Dicas de Filmes – 1º parte: Filmes para Entender o Mundo

Esses dias um amigo fez um post no Facebook pedindo sugestões de filmes. Fiquei um bom tempo pensando, já que ele se declara um não fã de cinema e queria conhecer. De tanto pensar, me veio a ideia de fazer esse post.

Vou dividir minhas sugestões em tópicos, para auxiliar nas escolhas de quem quiser pegar as dicas e fazer umas maratonas de filmes com muita pipoca e chocolate em casa!

Tendo feito uma primeira seleção de cinco títulos, organizados sob o tema: Para entender o Mundo, convidei o André para escrever um pouco sobre cada um deles! Nos próximos posts dessa série vamos comentar juntos outras categorias de filmes, como drama, ação, suspense, e categorias temáticas, como a de hoje, unindo filmes por um fim condutor próprio, como Homem X Natureza, e outros do tipo:

(by André):

O primeiro quinteto de filmes que sugerimos são focados em denuncias e abusos do sistema capitalista. Claro que, como sempre, sofrem os mais fracos. Por isso são filmes um pouco mais difíceis de se achar, pois dependem que pessoas que não sofram diretamente a violência e tenham o senso de justiça para denunciá-las. Também são filmes que raramente ganham algum prêmio, já que o destaque deles certamente faz com que alguns grupos influentes percam prestígio e, consequentemente, dinheiro.

Dá pra perceber pela lista que fizemos que a África é tema recorrente para falarmos de exploração e abusos. Dois filmes se passam integralmente nele e outro tem uma extensa parte sobre o continente. Lá, nem as leis são consideradas leis pelos órgãos internacionais e nem as pessoas são consideradas pessoas pela mídia internacional ou pelas empresas. Basta ver o destaque que algumas poucas mortes na Europa ou Estados Unidos recebem, quando comparado com massacres gigantescos na Nigéria ou na Republica democrática do Congo (onde, aliás, os belgas mataram mais congolenses do que Hitler matou judeus…). O resultado disso é o aproveitamento de diversas indústrias para ampliar seus lucros a todo custo.

Outro tópico importante de se ressaltar na nossa lista é o papel da ignorância para que tais atividades continuem funcionando. Em todos eles, a falta de conhecimento do público geral sobre as atrocidades cometidas faz com que não haja pressão para mudanças. Muito mais seguro para os investimentos assim, pois o silêncio de alguns jornais, seja com propina ou assassinatos, sai mais barato do que comprar parlamentares ou juízes em nações desenvolvidas para evitar punições, e ainda ter que arcar com os custos da perda de reputação.

Alguns deles trabalham também a sinergia de corrupção entre companhias e políticos. Claro, todos nós gostamos de pensar que o “mundo ocidental” é democrático. Mas por isso mesmo fechamos os olhos para a velocidade com a qual o capital mobiliza parlamentos e presidentes por trás dos panos, às vezes compartilhando os espólios de suas empreitadas, às vezes fazendo o trabalho sujo que os próprios governos não querem fazer. O resultado é a venda de uma imagem adorável e trabalhadora para a população, mérito dos infames marqueteiros, mas uma realidade asquerosa de compactuação com o que há de mais deturpado na sociedade.

Imagino que conseguimos cobrir uma gama de setores escusos com esses filmes, com carne, armas, fármacos, petróleo e jóias. Claro, há muitos mais filmes, mas esses são diversificados e com qualidade garantida!

  1. Filmes para entender o mundo 
    1. Cowspiracy (2014)
    2. Terra Prometida (2012)
    3. Senhor das Armas (2005)
    4. Diamantes de Sangue (2006)
    5. O Jardineiro Fiel (2005)

Saúde

Há uns tempos atrás uma amiga muito querida me pediu/sugeriu escrever um post sobre saúde. No começo resisti muito, pois não sou nada da área de saúde e não posso ficar dando conselhos sobre isso por aí. Mas depois reli a sugestão dela e me veio na cabeça escrever sobre o que sempre escrevo: sobre mim! Sobre minha experiência, minha história, meu diário.

Vou contar um pouquinho do meu histórico aqui: nasci prematura, de 7 meses, pesando pouquíssimo mais de 1kg, para o desespero da minha mãe. Mas não tive nenhuma sequela. Na verdade, menos de 12h depois do meu nascimento, já não precisava de nenhum cuidado especial, nem os que normalmente crianças de 9 meses precisam. Mas não conseguia me alimentar. Fui alimentada por sonda por 45 dias, com leite materno, da minha mãe e de muitas mães de leite que eu tive!

Esse fato poderia ser irrelevante não fosse o detalhe que ele provocou na minha mãe e na minha avó: as obsessões alimentares. Ambas sofriam de anorexia, não diagnosticada, mas bastante óbvia se acompanhada de perto. Acho que quando eu nasci ainda não sofriam, ou não estavam em período de crise, mas ambas tinham problemas com depressão, ansiedade, minha mãe teve em diversas ocasiões crises de pânico, e no final da vida de ambas a anorexia se tornou evidente.

Desde sempre lembro de minha avó fazer comentários um tanto quanto maldosos sobre o peso, dela, meu, de primas, da minha mãe, e outras pessoas. Então creio que mesmo que não estivessem sofrendo com o baixo peso excessivo naquele momento, o tópico dos transtornos alimentares sempre esteve ali, rondando, sabe?! Mas o fato de eu ter nascido prematura e muito pequena teve um efeito, positivo ou negativo é discutível, e ambas me empanturraram de comida na infância: óleo de fígado de bacalhau, Biotônico Fontoura com sementes de sucupira mergulhadas, pernas de rã (que eu não gostava), rins (sempre odiei), foram uma infinidade de suplementos famosos na época que fizeram parte da minha dieta.

Resultado: aos 8 anos deixei de ser a menininha magrela que tinha sido até então e entrei numa fase mais cheinha, que demorou pra acabar, e que se de um lado me superalimentavam, de outro faziam os comentários ácidos sobre peso e aparência, e isso gerou uma pré-adolescência bastante sofrida em termos de auto-imagem corporal. Isso vem, pra mim, do lado negativo.

Do lado positivo, vem a combinação de uma mãe hippie e uma avó criada em fazenda. Sempre comemos tudo feito em casa, com muuuuuita fruta, pomar em casa, horta, muita verdura, muita planta. A sobremesa de segunda a sexta era fruta. Durante as refeições só água. Sucos como lanche da manhã ou tarde. Nada industrializado. Nos fins de semana, às vezes um refrigerante ou uma sobremesa feita de chocolate, leite condensado, essas coisas, mas eram eventualidades. Nunca me foram proibidos, mas foram desencorajados. Até porque, lá em casa, o que era visto como relíquia, tesouro, algo a ser desejado, era uma boa goiabada com queijo de fazenda, doce de fruta em calda, pudim de leite, ou ambrosia goiana (a versão da família da minha avó, o famoso “doce de ovos”, era muito melhor que qualquer ambrosia que já tenha comido fora de casa!).

Com minha mãe veio o hábito das vitaminas, abacate, castanhas do pará (ou do Brasil, como tem sido chamadas), leite de soja. Além da babosa no cabelo, cultivada em casa (o famoso aloe vera), o creme de abacate no cabelo, o chá de camomila no meu cabelo loiro da infância, o óleo de uva na pele, e essas coisas que hoje em dia estão sendo consideradas o máximo em termos de produtos de beleza orgânicos e naturais, e que na minha infância eram apenas os reflexos hippies de quem acreditava num mundo mais natural e ao mesmo tempo não tinha grana pros produtos industrializados. Aliás, minha mãe ficaria entre o irônica e furiosa com os preços cobrados hoje em dia por uma vitamina de abacate ou um xampu de aloe vera.

Mas essa mistura me fez crescer num ambiente que foi marcado por uma alimentação saudável, em sua maior parte, e por pessoas que evitavam correr para os remédios convencionais. Minhas dores de ouvido eram tratadas com compressa de farinha de mandioca, e a dor de garganta com chá de gengibre, cravo e canela que dava suadouro. A tosse do inverno com café com uma colherinha de manteiga e mil outras crendices, que sem entrar na discussão de se funcionavam ou não, se são respaldadas pela medicina atual ou não, de fato, fizeram com que eu crescesse bem, saudável, com peso e altura sempre muito elogiados pelos pediatras e sem me entupir de remédios. Aliás, remédios eram vistos como última instância, e mesmo assim, na maioria dos casos, homeopáticos.

Eu cresci então com essa visão, mas só anos depois, e bem recentemente, percebi o impacto real dela em mim. Até hoje tenho mania de tentar resolver e definir tudo pela alimentação e hábitos relativos ao sono, controle do estress, cansaço, etc.

Em outros pontos a criação não ajudou muito. Embora meu avô tenha insistido que aprender a nadar era uma questão de sobrevivência, e antes dos 2 anos eu já nadasse sozinha e sem boias, numa piscina que não dava pé, e tenha feito natação até os 18, a prática de atividade física regular não era uma coisa vista como essencial. E demorei muito pra encontrar um jeito de manter o corpo em movimento na vida adulta que eu gostasse. Sempre odiei os esportes competitivos. É uma visão bem pessoal.

Mas o resumo é que nunca fumei, muitos em minha família fumaram e eu odiava com todas as minhas forças. Bebi muito pouco, em uma breve fase que logo abandonei, e agora já completo anos sem álcool. Nunca, Jurema? Nunca, nem uma tacinha, nem às vezes. Não!

Então, para falar de saúde, primeiro tenho que deixar isso claro. Nunca usei aparelhos dentários, nunca tive cáries, nunca fiz cirurgias, nunca fumei, não bebo uma gota há anos, não uso drogas e entorpecentes de nenhum tipo, cresci com uma alimentação bem saudável, que vem se tornando cada vez mais. Não como carnes de nenhum tipo há anos também. Sempre bebi muuuuuuita água, e chás!

Com meu marido, aprendi que o chá muito quente pode fazer mal ao estômago, por danificar aos poucos a mucosa, com o líquido muito quente. Fui pesquisar e descobri que é por isso que as xícaras de chá orientais não possuem local para segurar afastado do copo. Se estiver muito quente para segurar com a mão cheia, não deve ser ingerido, e passei a adotar a técnica. Só bebo o chá quando consigo segurar a xícara com ambas as mãos por pelo menos um minuto sem sentir incômodo.

Sempre que me sinto mal, o que não é frequente, analiso bem minha situação emocional, as mudanças de vida, a alimentação, e tento trabalhar isso antes de recorrer a remédios. Aprendi com o tempo os efeitos que o clima tem em mim, não lido bem com o calor forte, especialmente o mais úmido, tenho respeitado mais minha digestão, e meu corpo, meus horários naturais de sono, de ir ao banheiro, etc.

Algumas coisas e pessoas foram e são fundamentais nos meus processos de auto-conhecimento e saúde. Um dos que mudou minha vida foi um nutricionista, de Brasília, que me ajudou na transição para o vegetarianismo, e também me ajudou muuuuuito com auto-conhecimento. Foi uma das pessoas que mudou minha vida. Outra foi uma médica homeopata em São Paulo, a única que resolveu depois de 17 anos, meu problema com cólicas menstruais. Dos 12 aos 29 sofri horrores com cólicas, com mil histórias tensas, de ter que ir da escola para o hospital, de tomar superdose de medicamentos para cólica, enfim, sofrimentos variados, e infelizmente, considerados normais, por muitas mulheres. Há 2 anos e meio não sinto mais cólicas debilitantes, minha menstruação não é mais um período temido e sofrido, e embora às vezes ainda tenha cólicas leves, aprendi como resolvê-las e aprendi a me respeitar nesse período, me recolhendo mais, e respeitando minhas necessidades de descanso e paz!

Outra coisa que mudou minha vida e minha relação com meu corpo foi o Método DeRose! Pratico desde 2014 e cada vez aprendo mais, gosto mais, descubro mais. Ainda falta muito nessa jornada, mas nem consigo enumerar aqui tudo que ele me trouxe de bom, não só em termos de saúde, mas de autoconfiança, desenvoltura, e muitas, mas muitas ferramentas, pra lidar com o dia-a-dia, com minhas emoções, com a vida em geral.

Eu não sei se consegui, com esse post, responder pra minha amiga Nay como cuido da minha saúde, mas é isso aí. E sinto que ainda tenho tanto pra mudar, tanto pra aprender! Cada mês é uma nova descoberta sobre como lidar comigo mesma e com os outros. E me sinto cada vez melhor!

Dicas de Road Trip – Pegando a estrada

Sei que o André já está comentando bastante sobre as dicas relativas a viagens de carro nos posts sobre viagem dele, mas considerando a última que fizemos, acho que o tema merece um post próprio focado em dicas práticas sobre o tema.

Desde que tenho carteira faço viagens de carro, sempre fiz o trajeto Brasília-Pirenópolis várias vezes ao ano, e depois, com a mudança pra São Paulo, fiz BSB-SP algumas vezes, além de várias outras mais próximas da capital paulistana, como idas a Paraty, Trindade, Campos do Jordão, Monte Verde, São Francisco Xavier e outras.

Quando viemos morar na Espanha, um dos debates foi: ir para uma cidade maior (como Barcelona) e viver de transporte público, como fazíamos em SP, ou pro interior e ter carro? Essa discussão foi revisitada por muito planejamento financeiro e também pelos nossos objetivos. Como estamos trabalhando pela internet, o local de moradia não era definitivo, e depois de muitas contas na ponta do lápis, percebemos que valia mais a pena, pro nosso perfil, procurar um aluguel baratinho, nas montanhas e ter um carro para os deslocamentos fora da cidade (que dá pra atravessar a pé em 8 min). Isso facilitou muito nosso acesso às trilhas de montanha, e paisagens naturais escondidas, além de nos proporcionar as viagens de carro, que acabam saindo por um custo bem mais baixo que se fizéssemos de trem ou ônibus.

Essa discussão aliás, foi muito bem tratada pela Mari e pelo Plácido do Livre Partida, nesse vídeo aqui sobre Mochilão X Overlander (o termo usado para quem viaja de carro), e eu fortemente recomendo que assistam e pensem na reflexão deles. Nós, assim como eles, preferimos estar em meio a natureza, e aproveitar a viagem de forma menos tradicional, mas longe dos centros urbanos e dos pontos turísticos tradicionais, e conhecendo trilhas e lugares mais distantes e com isso a road trip se torna a opção mais viável.

Outra questão, a respeito da viagem de carro, é que sempre existem duas opções: pegar as rodovias expressas ou vias alternativas. As autopistas são mais bem pavimentadas, com velocidade mais alta (entre 110 e 130 km/h na maior parte das vezes) e também geralmente pedagiadas (na Espanha os pedágios são mais raros e menos caros, na França são comuns e mais caros, mas bem sinalizados com vias alternativas sugeridas, na Itália todas as rodovias são pedagiadas, os pedágios são muito caros e as vias alternativas não são sinalizadas). Um momento que nos assustou muito na Itália, foi que para cruzar os Alpes, de Aosta para Chamonix, passando ao lado do Mont Blanc, o pedágio do túnel, apenas do túnel, é de $45,00 euros!!! Existe a opção de passar pelo Col (como a maioria dos portos de montanha e picos são conhecidos – embora um italiano nos tenha corrigido para Piccolo – e aí é de graça, embora mais lento, por St. Bernard.

As vias alternativas às vezes são muito pequenas e estreitas, e em algumas de montanha não dá pra passar dos 40km/h, mas outras vezes são boas estradas de mão dupla, nas quais é possível chegar entre 80 e 100km/h. Eu confesso que prefiro mil vezes dirigir nas vias alternativas do que nas autopistas! Nas autopistas não consigo ver nada da paisagem por conta da velocidade e a tensão ao volante é bem maior, já que os carros tendem a ir em velocidade bem mais alta e as ultrapassagens não param, e os ombros acabam bem mais cansados de manter um carro pequeno nos eixos a essa velocidade. Além disso têm os pedágios, que variam de $2,00 a $40,00 dependendo do trecho e do país. Na França pegamos dois trechos longos, entre Annecy e Lion por cerca de $19,00 euros e depois um de Lion a Brive la Gaillard, por cerca de $16,00 euros, o que encarece bastante a viagem.

Nas pequenas, além de evitar o pedágio, eu consigo ver melhor a paisagem, encostar o carro para apreciar uma paisagem, e as saídas para pequenas cidades encantadoras, para comer algo ou usar o banheiro se tornam muito mais fáceis e acessíveis. E o estress com a direção diminui muito. O tempo é mais longo, mas caso você não tenha pressa, eu acho que vale a pena.

Passados esses temas do tipo de via e do pedágio, outro tópico é a gasolina. Aqui na Europa é possível comprar uma variedade de carros pequenos à diesel, mas, infelizmente, acabamos comprando nosso Ka a gasolina. O diesel é subsidiado e bem mais barato. O preço de todos, diesel ou gasolina, tende a variar de um posto para outro (convém reparar na marca do posto e traçar um paralelo, pois de um país para outro a marca cara pode ficar barata e vice-versa), e o preço por país. Aqui na Catalunha o preço da gasolina não passa de $1,20/L e às vezes conseguimos por menos $1,10, $1,15, com facilidade. Na França encontramos em torno de $1,30, às vezes $1,40 e na Itália era quase impossível conseguir por menos de $1,50/L, e isso encareceu bastante a road trip por lá. Outro item relevante é a região dentro de cada país. Locais mais ermos e montanhosos, especialmente próximos de estações de ski, ou lugares excessivamente turísticos, que atraem um público mais disposto a gastar, a gasolina tende a ficar mais cara.

Para fazer road trips é essencial ter dinheiro em notas e moedas, o famoso cash, pois muitos dos pedágios e dos postos só aceitam essa forma de pagamento. Muitos até dizem aceitar cartão, mas na hora do vamos ver não é bem assim, a máquina de cartão às vezes está fora do ar, ou o cartão simplesmente não passa, então pra não ficar na mão, tenha em espécie. Os pedágios e os postos costumam aceitar todas as moedas, menos as de 1 e 2 centavos (que pelo peso muito leve não são computadas pelas máquinas) e não dão troco para notas acima de $50,00 euros. De preferencia, tenha moedas de $0,10, $0,20, $0,50, $1,00 e $2,00 e notas de $5,00, $10,00 e $20,00. Assim você estará seguro!

Pros brasileiros acostumados a frentistas, o ato de colocar gasolina pode ser um desafio. Te garanto que colocar a gasolina no tanque é fácil, é só apertar o gatilho da bomba e dar um tranco se ele parar antes de encher. O difícil é pagar! Cada posto é de um jeito: pós-pago, pré-pago, só cartão, só espécie, na bomba, no caixa, varia muito. Estude com calma suas opções antes de tentar por o combustível. Alguns postos dão mais de uma opção, inclusive alguns da Itália tem bombas com frentista e outras self-service, e as com frentista possuem preço mais alto.

Outro detalhe são as cores das placas. Geralmente placas de fundo branco e letras pretas sinalizam pequenas cidades. Placas de fundo azul ou verde com letras brancas indicam as grandes cidades e as autopistas. Mas a sinalização engana. Na Espanha e na França as placas verdes tendem a ser não-pedagiadas e as azuis em geral possuem pedágio, na Itália é o contrário, verdes com pedágio e azuis não. Isso confunde bastante. Também, dependendo do trecho que você pegue da autopista, pode escapar do pedágio. Um bom truque e fazer o mapa no google maps selecionando a alternativa: evitar pedágios. Eu sempre prefiro salvar o mapa offline e tirar umas fotos dele, pois nem sempre na estrada há sinal. Não sei se confunde mais ou se ajuda, mas na Wikipedia é possível achar uma tabela comparativa dos sinais de trânsito europeus em diversos países. No site Auto Europe também é possível encontrar muita informação útil.

Para poder dirigir na União Européia, sendo brasileiro, basta que você tenha uma carteira de motorista brasileira válida, e solicite sua habilitação internacional, que é solicitada junto ao Detran da mesma cidade de origem da sua habilitação, mediante pagamento de taxa, mas sem necessidade de exame ou prova. A validade da habilitação internacional é a mesma da nacional.

Por fim, o tópico estacionamento é relevante! Existem claro, os parkings pagos, com catraca, iguaizinhos os brasileiros, e o preço varia muito de local pra local, dependendo da concorrência. O que confunde mesmo são as vagas de rua, geralmente vagas de baliza, espalhadas pelas cidades. Na maioria das vezes elas são colour-coded: as brancas tendem a ser livres, as verdes e azuis pagas. Mas não é tão simples. Algumas áreas são reservadas para moradores da região que possuem uma permissão especial colada no vidro, outras tem horários restritos para não moradores. Algumas apesar de serem pagas, se tornam gratuitas em alguns dias e horários. Para descobrir só lendo as placas e a máquina de pagamento de cada estacionamento. Geralmente a placa e a máquina estão escritas apenas na língua local e geralmente aceitam apenas moedas de 0,10 a 2,00. Após desvendar os mistérios e conseguir um tíquete pago, coloque-o no painel do carro, visível pelo vidro e dê seu passeio, mas de olho no relógio! O valor é pago por hora, adiantado, e se sua hora acabar podem rebocar seu carro.

Outro detalhe é atentar para as placas temporárias, colocadas sempre que há algum evento especial, como corridas de rua, festas, etc, que podem tornar uma parte da rua interditada para estacionamento por um período específico. Leia com atenção, para não ter o carro rebocado.

Uma boa alternativa, pra quem gosta de andar e tem tempo livre, é procurar o parking de motorhomes das cidades. As cidades europeias, das grandes às pequenas, tendem a ter um parking não pago, fora da cidade, específico para motorhomes e campervans, equipados com tomadas e locais para troca de água desses veículos. Lá é possível estacionar qualquer carro, desde que haja vagas, sem pagar. O único detalhe é que são sempre bem afastados do centro, e se a cidade for grande a caminhada será longa. Sempre existe a opção de pegar um transporte público até o centro nesses casos, o que geralmente sai mais barato do que o estacionamento no centro, além de dar a tranquilidade de passear sem vigiar o relógio.

Farei outro post dessa série, sobre outras dicas práticas para road trips, como alimentação, uso de banheiros, e como lidar com o calor ou frio extremos. Mas por enquanto, o básico para pegar a estrada está aqui! E claro, sempre faça uma direção defensiva!!!! Existem loucos dirigindo por aí em todo canto! Segurança sempre!

 

Vivendo com pouco e aprendendo com muitos

(Texto de junho/17 – adiantamento por motivo de férias em julho!)

Estou aqui aproveitando uma semana de chuva, longe das minhas caminhadas, e já que estou indoors sigo com os outros projetos, muita leitura, muitos post escritos adiantados, muita escrita e pesquisa. Em julho faremos uma viagem longa, de carro, e ficaremos sem wi-fi por mais de duas semanas. Na volta contaremos aqui sobre tudo e certamente teremos muuuuuuitas fotos! E mais pra frente, até o final do ano, estamos com outros projetos que não sei classifico de ambiciosos ou despretensiosos. Contraditório? Sim! Fato é que queremos botar o pé ainda mais na estrada e viver “on the road” por um ou dois anos, quiçá mais, veremos.

Com esse plano, estou procurando tudo que posso sobre van, modificações, e todos as peculiaridades de uma vida ao ar livre. Já demos um upgrade nos equipamentos de camping, fogareiro, panelas, bolsa “geladeira”, e coisas assim. Agora estou selecionando lanternas, lampiões e ventiladores com recarga USB, e outros detalhes da vida nômade.

Nesse processo tenho me deparado com inúmeros blogger e vlogger que falam sobre suas diversas experiências, algumas nômades, outras não, mas todas certamente fogem do que hoje em dia chamamos de estilo de vida tradicional.

Por isso, enquanto não começamos nossa saga aqui, vou deixar algumas indicações das nossas pesquisas pra vocês lerem, assistirem e acompanharem também!

Um que me chamou muito a atenção foi a Jo Nemeth, australiana que atualmente vive sem dinheiro. O blog dela, o Jo Low Impact, está todo em inglês, mas é possível ter um resumo em português nesse artigo do The Greenest Post. O que eu mais gostei do blog da Jo é que ela mistura suas reflexões pessoais nos textos junto com as explicações de como tem sido essa vida sem dinheiro e de baixíssimo impacto ambiental. O estilo da escrita mostra como ela reage emocionalmente a todas as mudanças e é algo que me agrada.

Outro que super recomendo é o Livre Partida, da Mari e do Plácido. Eles estão fazendo uma viagem de volta ao mundo, em vários estilos. Já mencionei aqui o blog deles antes, recomendo seguir também nas redes sociais, FB e Insta, além do canal no Youtube. O que eu mais gosto no blog deles, além das fotos e vídeos incríveis, é que eles colocam toda a contabilidade deles lá, até o cafezinho, e com isso todos podem ter a ideia exata de com quanto dinheiro eles estão fazendo essa aventura. O lindo disso é que quem também quer se jogar na estrada pode ter uma noção muito boa de quanto vai gastar, caso siga o mesmo estilo. Outra coisa que amo nos posts e vídeos deles é a oportunidade de aprender com os erros e sucessos alheios. Eles são muito francos e honestos quando é para dizer o que não deu certo, seja equipamentos que compraram e não utilizaram, ou não gostaram, planejamento, ou qualquer outra coisa. E claro, pode confiar sempre que eles dizem que é bom e que deu certo, porque a honestidade e a alegria são sinceras!

Um outro blog que eu achei no pinterest é o Apure Guria, da Angie, uma designer com muitas cores de cabelo que faz viagens sozinha e dá dicas ótimas, além de ser muito alegre nos vídeos dela. As dicas dela são muito práticas e eu gosto muito dos vídeos dela de dicas, tipo 10 coisas para não esquecer de levar, Como arrumar uma mala internacional e outros do tipo, mas o que eu achei mais divertido é que ela também inclui os do que não levar! Então também é possível aprender com ela coisas que ela achou supérfluas, desnecessárias, etc! Gente, a vida é muito curta pra gente aprender tudo por tentativa e erro solitários né, vamos aproveitar que a comunicação global é algo ao alcance de muitos hoje em dia e fazer valer! Além disso ela também é adepta do “travel light”, um estilo que sempre buscamos aprimorar!

Existem milhares de outros sites e pessoas que acompanho, e já postei aqui em Dicas de Viagem, outros sites e páginas com dicas muito boas!

 

Verão

{*texto escrito em 01/07/17 }

Saí para passear com o cachorro. São 20h30 da noite. Ou melhor, da tarde. O sol não se põe antes das 21h30, 22h e não ficará totalmente escuro antes das 22h30 quase 23h. A saída nesse horário é para tentar evitar o calor mais forte. Andamos até o parque, e eu sinto o cheiro da areia, que outros animais domésticos usam de banheiro. Veja bem, o parque é limpo, existe uma norma passível de multa para que os dejetos sólidos animais sejam recolhidos, que na maioria das vezes é cumprido. Mas o dia está quente, e quando o Picot rasga nacos de grama com as patas traseiras eu sinto o cheiro dela, misturado a tudo isso.

Dali vamos até a beira do rio. O sol já está bem inclinado e bate exatamente na linha dos meus olhos. Apesar dos óculos de sol bem escuros, sinto aquele franzido da testa, e em momentos fico cega com o excesso de luz, até fazer uma curva e conseguir voltar a enxergar. Passamos ao largo de um pequeno pasto, e todos os cheiros são encobertos pelo que emana dali. Começo a perceber a quantidade de insetos no ar. Eles batem nas lentes dos óculos, e preciso me abanar com frequência!

Chegamos enfim a beira do rio e percebo um distinto cheiro de peixe. Não de peixe morto, de carnes. Sim o cheiro de peixe vivo, cheiro de água onde vivem peixes e patos. Água fresca, corrente. Mas é obviamente verão e o cheiro do rio está ali, pairando no ar.

Quantas vezes não caminhei nessa beira de rio no inverno e nunca percebi nenhum cheiro de suas águas? O inverno, nesse sentido, é estéril. As águas são cristalinas, geladas, mais puras, e com menos vida. O ar no inverno é claro, e vejo distante. Os dias podem ser de sol, mas ele dificilmente esquenta de fato, e é possível caminhar sob ele por horas, sem sentir cansaço, calor ou fadiga excessiva. Eu gosto da esterilidade do inverno. Me dá a sensação de estar numa fotografia, ou num filme, onde a paisagem e eu, por mais que possamos interagir, nos mantemos como em dois planos. A neve brilha sob o sol como glitter, purpurina.

Essa semana me perguntei se precisava trocar o grau dos óculos. Sinto o mundo mais borrado. Talvez precise mesmo, mas me ocorreu hoje, ao andar na beira do rio, como o ar está mais denso. A cortina de insetos parece ser o próprio verão se materializando no ar, condensando de tão cheio, viscoso, excesso de vida. Vida até demais.

O verão daqui, por dividir o ano com outras três estações, parece mais intenso. Parece requerer que seus meses sejam só seus e que ninguém se esqueça disso. No Brasil, em especial em Brasília, onde só existe seca e chuva, o verão parece eterno. Eu sei, existem as frente frias, mas elas são raras e duram pouco, e ele parece se espichar pelo ano, como um chiclete sendo puxado e afinando. A parte presa entre os dedos, a mais grossa, são os meses de verão por direito, mas o verão de fato ocupa todo aquele fio repuxado. E assim, esticado, o sol é mais alto, a luz é mais branca, e as pessoas parecem aceitar que o verão, estando sempre ali, não precisa se mostrar o tempo todo.

Aqui o sol, isso tanto no verão quanto no inverno, parece nunca estar a pino. Sempre ali, próximo da linha dos olhos, me fazendo repuxar o cenho. Mais amarelo no verão, como se disse, “olha só essa cor, eu sou o verão!” Como se fosse um verão atuando como verão numa peça de teatro. As pessoas saem de casa, as banquinhas de sorvete de multiplicam pelo passeio da cidade e eu fico me perguntando, “onde vocês estavam?”. A sensação que tenho é que aqui as pessoas migram como andorinhas.

As roupas mudam muito de uma estação para outra, e não adianta insistir, as botas de verão serão inúteis no inverno e vice-versa. Me acostumar com a necessidade de momentos tão distintos é uma novidade às vezes custosa. As calças de inverno não servem pra primavera e as de primavera não servem no verão. As pessoas subitamente estão todas de vestidos esvoaçantes, shorts coloridos, camisas de mangas curtas em tecidos translúcidos. Riem nas ruas, falam alto, e os restaurantes não fecham antes das 2h da manhã.

Quando o calor é tamanho, deixo para sair com o Picot ainda mais tarde, às 23h, meia-noite, encontro senhores e senhoras de avançada idade, sentados ao redor da fonte do passeio, se abanando com folhas do jornal do dia, ou leques, e papeando. Próximo dos bares, todos com as mesas colocadas para fora, nas calçadas, o barulho é alto, e famílias inteiras se estendem pela calçada, comendo, bebendo, existindo.

Ao cruzar uma dessas calçadas, duas irmãs, vestidas igualmente e armadas com pistola d’água me atingem no fogo cruzado. Ouço em parte, em catalão, o pai fazer meias desculpas enquanto insiste que nesse calor é melhor assim. Sorrio e passo. A água não incomoda, de fato é bem-vinda. O que me incomoda é o calor que não vai embora. É voltar para casa e perceber como dentro está mais quente ainda do que fora. É ficar parada ao lado da porta da sacada, escancarada e perceber que a leve brisa, um pouco mais fresca, que sopra lá fora não entra, como se negasse meus convites e apelos.

Vou até a geladeira e pego um picolé. Sento na sacada, no chão, de pernas cruzadas, ao lado do Picot e observo essa cidade cheia de vida. Vida até demais. É quase impossível dormir antes das 3h da manhã, com o barulho das pessoas na Taverna em baixo, que mesmo depois de fechada, ficam pela praça, terminando a conversa. Lembro que no inverno, a cidade parecia uma cidade fantasma. Como é estranho pra mim, quase alienígena, observar esse movimento entre estações. Como é curioso perceber como o ser humano se acostuma e se adapta.

Termino o picolé. Jogo palito e embalagem em seus respectivos lixos. Aqui tudo é reciclado. Decido que um banho antes de deitar vai me ajudar a dormir, apesar do calor. Lembro que na primavera os campos ficaram floridos, e que agora tudo começa a apodrecer, nesse excesso de vida. Ainda não sei como será o outono. Mas posso dizer que as 4 estações até agora foram assim, um inverno muito estéril, e muito bonito. Uma primavera de desenho animado, com campos floridos e cheia de vida e partos, milhares de animais com filhotes. Manhãs e noites frescas e dias muito quentes. E o verão é assim: um excesso! Muito tudo. Muita vida. Muitos cheiros. Muitas cores. Muito sol. Até demais!

Atwood e as Handmaids

Eu comecei The Handmaid’s Tale por causa da série, que está em destaque e comecei a ver referências na minha timeline do facebook o tempo todo. Li em menos de uma semana. Devorei! Recomendo fortemente o livro, que é de 1985, um ano mais velho que eu e tão atual como nunca, infelizmente. Geralmente sou um pouco cética com livros que bombam por causa de filmes, séries, adaptações, visibilidade midiática, porque muitas vezes é feito um marketing em cima da história apenas para que a versão mais vendável e “palatável”, geralmente a visual, ganhe destaque.

Vejo isso acontecer com muitos best-sellers e por isso desanimo um pouco da leitura quando há muito bafafá sobre os subprodutos de um livro. Há, claro, exceções. As Crônicas de Gelo e Fogo, do Geroge Martin, eu só descobri graças à série, Game of Thrones, e devorei rapidamente os 5 livros disponíveis antes mesmo de terminar de assistir à primeira temporada da série. Gosto muito de ambos, livros e séries. Outras adaptações ficaram muito famosas também, como as do Tolkien, Senhor dos Anéis e O Hobbit, e as da J.K. Rowling, com Harry Potter. Não sou contra adaptações, aliás, gosto muito de observar e comparar. Apenas acho que muitas vezes a atenção dada pela mídia é apenas promoção, marketing.

Dessa vez o que me fez ir conferir o livro foi o fato dele ser recomendado pela Emma Watson (eternamente a Hermione), que possui um clube de leitura feminista do Goodreads e eu resolvi ir conhecer.

Atwood é maravilhosa. O livro me surpreendeu muito. Atwood escreve de uma forma muito feminina, descrevendo a percepção de detalhes ínfimos, como as cortinas ou uma almofada, por linhas sem fim. Mas isso não se deve apenas ao detalhismo, ou excesso de descrição, muito pelo contrário. O efeito da descrição demorada é passar para o leitor a ansiedade da espera a qual a personagem é submetida diariamente na sua vida. Conforme a narrativa se desenvolve as descrições lentas vão abrindo espaço para descrições brutas, às vezes beirando o escatológico (algo que me agrada muito para quebrar com a visão feminina equivalente a delicadeza), e a exposição à brutalidade é também uma forma de gerar no leitor a repulsa sentida pela personagem, bem como sua indiferença em outros momentos.

Assim, para todas as leitoras, existe uma identificação que vai além da mera empatia para com a personagem. Ela é uma mulher. Ela é qualquer mulher. Ela é todas as mulheres. Nesse brilhantismo, Atwood discorre usando uma distopia (cada vez mais próxima da realidade, infelizmente) para agudizar todas as brutalidades sofridas pela mulher na sociedade.

Não vou dar spoilers, mas recomendo o livro. A temática, do ponto de vista político é absurdamente necessária nesse momento, e o estilo é arrebatador, justamente pela proximidade que trás das personagens, com todas e todos nós. Nesse livro não há monstros e heróis, há pessoas, humanos, cheios de defeitos, subprodutos do sistema, cada um com seus vícios, sofrimentos, solidões, ânsias, desejos e penúrias. As consequências são sim monstruosas, mas a forma de mostrá-las, todas as personagens tão humanas, nos faz pensar menos num mundo de Batmans e Mulheres Maravilhas, e mais no nosso mundo.

Mulheres, fiquem atentas! Não podemos ceder nos nossos direitos! Homens, leiam, e façam a reflexão. Pensem nessa narrativa dessa forma humana e imagine seu papel na narrativa que queremos construir nesse mundo.

Recomendo dois textos, mas já advirto que há **spoiler** em ambos!

Tive o prazer de terminar de ler The Handmaid’s Tale no Dia do Canadá e me deparei com esse perfil feito pelo The New Yorker da Atwood, e achei brilhante. É um texto longo, mas dá pra conhecer mais sobre a autora!

Depois me deparei com esse texto da Boitempo, The Handmaid’s Tale: um aviso de incêndio para o cenário político atual, que também me colocou para pensar! Ficam aqui então as sugestões de leituras!

Deixem comentários com suas percepções! Nolite te bastardes carborundorum!

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Conserva caseira

Esses dias tava olhando distraidamente minha time line do Facebook, e quando percebi estava assistindo um videozinho da Flor de Sal sobre tomates desidratados no microondas. Eu não sou a maior fã de microondas, mas atualmente vivemos num apartamento pequeno, alugado já mobiliado, e não temos forno! Sim! Uma das coisas que mais sinto falta aqui: forno! Sempre amei fazer coisas assadas! No começo pensei em comprar, mas como temos planos de novas mudanças e vida nômade, achei melhor me adaptar por enquanto a uma vida sem forno. Assim, vou me virando com o cooktop e o micro mesmo.

Outro ponto desse vídeo citado é que a forma usada pra desidratar é com a mistura de açúcar (muito) e sal, e eu sei que é possível desidratar de outras formas, mais lentas e com menos adições, mas de novo, estou trabalhando com o que tenho aqui a mão, por enquanto. Um dia quem sabe, uma casinha com horta e quintal, e um caixote pra fazer frutas e verduras secas ao sol…

Inspirada pelo vídeo, resolvi testar a técnica e aproveitar para criar umas conservas mais elaboradas. Estamos com muitas road trips planejadas e eu estou em busca de alimentos que durem mais tempo, sem refrigeração, ou com refrigeração reduzida, para dar uma incrementada.

Assim nasceram essas conservas bonitas aí da foto:

conservas

Só tem uma foto, foi mal, galera! Eu resolvi fazer e nessa de ir fazendo, sem saber se ia dar certo, na cozinha pequena, duas pessoas trabalhando, nem lembrei da possibilidade de tirar fotos. Depois de prontas, quis me gabar um pouquinho no FB e Insta e aí o pessoal curtiu bastante e resolvi por a receita toda aqui.

No começo fui me aventurar na cozinha sozinha, mas o André veio saber se eu precisava de ajuda, e ele foi meu super cortador oficial, picando alho, cebola, pimentão, tudo pequenininho. Mas vou detalhar as etapas no passo a passo do modo de fazer.

Ingredientes:

1 copo (250 a 300ml) de tomates cerejas frescos.

2 pimentões vermelhos (eu usei 3, mas dois eram muuuito pequenos, contavam por 1).

2 berinjelas grandes (eu usei3 pequenitas, aqui tenho encontrado vegetais menores do que encontrava no Brasil).

1 cebola média.

1/3 de cabeça de alho (eu fiz com uma inteira, e faria a próxima com 1/2, mas como disse o André, a gente expulsou todos os vampiros da Espanha e da França de quebra).

2 colheres de sopa de sal.

6 colheres de sopa de açúcar.

Pimenta e orégano à gosto.

Azeite (não sei exatamente quanto usei).

Modo de Preparo: 

  • Sobre pimentões: eu tenho uma sensibilidade digestiva à pele do pimentão, então sempre que preparo algo com pimentões em casa começo colocando eles diretamente sobre o cooktop já aquecido, pode ser sobre a chama do fogão também, e vou girando até carbonizar a pele, mas sem queimá-lo por dentro. Aí lavo sob água corrente, a pele queimada vai saindo em pedaços e eu fico com os pimentões inteirinhos (já um pouco mais macios) para comer como quiser sem problemas digestivos! Assim sendo, o passo 1 (opcional) é queimar e retirar a pele dos pimentões.
  • Fatiar a berinjela (cortei ao meio longitudinal e cada metade em mais duas ou três fatias com corte longitudinal também).
  • Colocar a berinjela de molho em água com vinagre (geralmente deixo na água com limão, mas como a receite de hoje era conserva preferi o vinagre como sabor de fundo).
  • Cortar a cebola e o alho e colocar no vinagre (eu deixei junto com a berinjela – economia de louça para lavar e treino para cozinhas pequenas, campings, etc).
  • Fatiar os pimentões e retirar as sementes. Reservar.
  • Cortar os tomates cerejas ao meio e espremer as sementes e descartar. Reservar. (se você quiser usar outros tipos de tomate, é só retirar as sementes e deixar em pedaços).
  • Numa tigela misturar o sal e o açúcar. Passar a mistura nos tomates, espalhá-los num prato, evitando sobreposições, e levar ao microondas por 3 minutos.
  • Ao retirar do microondas, escorrer a água e repetir o processo. Eu só precisei colocar no microondas 3 vezes.
  • Fazer a mesma coisa, passar a mistura, colocar no microondas, escorrer a água, por 3 vezes, com as fatias de berinjela e as de pimentão. (Eu usei todos os pratos da casa, assim, já ia trocando os pratos, e enquanto escorria a água de um, o outro já estava lá no microondas).
  • Ao retirar pela 3º vez, lavar em água corrente. (Fiz isso para retirar o excesso de sal e açúcar e esfriá-los).
  • Escolher um pote bem lavado, pingar um pouco de vinagre dentro, tampar e sacudir para o vinagre espalhar bem nas paredes.
  • Escorrer o alho e a cebola.
  • No pote: colocar um fio de azeite na base, fazer camadas com um pouco da berinjela, um pouco da cebola e alho, tomate e pimentão, temperar com pimenta moída e orégano, e cobrir de azeite. Repetir até encher o pote.
  • Guardar na geladeira por no mínimo umas 8h a 12h antes de comer, para que todos os sabores se mesclem bem.

Consumo:

No dia seguinte a conserva já estava toda com bastante gosto (de alho principalmente), mas acho que depois do 3º e 4º dias é que ficou melhor. Pode deixar esse tempo maturando na geladeira. Sobre a durabilidade, também posso dizer que levamos ela para uma pequena road trip, e ela ficou 2 dias sem nenhuma refrigeração, num calor de mais de 30ºC e continuou em perfeito estado.

No dia seguinte de fazer, preparei uma massa farfalle colorido, cozido em água e sal e lavei sob um fio de água fria corrente, deixando o macarrão soltinho e em temperatura ambiente. Cortei uma alface americana em tiras pequenas, e numa tigela grande misturei o farfalle, a alface, os dois potes pequenos de conserva e uns cubinhos de queijo gouda. Temperei a alface com um pouco de limão espremido na hora antes de misturar, mas não coloquei nenhum outro tempero porque a conserva já deu todo o gosto. Comemos essa salada de almoço e repetimos no jantar. Ficou muito gostosa e excelente pro calor que está aqui!

No dia seguinte (terceiro desde a preparação da conserva) partimos numa road trip e levamos a conserva. Como fomos para a França, compramos um queijo brie (0,97 centavos de euros cada pedaço de 200g no Carrefour de lá) e o André preparou uns sanduíches com pão de pagès (pão tradicional catalão, pagès = agricultores), brie e conserva! Foi o melhor sanduíche que já comi na vida!!! Nunca achei que pudesse ficar tão impressionada comendo algo na beira da estrada ao lado do carro, sofrendo no calor! Sério! Ficou absolutamente incrível!!!

No 4º dia de conserva/ 2º de road trip, acabamos ficando sem o que comer, muito cansados para ir a qualquer lugar e encontrei uma lata de ervilhas e cenouras no posto de gasolina. Escorremos a lata e misturamos nela o que sobrou da conserva com os últimos pedaços de queijo gouda. Ficou bem longe de refinado e não tão emocionante, mas ainda assim foi um jantar incrível!

Bom, essas foram nossas experiências com a conserva, mas eu recomendaria usar sobre pães, ou misturado com cuscuz marroquino, ou para temperar uma massa, ou acompanhando uma salada verde. Enfim, use a imaginação!

 

 

Sobre Livros: Reflexos de JG

Hoje começa aqui no blog uma nova série de post, incluídas na categoria de Reflexos, na qual vou comentar sobre as leituras que ando fazendo, livros queridos já lidos e autores.

Passei um bom tempo na madrugada pensando sobre o nome da série, pois Reflexos já é uma categoria. Pensei muito sobre as palavras resenha ou crítica, mas elas não cabem aqui. Me explico, a resenha é muito formal, pede um formato de apreciação e informações que não me comprometo a dar, e a crítica pressupõe um nível de conhecimento especializado que também não me arrisco a dizer que possuo. Assim, sobraram os reflexos. Meus textos sobre outras obras, sejam livros, filmes, fotos, são sempre assim, meros reflexos daquelas outras artes. E como todo reflexos, carregam em si a imagem do objeto sobre a qual o reflexo se estende, portanto, aqui, o que escrevo sobre livros é o que esses livros imprimiram em mim.

Vou começar com um post sobre autor, antes de entrar nos livros em si. Um dos autores que me marcou muito na adolescência foi o Jostein Gaarder. O primeiro livro que li dele foi o Ei, tem alguém aí? (1997) que ganhei de presente de aniversário de 13 anos de um grupo de amigos que até hoje permanecem como os meus mais próximos. Esse livro está mais para infantil, ou no máximo infanto-juvenil, mas é uma excelente forma de criar interesse de crianças em filosofia e de começar a trabalhar esse tema.

Como professor de filosofia, Gaarder possui a habilidade de convidar os leitores para reflexões fundamentais da filosofia, transparecendo os conceitos filosóficos sem que eles sejam trabalhados de maneira tradicional, criando uma atmosfera de diálogo professores-alunos estilo grego, onde as perguntas e os questionamentos surgem, por meio dos diálogos de suas personagens, e o leitor é indiretamente convidado a se fazer essas mesmas perguntas e assim a construção do raciocínio filosófico se forma.

Seu livro mais didático, e minha segunda leitura dele é o famoso O Mundo de Sophia (1991), lido no ano que tinha 14, terminando logo antes do meu aniversário de 15. Para quem conhece a história sabe que isso pode ser bem relevante pro quesito empatia leitor-personagem, já que a Sophia é uma menina que está para completar seus 15 anos, e recebe por meio de cartas do pai ausente, aulas de filosofia. Apesar de amar O Mundo de Sophia, acho que dos livros do Gaarder, esse é o que foge ao padrão. Ele mantém o conflito personagem-autor, tão presente em todas as obras dele, mas por trazer as aulas de filosofia, ele se torna um romance-manual. É excelente como introdução à filosofia e recomendo fortemente para trabalhar com adolescentes (ou adultos), mas do ponto de vista da literatura não é minha recomendação número 1 do autor.

Então qual seria minha recomendação número 1? O Dia do Coringa (1990) é para mim o livro mais icônico de Jostein! Nesse livro é possível encontrar todos os traços clássicos do autor: a tênue barreira entre o real e o fantástico, que logo se rompe a favor do fantástico; as referências ao baralho; o mundo lúdico, colorido; as emoções nem um pouco infantis disfarçadas no ambiente lúdico; os questionamentos filosóficos inerentes ao ser humano, em relação ao amor, a criação e a própria existência. A história flui muito bem, prende, a leitura é fácil e o livro não é longo. Além disso, se você é, como eu, uma pessoa de imaginação fértil, vai poder aproveitar algumas das imagens mais lindas que eu já “li” na vida, na forma de pequenos objetos, cores, símbolos, que ficaram na minha mente como tokens, souvenirs, dessa leitura.

Um outro volume de Gaarder que me encantou é Maya (1999). Esse é um dos livros mais densos e de leitura mais trabalhosa do autor. O livro foge do lúdico comum e é bem adulto. Os raciocínios filosóficos são mais densos e intricados e o livro é mais longo. Ainda assim é uma excelente leitura, para quem não se importa com monólogos, personagens solitárias e um ritmo mais lento. As referência ao espírito ou energia do próprio planeta X a criação por Deus fazem o leitor repensar as relações da humanidade com o planeta, indo muito além do questionamento religioso X ateu, e pensando no papel do homem na Terra.

Uma das leituras que gostei muito foi Vita Brevis (1996)! Esse é um dos trabalhos do autor em que é possível ver a forte influencia dos estudos em teologia junto com os filosóficos, além de O Livro das Religiões (1989), escrito em parceria com  Victor Hellern e Henry Notaker. O Livro das Religiões também mistura o estilo novela-manual e é uma ótima introdução ao estudo de diferentes religiões, além de ajudar a compreender como as principais religiões se espalharam pelo mundo, sempre exigindo reflexão do leitor. Já o Vita Brevis possui uma história peculiar enquanto livro, descrita no prefácio. O autor encontrou alguns manuscritos, que diziam ser de Santo Agostinho, na feira de pulgas de San Telmo, em Buenos Aires. Interessado pelo tema, quis comprar, e achando o preço caro, barganhou com o vendedor. Um argumentava sobre a originalidade do manuscrito o outro questionava sua veracidade. No fim concordaram em um preço intermediário e Gaarder saiu do mercado dizendo que ou teria feito a melhor compra de sua vida ou a pior. Em seguida, ele solicitou ao Vaticano autorização para pesquisa e investigação da veracidade do manuscrito, que foram seguidas vezes negados. Após algumas negações, Gaarder optou por escrever uma ficção por trás da história do manuscrito, utilizando esse em meio a sua escrita. O manuscrito (dito de Santo Agostinho) são uma série de cartas, nas quais o autor (?) questiona os relacionamentos humanos, a validade/importância do casamento e o papel ou ausência desse sacramento na vida dos religiosos católicos. Gaarder fez uma edição dessas cartas e criou a correspondente, Flora Emília, que em sua avaliação teria sido a namorada de Agostinho antes que esse tomasse os votos celibatários. Realidade ou ficção, os questionamentos são válidos, e a história de amor construída é bonita, além de ser uma forma de questionar o papel da mulher na religião, e a forma como essa é vista e tratada.

Caso você queira entender o autor, mas não queira ler muitos livros, outra sugestão é O Pássaro Raro (1986), que é o primeiro livro de Gaarder, com vários pequenos contos. Para quem quer ler outros livros dele, sugiro evitar esse, pois o processo se tornará repetitivo. Nesse livro inicial a escrita do autor ainda não estava tão madura, e apesar da leitura ser leve e fácil, os conceitos não são tão bem trabalhados quanto em outros, e, principalmente, o livro é uma espécie de spoiler de toda a sua obra, pois cada pequeno conto pincela uma ideia, que anos depois o autor trabalhou melhor e deram origem a cada um de seus livros mais completos e densos. Então ler o Pássaro Raro é como ler um resumo incipiente de sua obra. Apesar dessa breve crítica, o livro é bem poético, bem mais do que obras futuras, e algumas frases que li ali nunca esqueci, o próprio conceito do Pássaro Raro é lindo!

Poderia me demorar sobre outros títulos aqui, porque tive uma fase Gaardermaníaca, e li quase todos seus livros publicados até 2001 (a fase começou nos anos 2000 e durou uns 2 ou 3 anos). Os publicados a partir de 2003 eu não li, pretendo retomar, mas já não posso comentar sobre esses.

Coloco aqui uma lista de suas obras para quem tiver curiosidade:

Pra terminar uma observação muito besta: enquanto decidia pelo título do post fiquei na dúvida entre Reflexos de Gaarder, Reflexos de Jostein e acabei optando pelo JG. Nesse processo reparei que vários dos meus autores favoritos começam com J: JK Rowling, JJR Tolkien, Jorge Amado, Jostein Gaarder, fica, quem sabe, o incentivo pra um dia eu adicionar a sigla JAR Marra (ou o JuReMa) nas prateleiras do mundo.

 

Vamos ler, meu povo, que é bom demais! 

Eu sinceramente não consigo entender como esse post não nasceu antes. Minha única forma de explicar é que realmente não estava com a cabeça no lugar o suficiente. Mas antes tarde do que nunca, vamos lá.

Eu cresci com livros. Eles sempre foram meus melhores amigos, companheiros de todas as horas. Na minha casa o hábito da TV nunca foi forte. Eu já tinha muitos livros infantis e gibis da Turma da Mônica desde muito antes de aprender a ler. O processo de alfabetização veio de casa, antes da escola, e foi todo na base dos gibis. A primeira coisa que eu li totalmente sozinha foi uma história curta, dessas de uma página, do Dudu, num gibi da Magali. Nessa mesma época minha mãe tinha começado a ler Monteiro Lobato pra mim antes de dormir, e começamos por Reinações de Narizinho. Ela leu cerca de 1/3 do livro pra mim, e depois eu lia em voz alta pra ela. Começamos com aquele dedinho de criança, acompanhando linha por linha, ela me ajudando com as palavras grandes, as trocas de sílabas e no terço final eu já lia por conta, ela de frente pra mim.

Desde de Narizinho e dos inúmeros gibis, eu caí com gosto no mundo dos livros! Lá em casa, quando alguém reclamava de estar a toa, ou não ter o que fazer, a resposta era sempre a mesma: “Vai ler um livro!”. O mágico é que os livros nunca acabavam. Tínhamos todos estantes enormes, de muitas e muitas prateleiras em nossos quartos, cheia dos livros pessoais. Além disso, meus avós tinham uma biblioteca imponente, numa estante de prateleiras muito grossas, embutidas na parede, coroada por uma gigantesca enciclopédia britânica, encapada em couro claro, cada volume marcado por um numeral romano em tom dourado na lateral. Essa visão da enciclopédia, era para mim, a coisa mais simbólica do conhecimento máximo a ser atingido. Eu lidava com aqueles livros grandes e pesados, numa língua ainda desconhecida, com a reverência que nunca vi por livros religiosos na minha casa.

Eu tive as minhas versões de enciclopédia, enquanto crescia. Minha mãe e meu tio Guila colecionavam pra mim os fascículos das enciclopédias da Folha, e assim tive a Folha Ilustrada, que comprávamos na banca, outra em dois volumes, com história do mundo, uma edição de mapas com as guerras, e outras do tipo. Isso, meus caros, era como vivíamos na era pré-internet. O primeiro computador chegou lá em casa quando eu já tinha uns 10 anos e pra digitar era direto no MS-DOS (alguém aqui ainda sabe o que é isso?). Lembro quando instalamos o primeiro Windows, e o computador ficou colorido e “bonitinho”. Conexão com a internet veio anos depois, primeiro discada e lenta. Pesquisa na internet fui fazer só no ensino médio. E rapidamente os trabalhos se tornaram digitados. Foi uma senhora transição.

Que fique bem claro, eu sou hoje em dia uma aficionada pela internet e acabo passando a maior parte do dia no computador. Trabalho pela internet, assisto filmes e seriados, jogo, escrevo, enfim, vivo uma vida on-line bem intensa. Até mesmo os livros hoje em dia, com a vida nômade, opto por baixar versões digitais e ler no computador ou tablet. Parece uma outra vida, quando lembro das minhas enciclopédias em fascículos!

Nos últimos anos eu acabei, como a maioria das pessoas que eu conheço, me tornando mais viciada em internet. O celular, com todos os apps, e a possibilidade de estar sempre conectada, e muitas vezes a “necessidade” de estar conectada, criada pelas relações sociais de hoje em dia, sejam profissionais ou pessoais, fez com que meu ritmo de leitura caísse muito.

Quando era mais nova, lembro bem da ânsia por ler, em como eu contabilizava todos os livros que tinha lido no ano. Livros enormes, sagas, trilogias, sequências. Livros de autores de diversas partes. Eu amava fazer minhas análises dos livros, discuti-los com familiares e amigos, dividir leituras. Muitas vezes comprava as trilogias ou séries em parceria com minha prima Carol, cada uma bancava ou pedia pros pais um dos volumes, e íamos lendo, compartilhando. Li livros velhos, livros dos meus avós, foi um marco quando a biblioteca deles se abriu pra mim e consideraram que eu já tinha idade pra explorá-la como quisesse. O primeiro foi por indicação da minha mãe, Dom Casmurro. Meu primeiro livro “de adulto”. Logo desembestei, lia Gabriel Garcia Marques e Jorge Amado como se não houvesse amanhã. Me impressionei bastante com Cândida Erêndida e Capitães da Areia. Em vez de Lolita, minhas noções de sexo vieram dessa literatura crua, e as poucos fui desenvolvendo um gosto louco por ler cada vez mais.

Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Hobbit, Silmarillion, Musashi, e um pouco mais tarde as diversas sagas do Bernard Cornwell, como as Crônicas de Arthur, e depois o Sharp, me encantaram loucamente. Sempre amei os mundos fantásticos. Mas ou mesmo tempo fui fisgada pela literatura social, e com Carandiru, do Varella, e Esmeralda, porque não dancei? fui me habituando a ler sobre outros temas, e criar uma visão crítica de mundo.

Os volumes foram tantos, que aos 18 já tinha minha mini-biblioteca, quase tão grande como a dos meus avós, mesmo considerando que muitos eram trocados. Frequentei bibliotecas diversas, e tive uma fase de ler todos os Sci-Fi do Lundum na biblioteca da escola de inglês. Austen e as irmãs Bronte vieram também, e depois Dickens me ganhou o coração! Li muitos clássicos da literatura, brasileira e mundial, alguns obrigatórios na escola, mas a maioria por gosto e curtição.

Aí veio a faculdade e a falta de tempo, e a necessidade de ler por obrigação e comecei a ler por gosto cada vez menos. De mais de 30 livros por ano, passei pra 3! Ainda assim mantive a curiosidade. Li muita literatura de consumo rápido nesse período, para compensar a densidade dos estudos. Best-sellers, livros comentados por muita gente. Depois, quando saí da faculdade, tive uns tempos difíceis, as emoções não andavam boas e foi um período de muita televisão.

Sim, a TV anestesia a mente, e o luto agradece. Antes desse período não tinha hábito de ver séries. Nem Friends, que acompanhou a adolescência, ou Gilmore Girls, eram seriados que eu via sistematicamente, só quando por acaso estavam passando quando eu ligasse a TV. Nesse período comecei a assistir acompanhando, na ordem. Até porque, com a internet, isso ficou mais fácil. Depender das TVs por assinatura, com mil repetições dos mesmo episódios e semanas entre eles era uma fase bem difícil e obscura para os apaixonados por séries.

A literatura foi voltando tímida pra minha vida. E um ponto chave, foi quando comecei a escrever. Comecei esse diário antes do blog, em arquivos esparsos no meu computador. Com o tempo fui organizando e criando coragem para colocar tudo aqui. Nessa época, descobri o gênero “auto-ficção”, termo ainda hoje pouco conhecido, e difícil de classificar. Acabei lendo coisas “classificadas” assim, e outras que não tinham a classificação, mas, na minha humilde opinião, o eram. Me debrucei sobre Munro, e li mulheres sistematicamente. Brum, Saavedra, Falção,Torres, reli Lispector, reli Meireles. Assim nasceram meus primeiros textos da menina. Depois fui abandonando o eu-lírico de terceira pessoa e comecei a escrever como se conversasse com os possíveis leitores.

Voltei pra academia, mestrado, e surgiu uma nova fase triste da literatura na minha vida. Li muito pouco. Essa coisa de estudar textos densos me afasta da leitura por gosto. Além disso, a ansiedade, e mil outros sentimentos negativos que me acometeram nessa experiência acadêmica, me fizeram viciar fortemente na internet. Ficar 2h por dia ou mais vendo bobagens, de vídeos de gatinho a receitas on-line que eu nunca iria fazer.

Ganhei o Walden pouco antes de entrar no mestrado, li os primeiros capítulos, ele acabou ficando na espera! Que triste isso! Nos últimos meses, passados 2 anos e meio dessa espera, resolvi voltar, com afinco. Entrei por um convite maravilhoso para um grupo de leitura de literatura brasileira e estou tendo o prazer de reler os nossos clássicos, além de alguns outros que não conhecia antes. Também retomei meu projeto leia mulheres e estou com algumas na lista, Ana Maria Gonçalves, Elena Ferrante, Margaret Atwood. E o Walden tá quase acabando, finalmente!

Com a volta desse hábito lindo na minha vida diminuí muito o tempo de internet. E estar vivendo numa cidade pequena, sem conexão no celular fora da wi-fi, acampando muito, passando dias na montanha e na estrada, têm sido fundamental para rever esse hábito. Agora que já estou bastante envolvida com os livros de novo, às vezes venho ao computador, conferir uma data, um fato, outros livros do mesmo autor, e não tenho mais vontade de ler todas as noticias do dia, atualizar todas as mídias sociais, ou responder todas as mensagens. Passou! Faço o que vim fazer, abaixo a tela e volto pro meu livro. E é tão bom!

Aceito sugestões de leituras nos comentários! Ando querendo voltar pros mais de 30 livros/ano! E caso queiram, posso dar umas listas com indicações também! Vamos ler, meu povo, que é bom demais!

 

13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂