Saúde

Há uns tempos atrás uma amiga muito querida me pediu/sugeriu escrever um post sobre saúde. No começo resisti muito, pois não sou nada da área de saúde e não posso ficar dando conselhos sobre isso por aí. Mas depois reli a sugestão dela e me veio na cabeça escrever sobre o que sempre escrevo: sobre mim! Sobre minha experiência, minha história, meu diário.

Vou contar um pouquinho do meu histórico aqui: nasci prematura, de 7 meses, pesando pouquíssimo mais de 1kg, para o desespero da minha mãe. Mas não tive nenhuma sequela. Na verdade, menos de 12h depois do meu nascimento, já não precisava de nenhum cuidado especial, nem os que normalmente crianças de 9 meses precisam. Mas não conseguia me alimentar. Fui alimentada por sonda por 45 dias, com leite materno, da minha mãe e de muitas mães de leite que eu tive!

Esse fato poderia ser irrelevante não fosse o detalhe que ele provocou na minha mãe e na minha avó: as obsessões alimentares. Ambas sofriam de anorexia, não diagnosticada, mas bastante óbvia se acompanhada de perto. Acho que quando eu nasci ainda não sofriam, ou não estavam em período de crise, mas ambas tinham problemas com depressão, ansiedade, minha mãe teve em diversas ocasiões crises de pânico, e no final da vida de ambas a anorexia se tornou evidente.

Desde sempre lembro de minha avó fazer comentários um tanto quanto maldosos sobre o peso, dela, meu, de primas, da minha mãe, e outras pessoas. Então creio que mesmo que não estivessem sofrendo com o baixo peso excessivo naquele momento, o tópico dos transtornos alimentares sempre esteve ali, rondando, sabe?! Mas o fato de eu ter nascido prematura e muito pequena teve um efeito, positivo ou negativo é discutível, e ambas me empanturraram de comida na infância: óleo de fígado de bacalhau, Biotônico Fontoura com sementes de sucupira mergulhadas, pernas de rã (que eu não gostava), rins (sempre odiei), foram uma infinidade de suplementos famosos na época que fizeram parte da minha dieta.

Resultado: aos 8 anos deixei de ser a menininha magrela que tinha sido até então e entrei numa fase mais cheinha, que demorou pra acabar, e que se de um lado me superalimentavam, de outro faziam os comentários ácidos sobre peso e aparência, e isso gerou uma pré-adolescência bastante sofrida em termos de auto-imagem corporal. Isso vem, pra mim, do lado negativo.

Do lado positivo, vem a combinação de uma mãe hippie e uma avó criada em fazenda. Sempre comemos tudo feito em casa, com muuuuuita fruta, pomar em casa, horta, muita verdura, muita planta. A sobremesa de segunda a sexta era fruta. Durante as refeições só água. Sucos como lanche da manhã ou tarde. Nada industrializado. Nos fins de semana, às vezes um refrigerante ou uma sobremesa feita de chocolate, leite condensado, essas coisas, mas eram eventualidades. Nunca me foram proibidos, mas foram desencorajados. Até porque, lá em casa, o que era visto como relíquia, tesouro, algo a ser desejado, era uma boa goiabada com queijo de fazenda, doce de fruta em calda, pudim de leite, ou ambrosia goiana (a versão da família da minha avó, o famoso “doce de ovos”, era muito melhor que qualquer ambrosia que já tenha comido fora de casa!).

Com minha mãe veio o hábito das vitaminas, abacate, castanhas do pará (ou do Brasil, como tem sido chamadas), leite de soja. Além da babosa no cabelo, cultivada em casa (o famoso aloe vera), o creme de abacate no cabelo, o chá de camomila no meu cabelo loiro da infância, o óleo de uva na pele, e essas coisas que hoje em dia estão sendo consideradas o máximo em termos de produtos de beleza orgânicos e naturais, e que na minha infância eram apenas os reflexos hippies de quem acreditava num mundo mais natural e ao mesmo tempo não tinha grana pros produtos industrializados. Aliás, minha mãe ficaria entre o irônica e furiosa com os preços cobrados hoje em dia por uma vitamina de abacate ou um xampu de aloe vera.

Mas essa mistura me fez crescer num ambiente que foi marcado por uma alimentação saudável, em sua maior parte, e por pessoas que evitavam correr para os remédios convencionais. Minhas dores de ouvido eram tratadas com compressa de farinha de mandioca, e a dor de garganta com chá de gengibre, cravo e canela que dava suadouro. A tosse do inverno com café com uma colherinha de manteiga e mil outras crendices, que sem entrar na discussão de se funcionavam ou não, se são respaldadas pela medicina atual ou não, de fato, fizeram com que eu crescesse bem, saudável, com peso e altura sempre muito elogiados pelos pediatras e sem me entupir de remédios. Aliás, remédios eram vistos como última instância, e mesmo assim, na maioria dos casos, homeopáticos.

Eu cresci então com essa visão, mas só anos depois, e bem recentemente, percebi o impacto real dela em mim. Até hoje tenho mania de tentar resolver e definir tudo pela alimentação e hábitos relativos ao sono, controle do estress, cansaço, etc.

Em outros pontos a criação não ajudou muito. Embora meu avô tenha insistido que aprender a nadar era uma questão de sobrevivência, e antes dos 2 anos eu já nadasse sozinha e sem boias, numa piscina que não dava pé, e tenha feito natação até os 18, a prática de atividade física regular não era uma coisa vista como essencial. E demorei muito pra encontrar um jeito de manter o corpo em movimento na vida adulta que eu gostasse. Sempre odiei os esportes competitivos. É uma visão bem pessoal.

Mas o resumo é que nunca fumei, muitos em minha família fumaram e eu odiava com todas as minhas forças. Bebi muito pouco, em uma breve fase que logo abandonei, e agora já completo anos sem álcool. Nunca, Jurema? Nunca, nem uma tacinha, nem às vezes. Não!

Então, para falar de saúde, primeiro tenho que deixar isso claro. Nunca usei aparelhos dentários, nunca tive cáries, nunca fiz cirurgias, nunca fumei, não bebo uma gota há anos, não uso drogas e entorpecentes de nenhum tipo, cresci com uma alimentação bem saudável, que vem se tornando cada vez mais. Não como carnes de nenhum tipo há anos também. Sempre bebi muuuuuuita água, e chás!

Com meu marido, aprendi que o chá muito quente pode fazer mal ao estômago, por danificar aos poucos a mucosa, com o líquido muito quente. Fui pesquisar e descobri que é por isso que as xícaras de chá orientais não possuem local para segurar afastado do copo. Se estiver muito quente para segurar com a mão cheia, não deve ser ingerido, e passei a adotar a técnica. Só bebo o chá quando consigo segurar a xícara com ambas as mãos por pelo menos um minuto sem sentir incômodo.

Sempre que me sinto mal, o que não é frequente, analiso bem minha situação emocional, as mudanças de vida, a alimentação, e tento trabalhar isso antes de recorrer a remédios. Aprendi com o tempo os efeitos que o clima tem em mim, não lido bem com o calor forte, especialmente o mais úmido, tenho respeitado mais minha digestão, e meu corpo, meus horários naturais de sono, de ir ao banheiro, etc.

Algumas coisas e pessoas foram e são fundamentais nos meus processos de auto-conhecimento e saúde. Um dos que mudou minha vida foi um nutricionista, de Brasília, que me ajudou na transição para o vegetarianismo, e também me ajudou muuuuuito com auto-conhecimento. Foi uma das pessoas que mudou minha vida. Outra foi uma médica homeopata em São Paulo, a única que resolveu depois de 17 anos, meu problema com cólicas menstruais. Dos 12 aos 29 sofri horrores com cólicas, com mil histórias tensas, de ter que ir da escola para o hospital, de tomar superdose de medicamentos para cólica, enfim, sofrimentos variados, e infelizmente, considerados normais, por muitas mulheres. Há 2 anos e meio não sinto mais cólicas debilitantes, minha menstruação não é mais um período temido e sofrido, e embora às vezes ainda tenha cólicas leves, aprendi como resolvê-las e aprendi a me respeitar nesse período, me recolhendo mais, e respeitando minhas necessidades de descanso e paz!

Outra coisa que mudou minha vida e minha relação com meu corpo foi o Método DeRose! Pratico desde 2014 e cada vez aprendo mais, gosto mais, descubro mais. Ainda falta muito nessa jornada, mas nem consigo enumerar aqui tudo que ele me trouxe de bom, não só em termos de saúde, mas de autoconfiança, desenvoltura, e muitas, mas muitas ferramentas, pra lidar com o dia-a-dia, com minhas emoções, com a vida em geral.

Eu não sei se consegui, com esse post, responder pra minha amiga Nay como cuido da minha saúde, mas é isso aí. E sinto que ainda tenho tanto pra mudar, tanto pra aprender! Cada mês é uma nova descoberta sobre como lidar comigo mesma e com os outros. E me sinto cada vez melhor!

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

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Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

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Templo de Diana/Atemis em Nimes.

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Parque em Nimes.

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Torre romana em Nimes.

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Templo em Nimes.

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Catedral em Nimes.

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Arena de Nimes.

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Aqueduto de Pont du Gard.

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Avignon

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Mais fotos e vídeos na fã page do Facebook!

 

Ariège

Ariège – 4, 5, e 6 de julho.

Essa foi uma viagem que, apesar de que já estava planejada há algum tempo, estava parada esperando uma oportunidade. E finalmente a oportunidade veio! Tivemos a boa surpresa de que minha mãe perderia algum dinheiro no Airbnb e por isso nos disse que poderíamos usar dentro de um prazo curto, caso quiséssemos. Veja que a surpresa foi boa para nós, não para minha mãe, claro!

Pegamos nosso pequeno projeto e botamos em prática. Encontramos um lugar mais afastado e mais barato pra ficar, em uma vila entrando pelo parque natural da região (Parc naturel régional des Pyrénées Ariégeoises), e montamos o nosso roteiro. Infelizmente a caminhada que fizemos no dia anterior exigiu muito de nós e não pudemos aproveitar tanto quanto queríamos, mas ainda assim cumprimos todos os pontos importantes da região. Pegamos a estrada que passa por Puigcerdà e de lá seguimos na direção de Foix. A primeira parada foi pouco antes de Tarascon sur Ariège, para a grotte de lombrives. Infelizmente o horário que queríamos tinha sido cancelado e decidimos voltar depois.

Fomos então para o Chateau de Montsegur, sobre o qual já tínhamos lido muito, e estávamos bem empolgados! A subida da montanha onde o castelo se encontra, aliada ao calor, derrubou um pouco a empolgação, mas ainda assim a mistura de história e de uma vista absolutamente magnífica fez tudo valer a pena. Também paramos na vila ao lado para ver o museu sobre o castelo, onde aproveitamos para fazer um lanche.

O castelo foi o último reduto cátaro a cair para a inquisição. Não é um local grande, mas é certamente bem defendido. Ainda assim, os católicos tomaram a cidade em 1244 depois de 9 meses de cerco e levaram à fogueira os habitantes da cidade em uma área conhecida como Campo dos Queimados. Tudo isso para que eles entendessem a mensagem de amor de Jesus… Ver os restos da fortificação, o caminho para chegar até lá e o campo onde ocorreu essa atrocidade foram bastante marcantes, eu fiquei imaginando as cenas de horror que já haviam passado por ali e fiquei bastante feliz que mais de 6 séculos nos separavam, apesar de saber que em muitos lugares coisas de mesmo nível ainda ocorrem…

O museu possui elementos do dia a dia dos habitantes da época, um vídeo muito interessante sobre as construções na época e como eram feitas, um casal de esqueletos com marcas de ferimentos e uma das poucas atendentes da região com um inglês de bom nível. Vale a visita, ainda mais considerando que o preço já está incluso na entrada para o castelo!

Saindo de Montsegur, passamos em Roquefixade, onde há outro castelo, mas a visão da subida nos intimidou, considerando o estado lastimável que já estávamos, e seguimos direto para Foix. Valeu a pena para ver a vila em si, que é um misto de casas cuidadosamente reformadas e ruínas desmoronando. O lugar da vila também vale a visita, junto a um paredão de pedra de tamanho colossal.

Em Foix, demos uma volta pelo centro, que é bastante cosmopolita, contando inclusive com um restaurante brasileiro chamado Beija Flor, cuidado por um soteropolitano muito simpático! Infelizmente não voltamos para provar a comida, por dificuldades com o horário mesmo. Mas o que atrai na cidade é seu castelo, também no topo de uma colina. Este está maravilhosamente preservado e conta com 3 torres cercadas por uma forte muralha. As salas dentro e sob as torres foram convertidas em locais de exposição sobre a história da região. Infelizmente, muito pouco pode ser encontrado em outra língua que não o Francês. Com essa visita terminamos o primeiro dia e seguimos para nossa acomodação.

Link para ler mais sobre a história local e o catarismo!

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Chateau de Montsegur

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Chateau de Foix

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Foix

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Sobre Livros: Reflexos de JG

Hoje começa aqui no blog uma nova série de post, incluídas na categoria de Reflexos, na qual vou comentar sobre as leituras que ando fazendo, livros queridos já lidos e autores.

Passei um bom tempo na madrugada pensando sobre o nome da série, pois Reflexos já é uma categoria. Pensei muito sobre as palavras resenha ou crítica, mas elas não cabem aqui. Me explico, a resenha é muito formal, pede um formato de apreciação e informações que não me comprometo a dar, e a crítica pressupõe um nível de conhecimento especializado que também não me arrisco a dizer que possuo. Assim, sobraram os reflexos. Meus textos sobre outras obras, sejam livros, filmes, fotos, são sempre assim, meros reflexos daquelas outras artes. E como todo reflexos, carregam em si a imagem do objeto sobre a qual o reflexo se estende, portanto, aqui, o que escrevo sobre livros é o que esses livros imprimiram em mim.

Vou começar com um post sobre autor, antes de entrar nos livros em si. Um dos autores que me marcou muito na adolescência foi o Jostein Gaarder. O primeiro livro que li dele foi o Ei, tem alguém aí? (1997) que ganhei de presente de aniversário de 13 anos de um grupo de amigos que até hoje permanecem como os meus mais próximos. Esse livro está mais para infantil, ou no máximo infanto-juvenil, mas é uma excelente forma de criar interesse de crianças em filosofia e de começar a trabalhar esse tema.

Como professor de filosofia, Gaarder possui a habilidade de convidar os leitores para reflexões fundamentais da filosofia, transparecendo os conceitos filosóficos sem que eles sejam trabalhados de maneira tradicional, criando uma atmosfera de diálogo professores-alunos estilo grego, onde as perguntas e os questionamentos surgem, por meio dos diálogos de suas personagens, e o leitor é indiretamente convidado a se fazer essas mesmas perguntas e assim a construção do raciocínio filosófico se forma.

Seu livro mais didático, e minha segunda leitura dele é o famoso O Mundo de Sophia (1991), lido no ano que tinha 14, terminando logo antes do meu aniversário de 15. Para quem conhece a história sabe que isso pode ser bem relevante pro quesito empatia leitor-personagem, já que a Sophia é uma menina que está para completar seus 15 anos, e recebe por meio de cartas do pai ausente, aulas de filosofia. Apesar de amar O Mundo de Sophia, acho que dos livros do Gaarder, esse é o que foge ao padrão. Ele mantém o conflito personagem-autor, tão presente em todas as obras dele, mas por trazer as aulas de filosofia, ele se torna um romance-manual. É excelente como introdução à filosofia e recomendo fortemente para trabalhar com adolescentes (ou adultos), mas do ponto de vista da literatura não é minha recomendação número 1 do autor.

Então qual seria minha recomendação número 1? O Dia do Coringa (1990) é para mim o livro mais icônico de Jostein! Nesse livro é possível encontrar todos os traços clássicos do autor: a tênue barreira entre o real e o fantástico, que logo se rompe a favor do fantástico; as referências ao baralho; o mundo lúdico, colorido; as emoções nem um pouco infantis disfarçadas no ambiente lúdico; os questionamentos filosóficos inerentes ao ser humano, em relação ao amor, a criação e a própria existência. A história flui muito bem, prende, a leitura é fácil e o livro não é longo. Além disso, se você é, como eu, uma pessoa de imaginação fértil, vai poder aproveitar algumas das imagens mais lindas que eu já “li” na vida, na forma de pequenos objetos, cores, símbolos, que ficaram na minha mente como tokens, souvenirs, dessa leitura.

Um outro volume de Gaarder que me encantou é Maya (1999). Esse é um dos livros mais densos e de leitura mais trabalhosa do autor. O livro foge do lúdico comum e é bem adulto. Os raciocínios filosóficos são mais densos e intricados e o livro é mais longo. Ainda assim é uma excelente leitura, para quem não se importa com monólogos, personagens solitárias e um ritmo mais lento. As referência ao espírito ou energia do próprio planeta X a criação por Deus fazem o leitor repensar as relações da humanidade com o planeta, indo muito além do questionamento religioso X ateu, e pensando no papel do homem na Terra.

Uma das leituras que gostei muito foi Vita Brevis (1996)! Esse é um dos trabalhos do autor em que é possível ver a forte influencia dos estudos em teologia junto com os filosóficos, além de O Livro das Religiões (1989), escrito em parceria com  Victor Hellern e Henry Notaker. O Livro das Religiões também mistura o estilo novela-manual e é uma ótima introdução ao estudo de diferentes religiões, além de ajudar a compreender como as principais religiões se espalharam pelo mundo, sempre exigindo reflexão do leitor. Já o Vita Brevis possui uma história peculiar enquanto livro, descrita no prefácio. O autor encontrou alguns manuscritos, que diziam ser de Santo Agostinho, na feira de pulgas de San Telmo, em Buenos Aires. Interessado pelo tema, quis comprar, e achando o preço caro, barganhou com o vendedor. Um argumentava sobre a originalidade do manuscrito o outro questionava sua veracidade. No fim concordaram em um preço intermediário e Gaarder saiu do mercado dizendo que ou teria feito a melhor compra de sua vida ou a pior. Em seguida, ele solicitou ao Vaticano autorização para pesquisa e investigação da veracidade do manuscrito, que foram seguidas vezes negados. Após algumas negações, Gaarder optou por escrever uma ficção por trás da história do manuscrito, utilizando esse em meio a sua escrita. O manuscrito (dito de Santo Agostinho) são uma série de cartas, nas quais o autor (?) questiona os relacionamentos humanos, a validade/importância do casamento e o papel ou ausência desse sacramento na vida dos religiosos católicos. Gaarder fez uma edição dessas cartas e criou a correspondente, Flora Emília, que em sua avaliação teria sido a namorada de Agostinho antes que esse tomasse os votos celibatários. Realidade ou ficção, os questionamentos são válidos, e a história de amor construída é bonita, além de ser uma forma de questionar o papel da mulher na religião, e a forma como essa é vista e tratada.

Caso você queira entender o autor, mas não queira ler muitos livros, outra sugestão é O Pássaro Raro (1986), que é o primeiro livro de Gaarder, com vários pequenos contos. Para quem quer ler outros livros dele, sugiro evitar esse, pois o processo se tornará repetitivo. Nesse livro inicial a escrita do autor ainda não estava tão madura, e apesar da leitura ser leve e fácil, os conceitos não são tão bem trabalhados quanto em outros, e, principalmente, o livro é uma espécie de spoiler de toda a sua obra, pois cada pequeno conto pincela uma ideia, que anos depois o autor trabalhou melhor e deram origem a cada um de seus livros mais completos e densos. Então ler o Pássaro Raro é como ler um resumo incipiente de sua obra. Apesar dessa breve crítica, o livro é bem poético, bem mais do que obras futuras, e algumas frases que li ali nunca esqueci, o próprio conceito do Pássaro Raro é lindo!

Poderia me demorar sobre outros títulos aqui, porque tive uma fase Gaardermaníaca, e li quase todos seus livros publicados até 2001 (a fase começou nos anos 2000 e durou uns 2 ou 3 anos). Os publicados a partir de 2003 eu não li, pretendo retomar, mas já não posso comentar sobre esses.

Coloco aqui uma lista de suas obras para quem tiver curiosidade:

Pra terminar uma observação muito besta: enquanto decidia pelo título do post fiquei na dúvida entre Reflexos de Gaarder, Reflexos de Jostein e acabei optando pelo JG. Nesse processo reparei que vários dos meus autores favoritos começam com J: JK Rowling, JJR Tolkien, Jorge Amado, Jostein Gaarder, fica, quem sabe, o incentivo pra um dia eu adicionar a sigla JAR Marra (ou o JuReMa) nas prateleiras do mundo.

 

Val d’Aran

Val d’Aran – 17, 18 e 19 de junho de 2017.

No fim de semana do dia 17 e 18 nós resolvemos ir para o Val d’Aran. Já tínhamos lido muito a respeito e ouvido muitas coisas sobre o lugar, então achamos melhor ir checar nós mesmos. Saímos bem cedo no sábado e pegamos a estrada que liga La Seu a Sort, e de la seguimos até o Port de Bonaigua. Ao passar o fim do vale de Pallars Sobirà já era possível ver a beleza que aguardava no Val d’Aran. A primeira vista de um vale menor é impressionante, e a primeira cidade que cruzamos, Baqueira, era tudo o que eu imaginava que Andorra poderia ser, mas não foi: construções de muito bom gosto, mantendo um estilo montanhês ordenado e limpo, com muitas natureza em volta. Baqueira é uma cidade que recebe muitos investimentos, já que é considerada a sede das melhores pistas de esqui dos Pirineus, mas ainda assim o resto do vale não fica atrás, com muitas outras vilas de charme abundante, como Vielha e Bosost.

Começamos nossas caminhadas com a trilha que leva aos estanys de Colomèrs. Na vila de Salardú, uma estradinha simples segue por alguns quilometros até um balneário. De lá, deixamos o carro e seguimos a pé. Por um bom trecho é possível pegar um taxi que, inclusive, não sai tão caro. Mas estávamos com tempo e energia sobrando, além do Picot, que costuma não ser bem vindo em taxis… O caminho pode ser feito pela estrada mesmo ou por uma trilha, o primeiro é mais fácil, o segundo mais bonito.

Do ponto onde o táxi para, começa uma trilha com uma subida um pouco pesada e de terreno mais difícil, mas ela não dura muito e logo se chega no lago principal. A vista é deslumbrante, envolvendo montanhas nevadas muito próximas, uma água limpíssima do lago represado e das cachoeiras que desaguam nele (sim, no plural!) e um refúgio de caminhantes novo e bem cuidado. Aqui é um bom lugar para descansar um pouco e comer alguma coisa.

A trilha continua, subindo para o outro lado das cristas das montanhas, onde uma sequência de lagos menores aguardam. Todos eles vão se conectando por pequenos riachos, dos quais é possível beber água sem nenhum problema. Perdemos as contas de quantas pequenas cachoeiras vimos nesse processo. A volta passa de novo pelo lago principal e retorna pelo mesmo caminho. Esse foi um dos lugares mais bonitos que eu vi na minha vida…

Fomos ainda no mesmo dia ver Vielha, a capital do vale, e o Salt de Pish. A cidade é toda dedicada a esportes de inverno, ficando bem tranquila no verão, sorte nossa. As placas na cidade estão todas em 5 línguas (Aranês, Catalão, Castelhano, Francês e Inglês). O Salt é uma cachoeira muito bonita e acessível, uma estrada bem simples liga o vale principal a ela. Depois disso, fomos para o camping descansar.

Acho que é importante colocar que a maior parte do Val d’Aran fica do lado norte dos Pirineus, Em contraste com o resto da Catalunha, que fica do lado sul. Há um túnel gigantesco que liga os dois lados e faz com que o vale seja mais acessível. Antes disso, a região era bem mais abandonada pela administração catalã, além de mais pobre, pois o turismo não chegava com tanta força. A população local não se identifica, de maneira geral, como catalã, mas como ocitane, um grupo do sul da França com sua própria língua e tradições, ambas quase morrendo. O Aranês mesmo é uma variação de ocitane que ainda resiste. O turismo dos franceses é importantíssimo ali e é mais fácil cruzar com eles do que com catalães de outros locais.

No dia seguinte, Saímos para o Vale onde está a Cascada de Molières. Para chegar lá, é preciso cruzar o tal túnel gigantesco ao sul de Vielha. Paramos o carro em um refugio de caminhantes chamado Conangles e de lá caminhamos pelo vale, saindo com frequência da trilha e aproveitando para apreciar a vista fora do caminho convencional. Tentamos nadar em uma piscina natural, mas a água estava tão gelada que nem o Picot se arriscou muito… O tamanho das encostas aqui e a força da água que acabou de brotar das pedras impressiona bastante! Descansamos o resto do dia, pois caminhar 2 dias seguidos não é tão simples assim. Aproveitamos um pouco o camping para jogar pingue pongue e nadar na piscina, mais quente que qualquer outra água do Vale!

Saímos na segunda pela manhã e passamos em um parque/zoológico: Aran Park que existe ali. Fiquei impressionado com a qualidade dos recintos, apesar de terem pouca variedade animais. Isso se justifica pelo fato de que se focam na fauna local. OS predadores ficam isolados, obviamente, mas todos os ruminantes de montanha ficam soltos no recinto junto com os turistas, e parecem se importar pouco com a proximidade. Gostei bastante de uma parte no final sobre conscientização, com painéis interativos e fotos incríveis. Acho que vale a visita, eles parecem estar usando o dinheiro da entrada adequadamente.

Passamos logo depois disso em uma cidade francesa chamada Luchon, já que estávamos tão próximos da fronteira. Infelizmente, tudo na cidade estava fechado e não pudemos conhecer tão bem assim. Seguimos dali para Toulouse, nos afastando das montanhas pelo lado norte. Chegamos na cidade e aproveitamos para visitar nosso templo sagrado, a Decathlon. Depois disso fomos para o centro da cidade, estacionamos e fomos dar uma volta.

Toulouse é uma cidade grande e, como qualquer outra pela Europa, tem uma quantidade imensa de pessoas na rua. Também é um pouco suja, decorrente de seu tamanho também. Mas o tamanho do rio Garone na região, somado com um bom uso do espaço em sua margem, cria um local onde o pessoal se reúne e pode desfrutar de uma boa paisagem. Os parques do centro são bonitos, mas nada tão digno de nota, e sua catedral é muito peculiar, sendo construída com um misto de pedras e tijolos. No mais, a cidade é agradável, apesar do calor, e a juventude realmente ocupa as ruas, o que me agrada bastante!

Como o sol está se pondo muito tarde nessa época, ficamos até umas 21h30 na cidade. Quando percebemos, saímos correndo, pois ainda tínhamos uma estrada imensa pela frente. Voltamos pelo caminho que passa por Foix e Puigcerdà, chegando em casa às 1h30 da madrugada! Vale notar que as estradas da França que saem do país por essa região não são grande coisa. Ou são pesadamente pedagiadas, o que encarece muito a viagem e afasta os turistas de lá, ou são de qualidade duvidosa quando comparada as estradas catalãs. Ainda assim, a região merece mais visitas no futuro.

Muito mais fotos e vídeos na Fan Page do Facebook, Blog da JuReMa – Val d’Aran

Mapa La Seu - Vielha - Louchon - Toulouse - Puigcerda

1º dia – La Seu a Vielha (parada nos Colomèrs) / 2º dia – Passeios próximos de Vielha (cascada de Molières) / 3º dia – Bossots (Aran Park), Luchon, Toulouse e de volta a La Seu.

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Colomers

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Cascada de Molières

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Cascadas de Molières

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Vielha

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Luchon

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Toulouse

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Cervo recém-nascido no Aran Park. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimientos-2017/066/0 (Não tiramos fotos no parque a pedido da administração, a informação vem no folheto que acompanha a compra do ingresso. Como os animais ficam soltos, eles pedem para minimizarmos os barulhos desconhecidos, entre eles os de câmeras e flash. No site é possível encontrar imagens belíssimas, no parque há um museu interativo, e a melhor parte é poder observar e vivenciar presencialmente e não através das telas!).

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Os lobos cinzentos foram introduzidos no parque há apenas 5 meses, e em maio procriaram pela 1º vez, um marco para a história do parque que se foca muito em conservação. Essa lindeza aí, lobzeno, é uma fêmea, e a mais nova integrante do local. O Aran Park trabalha também com reintrodução na natureza de espécies ameaçadas a partir da procriação no parque, em parceria com universidades, institutos e fundações. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimiento-de-un-lobezno/068/0

Vamos ler, meu povo, que é bom demais! 

Eu sinceramente não consigo entender como esse post não nasceu antes. Minha única forma de explicar é que realmente não estava com a cabeça no lugar o suficiente. Mas antes tarde do que nunca, vamos lá.

Eu cresci com livros. Eles sempre foram meus melhores amigos, companheiros de todas as horas. Na minha casa o hábito da TV nunca foi forte. Eu já tinha muitos livros infantis e gibis da Turma da Mônica desde muito antes de aprender a ler. O processo de alfabetização veio de casa, antes da escola, e foi todo na base dos gibis. A primeira coisa que eu li totalmente sozinha foi uma história curta, dessas de uma página, do Dudu, num gibi da Magali. Nessa mesma época minha mãe tinha começado a ler Monteiro Lobato pra mim antes de dormir, e começamos por Reinações de Narizinho. Ela leu cerca de 1/3 do livro pra mim, e depois eu lia em voz alta pra ela. Começamos com aquele dedinho de criança, acompanhando linha por linha, ela me ajudando com as palavras grandes, as trocas de sílabas e no terço final eu já lia por conta, ela de frente pra mim.

Desde de Narizinho e dos inúmeros gibis, eu caí com gosto no mundo dos livros! Lá em casa, quando alguém reclamava de estar a toa, ou não ter o que fazer, a resposta era sempre a mesma: “Vai ler um livro!”. O mágico é que os livros nunca acabavam. Tínhamos todos estantes enormes, de muitas e muitas prateleiras em nossos quartos, cheia dos livros pessoais. Além disso, meus avós tinham uma biblioteca imponente, numa estante de prateleiras muito grossas, embutidas na parede, coroada por uma gigantesca enciclopédia britânica, encapada em couro claro, cada volume marcado por um numeral romano em tom dourado na lateral. Essa visão da enciclopédia, era para mim, a coisa mais simbólica do conhecimento máximo a ser atingido. Eu lidava com aqueles livros grandes e pesados, numa língua ainda desconhecida, com a reverência que nunca vi por livros religiosos na minha casa.

Eu tive as minhas versões de enciclopédia, enquanto crescia. Minha mãe e meu tio Guila colecionavam pra mim os fascículos das enciclopédias da Folha, e assim tive a Folha Ilustrada, que comprávamos na banca, outra em dois volumes, com história do mundo, uma edição de mapas com as guerras, e outras do tipo. Isso, meus caros, era como vivíamos na era pré-internet. O primeiro computador chegou lá em casa quando eu já tinha uns 10 anos e pra digitar era direto no MS-DOS (alguém aqui ainda sabe o que é isso?). Lembro quando instalamos o primeiro Windows, e o computador ficou colorido e “bonitinho”. Conexão com a internet veio anos depois, primeiro discada e lenta. Pesquisa na internet fui fazer só no ensino médio. E rapidamente os trabalhos se tornaram digitados. Foi uma senhora transição.

Que fique bem claro, eu sou hoje em dia uma aficionada pela internet e acabo passando a maior parte do dia no computador. Trabalho pela internet, assisto filmes e seriados, jogo, escrevo, enfim, vivo uma vida on-line bem intensa. Até mesmo os livros hoje em dia, com a vida nômade, opto por baixar versões digitais e ler no computador ou tablet. Parece uma outra vida, quando lembro das minhas enciclopédias em fascículos!

Nos últimos anos eu acabei, como a maioria das pessoas que eu conheço, me tornando mais viciada em internet. O celular, com todos os apps, e a possibilidade de estar sempre conectada, e muitas vezes a “necessidade” de estar conectada, criada pelas relações sociais de hoje em dia, sejam profissionais ou pessoais, fez com que meu ritmo de leitura caísse muito.

Quando era mais nova, lembro bem da ânsia por ler, em como eu contabilizava todos os livros que tinha lido no ano. Livros enormes, sagas, trilogias, sequências. Livros de autores de diversas partes. Eu amava fazer minhas análises dos livros, discuti-los com familiares e amigos, dividir leituras. Muitas vezes comprava as trilogias ou séries em parceria com minha prima Carol, cada uma bancava ou pedia pros pais um dos volumes, e íamos lendo, compartilhando. Li livros velhos, livros dos meus avós, foi um marco quando a biblioteca deles se abriu pra mim e consideraram que eu já tinha idade pra explorá-la como quisesse. O primeiro foi por indicação da minha mãe, Dom Casmurro. Meu primeiro livro “de adulto”. Logo desembestei, lia Gabriel Garcia Marques e Jorge Amado como se não houvesse amanhã. Me impressionei bastante com Cândida Erêndida e Capitães da Areia. Em vez de Lolita, minhas noções de sexo vieram dessa literatura crua, e as poucos fui desenvolvendo um gosto louco por ler cada vez mais.

Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Hobbit, Silmarillion, Musashi, e um pouco mais tarde as diversas sagas do Bernard Cornwell, como as Crônicas de Arthur, e depois o Sharp, me encantaram loucamente. Sempre amei os mundos fantásticos. Mas ou mesmo tempo fui fisgada pela literatura social, e com Carandiru, do Varella, e Esmeralda, porque não dancei? fui me habituando a ler sobre outros temas, e criar uma visão crítica de mundo.

Os volumes foram tantos, que aos 18 já tinha minha mini-biblioteca, quase tão grande como a dos meus avós, mesmo considerando que muitos eram trocados. Frequentei bibliotecas diversas, e tive uma fase de ler todos os Sci-Fi do Lundum na biblioteca da escola de inglês. Austen e as irmãs Bronte vieram também, e depois Dickens me ganhou o coração! Li muitos clássicos da literatura, brasileira e mundial, alguns obrigatórios na escola, mas a maioria por gosto e curtição.

Aí veio a faculdade e a falta de tempo, e a necessidade de ler por obrigação e comecei a ler por gosto cada vez menos. De mais de 30 livros por ano, passei pra 3! Ainda assim mantive a curiosidade. Li muita literatura de consumo rápido nesse período, para compensar a densidade dos estudos. Best-sellers, livros comentados por muita gente. Depois, quando saí da faculdade, tive uns tempos difíceis, as emoções não andavam boas e foi um período de muita televisão.

Sim, a TV anestesia a mente, e o luto agradece. Antes desse período não tinha hábito de ver séries. Nem Friends, que acompanhou a adolescência, ou Gilmore Girls, eram seriados que eu via sistematicamente, só quando por acaso estavam passando quando eu ligasse a TV. Nesse período comecei a assistir acompanhando, na ordem. Até porque, com a internet, isso ficou mais fácil. Depender das TVs por assinatura, com mil repetições dos mesmo episódios e semanas entre eles era uma fase bem difícil e obscura para os apaixonados por séries.

A literatura foi voltando tímida pra minha vida. E um ponto chave, foi quando comecei a escrever. Comecei esse diário antes do blog, em arquivos esparsos no meu computador. Com o tempo fui organizando e criando coragem para colocar tudo aqui. Nessa época, descobri o gênero “auto-ficção”, termo ainda hoje pouco conhecido, e difícil de classificar. Acabei lendo coisas “classificadas” assim, e outras que não tinham a classificação, mas, na minha humilde opinião, o eram. Me debrucei sobre Munro, e li mulheres sistematicamente. Brum, Saavedra, Falção,Torres, reli Lispector, reli Meireles. Assim nasceram meus primeiros textos da menina. Depois fui abandonando o eu-lírico de terceira pessoa e comecei a escrever como se conversasse com os possíveis leitores.

Voltei pra academia, mestrado, e surgiu uma nova fase triste da literatura na minha vida. Li muito pouco. Essa coisa de estudar textos densos me afasta da leitura por gosto. Além disso, a ansiedade, e mil outros sentimentos negativos que me acometeram nessa experiência acadêmica, me fizeram viciar fortemente na internet. Ficar 2h por dia ou mais vendo bobagens, de vídeos de gatinho a receitas on-line que eu nunca iria fazer.

Ganhei o Walden pouco antes de entrar no mestrado, li os primeiros capítulos, ele acabou ficando na espera! Que triste isso! Nos últimos meses, passados 2 anos e meio dessa espera, resolvi voltar, com afinco. Entrei por um convite maravilhoso para um grupo de leitura de literatura brasileira e estou tendo o prazer de reler os nossos clássicos, além de alguns outros que não conhecia antes. Também retomei meu projeto leia mulheres e estou com algumas na lista, Ana Maria Gonçalves, Elena Ferrante, Margaret Atwood. E o Walden tá quase acabando, finalmente!

Com a volta desse hábito lindo na minha vida diminuí muito o tempo de internet. E estar vivendo numa cidade pequena, sem conexão no celular fora da wi-fi, acampando muito, passando dias na montanha e na estrada, têm sido fundamental para rever esse hábito. Agora que já estou bastante envolvida com os livros de novo, às vezes venho ao computador, conferir uma data, um fato, outros livros do mesmo autor, e não tenho mais vontade de ler todas as noticias do dia, atualizar todas as mídias sociais, ou responder todas as mensagens. Passou! Faço o que vim fazer, abaixo a tela e volto pro meu livro. E é tão bom!

Aceito sugestões de leituras nos comentários! Ando querendo voltar pros mais de 30 livros/ano! E caso queiram, posso dar umas listas com indicações também! Vamos ler, meu povo, que é bom demais!

 

A prata da casa

Nós geralmente contamos das viagens que fazemos pela Catalunha toda, e algumas vezes até além disso. Mas eu reparei que muito pouco foi dito da região próxima a La Seu. As grandes belezas naturais estão mais afastadas da cidade que a gente escolheu, é verdade, mas algumas pequenas jóias podem ser encontradas por perto, e resolvi dedicar um post para este assunto. Ainda mais com a nossa nova busca por locais adequados para banhos!

Organyà – Para começar a lista, essa cidade que a primeira vista é só uma passagem na estrada. Nela, contudo, estão alguns grupos de paraglider, o que já a torna um destino interessante. Porém, o mais valioso, para nós pelo menos, é um rio que cruza ao sul da cidade. Nele é possível encontrar pelo menos 4 cachoeiras, além de algumas piscinas naturais. O lugar, além de muito bonito, é pouco frequentado, o que torna muito agradável nadar por ali. A água é um pouco fria, mas nada perto do que encontramos em outros locais por aí. Temos ido com frequência, tentando nos refrescar no verão abafado da cidade.

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Tost – Uma vila toda em ruínas, exceto pela igreja, reformada e trancada. Além da diversão de explorar uma cidade abandonada e tomada por plantas, o lugar tem também uma figueira imensa crescendo dentro de uma de suas casas. Eu estou tentando monitorar o crescimento das frutas, que devem amadurecer logo mais, para tentar fazer uma colheita!

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Coll de Nargó – Outro cantinho bom para um banho de rio! A piscina natural daqui é maior e mais conhecida. Dividimos ela com muitos jovens e algumas outras pessoas não tão jovens assim. É bacana para quem quer realmente nadar ou socializar. Tem um poço menor um pouco acima do lago principal que é pequeno, mas muito profundo, e imagino que pode ser perigoso para crianças…

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Camarasa – Já não tão perto assim, mas ainda possível de fazer um bate-e-volta sem cansar muito, está a praia fluvial de Camarasa. Ali, o rio Segre é limpo e volumoso, seguindo com uma forte correnteza perto de uma ponte antiga e desabada. Algumas pessoas se aventuram a pular da ponte, alguns de um trecho mais baixo, onde a pilastra desabou, outros do topo, arriscando ferimentos na perna. Há também uma região onde o rio é mais suave, mas não chegamos a explorar porque havia um pessoal com cães soltos e tentávamos evitar encrenca para o Picot.

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(obs: vídeos disponíveis na fanpage do Facebook, inclusive um muito lindo do Picot pulando que nem um cabrito na praia fluvial de Camarasa).

13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Road trip 3 (II)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Dali até Pamplona a viagem foi rápida. Chegamos no meio da tarde e rapidamente nos localizamos. A cidade é até que grande, mas muito bem construída, de maneira que fica fácil se orientar por ela. Encontramos o hostel, onde o atendente foi absurdamente simpático. Nos explicou um pouco sobre a cidade e nos deu um mapa, além de me ensinar a falar obrigado em Basco (eskerrik asko)! Não sabia que Navarra também compartilhava a nacionalidade Basca e fiquei encantado com o quanto a língua deles é diferente, em todos os sentidos. Descansamos um pouco e tomamos um banho antes de sair novamente, o calor estava matando a gente!

(Obs da JuReMa: amamos o Hostel Xarma onde nos hospedamos em Pamplona. Além de sermos ultra super bem recebidos, ganhamos mapa, o Picot foi super bem aceito, o Hostel tem uma politica animal friendly! A cozinha pode ser usada sempre, entre 10h30 e 22h30 para preparação individual de alimentos. O café da manhã é incluso no preço e chá e café são gratuitos 24h, você só precisa esquentar sua própria água na chaleira /ou na cafeteira elétrica deles. Os quartos contam com opções coletivas, mais baratas, ou para duas pessoas, casal ou não. Pegamos uma de casal para acomodar o Picot melhor. Os banheiros são coletivos. Tudo muito limpo, charmoso e agradável, além de bem localizado!) 

A cidade de Pamplona (Iruña, em Basco) foi o ponto alto da viagem! A cidade funde o que existe de bom com o que poderia ser ruim mas acabou sendo bom também, e logo me explico. As construções das muralhas, das catedrais e de todo o centro velho se fundem com grupos imensos de jovens, idosos e adultos utilizando o espaço público. O uso da língua Basca e do castelhano se misturam em boa dose e sem presunção, respeitando o turista e o migrante ao mesmo tempo que valoriza o aspecto local. Sem presunção também são os estilos dos jovens, que não parecem se vestir necessariamente com a última moda ou para impressionar. Não é fácil encontrar pessoas super produzidas, mas é comum que cada um respeite seus gostos individuais ou coletivos. O resultado é uma mistura bastante saudável de velhos e novos figurinos que, de maneira geral, parecem feitos para agradar a quem veste, e não os outros. A cidade conta com muitas pichações e cartazes, mas todos em absoluto pedindo por mais liberdades, contra violências de todo tipo e pedindo melhorias no governo federal espanhol (notadamente a instauração de uma república – pra quem não sabe a Espanha é um reinado). As pessoas na rua param para puxar assunto sem mais nem porquê (apesar do Picot ter sido um assunto recorrente) e são agradabilíssimas. Assim, a cidade se enche de vida, de protestos, de história, de barulhos que provam que as pessoas ali tem uma vitalidade que dificilmente pode ser explicada!

Esse comportamento é condizente com a consrução da cidade, uma miríade de muralhas, passadiços, igrejas, fossos e fortes. As vezes é difícil saber pra onde se está indo, mesmo com um mapa, mas isso nunca tem problema, porque certamente o caminho será agradável. Passamos por pessoas bebendo, discutindo política, fazendo atividades circenses ou só passeando com o cachorro. Pasaamos por parques bem cuidados, um fosso transformado em granja para galinhas, patos e marrecos, por muralhas com uma vista surpreendente para o vale em volta.

Dormimos um pouco mais para recuperar nossas forças e saímos em torno das 9h30 de Pamplona. A viagem até Logroño foi tranquila. Lá, conhecemos uma cidade que parece bastante jovem. O centro velho é pequenino, mas muito bem cuidado, e a catedral é dedicada a Santiago, como tudo mais por ali. Me encantei com um parque que fica na beira do rio Ebro (nota: a palavra Ibéria vem desse rio, que os romanos usavam pesadamente) e com a Gran via deles (Juan Carlos I), uma avenida muito larga e com uma parte da calçada coberta pelos prédios, o que faz com que caminhar por ali seja muito agradável em dias ensolarados! Essa avenida me lembrou muito Lisboa, mas como já faz quase 20 anos que visitei Portugal, acho que precisarei voltar para poder ter certeza que a comparação foi boa!

O caminho para Saragoça foi quente, muito quente. Mas pior que isso foi a temperatura em Saragoça em si. Ao chegarmos, vimos o termômetro subir de 33°C para 36°C antes mesmo de parar o carro! O calor nos desaminou muito, e acabamos rodando muito menos do que gostaríamos. Vimos um pouco do centro velho, a praça em frente ao mercado onde há uma estátua de Augustus Cesar e, claro, a Catedral. Na verdade, não tem como não ver a catedral, já que ela toma conta da paisagem na beira do rio, com o seu tamanho e sua imponência. Ao tentarmos atravessar a praça, que é um grande descampado, o Picot começou a saltitar por causa do chão queimando suas patas, e tivemos que correr para a sobra com ele. A Ju até agora não se recuperou dessa cena. Entramos em turnos na catedral para poder cuidar do Picot. O que impressiona lá não é só o tamanho, mas o capricho com cada detalhe. Poucas das catedrais que eu já vi rivalizam com essa.

Ainda em Saragoça vimos um monumento em homenagem à America Latina ( o que me deixou especialmente feliz!) e uma estatuazinha de um cavalo de brinquedo, que deixou o Picot muitíssimo curioso. ele cheirava a estátua, tentando descobrir se era um animal de verdade. Um senhor parou para conversar com nós sobre como ele gostava da estátua e tudo mais, mas a Ju teve que traduzir pra mim, porque eu não entendi uma palavra do que ele disse… Dali fomos até o parque do outro lado do rio onde o carro estava e, antes de pegar a estrada de volta, tomamos um banho nas fontes, todos os três.

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Pamplona (inicio do passeio, recuperados do calor!)

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Catedral de Pamplona

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Centro de Pamplona

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Uma das inúmeras fortificações de Pamplona, hoje uma espécie de granja, com cervídeos, pavões, galinhas, patos, etc. 

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Dentro da Cidadela de Pamplona

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Não lembro o nome da cidadezinha, paramos no caminho só pra ver essa ponte! 

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Águas do Ébro, chegada a Logroño

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Ponte sobre o Ébro

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Logroño

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Igreja de Santiago

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Ponte sobre o Ébro, saindo de Logroño

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Zaragoza

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A (imensa) Catedral de Zaragoza

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Memorial da América Latina 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !