Road trip de Julho – Parte 3 – Nice e Itália

20 e 21/07/2017

Saímos da região do Gorges du Verdon na direção de Nice, onde chegamos poucas horas depois. A estrada ali vai se afastando lentamente da região mais escarpada do parque e os vales se alargam conforme nos aproximamos do litoral. Essa parte da estrada só eu vi, porque saímos bem cedo e neste momento todas as passageiras dormiam profundamente! Eu faria isso também se pudesse… Chegamos em Nice no começo da manhã e rodamos um pouco a avenida junto ao mar antes de encontrar um lugar para estacionar. Passamos somente uma hora na cidade, que as meninas aproveitaram para nadar no mar e a Ju e eu utilizamos para subir em uma encosta com um mirante no topo. A vista da cidade lá de cima é bastante privilegiada, sendo possível ver toda a costa e boa parte da cidade. Também vimos o mar do alto, o que garantiu a certeza da limpidez da água, que mesmo nos trechos mais profundos ainda era possível enxergar as rochas ao fundo.

De Nice seguimos para Gênova, atravessando a fronteira. A estrada italiana era composta de pontes e túneis em sucessão, já que a região é muito acidentada, sendo o ponto de encontro dos Alpes com o mar Mediterrâneo. Com somente duas pistas e uma profusão de carros de luxo acelerando (passamos do lado de Mônaco, mas nem sequer tentamos entrar!) e caminhões obstruindo a passagem, essa estrada foi um tanto desafiadora e estressante. Mas mais estressante ainda foi chegar em Gênova e perceber que se os pedágios franceses são caros e numerosos, os da Itália os superam bastante… O primeiro pedágio nos custou coisa de 18 euros para um trecho de não mais de 3 horas.

Um grande amigo meu depois da viagem me disse que tinha adorado Gênova, e eu não duvido da experiência dele. Mas certamente tivemos outra. Paramos o carro no centro velho e pagamos outra hora de estacionamento e então fomos andar um pouco. A cidade de começo já tinha assustado pela desorganização do trânsito e pelo descuido. As fachadas todas da cidade estavam despedaçadas e a sujeira predominava. Os becos da cidade fazem com que o centro de São Paulo pareça uma maravilha. Uma crosta preta se alastrava pelas calçadas e paredes. Caminhamos novamente morro acima, por vielas malcuidadas, até chegarmos em um ponto que parecia mais bem tratado. De lá de cima, a vista da cidade não decepciona, mas a única maneira de parecer bonito é visto assim de longe mesmo. Talvez eu e meu amigo tenhamos visto partes ou momentos diferentes da cidade, imagino eu.

O plano ao sair de Gênova nos levaria até La Spezzia, onde contornaríamos a estrada e chegaríamos a Riomaggiore. Por conta dos pedágios, decidimos seguir pela estrada costeira e gratuita, aproveitando para ver outras vilas da famosa Cinque Terre. De começo já percebemos que teríamos problema ao longo de toda a viagem na Itália com as estradas, pois ou elas são pesadamente pedagiadas (preços que chegam a ser proibitivos!) ou são muitíssimo mal sinalizadas. Talvez isso seja para não destruir a tradição italiana de parar e perguntar, mas fato é que tivemos muita dificuldade para nos localizar em todos os percursos. A de Cinque Terre não foi diferente. E no caso, além de mal sinalizada, era terrivelmente conservada, com o capim em volta invadindo a pista em boa parte do percurso, isso no auge do verão e do turismo.

Descemos a encosta até a primeira cidade, onde não encontramos lugar para estacionar. A cidade estava cheia de carros de luxo, jovens vestidos na última moda e uma multidão de turistas. Não vamos reclamar muito, afinal também estávamos turistando, mas certamente seria preciso um controle mais rígido para a quantidade de pessoas para a região. Viramos o carro e seguimos viagem, dessa vez sem parar até chegarmos em Riomaggiore. Lá tivemos que esperar até o estacionamento local livrar uma vaga. Então seguimos a pé, descendo até onde a vila encontra o mar.

Eu não teria nada para reclamar caso fosse uma vila de pescadores no original, mas a cidade, mesmo recebendo hordas de turistas, não conta nem um pouco com alguma política de preservação. As casas todas estão despedaçando, um cenário que seria mais compatível com o abandono total, enquanto uma profusão de restaurantes completamente desvencilhados da cultura local se propagam. Achar um lugar para apreciar a paisagem junto ao mar é bastante difícil também, dada a movimentação. Aqui se misturam jovens mochileiros com jovens playboys, o que cada um dos grupos buscam eu não sei. Eu pensaria que o primeiro grupo procuraria autenticidade e tranquilidade, enquanto o segundo procuraria estética e luxo. Infelizmente, não encontrei nada disso ali. Riomaggiore provou pra mim o poder que a propaganda tem, atraindo tantas pessoas e fazendo-as se sentir simpáticas a um local que a meu ver não possui nenhum encanto. Melhor teria sido visitar Trindade ou Paraty, no Rio de Janeiro, que mesmo muito cheias no verão ainda preservam alguma autenticidade, além de serem mais bonitas e mais baratas!

Depois de Riomaggiore atravessamos La Spezzia, onde descobrimos que a gasolina mais barata da Itália custa 40% a mais que a média da Espanha, o que nos causou mais um aperto no coração. Dali pegamos uma estrada de montanha até nosso camping, próximo de Lucca, cidade que visitamos no dia seguinte. No camping chegamos tarde e saímos cedo, coisa que se tornaria corriqueira na viagem, portanto não vou emitir opinião sobre ele, pois seria injusto. Dali seguimos descendo uma serra que terminou por chegar em Lucca.

Lucca era uma cidade que eu já conhecia, mas que não vi nenhum problema em passar de novo. Acho que é um lugar agradável e simpático, apesar de estar desprovido da mesma fama que outros locais próximos ou de alguma beleza realmente excepcional. Paramos o carro perto da cidade murada e saímos para andar. Fizemos uma volta grande, vendo diversas catedrais em estilos diferentes e passamos pelo passeio que fica sobre as muralhas, esse último sendo o local que mais me agrada na cidade, por sua tranquilidade e pela vista privilegiada. Me chateou um pouco uma coisa que eu não lembrava em Lucca, que foi a quantidade absurda de lojas internacionais que se posicionaram no principal roteiro do centro velho. Não sei se já estavam lá quando visitei a primeira vez ou se eu que não tinha percebido, mas eu me incomodo com essa situação, que desloca os comerciantes locais e faz com que todas as cidades turísticas do mundo tenham a mesmíssima cara… Ainda assim, foi um momento agradável do dia. Seguimos de Lucca para Pisa.

Em Pisa passamos rapidamente, e sinceramente não acho que há outra maneira de passar por ali. A verdade é que a cidade de Pisa tem muito pouco a oferecer além da torre. Para quem está viajando como nós costumamos fazer, e portanto se abstém de visitar os museus e subir a tal torre, é possível completar a visita à cidade em cinco minutos. Pode-se dizer que perdemos muito não visitando esses locais, mas a verdade é que os museus eclesiásticos pelo mundo todo são bem, bem parecidos (para quem não sabe há uma imensa catedral junto à torre), e duvido muito que dentro da torre haja algo que possa valer a visita, considerando o quanto devem cobrar uma entrada em um ponto tão turístico assim. A torre, vista de fora, é até bem trabalhada, mas sua inclinação não é por motivos propositais, fossem eles de origem científica, estética ou qualquer outro (como aqui concedo algum mérito para a Torre Eiffel, que eu acho horrível, mas tinha um propósito técnico). A torre inclinou porque foi mal construída mesmo, e por algum motivo isso ficou famoso. O resultado disso é uma cidade em que se entra, tira-se uma foto e vai-se embora sem perder nada de mais.

Passada Pisa, fomos para Florença, essa sim uma cidade que merece o renome que tem. Claro, o erro foi visitá-la no verão, e por isso tivemos que nos acotovelar com grupos imensos de pessoas e máquinas fotográficas somente para poder passar no Uffizi, sem ter sequer chance de visitar por dentro. Mas Florença é uma cidade bem cuidada e preservada, de importância real na história da humanidade, com locais realmente interessantes para visitar, menos a Ponte Vecchio, que é meio sem graça e bem cheia. De qualquer jeito, essa é uma cidade que eu gostaria de ter mais tempo para explorar e conhecer em momentos mais tranquilos, mesmo sendo a segunda vez que a visitei. Acho realmente que apesar de os preços de museus aqui provavelmente serem absurdos, o que há para ver e aprender na cidade compensaria tal gasto.

Neste ponto nós nos despedimos da Clara e da Pietra, que seguiram sentido Roma de ônibus, enquanto nós fomos sentido Veneza. Seguimos por estradas vicinais, e gastamos um bom tempo cortando um caminho de montanha, através dos Apeninos, por pequenas vilas. Esse talvez tenha sido um dos meus trechos favoritos na Itália, por que pudemos ver locais que não foram feitos para turistas, com as pessoas se reunindo nos bares no final da tarde para conversar e tudo mais. Paramos para pedir informação e comprar comida e fomos recebidos com a típica cortesia grosseira italiana, uma outra vantagem desses locais que ninguém visita. Chegamos bastante tarde ao nosso camping, muito próximo de Veneza, e diferente dos campings de montanha que tínhamos frequentado até ali, pudemos sentir o calor sufocante do verão italiano…

Continuarei a descrição da viagem em um quarto post, começando com Veneza e seguindo até Rocamadour, mas por enquanto gostaria de explicar algumas coisas. Esse post deixa um pouco evidente o quanto eu fiquei insatisfeito com a Itália, e devo dizer que a Ju compartilha a minha sensação. Claro, para quem não viajou muito, ou é bastante influenciado pela propaganda, a Itália pode ser encantadora, visto os diversos filmes, livros e capas de revistas turísticas que se ambientam no local que visitamos (Sob o sol de Toscana; Comer, rezar, amar; Cartas para Julieta; Todos dizem eu te amo et cetera). Mas tanto eu como a Ju somos viajantes experientes e podemos garantir que há coisas muito melhores esperando para serem visitadas, por preços mais acessíveis e menos disputadas também. E para provar isso, no próximo post eu colocarei também uma lista de locais que nós conhecemos e que podem substituir os locais que visitamos na Itália, com a mesma qualidade ou até superior!

 

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Nice (França)

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Nice (França)

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Galleria Giuseppe Garibaldi, Gênova (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Lucca (Itália)

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Lucca (Itália)

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Pisa (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

Dicas de Road Trip – Pegando a estrada

Sei que o André já está comentando bastante sobre as dicas relativas a viagens de carro nos posts sobre viagem dele, mas considerando a última que fizemos, acho que o tema merece um post próprio focado em dicas práticas sobre o tema.

Desde que tenho carteira faço viagens de carro, sempre fiz o trajeto Brasília-Pirenópolis várias vezes ao ano, e depois, com a mudança pra São Paulo, fiz BSB-SP algumas vezes, além de várias outras mais próximas da capital paulistana, como idas a Paraty, Trindade, Campos do Jordão, Monte Verde, São Francisco Xavier e outras.

Quando viemos morar na Espanha, um dos debates foi: ir para uma cidade maior (como Barcelona) e viver de transporte público, como fazíamos em SP, ou pro interior e ter carro? Essa discussão foi revisitada por muito planejamento financeiro e também pelos nossos objetivos. Como estamos trabalhando pela internet, o local de moradia não era definitivo, e depois de muitas contas na ponta do lápis, percebemos que valia mais a pena, pro nosso perfil, procurar um aluguel baratinho, nas montanhas e ter um carro para os deslocamentos fora da cidade (que dá pra atravessar a pé em 8 min). Isso facilitou muito nosso acesso às trilhas de montanha, e paisagens naturais escondidas, além de nos proporcionar as viagens de carro, que acabam saindo por um custo bem mais baixo que se fizéssemos de trem ou ônibus.

Essa discussão aliás, foi muito bem tratada pela Mari e pelo Plácido do Livre Partida, nesse vídeo aqui sobre Mochilão X Overlander (o termo usado para quem viaja de carro), e eu fortemente recomendo que assistam e pensem na reflexão deles. Nós, assim como eles, preferimos estar em meio a natureza, e aproveitar a viagem de forma menos tradicional, mas longe dos centros urbanos e dos pontos turísticos tradicionais, e conhecendo trilhas e lugares mais distantes e com isso a road trip se torna a opção mais viável.

Outra questão, a respeito da viagem de carro, é que sempre existem duas opções: pegar as rodovias expressas ou vias alternativas. As autopistas são mais bem pavimentadas, com velocidade mais alta (entre 110 e 130 km/h na maior parte das vezes) e também geralmente pedagiadas (na Espanha os pedágios são mais raros e menos caros, na França são comuns e mais caros, mas bem sinalizados com vias alternativas sugeridas, na Itália todas as rodovias são pedagiadas, os pedágios são muito caros e as vias alternativas não são sinalizadas). Um momento que nos assustou muito na Itália, foi que para cruzar os Alpes, de Aosta para Chamonix, passando ao lado do Mont Blanc, o pedágio do túnel, apenas do túnel, é de $45,00 euros!!! Existe a opção de passar pelo Col (como a maioria dos portos de montanha e picos são conhecidos – embora um italiano nos tenha corrigido para Piccolo – e aí é de graça, embora mais lento, por St. Bernard.

As vias alternativas às vezes são muito pequenas e estreitas, e em algumas de montanha não dá pra passar dos 40km/h, mas outras vezes são boas estradas de mão dupla, nas quais é possível chegar entre 80 e 100km/h. Eu confesso que prefiro mil vezes dirigir nas vias alternativas do que nas autopistas! Nas autopistas não consigo ver nada da paisagem por conta da velocidade e a tensão ao volante é bem maior, já que os carros tendem a ir em velocidade bem mais alta e as ultrapassagens não param, e os ombros acabam bem mais cansados de manter um carro pequeno nos eixos a essa velocidade. Além disso têm os pedágios, que variam de $2,00 a $40,00 dependendo do trecho e do país. Na França pegamos dois trechos longos, entre Annecy e Lion por cerca de $19,00 euros e depois um de Lion a Brive la Gaillard, por cerca de $16,00 euros, o que encarece bastante a viagem.

Nas pequenas, além de evitar o pedágio, eu consigo ver melhor a paisagem, encostar o carro para apreciar uma paisagem, e as saídas para pequenas cidades encantadoras, para comer algo ou usar o banheiro se tornam muito mais fáceis e acessíveis. E o estress com a direção diminui muito. O tempo é mais longo, mas caso você não tenha pressa, eu acho que vale a pena.

Passados esses temas do tipo de via e do pedágio, outro tópico é a gasolina. Aqui na Europa é possível comprar uma variedade de carros pequenos à diesel, mas, infelizmente, acabamos comprando nosso Ka a gasolina. O diesel é subsidiado e bem mais barato. O preço de todos, diesel ou gasolina, tende a variar de um posto para outro (convém reparar na marca do posto e traçar um paralelo, pois de um país para outro a marca cara pode ficar barata e vice-versa), e o preço por país. Aqui na Catalunha o preço da gasolina não passa de $1,20/L e às vezes conseguimos por menos $1,10, $1,15, com facilidade. Na França encontramos em torno de $1,30, às vezes $1,40 e na Itália era quase impossível conseguir por menos de $1,50/L, e isso encareceu bastante a road trip por lá. Outro item relevante é a região dentro de cada país. Locais mais ermos e montanhosos, especialmente próximos de estações de ski, ou lugares excessivamente turísticos, que atraem um público mais disposto a gastar, a gasolina tende a ficar mais cara.

Para fazer road trips é essencial ter dinheiro em notas e moedas, o famoso cash, pois muitos dos pedágios e dos postos só aceitam essa forma de pagamento. Muitos até dizem aceitar cartão, mas na hora do vamos ver não é bem assim, a máquina de cartão às vezes está fora do ar, ou o cartão simplesmente não passa, então pra não ficar na mão, tenha em espécie. Os pedágios e os postos costumam aceitar todas as moedas, menos as de 1 e 2 centavos (que pelo peso muito leve não são computadas pelas máquinas) e não dão troco para notas acima de $50,00 euros. De preferencia, tenha moedas de $0,10, $0,20, $0,50, $1,00 e $2,00 e notas de $5,00, $10,00 e $20,00. Assim você estará seguro!

Pros brasileiros acostumados a frentistas, o ato de colocar gasolina pode ser um desafio. Te garanto que colocar a gasolina no tanque é fácil, é só apertar o gatilho da bomba e dar um tranco se ele parar antes de encher. O difícil é pagar! Cada posto é de um jeito: pós-pago, pré-pago, só cartão, só espécie, na bomba, no caixa, varia muito. Estude com calma suas opções antes de tentar por o combustível. Alguns postos dão mais de uma opção, inclusive alguns da Itália tem bombas com frentista e outras self-service, e as com frentista possuem preço mais alto.

Outro detalhe são as cores das placas. Geralmente placas de fundo branco e letras pretas sinalizam pequenas cidades. Placas de fundo azul ou verde com letras brancas indicam as grandes cidades e as autopistas. Mas a sinalização engana. Na Espanha e na França as placas verdes tendem a ser não-pedagiadas e as azuis em geral possuem pedágio, na Itália é o contrário, verdes com pedágio e azuis não. Isso confunde bastante. Também, dependendo do trecho que você pegue da autopista, pode escapar do pedágio. Um bom truque e fazer o mapa no google maps selecionando a alternativa: evitar pedágios. Eu sempre prefiro salvar o mapa offline e tirar umas fotos dele, pois nem sempre na estrada há sinal. Não sei se confunde mais ou se ajuda, mas na Wikipedia é possível achar uma tabela comparativa dos sinais de trânsito europeus em diversos países. No site Auto Europe também é possível encontrar muita informação útil.

Para poder dirigir na União Européia, sendo brasileiro, basta que você tenha uma carteira de motorista brasileira válida, e solicite sua habilitação internacional, que é solicitada junto ao Detran da mesma cidade de origem da sua habilitação, mediante pagamento de taxa, mas sem necessidade de exame ou prova. A validade da habilitação internacional é a mesma da nacional.

Por fim, o tópico estacionamento é relevante! Existem claro, os parkings pagos, com catraca, iguaizinhos os brasileiros, e o preço varia muito de local pra local, dependendo da concorrência. O que confunde mesmo são as vagas de rua, geralmente vagas de baliza, espalhadas pelas cidades. Na maioria das vezes elas são colour-coded: as brancas tendem a ser livres, as verdes e azuis pagas. Mas não é tão simples. Algumas áreas são reservadas para moradores da região que possuem uma permissão especial colada no vidro, outras tem horários restritos para não moradores. Algumas apesar de serem pagas, se tornam gratuitas em alguns dias e horários. Para descobrir só lendo as placas e a máquina de pagamento de cada estacionamento. Geralmente a placa e a máquina estão escritas apenas na língua local e geralmente aceitam apenas moedas de 0,10 a 2,00. Após desvendar os mistérios e conseguir um tíquete pago, coloque-o no painel do carro, visível pelo vidro e dê seu passeio, mas de olho no relógio! O valor é pago por hora, adiantado, e se sua hora acabar podem rebocar seu carro.

Outro detalhe é atentar para as placas temporárias, colocadas sempre que há algum evento especial, como corridas de rua, festas, etc, que podem tornar uma parte da rua interditada para estacionamento por um período específico. Leia com atenção, para não ter o carro rebocado.

Uma boa alternativa, pra quem gosta de andar e tem tempo livre, é procurar o parking de motorhomes das cidades. As cidades europeias, das grandes às pequenas, tendem a ter um parking não pago, fora da cidade, específico para motorhomes e campervans, equipados com tomadas e locais para troca de água desses veículos. Lá é possível estacionar qualquer carro, desde que haja vagas, sem pagar. O único detalhe é que são sempre bem afastados do centro, e se a cidade for grande a caminhada será longa. Sempre existe a opção de pegar um transporte público até o centro nesses casos, o que geralmente sai mais barato do que o estacionamento no centro, além de dar a tranquilidade de passear sem vigiar o relógio.

Farei outro post dessa série, sobre outras dicas práticas para road trips, como alimentação, uso de banheiros, e como lidar com o calor ou frio extremos. Mas por enquanto, o básico para pegar a estrada está aqui! E claro, sempre faça uma direção defensiva!!!! Existem loucos dirigindo por aí em todo canto! Segurança sempre!

 

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

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Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

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Templo de Diana/Atemis em Nimes.

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Parque em Nimes.

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Torre romana em Nimes.

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Templo em Nimes.

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Catedral em Nimes.

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Arena de Nimes.

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Aqueduto de Pont du Gard.

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Avignon

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