Pamplona (inicio do passeio, recuperados do calor!)

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Catedral de Pamplona

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Centro de Pamplona

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Uma das inúmeras fortificações de Pamplona, hoje uma espécie de granja, com cervídeos, pavões, galinhas, patos, etc. 

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Dentro da Cidadela de Pamplona

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Não lembro o nome da cidadezinha, paramos no caminho só pra ver essa ponte! 

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Águas do Ébro, chegada a Logroño

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Ponte sobre o Ébro

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Logroño

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Igreja de Santiago

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Ponte sobre o Ébro, saindo de Logroño

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Zaragoza

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A (imensa) Catedral de Zaragoza

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Memorial da América Latina 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Road trip 3 (I)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Como não estávamos em condição de caminhar devido à um acidente que eu tive com um vidro, resolvemos fazer uma viagem de carro mesmo, para não ficarmos muito parados. Como já havíamos avançado nas regiões próximas da França e também até Tarragona, o destino mais óbvio desta vez foi seguir para Oeste, conhecendo as províncias vizinhas de Aragão, Navarra e La Rioja.

O planejamento foi meio de surpresa, feito de um dia pro outro, mas acho que nós estamos ficado bons nisso, porque mesmo assim a viagem foi surpreendentemente boa, apesar do calor escaldante que enfrentamos…

Saímos em torno das 5h30 de casa e pegamos a estrada direto para Huesca, passando por Balaguer. Ali vimos algumas construções que merecem ser visitadas em outra hora, como igrejas e ruínas que, pra variar, ficam no topo de colinas.

Chegamos em Huesca ainda cedo e demos uma volta a pé pela cidade. A universidade pareceu bem movimentada, e acaba atraindo muita vida jovem para o centro da cidade. A catedral é imensa e feita de uma pedra marrom, porosa, que parece se desgastar com o tempo. Outras construções na cidade são com o mesmo material, e elas ficam com pedaços da pedra faltando, principalmente na parte mais baixa, onde a água provavelmente pega mais… O prédio da prefeitura é bastante impressionante também, e no geral a cidade me pareceu muito tranquila.

Saímos de Huesca em direção norte, passando por um pequeno vale onde está localizada a cidade de Jaca. É claro que pensamos mil vezes em como fazer o trocadilho de enfiar o pé na Jaca, mas no final resolvemos não provocar muito. Isso porque a cidade possui uma presença militar fortíssima, pela sua posição altamente defensável, pela fronteira que faz com a França e provavelmente também porque é um lugar de natureza incrível e algum general de bom gosto resolveu morar ali.

A cidade tinha uma aura de tranquilidade e vida familiar, com conjuntos habitacionais muito simpáticos e aparentemente baratos (ficamos um tempo olhando a imobiliária, como de costume!), mas a falta de variedade de estilos nos jovens (coisa muito comum na Espanha de maneira geral) somado à presença frequente de policiais me fez achar tudo muito artificial e, de certa forma, assutador. A cidade é em si muito bonita, mas preferimos sair de lá um tanto quanto rápido.

Seguimos a viagem para o oeste, e eventualmente passamos em uma represa muito bem cuidada, onde algumas vans de acampamento estavam estacionadas. Isso alimentou ainda mais nossa vontade de fazer isso também o mais rápido possível. Logo depois encontramos ruínas de uma vila romana, imensa e até que bem preservada. Havia baias para os animais, termas e uma ponte que infelizmente já caiu, mas que fica em um cenário de filme de fantasia, cruzando o final de um desfiladeiro.

(Parte II – Pamplona, Logroño e Saragoça na próxima sexta aqui no blog!)

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Huesca

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Jaca

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Refresco pro Picot na estrada, saindo de Jaca

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Ruínas romanas

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Se vocês repararem bem, ali na ravina, há uma ponte romana quebrada. Aliás, que ravina maravilhosa! 

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Detalhes da ruína romana. Daí seguimos para Pamplona (ponto altíssimo da viagem!) que vocês podem acompanhar semana que vem no blog! 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Não viaje só para tirar fotos

Post rápido, só pra compartilhar com vocês um pequeno texto que li e concordei muito.

Nas minhas andanças, muitas vezes vejo as pessoas que estão ali, naqueles locais incríveis, apenas para tirar a foto com jeito de quem bate o ponto, e sair rápido em busca da próxima selfie, do próximo destino, da próxima compra. Muitas pessoas não sabem nada sobre os locais que estão conhecendo, não leem a respeito antes, durante ou depois (eu muitas vezes prefiro ler durante ou depois, para ter uma primeira impressão “não contaminada” das visões dos folhetos e guias, mas em outros momentos prefiro planejar bem, depende da viagem), não interagem com os locais de verdade. A impressão que tenho é que algumas pessoas não querem sair da mesma vida globalizada de sempre, com as mesmas lojas, comidas, caras e roupas e apenas tirar selfies com “fundos” diferentes, como se fossem o gnomo da Ameliè Poulain.

E penso também nas pessoas que gostariam de viajar e não podem financeiramente, ou que não conseguem por questões de medo, ou insegurança, e que são muitas vezes pessoas que conhecem os lugares, por livros, guias, mais do que locais!

Então é preciso juntar essas paixões! Se você pode viajar, faça uma viagem envolvente, que te mude de fato! Leia a respeito, pesquise e vivencie o local para além das selfies clichês dos pontos turísticos e da balada famosa. O mundo ainda é muito grande e diferente.

E se você gosta tanto de ler a respeito e sonhar, vá! Tome coragem, planeje-se financeiramente e em relação ao tempo e as dificuldades da vida. Muitos viajam com pouco, comendo comida feita em casa, pegando caronas, dormindo em casa dos outros. É possível, com um pouco de esforço e planejamento!

De todas as formas, por favor, viaje muito e viaje com a cabeça aberta e volte diferente, sempre!

Não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos, postar no Instagram e voltar pra casa

“Eu sempre acreditei que, ao fazer uma viagem, o mais importante é ter a cabeça aberta.  Cabeça aberta e livre de preconceitos pra entender a cultura que você está emergindo. Pra experimentar as comidas típicas e fugir dos fast foods americanos. Pra conversar com os locais além de taxista, garçom e atendente do hotel.

 E eu te peço, não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos em frente à monumentos, postar no Instagram e voltar pra casa.

Explore os lugares que você visita. Converse com as pessoas, ande sem direção pelas cidades, mergulhe de cabeça nas diferentes culturas que você conhecer ao longo da sua vida.

Deixe o mapa de lado e se perca. As vezes é se perdendo por uma cidade desconhecida que você se encontra na vida.

Se for um país pobre, não ande com medo dos locais.

Se for um país rico, não o ache melhor que os demais países. 

Entenda e respeite as diferenças de cada lugar.

Dessa forma, você terá sempre um pouquinho de cada cultura dentro de si, e nunca andará sozinha por aí.

 Não volte de uma viagem do mesmo jeito que chegou, apenas com umas fotos bonitas a mais no celular e uns dólares a menos na conta do banco. 

Volte sempre diferente, com novos aprendizados, novos amigos, novas histórias.

O conhecido já estará te esperando em casa, pra quando você voltar.

Fuja o máximo possível dele enquanto estiver longe.

Brinque com as crianças na rua, compre comida nas feiras, ande de transporte público, se vista com as roupas típicas, saia a noite com os locais.

Se uma viagem não te desafiar a sair da sua bolha, ela não estará te agregando em nada.

Crie laços com o desconhecido, é ele que vai te levar mais longe.” 

Texto da Amanda Areias disponível no: Mochila Brasil.

Dicas de trilha – mochilas e o que levar

Ainda na vibe da série Dicas de trilha ( Calçados para trilha , Dicas de trilha – vestuário , Dicas de trilha – alimentação ) hoje vou falar um pouco sobre mochilas e o que levar nas viagens e trilhas. Para entender porque eu insisto tanto em viajar com mochilas e não malas, leia mais sobre nosso estilo de viagem e vida em Passagens aéreas e custos de viagem e em Sonhos e aprendizado .

O equipamento mais importante é a mochila, afinal o que seria de nós, mochileiros, sem ela?! Já tive vários tipos de mochila, de vários tamanhos, preços e qualidades. Depois de muito experimentar, hoje em dia sugiro 3 bagagens que são tudo que um mochileiro precisa: A mochila de carga (45 a 70 Litros), a mochila de passeio/trilha (25 a 40 Litros) e uma bolsa tipo carteiro (10 a 20 litros). Para as mochilas cargueiro e de trilha/passeio, tenha uma capa de chuva impermeável de mochila. São baratas nas lojas esportivas e fazem muita diferença. Caso vá levar eletrônicos para uma viagem camping de muitos dias, convém ter também um saco estanque, ou mochila leve estanque e manter os itens mais sensíveis à água dentro dele, ainda que dentro das mochilas, para evitar desgostos.

Procure mochilas anatômicas, com bom apoio nas costas, e com tiras peitorais e de quadril, que auxiliem na distribuição do peso. Minha mochila cargueiro é uma de 55L da Norte Face, com tecido rip-stop, muito anatômica, e acho o tamanho dela ideal. Maior que isso já se tornaria um estovo para carregar, afinal não sou muito forte. A mochila cargueiro do André é de 65 ou 70L, da Trilhas&Rumos, bem maior, mas fica muito pesada. O bom da um pouco menor é que você se obriga a manter a viagem minimalista, com poucos itens. A minha de trilha é uma de 30L da Quechua (presente de casório lindo!), com um sistema de aumentar a ventilação nas costas, um E.V.A. poroso e bem anatônico, coberto de tecido telado, que faz milagres em dias quentes, evitando aquela sensação de costas cobertas pela mochila. Também temos uma mochila saco-estanque (outro presente de casamento mara!), que ainda não testamos do ponto de vista da impermeabilidade, mas que tem sido muito útil como mochila leve extra, de passeios pequenos, em viagens maiores.

mochila cargueiro

Exemplo de mochila cargueiro (alguns modelos mais novos, como esse da foto, possuem um zíper que dá acesso a mochila como uma tampa, facilitando o acesso as coisas colocadas no fundo). 

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Exemplo de mochila trilha/passeio (essa é quase igual a minha, muda a cor dos detalhes só) 

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Exemplo de bolsa carteiro

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Mochila impermeável/ estanque (essa é igual a nossa mesmo) 

mochila saco estanque

Exemplo de saco estanque

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capa de chuva de mochila (tenho igual) – quando for comprar atente que algumas mochilas cargueiro já vem com capa e, se for comprar, elas possuem tamanhos diferentes, baseado nos litros das mochilas. 

Se você for fazer uma viagem internacional, ou nacional longa, coloque todos os itens de viagem, roupas, equipamento, etc na cargueiro e despache, mantenha os eletrônicos, uma troca de roupa emergencial e lanches na mochila de passeio, que vai como bagagem de mão e fica no compartimento superior no avião, e leve os documentos, uma leitura e água na bolsa carteiro, que fica no colo ou debaixo da cadeira em pouso e decolagem. Para chegar e sair dos aeroportos e estações de trem é possível encaixar as três, deixando a carteiro para frente, com fácil acesso aos documentos, a cargueiro atrás, maior peso e você só retira do corpo em caso de pausas longas, e a de passeio na frente, facilmente retirável para conversar em balcões, ir ao banheiro, com os itens que não devem ser perdidos de vista. Assim, você consegue carregar tudo o que precisa, e não briga com carrinhos, não precisa de táxi, e nem sofre com as rodinhas empacando em calçadas de pedra irregulares. Chegando no destino você pode deixar a cargueiro onde estiver hospedado, lembre-se de levar cadeado se ficar em hostels (eu sempre levo um cadeado extra), e utilizar somente a bolsa carteiro, se for fazer passeios urbanos, ou a mochila de passeios, para trilhas curtas de um dia, ou dia de compras (cuidado com as compras em viagem, lembre-se que se estiver mochilando, tudo deve caber nas 3 mochilas na ida e na volta). Aí você me pergunta, mas não fica pesado? Minha filosofia de viagem é: leve o que você consegue carregar. Ande a pé. Se não conseguir carregar é porque está levando mais do que devia. Viaje leve, bagagem leve, alma leve, vida leve.

Se for fazer uma viagem de até 7 a 10 dias, é possível levar só a mochila de trilha e a bolsa carteiro. Leve a roupa e equipamento na mochila de trilha, e um eletrônico leve (notebook pequeno ou tablet), documentos, leitura e água na carteiro.

Quando for fazer trilhas de um dia, leve apenas a mochila de passeio, trilha. Nela você consegue colocar um casaco impermeável, e/ou fleece se for inverno, um óculos de sol, protetor solar, mapa, comida do dia, lanterna pequena, bússola, GPS (caso tenha), máquina fotográfica e água. Evite levar outros itens. Coloque no próprio corpo, bolsos da roupa, cinto, os equipamentos de acesso rápido e constante. Se for época de sol forte, já saia com os óculos de sol e boné ou chapéu, lembre de passar um camada de protetor, mas leve para reaplicar.

Se for fazer trilha em região com lago, cachoeira, praia, leve roupa de banho. Eu não gosto de já fazer a trilha de biquíni, pois normalmente não são tao confortáveis para caminhar, nem dão tanta sustentação nos seios e nem o maior conforto por baixo das calças, por isso prefiro trocar só na hora de nadar. Quando acabar de nadar, troque de volta a roupa íntima seca. Caminhar com roupa de baixo molhada vai te deixar incomodado.

Se for fazer uma caminhada de vários dias, com camping, leve apenas a cargueiro. E seja extremamente cuidadoso com a quantidade de coisas, quanto mais leve melhor, mas não deixe de levar tudo o que precisa. Essa é a bagagem mais difícil de acertar! Encaixe a barraca, saco de dormir e mat na parte baixa e laterais da cargueiro. Dentro coloque as trocas de roupa, evite muitas roupas. Leve 2 calças transformáveis em short (das com zíper), e menos blusas que dias de trilha. Use a mesma blusa por 2 dias se não estiver imunda e lave quando possível deixando secar a noite. Uma legging pode servir de pijama e calça extra em caso de necessidade, inclusive sendo usada por baixo de outra em caso de frio. Roupas íntimas também podem ser lavadas e secarem overnight. Evite peso. Leve um casaco impermeável, e um outro casaco leve se for verão, e fleece se for inverno. Use o mesmo casaco todos os dias. Os demais equipamentos: GPS, bússola, mapa, lanterna, máquina fotográfica vão na cargueiro. Leve toda a comida que for precisar, e uma garrafa de água de o mínimo 1L. Conforme os dias passam o cansaço aumenta mas o peso diminui, conforme você vai comendo!

Para campings fixos, com passeios variados, leve a cargueiro, com tudo citado acima, e adicione a mochila de trilha/passeio. Depois de montar o acampamento, deixe a mochila cargueiro dentro da barraca trancada, ou em local seguro, e leve para os passeios do dia, sejam urbanos ou trilha, a mochila menor, com o que for precisar no dia. Se quiser economizar com a alimentação, use as mesmas dicas da alimentação de trilha para o passeio urbano, comendo apenas lanches leves e deixando para preparar uma refeição no camping a noite.

Sobre o que levar nas viagens:

Se for verão:

  • 2 calças transformáveis (zíper na perna) de tecido bem leve
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e coloque pelo menos uma manga longa leve)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece (se for muito friorento, ou tiver receio de a temperatura cair a noite)
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 pescoceira de tecido leve transformável em faixa pode ser útil (serve para proteção do pescoço, rosto, testa ou cabeça, contra sol, vento e poeira)
  • toalha

Se quiser sair a noite (não é meu forte), inclua um par de sandálias ou sapatos mais arrumados e um ou dois vestidos e/ou uma ou duas mudas de roupa de sair, mas lembre-se que quanto mais roupa levar maior o peso nas costas e menor o espaço para trazer coisas de volta).

Se for meia estação (primavera ou outono):

  • 1 calça transformável (zíper na perna) de tecido mais leve
  • 1 calça jeans, ou de um tecido mais robusto ou perlante
  • 1 calça impermeável
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e manga longa)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • toalha

Se for inverno:

  • 2 calças térmicas justas ( para serem usadas por baixo)
  • 1 calça perlante mais quente
  • 1 calça impermeável (pode ser usada sobre as térmicas e perlante)
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre térmicas, pra noite e passeios leves e manga-longa dri-fit pra trilhas e atividade física)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias longas de inverno, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco impermeável
  • 2 ou 3 fleeces de gramatura mais densa
  • 1 casaco tipo sobretudo (pode ser o próprio impermeável ou um mais quente, de preferencia que caiba sob o impermeável)
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 par de botas de neve pra trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • gorro
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • luvas
  • toalha

Adapte essa lista de itens, reduzindo-a em caso de camping travessia/caminhada de vários dias, no qual tudo vai nas costa sempre. Reduza o número reutilizando as roupas mais dias e lavando quando possível. Quanto a comida, não utilize embalagens de vidro, caso saiba que estará em local sem lixeiras, pois é inconcebível deixar o lixo na natureza, e carregar os vidros vazios é uma carga desnecessária. Nesse caso, opte por embalagens de plastico, que possam ser esvaziadas e dobradas, assim você mantém um pequeno saco de lixo em um dos bolsos externos e pode esvazia-lo quando houver a oportunidade, sem carregar peso além do necessário.

Em caso de camping livre, lembre-se que alimentos e lixo atraem animais selvagens, por isso junte toda a comida do grupo num fardo (saco plástico ou rede) e todo o lixo em outro e pendure em árvores afastadas das barracas. No dia seguinte recolha ambos. Caso algum animal tenha comido, você perde seus alimentos, mas pelo menos evita um ataque a sua barraca e a você.

Evite deixar alimentos dentro da barraca, mesmo em campings fechados. Além do risco de estragar, outros animais podem rasgar sua barraca tentando pegá-los. Se não for possível carregar tudo com você o tempo todo, veja a possibilidade de deixar uma parte na cozinha coletiva, devidamente etiquetado com seu nome, ou em local seguro na sede do camping.

 

 

Dicas de trilha – alimentação

Essa série das dicas de trilha já contou com dois outros posts, o Calçados para trilha e Dicas de trilha – vestuário, e agora resolvi falar um pouco sobre alimentação na trilha. Primeiro tenho que lembrar mais uma vez aqui que não sou nutricionista nem chef, e que você sempre deve consultar o seu profissional da saúde, especialmente se tiver restrições alimentares. Dito isso, lembro ainda que somos lacto-ovo-vegetarianos.

Quando fazemos trilhas costumamos sair cedo e eu sempre tive dificuldade para comer bem logo que acordo. Parece que meu estômago só acorda umas 2h horas depois do cérebro. A solução que encontrei foi ou comer um pouco mais tarde, quando possível, ou tomar uma vitamina se precisar comer algo e sair rápido. No caso das vitaminas gosto de bater uma fruta com chia, linhaça, aveia, ou uma combinação desses. Às vezes acrescento um scoop de proteína vegetal.

Para um dia de trilha levo um pão e queijo, ou já faço os sanduíches em casa ou levamos e fazemos na hora. Um pacote de castanhas, amendoins, amêndoas, etc. Aqui na Catalunha achei um mix maravilhoso, que inclui amendoins, amêndoas, milho peruano, flocos de arroz e outras misturas de nozes e cereais, salgadinho e baratinho! O pão com queijo é geralmente o “almoço” e as castanhas e cereais salgados o “lanche do fim da tarde”. Sempre levo também umas barrinhas de cereais, às vezes proteicas, doces. Para trilha, especificamente, gosto de levar as cobertas de chocolate, pois com a caminhada montanha acima, a gente precisa de uma energia extra e rápida. Umas frutas também costumam ir na mochila, secas ou frescas, uvas passas, damascos, ou maçãs e pêras (bananas eu amo, mas tendem a amassar muito ou estragar com o calor).

Uma outra coisa são biscoitos e bolachas, simples, doces ou salgadas. Eu sugiro evitar as recheadas, que além de serem muito doces, podem “derreter” o recheio ou estragar no calor. As salgadas tipo crakers são ótimas e as doces integrais, com aveia, tipo digestivas, também funcionam muito bem nas trilhas.

Nunca fazemos uma “refeição completa” na trilha, pois encher o estômago na caminhada é um erro. O corpo fica lento e pesado. E a chance de sentir enjoo, gases, e outros desconfortos aumenta. O esquema é comer de pouco em pouco, pequenas quantidades e menos durante a subida. Ao chegar la em cima dá pra fazer um pique-nique de reposição e depois descer, que tende a exigir menos do fôlego. De qualquer forma, a alimentação deve ser leve o dia todo.

Se o clima estiver quente e com sol forte, coma menos ainda. O calor deixa a digestão mais lenta. Nos dias mais quentes compensa levar uma bebida, ou pó de bebida, com reposição de sais, como um gatorade, ou pó de bebida de treino esportivo, que também confere um aporte de energia rápida e sem pesar o corpo.

Na volta, à noite, costumo fazer um macarrão, pois chegamos com bastante fome por ter comido pouco ao longo do dia de esforço. Ou um arroz com grão-de-bico. Às vezes omelete, quando voltamos pra casa no mesmo dia.

Quando acampamos o esquema é o mesmo. Convém lembrar que no acampamento as refeições da noite devem ser de preparo rápido, mas precisam alimentar bem, pois são a única refeição de fato do dia. Se você comer muito pela manhã, o corpo vai ficar pesado, se for pegar estrada de montanha de carro, antes do ponto da trilha, pode enjoar muito. Se tiver estrada de montanha, prefiro nem comer nada, e ao parar o carro, antes de começar a caminhada, tomo a vitamina, que já levo pronta, ou como algo.

Se tivermos fogareiro ou acesso à cozinha coletiva no camping, gosto de fazer macarrão, pois dá pra fazer em uma panela só. Costumo levar um molho pronto só pra colocar por cima. Se forem muitos dias de camping, vou variando com arroz. Levamos também as leguminosas do tipo já prontas, em latas, vidros, ou conserva, como grão-de-bico, feijões, ervilha.

Em caso de camping livre em local onde não é possível ou recomendado fazer fogo, o ideal é levar as leguminosas já prontas e comer frias mesmo. Nesses casos convém também levar mais pão, e comer um sanduíche extra a noite. Não sou a maior fã de “carnes” de soja, mas nesses casos de acampamento frio, elas podem ajudar muito, pois é possível compra-las já prontas, sem precisar cozinhar. Uma latinha de salsichas de soja pode virar um banquete numa noite fria e sem fogo no meio do mato. Lembre de levar um pouco de sal num pacote pequeno. É importante repor o sal e o açúcar do corpo após as caminhadas, especialmente se no dia seguinte tiver mais.

No caso do queijo, evite queijos frescos. Lembre-se, que estará sem geladeira. Prefira os queijos curados, mais duros e que podem ficar sem refrigeração por mais tempo. Para veganos, uma outra boa opção são as capsulas de algas em pó, como clorela e spirulina, que possuem muita proteína e vitaminas, inclusive várias do tipo B. As capsulas não estragam, e podem ser ingeridas como pílulas, para complementação alimentar, além das frutas, pães, barras, bebidas isotônicas, macarrão, arroz e leguminosas.

E água, claro! Não descuide da sua ingestão de água! Evite outros líquidos que não sejam água, ou eventualmente a bebida isotônica. Sucos e refrigerantes são muito doces e não vão saciar a sede. Pesquise as fontes de água natural próximas ao camping e pela trilha. Às vezes é possível pegar mais água em fontes, bicas, ou mesmo em rios e riachos. Nesses casos é possível levar apenas uma garrafa grande de água (entre 1L e 2,5L) e abastecê-la no caminho. Caso contrário você terá de carregar muito peso.

E claro, consulte seu médico sempre. Minhas dicas são só de trilheira pra trilheiros por esse mundão aí!

The Sounds

Outro Bloquinho de 3, ainda com inspiração do Goyte. O fio conector hoje são os áudios de início e fim, e as músicas menos convencionais. São 3 que eu gosto muito, apesar de admitir que não são das mais fáceis ou suaves de ouvir.

Goyte – In the State of Art

The White Stripes – Little Acorns

The Black Keys – Fight For Air

Roca de Canalda

29/04/17

Decidimos meio que de supetão que faríamos uma trilha, então eu procurei alguma coisa bem perto para que pudéssemos fazer uma caminhada em pouco tempo. Tivemos uma grande surpresa em perceber que algumas coisas muito próximas a La Seu são absolutamente incríveis, ainda que pouco reconhecidas!

Tem um site muito bom que dá as melhores sugestões. Pra quem gosta de caminhada e está vindo para qualquer parte dos Pirineus, vale a pena dar uma olhada (http://www.rutespirineus.cat/). Pegamos uma próximo da vila de Canalda, um lugarejo encravado no meio das serras, afastado dos vales principais de região. A estrada até lá já é uma coisa deslumbrante, passando por vistas incríveis dos vales maiores, além de algumas vilas muito bem cuidadas. A vila de Canalda é tão pequena que mesmo dentro dela desconfiávamos que era de verdade uma vila. É um aglomerado de 6 ou 7 casas, com uma igreja no meio, não mais do que isso.

O caminho começa indo da vila até um paredão ao norte, do outro lado da estrada principal que leva a Canalda. Após a aproximação do paredão, há uma pequena trilha sem sinalização clara saindo à esquerda. Claro que nós passamos reto e subimos a pedra toda antes de percebermos nosso erro. Nada de mais, pegamos uma vista boa lá de cima e arrumamos nossa rota. Ao entrar nessa pequena trilha o caminho começa a beirar o tal paredão e então, devido à proximidade, é possível ver diversas cavernas naturais pela encosta, a maioria estando entre 5 e 15 metros acima do solo. Também existem partes de ruínas de antigas fortificações feitas no local. Parte dessas ruínas são atribuídas aos Mouros, no período em que tomaram a região.

O caminho segue por uma trilha bem demarcada, mas há opções que se aproximam mais da pedra, e claro que seguimos pelo segundo. Foi possível encontrar algumas casas em ruína e uma inteira, trancada com um cadeado moderno. Não conseguimos descobrir o que havia lá dentro. Havia também uma pequena piscina natural e uma quase-cachoeira, ambas muito bonitas de se ver. Durante o caminho todo é possível observar muitos pássaros, de corvos a rapineiros, todos fazendo seus ninhos na encosta.

A trilha acaba em um pequeno zoológico, que na verdade mais parece uma granja com alguns animais da região, como esquilos, cervos e corujas. Não entramos, pois o Picot não era aceito, mas pra quem tem crianças imagino que seja uma boa experiência, pois há sessões de vôo das aves e a maioria dos animais são dóceis e podem ser tocados. Na grade, pelo lado de fora, encontramos um cervo pequenino, mas adulto (não sei a espécie exata) que encrencou com o Picot. Ele atacava a grade e bufava, enquanto a fêmea corria por detrás. O Picot tentou se aproximar e latir, mas tanto recuava com as investidas do Jão (apelido que o cervo recebeu) quanto seus latidos finos não ajudavam a impor respeito. No final, demos muita risada da situação antes de sairmos do local.

De volta a cidade, pegamos o carro e passamos por algumas cidades, como Sant Llorenç de Morunys, que nos impressionou com o tamanho (incomum pra localização) e pela beleza das montanhas e da represa em volta, e por Tuixent, que já tínhamos passado perto quando fomos a Pedraforca, mas não paramos lá na ocasião. Também vimos a estação de esquí de Port del Comte, já fechada por não ter mais neve suficiente, e um bairro de mansões que se desenvolveu ao pé da tal estação.

No total, o passeio foi bastante agradável e pudemos conhecer uma regiãozinha escondida, tão perto de La Seu e ao mesmo tempo tão desconhecida!

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Seguimos (na maior parte do tempo) a trilha verde pontilhada (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Os números marcam os pontos de interesse da trilha e sua descrição pode ser lida na foto seguinte (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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pontos de interesse da trilha (fonte: http://www.rutaspirineos.org/rutas/roca-de-canalda)

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Paredão

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É possível ver as Coves dels Moros

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Na foto não fica claro, mas as gotas caíam leves, mas em grande quantidade, formando uma espécie de cortina de água, que embaixo formavam um riacho. Parecia uma cachoeira de fadas! Na fan page do Facebook estão mais fotos e vídeos. 

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Essa era a casa que estava em melhor estado, e ainda com portas e janelas fechadas com cadeado e correntes modernos

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As “Coves” mais baixas são fáceis de entrar e explorar (as mais altas só com equipamento de escalada e vimos vários grampos presos na pedra)

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Jão, o cervo bad boy, pronto pra briga. Para quem quiser conhecer o Zoo:  Zoo del Pirineu

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Vista de Sant Llorenç de Morunys

Para mais fotos e vídeos, incluindo vídeo do Jão brigando com a grade, da cortina de água e outros, confira nossa fan page do Facebook: Fan Page Blog da JuReMa 

Pedraforca

20/04/17

Fazia tempo que queríamos ir até a famosa Pedraforca, um dos locais mais famosos da Catalunha. Mas devido a sua enorme altitude (passando de 2.500m), estávamos esperando a neve sumir para poder caminhar com mais segurança e menos esforço. Finalmente decidimos ir, num momento em que tínhamos visitas do Couchsurf em casa. Dani e Tiziana toparam ir com a gente, sem saber do perrengue que passaríamos todos juntos…

Começamos a trilha mais tarde, pois acabamos fazendo outras coisas antes de sair, e o caminho até lá também não era dos mais rápidos. Longe não era, mas a estrada passa por uma região de muitas montanhas, reduzindo muito nossa velocidade. Eu fiquei realmente impressionado com a beleza das vilas no caminho, que tinham além de uma excelente paisagem, casas muito elegantes e parques bem cuidados. Só imagino que seja proibitivo viver nessas cidades se você tem labirintite…

Chegando no Mirador Gresolet, ao lado nordeste da Pedraforca, começamos a trilha. Foi um caminho bem curto até o Refugi Lluís Estasen, onde o caminho bifurcava. Estávamos com o plano de subir a pedraforca pelo Coll de Verdet, fazendo a volta em sentido anti-horário. Fato é que muito cedo na trilha nós nos perdemos e até agora eu não consigo precisar o caminho que fizemos. Tentamos nos manter sempre o mais próximo possível da escarpa. Quando o terreno permitiu, atravessamos um grande paredão de pedra e começamos a andar em um terreno de grande inclinação, que eu imagino que era a face norte, já que a neve ainda estava bem alta, apesar de dura a maior parte do tempo. Esse trecho foi um terror para nós, mas uma alegria para o Picot, que rolava na neve com veemência!

Depois de sofrer bastante para andar uma distância bem pequena, devido ao tipo de terreno, alcançamos um pequeno lago e as inclinações amenizaram. Seguimos até um campo que dava vista para Gósol, e portanto do lado oeste da montanha. Dali caminhamos até um dos cumes, caminho que o Dani encontrou rapidamente, e pela crista seguimos mais um tanto, felizes de saber que haveria pouca subida dali pra frente. Digo um dos cumes porque a Pedraforca, como diz o nome, se bifurca, apresentando dois cumes distintos.

Ao terminar o trecho que andava pela crista, bastante acidentado e com uma vista incrível, chegamos ao meio das duas cristas da pedra, e então descobrimos como era acidentado o caminho de volta. A descida talvez tenha sido ainda mais lenta que a subida, já que cada passo era um desafio. O solo se soltava com facilidade e os locais para apoio eram pequenos e escorregadios. De certa maneira isso não seria um problema, pois poderíamos ir mais devagar. O agravante, porém, era que só nos restava 2 horas de luz solar…

Eu tentei manter um ritmo na descida, estimulando o resto do grupo. Todos já estavam muito cansados, inclusive eu, mas não havia outra opção viável. No caminho, fomos agraciados com a visão de um rebanho inteiro de o que imagino que sejam cervos. E, torno de 10 deles ficaram nos vigiando a distância, enquanto nosso grupo se recompunha. O Picot se conteve e evitou correr atrás dos animais, mas imagino que nesse ponto até ele já estava mais cansado.

Parece que durante o processo também pegamos um caminho mais longo do que pensávamos, e o tempo para descer acabou sendo absolutamente justo. Saímos da trilha pouquíssimos minutos antes da mais completa escuridão tomar conta do local. A Pedraforca faz jus a sua fama, sendo um local absolutamente maravilhoso, a vista dos cume alcançando regiões vastas. Mas também não é um local para ser explorado sem muito cuidado e preparo. Ficamos com essa lição!

mapa La Seu - Mirador Gresolet

Mapa trilha

Era para termos feito a trilha pontilhada de verde e branco, acabamos dando uma volta aproximadamente equivalente ao tracejado vermelho que fiz sobre o mapa. 

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Subida de inclinações nada suaves 

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Não é efeito de perspectiva: eu estava aqui e eles lá. Haja perna e pulmão. 

 

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Obs: mais fotos disponíveis na fã page do facebook: https://www.facebook.com/blogdajurema/