13 mochilas

Passando pelo meu feed do facebook, me deparei com esse artigo do site Mochila Brasil, que remonta ao artigo original do Backpaker (sim, nós bloggeiros fazemos essas de vez em quando de colocar o artigo do artigo), com as 13 melhores mochilas de 2017.

Na mesma hora me lembrei do meu post aqui da série Dicas de Trilha, sobre mochilas, o Dicas de trilha – mochilas e o que levar e achei que valia a pena incluir os links originais como reflexos.

Para quem quiser ler o original, em inglês, da Backpakers, está aqui:  The 13 Best Backpacks Of 2017 e o com informações gerais em português, da Mochila Brasil está aqui: As 13 melhores mochilas de 2017 .

O site do Mochila Brasil disponibiliza os vídeos (com áudio em inglês e em outros idiomas, mas dá pra ver bem os detalhes internos e de montagem das mochilas) com os detalhes sobre as mochilas em português. Já o Backpakers foca mais em texto (em inglês). As informações detalhadas são bem técnicas e o artigo é focado nas novidades. Para os mochileiros experientes e aficionados é uma boa oportunidade de avaliar conteúdo para planejar a próxima troca de mochila, embora eu saiba que os mochileiros de carteirinha tendem a ser um tanto quanto fieis às suas já surradas companheiras!

Para quem está pensando em começar a mochilar agora, ver os vídeos também é uma boa, para mostrar o que existe por aí, e as inúmeras vantagens e diferenças.

Acho importante ressaltar que esses são modelos de ponta, afinal o título já diz, As 13 melhores de 2017! Então se você não quer fazer um investimento tão alto, uma opção é ver os vídeos, conhecer as diferenças, e depois pesquisar em modelos anteriores as similitudes e diferenças, e consultar diferentes preços e marcas para produtos similares.

Eu sou sempre a favor do consumo o mais consciente possível, e pra isso é necessário pesquisar bastante antes de comprar.

Espero ter ajudado ainda mais um pouco e sempre que possível, tiro dúvidas nos comentários! Aproveite  seu mochilão! 🙂

Não viaje só para tirar fotos

Post rápido, só pra compartilhar com vocês um pequeno texto que li e concordei muito.

Nas minhas andanças, muitas vezes vejo as pessoas que estão ali, naqueles locais incríveis, apenas para tirar a foto com jeito de quem bate o ponto, e sair rápido em busca da próxima selfie, do próximo destino, da próxima compra. Muitas pessoas não sabem nada sobre os locais que estão conhecendo, não leem a respeito antes, durante ou depois (eu muitas vezes prefiro ler durante ou depois, para ter uma primeira impressão “não contaminada” das visões dos folhetos e guias, mas em outros momentos prefiro planejar bem, depende da viagem), não interagem com os locais de verdade. A impressão que tenho é que algumas pessoas não querem sair da mesma vida globalizada de sempre, com as mesmas lojas, comidas, caras e roupas e apenas tirar selfies com “fundos” diferentes, como se fossem o gnomo da Ameliè Poulain.

E penso também nas pessoas que gostariam de viajar e não podem financeiramente, ou que não conseguem por questões de medo, ou insegurança, e que são muitas vezes pessoas que conhecem os lugares, por livros, guias, mais do que locais!

Então é preciso juntar essas paixões! Se você pode viajar, faça uma viagem envolvente, que te mude de fato! Leia a respeito, pesquise e vivencie o local para além das selfies clichês dos pontos turísticos e da balada famosa. O mundo ainda é muito grande e diferente.

E se você gosta tanto de ler a respeito e sonhar, vá! Tome coragem, planeje-se financeiramente e em relação ao tempo e as dificuldades da vida. Muitos viajam com pouco, comendo comida feita em casa, pegando caronas, dormindo em casa dos outros. É possível, com um pouco de esforço e planejamento!

De todas as formas, por favor, viaje muito e viaje com a cabeça aberta e volte diferente, sempre!

Não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos, postar no Instagram e voltar pra casa

“Eu sempre acreditei que, ao fazer uma viagem, o mais importante é ter a cabeça aberta.  Cabeça aberta e livre de preconceitos pra entender a cultura que você está emergindo. Pra experimentar as comidas típicas e fugir dos fast foods americanos. Pra conversar com os locais além de taxista, garçom e atendente do hotel.

 E eu te peço, não vá viajar apenas como turista, pra tirar algumas fotos em frente à monumentos, postar no Instagram e voltar pra casa.

Explore os lugares que você visita. Converse com as pessoas, ande sem direção pelas cidades, mergulhe de cabeça nas diferentes culturas que você conhecer ao longo da sua vida.

Deixe o mapa de lado e se perca. As vezes é se perdendo por uma cidade desconhecida que você se encontra na vida.

Se for um país pobre, não ande com medo dos locais.

Se for um país rico, não o ache melhor que os demais países. 

Entenda e respeite as diferenças de cada lugar.

Dessa forma, você terá sempre um pouquinho de cada cultura dentro de si, e nunca andará sozinha por aí.

 Não volte de uma viagem do mesmo jeito que chegou, apenas com umas fotos bonitas a mais no celular e uns dólares a menos na conta do banco. 

Volte sempre diferente, com novos aprendizados, novos amigos, novas histórias.

O conhecido já estará te esperando em casa, pra quando você voltar.

Fuja o máximo possível dele enquanto estiver longe.

Brinque com as crianças na rua, compre comida nas feiras, ande de transporte público, se vista com as roupas típicas, saia a noite com os locais.

Se uma viagem não te desafiar a sair da sua bolha, ela não estará te agregando em nada.

Crie laços com o desconhecido, é ele que vai te levar mais longe.” 

Texto da Amanda Areias disponível no: Mochila Brasil.

Dicas de trilha – mochilas e o que levar

Ainda na vibe da série Dicas de trilha ( Calçados para trilha , Dicas de trilha – vestuário , Dicas de trilha – alimentação ) hoje vou falar um pouco sobre mochilas e o que levar nas viagens e trilhas. Para entender porque eu insisto tanto em viajar com mochilas e não malas, leia mais sobre nosso estilo de viagem e vida em Passagens aéreas e custos de viagem e em Sonhos e aprendizado .

O equipamento mais importante é a mochila, afinal o que seria de nós, mochileiros, sem ela?! Já tive vários tipos de mochila, de vários tamanhos, preços e qualidades. Depois de muito experimentar, hoje em dia sugiro 3 bagagens que são tudo que um mochileiro precisa: A mochila de carga (45 a 70 Litros), a mochila de passeio/trilha (25 a 40 Litros) e uma bolsa tipo carteiro (10 a 20 litros). Para as mochilas cargueiro e de trilha/passeio, tenha uma capa de chuva impermeável de mochila. São baratas nas lojas esportivas e fazem muita diferença. Caso vá levar eletrônicos para uma viagem camping de muitos dias, convém ter também um saco estanque, ou mochila leve estanque e manter os itens mais sensíveis à água dentro dele, ainda que dentro das mochilas, para evitar desgostos.

Procure mochilas anatômicas, com bom apoio nas costas, e com tiras peitorais e de quadril, que auxiliem na distribuição do peso. Minha mochila cargueiro é uma de 55L da Norte Face, com tecido rip-stop, muito anatômica, e acho o tamanho dela ideal. Maior que isso já se tornaria um estovo para carregar, afinal não sou muito forte. A mochila cargueiro do André é de 65 ou 70L, da Trilhas&Rumos, bem maior, mas fica muito pesada. O bom da um pouco menor é que você se obriga a manter a viagem minimalista, com poucos itens. A minha de trilha é uma de 30L da Quechua (presente de casório lindo!), com um sistema de aumentar a ventilação nas costas, um E.V.A. poroso e bem anatônico, coberto de tecido telado, que faz milagres em dias quentes, evitando aquela sensação de costas cobertas pela mochila. Também temos uma mochila saco-estanque (outro presente de casamento mara!), que ainda não testamos do ponto de vista da impermeabilidade, mas que tem sido muito útil como mochila leve extra, de passeios pequenos, em viagens maiores.

mochila cargueiro

Exemplo de mochila cargueiro (alguns modelos mais novos, como esse da foto, possuem um zíper que dá acesso a mochila como uma tampa, facilitando o acesso as coisas colocadas no fundo). 

mochila trilha passeio

Exemplo de mochila trilha/passeio (essa é quase igual a minha, muda a cor dos detalhes só) 

mochila carteiro

Exemplo de bolsa carteiro

mochila impermeável estanque

Mochila impermeável/ estanque (essa é igual a nossa mesmo) 

mochila saco estanque

Exemplo de saco estanque

mochila capa de chuva

capa de chuva de mochila (tenho igual) – quando for comprar atente que algumas mochilas cargueiro já vem com capa e, se for comprar, elas possuem tamanhos diferentes, baseado nos litros das mochilas. 

Se você for fazer uma viagem internacional, ou nacional longa, coloque todos os itens de viagem, roupas, equipamento, etc na cargueiro e despache, mantenha os eletrônicos, uma troca de roupa emergencial e lanches na mochila de passeio, que vai como bagagem de mão e fica no compartimento superior no avião, e leve os documentos, uma leitura e água na bolsa carteiro, que fica no colo ou debaixo da cadeira em pouso e decolagem. Para chegar e sair dos aeroportos e estações de trem é possível encaixar as três, deixando a carteiro para frente, com fácil acesso aos documentos, a cargueiro atrás, maior peso e você só retira do corpo em caso de pausas longas, e a de passeio na frente, facilmente retirável para conversar em balcões, ir ao banheiro, com os itens que não devem ser perdidos de vista. Assim, você consegue carregar tudo o que precisa, e não briga com carrinhos, não precisa de táxi, e nem sofre com as rodinhas empacando em calçadas de pedra irregulares. Chegando no destino você pode deixar a cargueiro onde estiver hospedado, lembre-se de levar cadeado se ficar em hostels (eu sempre levo um cadeado extra), e utilizar somente a bolsa carteiro, se for fazer passeios urbanos, ou a mochila de passeios, para trilhas curtas de um dia, ou dia de compras (cuidado com as compras em viagem, lembre-se que se estiver mochilando, tudo deve caber nas 3 mochilas na ida e na volta). Aí você me pergunta, mas não fica pesado? Minha filosofia de viagem é: leve o que você consegue carregar. Ande a pé. Se não conseguir carregar é porque está levando mais do que devia. Viaje leve, bagagem leve, alma leve, vida leve.

Se for fazer uma viagem de até 7 a 10 dias, é possível levar só a mochila de trilha e a bolsa carteiro. Leve a roupa e equipamento na mochila de trilha, e um eletrônico leve (notebook pequeno ou tablet), documentos, leitura e água na carteiro.

Quando for fazer trilhas de um dia, leve apenas a mochila de passeio, trilha. Nela você consegue colocar um casaco impermeável, e/ou fleece se for inverno, um óculos de sol, protetor solar, mapa, comida do dia, lanterna pequena, bússola, GPS (caso tenha), máquina fotográfica e água. Evite levar outros itens. Coloque no próprio corpo, bolsos da roupa, cinto, os equipamentos de acesso rápido e constante. Se for época de sol forte, já saia com os óculos de sol e boné ou chapéu, lembre de passar um camada de protetor, mas leve para reaplicar.

Se for fazer trilha em região com lago, cachoeira, praia, leve roupa de banho. Eu não gosto de já fazer a trilha de biquíni, pois normalmente não são tao confortáveis para caminhar, nem dão tanta sustentação nos seios e nem o maior conforto por baixo das calças, por isso prefiro trocar só na hora de nadar. Quando acabar de nadar, troque de volta a roupa íntima seca. Caminhar com roupa de baixo molhada vai te deixar incomodado.

Se for fazer uma caminhada de vários dias, com camping, leve apenas a cargueiro. E seja extremamente cuidadoso com a quantidade de coisas, quanto mais leve melhor, mas não deixe de levar tudo o que precisa. Essa é a bagagem mais difícil de acertar! Encaixe a barraca, saco de dormir e mat na parte baixa e laterais da cargueiro. Dentro coloque as trocas de roupa, evite muitas roupas. Leve 2 calças transformáveis em short (das com zíper), e menos blusas que dias de trilha. Use a mesma blusa por 2 dias se não estiver imunda e lave quando possível deixando secar a noite. Uma legging pode servir de pijama e calça extra em caso de necessidade, inclusive sendo usada por baixo de outra em caso de frio. Roupas íntimas também podem ser lavadas e secarem overnight. Evite peso. Leve um casaco impermeável, e um outro casaco leve se for verão, e fleece se for inverno. Use o mesmo casaco todos os dias. Os demais equipamentos: GPS, bússola, mapa, lanterna, máquina fotográfica vão na cargueiro. Leve toda a comida que for precisar, e uma garrafa de água de o mínimo 1L. Conforme os dias passam o cansaço aumenta mas o peso diminui, conforme você vai comendo!

Para campings fixos, com passeios variados, leve a cargueiro, com tudo citado acima, e adicione a mochila de trilha/passeio. Depois de montar o acampamento, deixe a mochila cargueiro dentro da barraca trancada, ou em local seguro, e leve para os passeios do dia, sejam urbanos ou trilha, a mochila menor, com o que for precisar no dia. Se quiser economizar com a alimentação, use as mesmas dicas da alimentação de trilha para o passeio urbano, comendo apenas lanches leves e deixando para preparar uma refeição no camping a noite.

Sobre o que levar nas viagens:

Se for verão:

  • 2 calças transformáveis (zíper na perna) de tecido bem leve
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e coloque pelo menos uma manga longa leve)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece (se for muito friorento, ou tiver receio de a temperatura cair a noite)
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 pescoceira de tecido leve transformável em faixa pode ser útil (serve para proteção do pescoço, rosto, testa ou cabeça, contra sol, vento e poeira)
  • toalha

Se quiser sair a noite (não é meu forte), inclua um par de sandálias ou sapatos mais arrumados e um ou dois vestidos e/ou uma ou duas mudas de roupa de sair, mas lembre-se que quanto mais roupa levar maior o peso nas costas e menor o espaço para trazer coisas de volta).

Se for meia estação (primavera ou outono):

  • 1 calça transformável (zíper na perna) de tecido mais leve
  • 1 calça jeans, ou de um tecido mais robusto ou perlante
  • 1 calça impermeável
  • 1 legging (pijama, calça extra pra emergência e pra usar por baixo em caso de frio)
  • 1 short
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre regata, manga curta e manga longa)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco leve
  • 1 casaco impermeável
  • 1 fleece
  • roupa de banho
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 tênis de caminhada/trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • boné ou chapéu
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • toalha

Se for inverno:

  • 2 calças térmicas justas ( para serem usadas por baixo)
  • 1 calça perlante mais quente
  • 1 calça impermeável (pode ser usada sobre as térmicas e perlante)
  • 1 camiseta por dia de viagem (varie entre térmicas, pra noite e passeios leves e manga-longa dri-fit pra trilhas e atividade física)
  • roupa íntima para todos os dias, inclusive meias longas de inverno, (lembre de incluir top e calcinhas e/ou cuecas próprias para atividade física)
  • 1 casaco impermeável
  • 2 ou 3 fleeces de gramatura mais densa
  • 1 casaco tipo sobretudo (pode ser o próprio impermeável ou um mais quente, de preferencia que caiba sob o impermeável)
  • 1 par de chinelos/sandálias que possam molhar
  • 1 par de botas de neve pra trilha
  • kit pequeno de coisas de banho (use frascos adaptados e reduza a quantidade de produtos)
  • óculos de sol
  • gorro
  • protetor solar
  • 1 cachecol ou pescoceira
  • luvas
  • toalha

Adapte essa lista de itens, reduzindo-a em caso de camping travessia/caminhada de vários dias, no qual tudo vai nas costa sempre. Reduza o número reutilizando as roupas mais dias e lavando quando possível. Quanto a comida, não utilize embalagens de vidro, caso saiba que estará em local sem lixeiras, pois é inconcebível deixar o lixo na natureza, e carregar os vidros vazios é uma carga desnecessária. Nesse caso, opte por embalagens de plastico, que possam ser esvaziadas e dobradas, assim você mantém um pequeno saco de lixo em um dos bolsos externos e pode esvazia-lo quando houver a oportunidade, sem carregar peso além do necessário.

Em caso de camping livre, lembre-se que alimentos e lixo atraem animais selvagens, por isso junte toda a comida do grupo num fardo (saco plástico ou rede) e todo o lixo em outro e pendure em árvores afastadas das barracas. No dia seguinte recolha ambos. Caso algum animal tenha comido, você perde seus alimentos, mas pelo menos evita um ataque a sua barraca e a você.

Evite deixar alimentos dentro da barraca, mesmo em campings fechados. Além do risco de estragar, outros animais podem rasgar sua barraca tentando pegá-los. Se não for possível carregar tudo com você o tempo todo, veja a possibilidade de deixar uma parte na cozinha coletiva, devidamente etiquetado com seu nome, ou em local seguro na sede do camping.

 

 

Dicas de trilha – alimentação

Essa série das dicas de trilha já contou com dois outros posts, o Calçados para trilha e Dicas de trilha – vestuário, e agora resolvi falar um pouco sobre alimentação na trilha. Primeiro tenho que lembrar mais uma vez aqui que não sou nutricionista nem chef, e que você sempre deve consultar o seu profissional da saúde, especialmente se tiver restrições alimentares. Dito isso, lembro ainda que somos lacto-ovo-vegetarianos.

Quando fazemos trilhas costumamos sair cedo e eu sempre tive dificuldade para comer bem logo que acordo. Parece que meu estômago só acorda umas 2h horas depois do cérebro. A solução que encontrei foi ou comer um pouco mais tarde, quando possível, ou tomar uma vitamina se precisar comer algo e sair rápido. No caso das vitaminas gosto de bater uma fruta com chia, linhaça, aveia, ou uma combinação desses. Às vezes acrescento um scoop de proteína vegetal.

Para um dia de trilha levo um pão e queijo, ou já faço os sanduíches em casa ou levamos e fazemos na hora. Um pacote de castanhas, amendoins, amêndoas, etc. Aqui na Catalunha achei um mix maravilhoso, que inclui amendoins, amêndoas, milho peruano, flocos de arroz e outras misturas de nozes e cereais, salgadinho e baratinho! O pão com queijo é geralmente o “almoço” e as castanhas e cereais salgados o “lanche do fim da tarde”. Sempre levo também umas barrinhas de cereais, às vezes proteicas, doces. Para trilha, especificamente, gosto de levar as cobertas de chocolate, pois com a caminhada montanha acima, a gente precisa de uma energia extra e rápida. Umas frutas também costumam ir na mochila, secas ou frescas, uvas passas, damascos, ou maçãs e pêras (bananas eu amo, mas tendem a amassar muito ou estragar com o calor).

Uma outra coisa são biscoitos e bolachas, simples, doces ou salgadas. Eu sugiro evitar as recheadas, que além de serem muito doces, podem “derreter” o recheio ou estragar no calor. As salgadas tipo crakers são ótimas e as doces integrais, com aveia, tipo digestivas, também funcionam muito bem nas trilhas.

Nunca fazemos uma “refeição completa” na trilha, pois encher o estômago na caminhada é um erro. O corpo fica lento e pesado. E a chance de sentir enjoo, gases, e outros desconfortos aumenta. O esquema é comer de pouco em pouco, pequenas quantidades e menos durante a subida. Ao chegar la em cima dá pra fazer um pique-nique de reposição e depois descer, que tende a exigir menos do fôlego. De qualquer forma, a alimentação deve ser leve o dia todo.

Se o clima estiver quente e com sol forte, coma menos ainda. O calor deixa a digestão mais lenta. Nos dias mais quentes compensa levar uma bebida, ou pó de bebida, com reposição de sais, como um gatorade, ou pó de bebida de treino esportivo, que também confere um aporte de energia rápida e sem pesar o corpo.

Na volta, à noite, costumo fazer um macarrão, pois chegamos com bastante fome por ter comido pouco ao longo do dia de esforço. Ou um arroz com grão-de-bico. Às vezes omelete, quando voltamos pra casa no mesmo dia.

Quando acampamos o esquema é o mesmo. Convém lembrar que no acampamento as refeições da noite devem ser de preparo rápido, mas precisam alimentar bem, pois são a única refeição de fato do dia. Se você comer muito pela manhã, o corpo vai ficar pesado, se for pegar estrada de montanha de carro, antes do ponto da trilha, pode enjoar muito. Se tiver estrada de montanha, prefiro nem comer nada, e ao parar o carro, antes de começar a caminhada, tomo a vitamina, que já levo pronta, ou como algo.

Se tivermos fogareiro ou acesso à cozinha coletiva no camping, gosto de fazer macarrão, pois dá pra fazer em uma panela só. Costumo levar um molho pronto só pra colocar por cima. Se forem muitos dias de camping, vou variando com arroz. Levamos também as leguminosas do tipo já prontas, em latas, vidros, ou conserva, como grão-de-bico, feijões, ervilha.

Em caso de camping livre em local onde não é possível ou recomendado fazer fogo, o ideal é levar as leguminosas já prontas e comer frias mesmo. Nesses casos convém também levar mais pão, e comer um sanduíche extra a noite. Não sou a maior fã de “carnes” de soja, mas nesses casos de acampamento frio, elas podem ajudar muito, pois é possível compra-las já prontas, sem precisar cozinhar. Uma latinha de salsichas de soja pode virar um banquete numa noite fria e sem fogo no meio do mato. Lembre de levar um pouco de sal num pacote pequeno. É importante repor o sal e o açúcar do corpo após as caminhadas, especialmente se no dia seguinte tiver mais.

No caso do queijo, evite queijos frescos. Lembre-se, que estará sem geladeira. Prefira os queijos curados, mais duros e que podem ficar sem refrigeração por mais tempo. Para veganos, uma outra boa opção são as capsulas de algas em pó, como clorela e spirulina, que possuem muita proteína e vitaminas, inclusive várias do tipo B. As capsulas não estragam, e podem ser ingeridas como pílulas, para complementação alimentar, além das frutas, pães, barras, bebidas isotônicas, macarrão, arroz e leguminosas.

E água, claro! Não descuide da sua ingestão de água! Evite outros líquidos que não sejam água, ou eventualmente a bebida isotônica. Sucos e refrigerantes são muito doces e não vão saciar a sede. Pesquise as fontes de água natural próximas ao camping e pela trilha. Às vezes é possível pegar mais água em fontes, bicas, ou mesmo em rios e riachos. Nesses casos é possível levar apenas uma garrafa grande de água (entre 1L e 2,5L) e abastecê-la no caminho. Caso contrário você terá de carregar muito peso.

E claro, consulte seu médico sempre. Minhas dicas são só de trilheira pra trilheiros por esse mundão aí!

The Sounds

Outro Bloquinho de 3, ainda com inspiração do Goyte. O fio conector hoje são os áudios de início e fim, e as músicas menos convencionais. São 3 que eu gosto muito, apesar de admitir que não são das mais fáceis ou suaves de ouvir.

Goyte – In the State of Art

The White Stripes – Little Acorns

The Black Keys – Fight For Air

X Jocs Florals

Na semana passada, aconteceu aqui em La Seu D’Urgell a 10ª edição dos Jogos Florais (ou X Jocs Florals). Os Jogos Florais acompanham o dia de Sant Jordi (dia de São Jorge), que foi comemorado no domingo mesmo, e na segunda-feira seguinte, realizaram a cerimônia de premiação dos jogos. Esse evento é um dos mais famosos da cidade, e ainda que a cidade seja pequena, atraiu muita gente. Os Jogos Florais são uma competição literária, que acontece por várias partes da Europa, em especial a Espanha e a França. Aconteciam em Occitane, quando esse era falado, e tanto na França quanto na Espanha, acontecem em catalão nas regiões onde esse é o idioma cotidiano.

Além de enaltecer a literatura local, os Jogos têm o intuito de estimular e preservar a língua catalã, tornando-se, por isso, bastante importante para seus falantes. Em La Seu, esse foi o décimo ano dos Jogos e a cidade estava ainda mais animada. A Escola de  Formação de Adultos e Idiomas Oficial de La Seu – CFA La Seu, promove os Jogos e é lá que estudamos catalão.

Em março, quando eu e o André estávamos estudando essa língua há apenas 3 meses, nossa professora, Marta, nos convidou para participar, pois nessa décima edição incluíram uma categoria para iniciantes. OS Jocs Florals contam com 5 categorias: Englantina (relatos de até 3 páginas), Flor Natural (Poesia), Grandalla (Foto seguida de um título/comentário), Rosa (iniciantes) e Viola (micro contos, contos de cerca de 10 linhas). As categorias Grandalla e Rosa foram novidade.

No início estávamos bastante reticentes com a ideia de participar, pois mesmo considerando que a categoria é para iniciantes, estávamos estudando há apenas 3 meses, e a pouco mais que isso na cidade. Alguns dos nosso colegas já estão aqui há anos, ainda que estejam no nível inicial da língua catalã, uma vez que também é possível se comunicar em castelhano. Mas nossa professora insistiu, e acabamos enviando textos.

Cerca de um mês se passou, e então veio o dia da premiação. O espaço, uma antiga igreja, hoje um centro cívico e auditório, estava muito bonito, e chegamos cedo. Encontramos alguns colegas, alguns amigos da cidade e todo o evento começou. A diretora da escola e outros professores apresentaram, o prefeito teve sua fala, e uma convidada, doutora em língua catalã também. Comentaram as edições anteriores, o significado dos Jogos para a cidade e para o idioma. Trechos de poesia e literatura catalã famosos foram lidos, enfim, tudo conforme manda o figurino de um evento desse tipo.

Por fim, começaram a chamar as premiações, e faziam da seguinte forma, apresentavam um pequeno trecho do texto, e depois falavam o título e nome do autor, em seguida convidando-o para o palco e premiando-o. Cada categoria premiou 3 textos, menos a Englantina, que contemplou 4 ganhadores. OS prêmios de acesso e o primeiro prêmio. Aplaudíamos a cada nome revelado e estávamos bastante tranquilos.

Até a categoria Rosa começar. Revelaram o último prêmio acesso (equivalente ao 3º lugar), aplaudimos uma colega da outra classe. E aí, eis que reconheci na tela, desde a primeira palavra, o texto do André. Antes mesmo do nome ser revelado, eu já estava aplaudindo. Segundo prêmio acesso (2º lugar) na categoria Rosa. Fiquei emocionada e orgulhosa. Me imaginei da platéia tirando fotos dele! E antes mesmo que eu pudesse pensar nessas tais fotos ou em alcançar o celular, mudaram a tela, e li as primeiras frases do meu texto lá. Assim, na frente de todo mundo.

Pode parecer bem besta, pra quem tem um blog, ter vergonha de ver seu texto à mostra daquele jeito, mas confesso que mesmo depois de 3 anos de blog, cada publicar que eu clico vem com um frio na barriga! E ver aquela exposição pessoalmente foi um senhor desafio! Daqui eu sei que algumas pessoas me leem, mas eu não tô vendo vocês fazendo isso!

Fui receber meu prêmio, 1º lugar da categoria Rosa. Tiramos as devidas fotos oficiais. E voltei a me sentar com o coração disparado! Assistimos às demais premiações e ao final , chamaram todos os que inscreveram textos, em todas as categorias, para receber um pequeno vaso de flor (afinal, Jocs Florals, né) e tirar uma foto coletiva. Nesse ponto tive mais uma surpresa, pois logo na primeira categoria, Englantina (de relatos mais longos), me chamaram como participante. Eita! Descobri que meu texto concorreu também na outra categoria (a séria! hahahaha). De novo um disparada de batimentos, mas logo o palco encheu de gente, e eu fiquei “escondida” e mais tranquila, na multidão. Via o rosto do André lá do outro lado do palco e só pensava: “em que a gente se meteu?!”

Para encerar ouvimos a apresentação do coral local, do qual nossa professora faz parte, e foi muito bonito, e compartilhamos uns petiscos com os presentes. Voltamos pra casa incrédulos, e fomos revirar nossos prêmios, muito bons. Alguns livros, livreto do evento com os textos, o prêmio do André: duas entradas para um show de comédia, e o meu: um jantar para dois no restaurante do hotel chique local.

Ainda estamos processando. Mas a melhor parte foi ver nossa professora feliz. Me identifiquei. Agora quero poder compartilhar esse momento com meus alunos e ex(eternos)alunos. Se arrisquem! Mesmo em outro idioma! Faz um bem danado! A gente cresce, evolui, aprende! E a questão não é ganhar, mas o tempo que a gente dedicou, traduzindo, procurando palavras, corrigindo com a professora, percebendo que fizemos traduções literais e surreais de expressões em português, buscando entender como poderíamos fazer essas mesmas manobras no outro idioma.

Além da experiência de se sentir parte da comunidade local, conhecer uma tradição da cidade e fazer parte dela. Viver fora é também abraçar essas coisas, por menores ou maiores que sejam. E descobrir nos detalhes, nossas paixões.

Vou copiar os textos em catalão mesmo aqui, usem o tradutor ou mandem mensagens em caso de dúvidas!

Ambos são ficções. O do André ao estilo dele, com humor, sarcasmo e ironia. O meu, bem, como reminiscências “da menina”, histórias de Alice, de Clarice, histórias de mulher, de detalhes da vida cotidiana, de diário, de blog!

 

La cua i el drac 

André Pereira Paduan

Beowulf esperava el seu torn per ser atès, tiquet de tanda en mà. Els números avançaven, un per un, en una lentitud més aterridora que quasevol dels monstres amb què mai s’havia enfrontat. El futur en el qual de cop i volta havia despertat era molt diferent del seu temps primerenc, a la mateixa terra, mil·lennis abans. Tot eren regles, ordres i papers, molts papers. Va haver de canviar el seu mantell de pell per un abric sintètic, degut a la pressió dels defensors dels drets animals. Va haver de deixar la seva espasa i el seu escut perquè no tenia una llicència d’ús. I va haver de fer-se la documentacció perquè presentar-se com el rei de Gautas ja no era suficient o adequat. Trobava a faltar enfrontar-se a dracs i beure cervesa amb els seus soldats. Però, sobretot, sobretot, trobava a faltar no haver de fer cua.

 

El blog de la dona de ells molt bons ulls

Juliana de Almeida Reis Marra

Es van casar fa molt poc temps. El festeig havia estat molt curt. Es van conèixer en un viatge. Aviat van estar junts. S’estimaven molt. Ell era molt tranquil, no bevia, no fumava, no sortia. A l’inici, tots dos eren feliços amb poc, una pel·lícula, crispetes de blat de moro, un gos en un coixí, una xocolata compartida. Tots dos passaven molt de temps a l’ordinador. Treballaven amb l’internet. Llargues hores junts, però separats. Només el so ràpid de les tecles, d’ambdós costats. Feien passejades, viatges curts, campaments. Plaers petits i barats de la vida. Un gelat. Un posta del sol. Parlaven molt, i els temes de conversa fluien molt bé, i tot semblava tan correcte i tan simple, que no semblava real.

Un dia, a la recerca de noves lectures a Internet, ell es va trobar amb un blog fantàstic! Era el diari d’una dona aventurera. La forma descrivia el seu dia a dia el va fer somiar! A poc a poc la dona es va mostrar molt forta, independent, valenta, audaç, interessant, plena d’opinions polítiques, històries, viatges. Que increïble seria veure la seva vida! Semblava tan simple, però tan impressionant! El meravellós que seria viure la vida d’aquesta dona!

Ell va començar a somiar amb les aventures increïbles del blog i es va anar distanciant de la seva dona. Va començar a buscar a la seva pròpria vida aquestes petits coses emocionant, tot era tan bonic, però simple. On eren aquestes increïbles emocions que llegia al blog?

Un dia, sense poder-se aguantar més, va dir a la seva dona que necessitava parlar. No li havia dit res encara, però estava inquiet i necessitava saber l’autor misteriós, que amb simples paraules havia guanyat el seu cor. Ell mai l’havia vist, però l’admirava molt. Encara estimava la seva dona, però les llargues hores a l’ordinador no podien competir amb les meravelles que es descrivien al blog.

Ell va advertir-la que volia tenir una conversa seriosa, ella li va demanar uns minuts per acabar un text, feina que la va ocupar durant hores. Es va posar dreta darrere d’ella, i va llegir de dalt a baix el que estava escrivint.

En acabar, una mica espantat, ella li va preguntar a què es referia, de què volia parlar. Només li va prendre la mà i se’n van anar a menjar un gelat. Per el camí li va dir el molt que l’estimava i que mai havia conegut a ningú que veiés la vida amb tan bons ulls!

 

Pasta de Couve-flor

Essa terça temos uma receitinha, pra variar. Tô tentando voltar a incrementar as diversas partes do blog.

Essa receita inventei faz um tempinho, e não tenho boas fotos do produto final, pois fiz na véspera de uma das road trips e levamos e comemos tudo, então faltou tempo pra foto. Mas comida é boa é assim, né. A gente só lembra da foto depois… mesmo nesses tempos de instagram.

Bom, essa pasta tem várias vantagens. É simples de fazer, barata e vegana! Além disso fica uma delícia no pão e é uma ótima alternativa pra manteigas e pastas mais gordurosas. Aqui em casa foi sucesso total.

Vamos a receita:

Ingredientes: 

  • Couve-flor (pode colocar 1, 2 pés ou 1 pé e 1 brócolis ninja também)
  • 5 dentes de alho (ou uma cabeça inteira se você for dos meus)
  • 1 cebola média
  • curry
  • cúrcuma (opcional)
  • pimenta-do-reino
  • sal
  • azeite
  • cheiro-verde (ou outras ervas aromáticas à escolha)
  • meio limão espremido (opcional)

Modo de fazer: 

  • Pique em pedaços grandes (não precisa de delicadeza aqui, depois vamos bater tudo) a couve-flor (e o brócolis se for colocar) e a cebola (em quartos)
  • Descasque os dentes de alho (não precisa picar)
  • Coloque o alho, a cebola e a couve-flor (e o brócolis) numa panela com água e cozinhe (pode colocar pouca água, menos do que para cobrir, eles cozinham mais no vapor do que na água, e no final vamos utilizar um pouco da água só. (Pode cozinhar direto no vapor se preferir). Cozinhe até estar tudo bem mole.
  • Coloque no liquidificador ou mixer (fiz com mixer de mão e foi tranquilo) a couve-flor(e brócolis), cebola e alho cozidos, sem a água, acrescente os temperos, menos o azeite e comece a bater. Coloque um pouco de azeite pra facilitar bater e continue batendo. Acrescente mais azeite se quiser uma pasta mais oleosa e coloque um pouco da água do cozimento se estiver difícil para bater ou se quiser um creme mais líquido.
  • Se quiser colocar mais água, pode servi-lo quente, como uma sopa, um creme. Fica ótimo também. Se quiser uma pasta para passar em pães e biscoitos, coloque o mínimo de água.

Como fiz com pouca água, e muito tempero, durou uns 10 dias na geladeira. Fiz dois potes, um levamos na viagem e outro ficou aqui esperando.

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Brócolis ninja e couve-flor psicodélica catalã

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Eu aproveito inclusive os talos, cozinho até ficar macio e bato tudo, dá mais consistência e diminui o desperdício

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Cozinhando em pouca água

Somebody

Pra relembrar os tempos de #bloquinhode3, um pouquinho de música nessa terça. Tenho estado ausente das minhas reminiscências, mas a mente anda louca com elas. Em breve posto textão com muitas impressões, expressões, depressões, e todo tipo de loucura mental. Mas por enquanto, música, maestro:

Estamos meio viciados nesse som do Gotye aqui em casa essa semana. Tô ligada que a letra tá longe de ser feliz, mas a música é gostosa. Já que entrei no tema, resolvi explorar as “somebody” músicas e o bloquinho de 3 vai da letra mais pessimista pra mais otimista, embora em melodia siga o caminho contrário. Enjoy!

  1. Somebody That  I Used To Know – Gotye

2) Use Somebody – Kings of Leon

3) Song For Somebody – U2

Consciência

Muito já falei aqui sobre o distanciamento que minha forma de viver gera com as pessoas em geral. São muitos itens, o vegetarianismo, o fato de não beber, o amor pela natureza, pelas viagens, a forma de encarar o mundo e as relações humanas. Tudo isso pode parecer muito interessante para uma breve descrição de bio em um blog ou perfil de rede social, mas na hora da convivência intensa, são outros 500.

Dei a sorte de encontrar pra dividir o dia-a-dia alguém que entende quase todas as minhas loucuras e aceita as que não entende e vice-versa, eu com as dele. Mas não é tão simples. Conheço vegetarianos que amam beber, balada e aí temos alguns pontos de ligação e outros não. Conheço pessoas que não bebem e não são de balada, mas que são a favor de uma vida mais estável, com empregos fixos, horários de lazer restritos, e consumos mais altos. Conheço pessoas que gostam de viajar, mas que gostam de outro tipo de viagem, mais urbana, mais confortável, mais turística. Conheço pessoas que amam a natureza, mas que também assistem muita TV e estão sempre prontas para comentar a novela ou a última fofoca, seja política ou ficcional (algo muito difícil de distinguir atualmente, especialmente no Brasil).

E veja bem, em nenhum momento eu estou criticando nenhuma dessas características. Nem exaltando nenhuma delas. Apenas comentando como sou, como vivo e como cada vez mais, os pontos em comum, ficam difíceis, raros, na convivência mais próxima. Para um encontrinho rápido, para rever amigos antigos, ou pessoas que estão longe, é ótimo. Sempre tenho do que falar e gosto de ouvir. Mas para a convivência é mais complicado. Muito disso eu já comentei no post Sonhos e aprendizado no qual cito também alguns filmes e livros, que comentam essa distância.

E atualmente tenho me sentido muito paralisada, nessa distância. Com muita dificuldade de seguir escrevendo meu mestrado, de seguir correndo atrás da burocracia, enfim, as coisas parecem muito difíceis, e não é por falta de esforço pessoal, é porque com o tempo vou percebendo os mecanismos, e como o mundo é feito, em cada coisa, para que nos encaixemos nele e não o contrário. Fechando oportunidades, com cara de quem abre portas, dando prêmios de superação, pra quem abaixou a cabeça e acatou o sistema, em vez de se superar de fato. E tantas outras coisas que são na verdade perceber que no mundo, tudo é como a salsicha, você não comeria (compraria, viveria, etc) caso soubesse como é feita. E conforme vou descobrindo, ganhando consciência, também vou me sentindo mais apática, mais desanimada, desestimulada.

Estou aqui nesse dilema, sofrendo as dores do mundo, de forma até clichê, e ao mesmo tempo me sentindo bem idiota pela incapacidade de reação. E aí, para distrair, eis que me deparo com esse vídeo Notes from de Underground, e me senti menos estranha ao mundo. O livro, Notas de Subsolo, do Dostoiévski, ganhei há muitos anos do meu irmão, fã de carteirinha do autor russo, e gostei muito da leitura. Mas nos últimos meses descobri o Wisecrack e as análises literárias em thug style dele, que me fazem rir muito, e ao ver que ele tinha analisado Notas de Subsolo, resolvi checar e me surpreendi em perceber como estão alinhadas com essa minha paralisia. Estou sofrendo dessa falta de saber como agir e se agir ou não derivada de perceber demais os problemas do mundo.

Então agora vem as decisões difíceis de fato: ignorar um pouco dos problemas do mundo, e “comer a salsicha” assim mesmo? Ou seja, terminar minhas atividades, mesmo sabendo que não são mais meu sonho e que ele ficou manchado? Desistir e seguir outros caminhos, mesmo sabendo que eventualmente posso descobrir como essas novas salsichas são feitas? Ou descobrir uma nova fonte de energia, para concluir os desafios apesar das desilusões? E como encontrar essa energia, esse ânimo?

Tendo a optar pelas últimas e espero conseguir. Perceber minha apatia foi o começo. E agradeço ao Dostoiévski mais uma vez.