Road trip de Julho – Parte 3 – Nice e Itália

20 e 21/07/2017

Saímos da região do Gorges du Verdon na direção de Nice, onde chegamos poucas horas depois. A estrada ali vai se afastando lentamente da região mais escarpada do parque e os vales se alargam conforme nos aproximamos do litoral. Essa parte da estrada só eu vi, porque saímos bem cedo e neste momento todas as passageiras dormiam profundamente! Eu faria isso também se pudesse… Chegamos em Nice no começo da manhã e rodamos um pouco a avenida junto ao mar antes de encontrar um lugar para estacionar. Passamos somente uma hora na cidade, que as meninas aproveitaram para nadar no mar e a Ju e eu utilizamos para subir em uma encosta com um mirante no topo. A vista da cidade lá de cima é bastante privilegiada, sendo possível ver toda a costa e boa parte da cidade. Também vimos o mar do alto, o que garantiu a certeza da limpidez da água, que mesmo nos trechos mais profundos ainda era possível enxergar as rochas ao fundo.

De Nice seguimos para Gênova, atravessando a fronteira. A estrada italiana era composta de pontes e túneis em sucessão, já que a região é muito acidentada, sendo o ponto de encontro dos Alpes com o mar Mediterrâneo. Com somente duas pistas e uma profusão de carros de luxo acelerando (passamos do lado de Mônaco, mas nem sequer tentamos entrar!) e caminhões obstruindo a passagem, essa estrada foi um tanto desafiadora e estressante. Mas mais estressante ainda foi chegar em Gênova e perceber que se os pedágios franceses são caros e numerosos, os da Itália os superam bastante… O primeiro pedágio nos custou coisa de 18 euros para um trecho de não mais de 3 horas.

Um grande amigo meu depois da viagem me disse que tinha adorado Gênova, e eu não duvido da experiência dele. Mas certamente tivemos outra. Paramos o carro no centro velho e pagamos outra hora de estacionamento e então fomos andar um pouco. A cidade de começo já tinha assustado pela desorganização do trânsito e pelo descuido. As fachadas todas da cidade estavam despedaçadas e a sujeira predominava. Os becos da cidade fazem com que o centro de São Paulo pareça uma maravilha. Uma crosta preta se alastrava pelas calçadas e paredes. Caminhamos novamente morro acima, por vielas malcuidadas, até chegarmos em um ponto que parecia mais bem tratado. De lá de cima, a vista da cidade não decepciona, mas a única maneira de parecer bonito é visto assim de longe mesmo. Talvez eu e meu amigo tenhamos visto partes ou momentos diferentes da cidade, imagino eu.

O plano ao sair de Gênova nos levaria até La Spezzia, onde contornaríamos a estrada e chegaríamos a Riomaggiore. Por conta dos pedágios, decidimos seguir pela estrada costeira e gratuita, aproveitando para ver outras vilas da famosa Cinque Terre. De começo já percebemos que teríamos problema ao longo de toda a viagem na Itália com as estradas, pois ou elas são pesadamente pedagiadas (preços que chegam a ser proibitivos!) ou são muitíssimo mal sinalizadas. Talvez isso seja para não destruir a tradição italiana de parar e perguntar, mas fato é que tivemos muita dificuldade para nos localizar em todos os percursos. A de Cinque Terre não foi diferente. E no caso, além de mal sinalizada, era terrivelmente conservada, com o capim em volta invadindo a pista em boa parte do percurso, isso no auge do verão e do turismo.

Descemos a encosta até a primeira cidade, onde não encontramos lugar para estacionar. A cidade estava cheia de carros de luxo, jovens vestidos na última moda e uma multidão de turistas. Não vamos reclamar muito, afinal também estávamos turistando, mas certamente seria preciso um controle mais rígido para a quantidade de pessoas para a região. Viramos o carro e seguimos viagem, dessa vez sem parar até chegarmos em Riomaggiore. Lá tivemos que esperar até o estacionamento local livrar uma vaga. Então seguimos a pé, descendo até onde a vila encontra o mar.

Eu não teria nada para reclamar caso fosse uma vila de pescadores no original, mas a cidade, mesmo recebendo hordas de turistas, não conta nem um pouco com alguma política de preservação. As casas todas estão despedaçando, um cenário que seria mais compatível com o abandono total, enquanto uma profusão de restaurantes completamente desvencilhados da cultura local se propagam. Achar um lugar para apreciar a paisagem junto ao mar é bastante difícil também, dada a movimentação. Aqui se misturam jovens mochileiros com jovens playboys, o que cada um dos grupos buscam eu não sei. Eu pensaria que o primeiro grupo procuraria autenticidade e tranquilidade, enquanto o segundo procuraria estética e luxo. Infelizmente, não encontrei nada disso ali. Riomaggiore provou pra mim o poder que a propaganda tem, atraindo tantas pessoas e fazendo-as se sentir simpáticas a um local que a meu ver não possui nenhum encanto. Melhor teria sido visitar Trindade ou Paraty, no Rio de Janeiro, que mesmo muito cheias no verão ainda preservam alguma autenticidade, além de serem mais bonitas e mais baratas!

Depois de Riomaggiore atravessamos La Spezzia, onde descobrimos que a gasolina mais barata da Itália custa 40% a mais que a média da Espanha, o que nos causou mais um aperto no coração. Dali pegamos uma estrada de montanha até nosso camping, próximo de Lucca, cidade que visitamos no dia seguinte. No camping chegamos tarde e saímos cedo, coisa que se tornaria corriqueira na viagem, portanto não vou emitir opinião sobre ele, pois seria injusto. Dali seguimos descendo uma serra que terminou por chegar em Lucca.

Lucca era uma cidade que eu já conhecia, mas que não vi nenhum problema em passar de novo. Acho que é um lugar agradável e simpático, apesar de estar desprovido da mesma fama que outros locais próximos ou de alguma beleza realmente excepcional. Paramos o carro perto da cidade murada e saímos para andar. Fizemos uma volta grande, vendo diversas catedrais em estilos diferentes e passamos pelo passeio que fica sobre as muralhas, esse último sendo o local que mais me agrada na cidade, por sua tranquilidade e pela vista privilegiada. Me chateou um pouco uma coisa que eu não lembrava em Lucca, que foi a quantidade absurda de lojas internacionais que se posicionaram no principal roteiro do centro velho. Não sei se já estavam lá quando visitei a primeira vez ou se eu que não tinha percebido, mas eu me incomodo com essa situação, que desloca os comerciantes locais e faz com que todas as cidades turísticas do mundo tenham a mesmíssima cara… Ainda assim, foi um momento agradável do dia. Seguimos de Lucca para Pisa.

Em Pisa passamos rapidamente, e sinceramente não acho que há outra maneira de passar por ali. A verdade é que a cidade de Pisa tem muito pouco a oferecer além da torre. Para quem está viajando como nós costumamos fazer, e portanto se abstém de visitar os museus e subir a tal torre, é possível completar a visita à cidade em cinco minutos. Pode-se dizer que perdemos muito não visitando esses locais, mas a verdade é que os museus eclesiásticos pelo mundo todo são bem, bem parecidos (para quem não sabe há uma imensa catedral junto à torre), e duvido muito que dentro da torre haja algo que possa valer a visita, considerando o quanto devem cobrar uma entrada em um ponto tão turístico assim. A torre, vista de fora, é até bem trabalhada, mas sua inclinação não é por motivos propositais, fossem eles de origem científica, estética ou qualquer outro (como aqui concedo algum mérito para a Torre Eiffel, que eu acho horrível, mas tinha um propósito técnico). A torre inclinou porque foi mal construída mesmo, e por algum motivo isso ficou famoso. O resultado disso é uma cidade em que se entra, tira-se uma foto e vai-se embora sem perder nada de mais.

Passada Pisa, fomos para Florença, essa sim uma cidade que merece o renome que tem. Claro, o erro foi visitá-la no verão, e por isso tivemos que nos acotovelar com grupos imensos de pessoas e máquinas fotográficas somente para poder passar no Uffizi, sem ter sequer chance de visitar por dentro. Mas Florença é uma cidade bem cuidada e preservada, de importância real na história da humanidade, com locais realmente interessantes para visitar, menos a Ponte Vecchio, que é meio sem graça e bem cheia. De qualquer jeito, essa é uma cidade que eu gostaria de ter mais tempo para explorar e conhecer em momentos mais tranquilos, mesmo sendo a segunda vez que a visitei. Acho realmente que apesar de os preços de museus aqui provavelmente serem absurdos, o que há para ver e aprender na cidade compensaria tal gasto.

Neste ponto nós nos despedimos da Clara e da Pietra, que seguiram sentido Roma de ônibus, enquanto nós fomos sentido Veneza. Seguimos por estradas vicinais, e gastamos um bom tempo cortando um caminho de montanha, através dos Apeninos, por pequenas vilas. Esse talvez tenha sido um dos meus trechos favoritos na Itália, por que pudemos ver locais que não foram feitos para turistas, com as pessoas se reunindo nos bares no final da tarde para conversar e tudo mais. Paramos para pedir informação e comprar comida e fomos recebidos com a típica cortesia grosseira italiana, uma outra vantagem desses locais que ninguém visita. Chegamos bastante tarde ao nosso camping, muito próximo de Veneza, e diferente dos campings de montanha que tínhamos frequentado até ali, pudemos sentir o calor sufocante do verão italiano…

Continuarei a descrição da viagem em um quarto post, começando com Veneza e seguindo até Rocamadour, mas por enquanto gostaria de explicar algumas coisas. Esse post deixa um pouco evidente o quanto eu fiquei insatisfeito com a Itália, e devo dizer que a Ju compartilha a minha sensação. Claro, para quem não viajou muito, ou é bastante influenciado pela propaganda, a Itália pode ser encantadora, visto os diversos filmes, livros e capas de revistas turísticas que se ambientam no local que visitamos (Sob o sol de Toscana; Comer, rezar, amar; Cartas para Julieta; Todos dizem eu te amo et cetera). Mas tanto eu como a Ju somos viajantes experientes e podemos garantir que há coisas muito melhores esperando para serem visitadas, por preços mais acessíveis e menos disputadas também. E para provar isso, no próximo post eu colocarei também uma lista de locais que nós conhecemos e que podem substituir os locais que visitamos na Itália, com a mesma qualidade ou até superior!

 

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Nice (França)

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Nice (França)

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Galleria Giuseppe Garibaldi, Gênova (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Riomaggiore, 5 Terre (Itália)

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Lucca (Itália)

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Lucca (Itália)

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Pisa (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

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Florença/Firenze (Itália)

Roadtrip de Julho – Parte 2 – Parc du Verdon

Chegando em Castellane, nós ficamos em um camping que se afastava cerca de 1km do centro da cidade, chamado Domaine du Verdon. O local, apesar de ser o mais barato que encontramos, contava com uma estrutura excelente. Os banheiros e os chuveiros eram ótimos e limpíssimos, a área de lanchonetes e recepção era agradável, as parcelas de cada grupo eram espaçosas e o camping dispunha de uma variedade de atividades para famílias, como piscinas e mesas de pingue-pongue. O único motivo pelo qual eu poderia reclamar seria que o local era um pouco empoeirado, mas isso decorria da grande quantidade de pessoas no local, e como esse fator também fazia o preço cair (economia de escala), não achei assim tão ruim!

A rotina do camping se repetia toda noite, ao voltarmos dos passeios, com os banhos alternados entre nós e as meninas, e depois um macarrão feito no nosso novo fogareiro. Este, aliás, demonstrou um bom desempenho e nos deixou felizes com a compra. Eu achei ele um pouco grande, mas a Ju garantiu que o tamanho daria mais apoio na hora de cozinhar, e como é ela que mexe com isso, não discuti! Importante ressaltar que nós levamos uma barra de sabão de coco, e com ela nós lavamos a roupa e a louça. Foi muito útil, não só pela funcionalidade, mas isso não ocupou quase nada de espaço! Tirando esses momentos, nossas redes (Valeu Thuram!), auxiliadas por cordas, garantiram locais muito confortáveis para lermos nossos livros nos momentos vagos.

Outro ponto interessante foi o convívio com outros campers e as observações que fizemos decorrentes disso. Usamos um bom tempo para avaliar as possíveis maneiras de acampar em vans adequadas para isso, e também notamos a quantitade absurda de holandeses e alemães que saem para acampar pela Europa, sendo que por outro lado não vimos nenhum ibérico por ali. Conversamos um pouco com o nosso “vizinho” Martin, um alemão que apesar de muito simpático, tinha uma certa dificuldade de puxar conversa. Imagino que o ponto de ele ter tentado isso foi pedir para que seus filhos pudessem passear com o Picot, o que topamos, tendo em vista que depois pediríamos para olhar dentro de sua van (uma Ford Transit modificada!). O Picot ficou um pouco perdido ao sair com os garotos, mas acostumou com a ideia depois. Um francês que também estava próximo viu nossa placa espanhola e puxou assunto em Castelhano, o qual ele falava um pouco, já que sua avó era andaluz. No último dia dele, ele nos deu um saco de ração, pois ele não mais usaria para seu cão. Com isso, o Picot teve comida até o final da viagem sem precisarmos comprar mais.

Tendo dito essas curiosidades sobre o ato de acampar, passemos aos locais que visitamos. Primeiro temos o Lac de Sainte Croix. Esse imenso lago surgiu ali em decorrência da construção de uma represa, alagando o vale. O resultado foi um local que atrai uma quantidade imensa de pessoas que nadam, remam e descansam ali. Suas águas são muito limpas, mesmo com todo esse movimento, já que o seu fundo é de pedras, e não lama ou lodo, pelo menos na maior parte dele. Também há algumas encostas de onde é possível saltar, apesar de isso não ser muito recomendado. O aluguel de barcos e pedalinhos parece ser uma atividade importante por ali, já que é possível subir o ponto por onde o rio chega, e com isso se aventurar por entre as encostas do desfiladeiro. Claro, no verão este lugar fica cheio de turistas, mas ainda assim compensa a visita. Outro lago que visitamos foi o Lac de Castillon. Este lago também é muito bonito, mas não tanto quanto o outro. A vantagem dele é que ele é bem menos frequentado, além de mais amigável para crianças, já que sua profundidade varia de maneira muito mais suave.

Visitamos também a cidade de Entrevaux. Essa cidade era protegida por um fosso natural do rio, somado às muralhas. Esses fatores, somado ao desenho preservado da cidade medieval e uma citadela em cima da encosta fazem dela um bom destino. A cidade é agradável, mas não é nada que compense um grande desvio. Também comemos crepes na cidade, o que apesar de bons, não compensaram o preço pago, duas vezes mais caros do que os do camping, mas certamente não duas vezes melhor (descobrimos o outro crepe só depois…). No quesito cidade, visitamos também a própria Castellane. A cidade é bem pequena e acaba mais servindo como base para turistas mesmo, mas a uma das igrejas da cidade, que fica sobre um imenso bloco de pedra que eu não sei nomear (muito grande e inclinado para uma colina, muito pequeno para uma montanha), apresenta uma vista privilegiada do vale em volta. A subida é cansativa e quase sem fontes (encontramos só uma, quase junto a uma das entradas da trilha), portanto subam preparados!

O ponto alto da viagem toda, na minha opinião pelo menos, é o Gorges du Verdon em si. O rio cava na pedra um imenso desfiladeiro, que pode ser visto de diversos locais diferentes, com destaque para o Point Sublime, que não recebe esse nome a toa. A altura do lugar, somado às matas em volta e a cor esmeralda da água fazem um cenário único. Só é importante tomar muito cuidado com as pedras nesse local, pois elas escorregam demais! Definitivamente, na beira do desfiladeiro isso pode ser uma combinação delicada. Muito próximo do Point Sublime, no sentido Castellane, há uma pequena estrada que desce até muito próximo do rio, e dali é possível seguir uma trilha pela encosta, passando por diversos túneis que foram usados como uma passagem de trilhos. Alguns desses túneis são realmente longos e escuros, então tenham uma lanterna ou um celular bem carregado! O último deles está fechado, pois houve desabamentos e inundações, mas há um caminho que contorna esse túnel. Para quem quer fazer essa trilha toda, ela começa em algum outro local, e por um bom trecho dela segue como “mão única”. Nós nos deparamos eventualmente com esse ponto e tivemos que voltar. Mas esse trecho que não fizemos deve ser feito só por pessoas hábeis e experientes, já que é marcado como alta dificuldade.

Nós aproveitamos o trecho que fizemos mesmo e descemos alguns pequenos caminhos que chegavam ao rio. Havia indicações de proibido nadar, mas muitas companhias de turismo fazem descidas pela água na região, então não nos deixamos convencer pela hipocrisia e entramos na água gelada. Havia muitos pontos onde era possível subir na pedra e pular seguramente na água de alturas em torno de 10 metros. Nadamos bastante por aqui, aproveitando a lipidez da água e a beleza do cenário, enquanto desviávamos de hordas de pessoas com roupa de neoprene sendo levadas pela correnteza. A Clara demonstrou toda sua coragem nesse dia e pulou diversas vezes de todos os pontos que encontramos no caminho. Logo mais, vídeos desses momentos virão!

Comparando esse lugar com o já descrito Congost de Mont Rebei, devo dizer que não é possível escolher um “vencedor” no quesito desfiladeiro. Os dois apresentam características muito diferentes e possuem seus atrativos em separado. O congost de Mont Rebei é surpreendente pelo caminho cavado no meio da pedra e pelo volume de água entre as paredes, resultado da inundação da represa. As pontes por cima do rio são uma diversão extra também, balançando enquanto as pessoas tentam cruzá-la. Já o Gorges du Verdon possui mirantes mais disponíveis e mais mata à vista. Também é mais fácil de nadar ali, não que seja impossível no primeiro, só mais difícil mesmo. Resumindo, visitar um não anularia nem um pouco a beleza e diversão de visitar o outro!

Seguiremos na próxima sexta com a parte da Itália. Acho que em mais um post encerraremos a descrição dessa viagem!

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Lac du Castillon

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Entrevaux

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Vista do Point Sublime

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Passeios nos túneis ao lado do Verdon

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Passeio de pedalinho pelas Gorges a partir do Lac Saint Croix

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Castellane

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(Para mais fotos e para todos os vídeos, muito bons, com paisagens das estradas, pulos e saltos nos rios e lagos e muito mais, entre na fan page do facebook do Blog da Jurema e acompanhe também pelo Instagram Ju Marra).

Road trip de Julho – França e Itália (Parte 1)

Fizemos nossa maior roadtrip até agora no mês passado! A viagem foi realmente longa, mas alguns dos trechos já foram abordados em outros posts, além disso parte da experiência será relatada pela Ju, o que reduz a quantidade de coisas que eu terei para relatar. O que é bom, porque é bastante coisa mesmo!

Com a visita de duas amigas (Olá, Pietra e Clara!) saímos de La Seu no começo do mês, passamos por Ariège (o que já relatamos), fomos parando em algumas cidades até as Gorges du Verdon, onde ficamos mais tempo, e de lá fomos até a toscana, onde as moças seguiram para Roma e nós para Veneza. Cruzamos o norte da Itália de volta para Oeste e atravessamos o meio da França, por Lyon e Brive la Gallairde, onde fizemos um desvio para Sul até chegarmos novamente na Catalunha! Ufa! Os detalhes dessa viagem virão entre esse e os próximos posts, com calma.

Vamos começar com o caminho de Ariège até o Verdon, pois vimos muitas coisas em apenas 1 dia de viagem. No dia anterior a este já tínhamos saído de La Seu e andado um tantinho, mas nada que se comparasse ao que viria pela frente. Tínhamos acampado na cidade de Pamiers, um pouco ao norte de Foix, e saímos de lá ainda antes do sol nascer. A primeira parada foi em Carcassone, para as meninas conhecerem. Já relatamos aqui também. Dali, por falta de tempo, ignoramos outras cidades que gostaríamos de ter parado e fomos direto até Nimes. Lá visitamos o centro da cidade brevemente.

O local surpreendeu positivamente. De uma cidade que eu sabia somente da existência, fiquei surpreso com a quantidade de coisas para se ver. O parque central da cidade, chamado Jardins de la Fontaine, possui um templo de Artemis/Diana muito bem preservado, para os padrões modernos, e aberto à visitação gratuita. É uma Deusa pela qual eu tenho alguma simpatia, então foi uma experiência bem interessante poder adentrar o local e pensar em tudo que já deve ter passado ali, milênios antes! No mesmo parque, subindo uma encosta, é possível encontrar também uma torre romana, essa sendo paga a visita. Não tínhamos tempo nem dinheiro para tal, mas imagino que a vista lá de cima deva ser impressionante. O parque em si também é muito bonito e agradável, com largos poços de água onde há carpas e amplos espaços abertos ou bosqueados. Fomos até uma região próxima do parque, onde pudemos ver um outro templo romano, este em perfeitas condições, chamado Maison Carrée hoje em dia. Também vimos a Arena da cidade de fora, de tamanho impressionante e também de construção romana.

De Nimes seguimos até a Pont du Gard, um local que eu desejava conhecer há muito tempo, e que finalmente tive a oportunidade. O tamanho e o estado de conservação deste aqueduto romano são únicos, tanto que é patrimônio da humanidade. O local também ajuda muito, um rio largo de águas cristalinas. Os moradores da região se juntam neste local para nadar, remar, fazer pique-nique ou simplesmente relaxar. O contraste do uso com o grau de conservação ajuda a entender os motivos pelo qual a França é um país de tão boa qualidade de vida. Eles sabem cuidar do que tem… Também vimos um museu muito bem construído, relatando o processo de construção do aqueduto, demosntrando o sistema do qual ele faz parte, que conta com uma série de outros aquedutos menores, e com detalhes da vida romana e da importância da água na sociedade deles. Imperdível!

Dali seguimos até Avignon, outro local que eu sonhava visitar. E novamente meus sonhos foram correspondidos pela expectativa. Apesar da cidade estar muito cheia, pois era o dia da Bastilha e haveria show de fogos a noite, conseguimos parar em um local mais afastado e caminhar até a cidade velha. Tudo aqui remete aos campos de lavanda da região ou à história da igreja católica e do Cisma do Ocidente, quando a autoridade romana foi desafiada por um segundo papa residindo nesta cidade. De fato, as estruturas eclesiásticas são imensas e muito bem cuidadas. Há um parque em cima da colina da cidade, junto a tais estruturas, que dá uma vista para as regiões em volta, incluindo o rio imenso que forma uma ilha junto ao centro velho. Uma pena que não tivemos oportunidade de explorar mais o local, mas fica a recomendação para quem se interessar por história!

Deste ponto, já cansados, passamos de carro por Gordes, uma cidadezinha pequena e muito bonita, na encosta de uma colina dentro do Parc Régional du Luberon. Legal de ver para quem esteja passando, mas não acho que vale a pena fazer grandes desvios. Dali passamos a nos concentrar na estrada, pois já era tarde e ainda estávamos longe do camping. Conseguimos chegar em Castellane, 162km de distância dali, somente 20 minutos antes do camping fechar! O trecho final de estrada, com as montanhas à noite, foi um razoavelmente cansativo, mas ainda estávamos com energia para a estrada!

Nos próximos posts falarei sobre o que vimos na região do Verdon e depois falaremos sobre a Itália, mas já fica a nota de quanta coisa romana vimos nessa região do sul da França, muitas delas em perfeito estado de conservação.

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Pietra e Clara nas frente da Caverna de Niaux. Elas fizeram a visita por nossa recomendação. para saber mais sobre a caverna, visite os posts sobre Ariège!

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Templo de Diana/Atemis em Nimes.

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Parque em Nimes.

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Torre romana em Nimes.

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Templo em Nimes.

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Catedral em Nimes.

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Arena de Nimes.

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Aqueduto de Pont du Gard.

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Avignon

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Mais fotos e vídeos na fã page do Facebook!

 

Ariège (Parte II)

No segundo dia nosso grupo se viu reduzido, já que o Picot não tinha permissão para entrar em algumas cavernas. Felizmente a moça que nos hospedou era muito amistosa com os cães e ele ficou muito bem cuidado! Seguimos direto para Mas d’Azil, onde uma caverna de proporções absurdas serve também como túnel para acessar a vila! O complexo dessa caverna é usado desde sempre, mas alguns trechos mais isolados só foram explorados nos últimos 150 anos aproximadamente. Então é possível atravessá-la de carro, mas também entrar em uma área de exposição com um berçário de morcegos, crânios de ursos das cavernas e depósitos de ossos de rena caçadas por grupos de humanos que viveram ali uns 12.000 anos atrás!

Nessa caverna eles fizeram também um incrível jogo de luzes junto com o Réquiem de Mozart, dando um tom bem artístico para esse local. A visita certamente vale muito a pena, apesar de ser a mais isolada das cavernas que visitamos. O guia, que havia começado naquele mesmo dia, se esforçou para explicar algumas coisas em castelhano. Ele também parecia bem empolgado com o trabalho de temporada (no verão as visitas bombam!)! Fomos ao museu na vila de Mas d’Azil, mas este local é bem pequeno e com poucos artefatos. Ainda assim, o preço também é incluído na visita a caverna e não custa nada ir dar uma olhada nas miçangas mais antigas que eu já vi! Também tem algumas agulhas de ossos e eu fiquei bastante impressionado em como os humanos pré históricos eram de humanas…

Demos a volta no departamento de Ariège para pegar o tour das 13h30 na Grotte de Niaux, certamente a mais famosa de todas as cavernas. Aqui a visita é toda diferente. As proibições de não encostar em nada são as mesmas, mas a ênfase é consistentemente mais forte. Também possuem um tour por dia em inglês (não mais para não mimar os turistas!) e uma estética de visita que dá a sensação de exploração real, com lanternas para todos os visitantes e disciplina quase militar na hora de caminhar. Tudo isso é justificado pela raridade que se encontra lá dentro: Pinturas rupestres!

Uma abertura artificial foi feita nessa gruta, pois a original é muito estreita e de difícil acesso. Mas depois de um entrada semelhante a de um bunker, a caverna fica toda natural e muito, muito escura. Diferente da primeira que visitamos, essa possuía algumas estalactites, já que na primeira a água não infiltrava e nessa sim. Niaux também faz um corredor relativamente estreito, baixo e longo, quando comparada a Mas d’Azil. Depois de 800m de caminhada, com direito a passagens espremidas por sob pedras desabadas, chegamos em um salão onde se encontram as tais pinturas. São muitos bisões, cavalos e cabras montanhesas, mas curiosamente só isso. Não se sabe porque outros animais não foram representados, ou mesmo humanos, plantas, elementos geográficos ou astronômicos. Também não foram encontrados traços de habitação ou de entrerros lá dentro. Exitem teorias e tal, mas claro que eu e a Ju criamos as nossas, muito boas por sinal!

O que pensamos é que aquela caverna era específica para ritos de passagens, e as pinturas poderiam ser representações totêmicas de força, velocidade e sagacidade daqueles animais que os jovens pretendiam absorver. Exite uma distância de mil anos entre as primeiras e as últimas pinturas, e se eles fizessem isso frequentemente certamente faltaria parede! Discutimos muito sobre a constituição das sociedades antigas, o que fazia sentido naquelas tribos e os resquícios que seguem com a humanidade até hoje. Ou seja, uma conversa do nosso dia-a-dia. Depois disso voltamos para reencontrar o Picot, pois já estávamos com saudades!

No terceiro e último dia fomos de novo na caverna de Lombrives, e dessa vez pegamos ela aberta! Pegamos o primeiro tour e por causa de um trânsito massivo na estrada, fomos os únicos visitantes daquele horário. A guia também estava no primeiro dia e falava um bom castelhano, então pudemos aproveitar muito bem a visita. Para constar, o Picot tinha permissão para entrar nessa caverna e ele parece ter se divertido muito, apesar de ter ficado o tempo todo preso na coleira para não destruir o ambiente.

Essa caverna é a maior da Europa em volume, mas existem outras mais compridas, mesmo considerando os 7km dessa. A quantidade de estalactites, estalagmites e colunas supera as outras duas em peso, com formações imensas e abundantes! A proximidade do vale principal, aliado a entrada imensa da caverna, fez com que o local fosse usado diversas vezes em sua história para atividades bastante humanas, como falsificação moedas ou esconderijo de ladrões. Também houveram reuniões de cátaros, e até hoje algumas pessoas “peregrinam” até ali. No meio do tour, chegamos em um salão absolutamente gigantesco, com uma iluminação indireta muito bem feita que aumenta o esplendor do local e o assombro que sentimos ao entrar ali.

Do outro lado desse salão, escalamos umas escadas e rampas molhadas e saímos em um túnel mais elevado. As formas das pedras variavam muito e deram origem à diversas lendas daquele local. Paramos junto a um lago subterrâneo, pois a partir dali a caverna só é aberta para estudos. Fizemos 1km dos 7km totais, e só isso já me fazia ter um certo medo de que toda a iluminação falhasse. Seria quase impossível voltar por conta própria a entrada…

Essa foi nossa última visita em Ariège, e certamente a região causou boa impressão, apesar do despreparo dos franceses em receber estrangeiros… A região é rica em história de vários períodos distintos e marcantemente bonita pela natureza local. Recomendamos fortemente para aqueles que tenham a chance de dar uma passada!

Para mais sobre o que é um Urso das cavernas e sobre arte rupestre, veja os links.

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Entrada da Grotte du Mas d’Azil

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Mas d’Azil (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Niux

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Niaux (fonte: google images. Não é permitido fazer fotos durante a visita).

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Entrada da Grotte de Lombrives

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obs: com a go pro, sem flash, minhas fotos ficaram horríveis, mas coloco três delas aqui só pra vocês terem uma ideia.

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

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Lombrives (fonte: google images. Aqui era permitido fazer fotos, mas faltou flash e competência)!

Ariège

Ariège – 4, 5, e 6 de julho.

Essa foi uma viagem que, apesar de que já estava planejada há algum tempo, estava parada esperando uma oportunidade. E finalmente a oportunidade veio! Tivemos a boa surpresa de que minha mãe perderia algum dinheiro no Airbnb e por isso nos disse que poderíamos usar dentro de um prazo curto, caso quiséssemos. Veja que a surpresa foi boa para nós, não para minha mãe, claro!

Pegamos nosso pequeno projeto e botamos em prática. Encontramos um lugar mais afastado e mais barato pra ficar, em uma vila entrando pelo parque natural da região (Parc naturel régional des Pyrénées Ariégeoises), e montamos o nosso roteiro. Infelizmente a caminhada que fizemos no dia anterior exigiu muito de nós e não pudemos aproveitar tanto quanto queríamos, mas ainda assim cumprimos todos os pontos importantes da região. Pegamos a estrada que passa por Puigcerdà e de lá seguimos na direção de Foix. A primeira parada foi pouco antes de Tarascon sur Ariège, para a grotte de lombrives. Infelizmente o horário que queríamos tinha sido cancelado e decidimos voltar depois.

Fomos então para o Chateau de Montsegur, sobre o qual já tínhamos lido muito, e estávamos bem empolgados! A subida da montanha onde o castelo se encontra, aliada ao calor, derrubou um pouco a empolgação, mas ainda assim a mistura de história e de uma vista absolutamente magnífica fez tudo valer a pena. Também paramos na vila ao lado para ver o museu sobre o castelo, onde aproveitamos para fazer um lanche.

O castelo foi o último reduto cátaro a cair para a inquisição. Não é um local grande, mas é certamente bem defendido. Ainda assim, os católicos tomaram a cidade em 1244 depois de 9 meses de cerco e levaram à fogueira os habitantes da cidade em uma área conhecida como Campo dos Queimados. Tudo isso para que eles entendessem a mensagem de amor de Jesus… Ver os restos da fortificação, o caminho para chegar até lá e o campo onde ocorreu essa atrocidade foram bastante marcantes, eu fiquei imaginando as cenas de horror que já haviam passado por ali e fiquei bastante feliz que mais de 6 séculos nos separavam, apesar de saber que em muitos lugares coisas de mesmo nível ainda ocorrem…

O museu possui elementos do dia a dia dos habitantes da época, um vídeo muito interessante sobre as construções na época e como eram feitas, um casal de esqueletos com marcas de ferimentos e uma das poucas atendentes da região com um inglês de bom nível. Vale a visita, ainda mais considerando que o preço já está incluso na entrada para o castelo!

Saindo de Montsegur, passamos em Roquefixade, onde há outro castelo, mas a visão da subida nos intimidou, considerando o estado lastimável que já estávamos, e seguimos direto para Foix. Valeu a pena para ver a vila em si, que é um misto de casas cuidadosamente reformadas e ruínas desmoronando. O lugar da vila também vale a visita, junto a um paredão de pedra de tamanho colossal.

Em Foix, demos uma volta pelo centro, que é bastante cosmopolita, contando inclusive com um restaurante brasileiro chamado Beija Flor, cuidado por um soteropolitano muito simpático! Infelizmente não voltamos para provar a comida, por dificuldades com o horário mesmo. Mas o que atrai na cidade é seu castelo, também no topo de uma colina. Este está maravilhosamente preservado e conta com 3 torres cercadas por uma forte muralha. As salas dentro e sob as torres foram convertidas em locais de exposição sobre a história da região. Infelizmente, muito pouco pode ser encontrado em outra língua que não o Francês. Com essa visita terminamos o primeiro dia e seguimos para nossa acomodação.

Link para ler mais sobre a história local e o catarismo!

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Chateau de Montsegur

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Chateau de Foix

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Foix

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Estanys de Certascan e Naorte

Estanys de Certascan e Naorte- 03/07/17

Desde antes de vir para a Catalunha que eu tinha vontade de visitar a região desses lagos, tendo visto eles no google maps e marcando com uma estrelinha, pensando no dia que eu os visitaria. Pois bem, agora nós fomos e podemos contar como foi!

Saímos cedo de La Seu, passamos por cima das montanhas que levam a Sort (esse caminho já está ficando conhecido!) e de lá seguimos o vale na direção norte até a vila de Tavascan. A cidade é minúcula, mas possui alguma estrutura para explorar as altas montanhas que a cercam, como hotéis e jipes. Passamos a cidade e entramos na estrada de terra, mas logo nossas expectativas foram frustradas, pois o caminho que subia até mais próximo dos lagos estava fechado por uma corrente e havia uma placa que dizia que só proprietários podiam passar. Sem querer desanimar, estacionamos o carro e seguimos a pé, afinal uma placa de trânsito só pode legislar sobre a passagem de veículos, mas não de pedestres!

Esse contratempo acrescentou em torno de 3h de caminhada ao nosso dia, em torno de 14km a mais de caminhada e imagino que uns 600m a mais de desnível. Isso sem contar a redução de velocidade que tivemos pelo resto do dia, decorrente da fadiga. Certamente a caminhada ainda assim valeu o dia, mas tivemos muito mais dificuldade para terminar e algumas consequencias, como lesões por impacto e queimaduras de sol.

De qualquer jeito, subimos pela estrada até chegarmos em uma cachoeira, no fundo do vale. Até agora não sei o nome dessa cachoeira! Ali, não encontramos mais o caminho (a estrada seguia para outro lado), mas sabíamos pelo mapa que o lago estava pouco acima de nós. Então perguntamos para 2 funcionários do que parecia uma companhia de energia e que trabalhavam ali se eles sabiam o caminho. Eles nos disseram que teríamos que dar uma volta pela estrada mesmo, um caminho bem longo.

Bom, nós não temos tanto apego assim pelos caminhos oficiais, e decidimos então subir pela encosta, acompanhando a cachoeira! A escalada não foi difícil, mas o terreno, apesar de inclinado, estava bem encharcado, e a Ju pontuou que era o primeiro brejo de encosta que ela via na vida! Eu molhei o pé logo no começo, o que me rendeu uma bolha bem incômoda pelos próximos dias…

Após essa escalada off trail, encontramos o caminho já no topo. Seguimos por ele até o refúgio La Porta del Cel, uma casinha muito arrumadinha quase no lago. Ali, fomos avisados para amarrar o Picot, pois o burro que ali habitava não simpatizava com cães e os atacava. E nós, que inocentemente estávamos preocupados com os ursos que habitam a região, quando o perigo real era o burro!

Logo depois disso, chegamos no que talvez seja o lago mais bonito que já vi na vida. Ele se escondia quase no topo dos Pirineus, a poucos metros da divisa com a França. As montanhas em volta eram imponentes, e a água do lago de um azul escuro surpreendentemente transparente. Podíamos ver a uma profundidade que estimamos ser de 15 metros, mesmo ainda sendo muito próximo da margem, já que o lago afundava muito rápido. A água era extremamente fria, e com isso desistimos de qualquer ideia de tentar nadar.

Não ficamos muito tempo ali, já que o atraso da estrada fechada já tinha nos custado muito, e tínhamos horário para chegar de volta na cidade… Pegamos a trilha que saia desse lago e seguia até o Estany de Naorte, menor e em terreno mais baixo. O caminho foi todo pontuado por pequenos riachos de água transparente, onde matávamos a sede e o Picot se refrescava. Ao chegar no Naorte, paramos um pouco para descansar. Esse lago fica em um local bastante curioso. Logo ao lado dele está um paredão, por onde o ponto em que a água sai dele faz uma cachoeira bem alta. A vista do outro lado do lago faz parecer que ele flutua acima do vale, ameaçando cair a qualquer instante!

Deste ponto, a volta foi pautada por uma descida interminável, onde nenhum de nós três conseguiu completá-la impunemente. O Picot se jogava em qualquer sombra que encontrava, a Ju reclamava de dores em locais variados e eu sentia meu pé rachando no ponto em que ele havia molhado. Mas no final conseguimos chegar sem graves consequências, e o caminho de volta foi também bastante tranquilo. Não fosse as imposições de uma propriedade privada em meio a uma área de preservação (o que me deixou bastante irritado, alguém ser dono de um pedaço de um parque natural) teríamos uma experiência menos sofrida para relatar.

La seu - tavascan

La Seu – Tavscan

Tavascan - Camí

Tavascan até o ponto onde tivemos de deixar o carro

Rota dos estanys

Rota aproximada (mal desenhada no paint) que fizemos a pé. O google não reconhece como trilha possível a pé (talvez por isso tenha sido tão bonita e tão dolorida hehehe)!

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A cachoeira

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O dia em que escalamos o brejo!

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Pequeno lago após a cachoeira e antes do refúgio

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Estany de Certascan

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Estany Naorte

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Walden feelings

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Ultimo estany pequeno, antes de voltarmos pra estrada (esse tem acesso bem próximo para carros, mas apenas os jipes autorizados).

(Mais fotos na fan page do Facebook!)

Val d’Aran

Val d’Aran – 17, 18 e 19 de junho de 2017.

No fim de semana do dia 17 e 18 nós resolvemos ir para o Val d’Aran. Já tínhamos lido muito a respeito e ouvido muitas coisas sobre o lugar, então achamos melhor ir checar nós mesmos. Saímos bem cedo no sábado e pegamos a estrada que liga La Seu a Sort, e de la seguimos até o Port de Bonaigua. Ao passar o fim do vale de Pallars Sobirà já era possível ver a beleza que aguardava no Val d’Aran. A primeira vista de um vale menor é impressionante, e a primeira cidade que cruzamos, Baqueira, era tudo o que eu imaginava que Andorra poderia ser, mas não foi: construções de muito bom gosto, mantendo um estilo montanhês ordenado e limpo, com muitas natureza em volta. Baqueira é uma cidade que recebe muitos investimentos, já que é considerada a sede das melhores pistas de esqui dos Pirineus, mas ainda assim o resto do vale não fica atrás, com muitas outras vilas de charme abundante, como Vielha e Bosost.

Começamos nossas caminhadas com a trilha que leva aos estanys de Colomèrs. Na vila de Salardú, uma estradinha simples segue por alguns quilometros até um balneário. De lá, deixamos o carro e seguimos a pé. Por um bom trecho é possível pegar um taxi que, inclusive, não sai tão caro. Mas estávamos com tempo e energia sobrando, além do Picot, que costuma não ser bem vindo em taxis… O caminho pode ser feito pela estrada mesmo ou por uma trilha, o primeiro é mais fácil, o segundo mais bonito.

Do ponto onde o táxi para, começa uma trilha com uma subida um pouco pesada e de terreno mais difícil, mas ela não dura muito e logo se chega no lago principal. A vista é deslumbrante, envolvendo montanhas nevadas muito próximas, uma água limpíssima do lago represado e das cachoeiras que desaguam nele (sim, no plural!) e um refúgio de caminhantes novo e bem cuidado. Aqui é um bom lugar para descansar um pouco e comer alguma coisa.

A trilha continua, subindo para o outro lado das cristas das montanhas, onde uma sequência de lagos menores aguardam. Todos eles vão se conectando por pequenos riachos, dos quais é possível beber água sem nenhum problema. Perdemos as contas de quantas pequenas cachoeiras vimos nesse processo. A volta passa de novo pelo lago principal e retorna pelo mesmo caminho. Esse foi um dos lugares mais bonitos que eu vi na minha vida…

Fomos ainda no mesmo dia ver Vielha, a capital do vale, e o Salt de Pish. A cidade é toda dedicada a esportes de inverno, ficando bem tranquila no verão, sorte nossa. As placas na cidade estão todas em 5 línguas (Aranês, Catalão, Castelhano, Francês e Inglês). O Salt é uma cachoeira muito bonita e acessível, uma estrada bem simples liga o vale principal a ela. Depois disso, fomos para o camping descansar.

Acho que é importante colocar que a maior parte do Val d’Aran fica do lado norte dos Pirineus, Em contraste com o resto da Catalunha, que fica do lado sul. Há um túnel gigantesco que liga os dois lados e faz com que o vale seja mais acessível. Antes disso, a região era bem mais abandonada pela administração catalã, além de mais pobre, pois o turismo não chegava com tanta força. A população local não se identifica, de maneira geral, como catalã, mas como ocitane, um grupo do sul da França com sua própria língua e tradições, ambas quase morrendo. O Aranês mesmo é uma variação de ocitane que ainda resiste. O turismo dos franceses é importantíssimo ali e é mais fácil cruzar com eles do que com catalães de outros locais.

No dia seguinte, Saímos para o Vale onde está a Cascada de Molières. Para chegar lá, é preciso cruzar o tal túnel gigantesco ao sul de Vielha. Paramos o carro em um refugio de caminhantes chamado Conangles e de lá caminhamos pelo vale, saindo com frequência da trilha e aproveitando para apreciar a vista fora do caminho convencional. Tentamos nadar em uma piscina natural, mas a água estava tão gelada que nem o Picot se arriscou muito… O tamanho das encostas aqui e a força da água que acabou de brotar das pedras impressiona bastante! Descansamos o resto do dia, pois caminhar 2 dias seguidos não é tão simples assim. Aproveitamos um pouco o camping para jogar pingue pongue e nadar na piscina, mais quente que qualquer outra água do Vale!

Saímos na segunda pela manhã e passamos em um parque/zoológico: Aran Park que existe ali. Fiquei impressionado com a qualidade dos recintos, apesar de terem pouca variedade animais. Isso se justifica pelo fato de que se focam na fauna local. OS predadores ficam isolados, obviamente, mas todos os ruminantes de montanha ficam soltos no recinto junto com os turistas, e parecem se importar pouco com a proximidade. Gostei bastante de uma parte no final sobre conscientização, com painéis interativos e fotos incríveis. Acho que vale a visita, eles parecem estar usando o dinheiro da entrada adequadamente.

Passamos logo depois disso em uma cidade francesa chamada Luchon, já que estávamos tão próximos da fronteira. Infelizmente, tudo na cidade estava fechado e não pudemos conhecer tão bem assim. Seguimos dali para Toulouse, nos afastando das montanhas pelo lado norte. Chegamos na cidade e aproveitamos para visitar nosso templo sagrado, a Decathlon. Depois disso fomos para o centro da cidade, estacionamos e fomos dar uma volta.

Toulouse é uma cidade grande e, como qualquer outra pela Europa, tem uma quantidade imensa de pessoas na rua. Também é um pouco suja, decorrente de seu tamanho também. Mas o tamanho do rio Garone na região, somado com um bom uso do espaço em sua margem, cria um local onde o pessoal se reúne e pode desfrutar de uma boa paisagem. Os parques do centro são bonitos, mas nada tão digno de nota, e sua catedral é muito peculiar, sendo construída com um misto de pedras e tijolos. No mais, a cidade é agradável, apesar do calor, e a juventude realmente ocupa as ruas, o que me agrada bastante!

Como o sol está se pondo muito tarde nessa época, ficamos até umas 21h30 na cidade. Quando percebemos, saímos correndo, pois ainda tínhamos uma estrada imensa pela frente. Voltamos pelo caminho que passa por Foix e Puigcerdà, chegando em casa às 1h30 da madrugada! Vale notar que as estradas da França que saem do país por essa região não são grande coisa. Ou são pesadamente pedagiadas, o que encarece muito a viagem e afasta os turistas de lá, ou são de qualidade duvidosa quando comparada as estradas catalãs. Ainda assim, a região merece mais visitas no futuro.

Muito mais fotos e vídeos na Fan Page do Facebook, Blog da JuReMa – Val d’Aran

Mapa La Seu - Vielha - Louchon - Toulouse - Puigcerda

1º dia – La Seu a Vielha (parada nos Colomèrs) / 2º dia – Passeios próximos de Vielha (cascada de Molières) / 3º dia – Bossots (Aran Park), Luchon, Toulouse e de volta a La Seu.

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Colomers

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Cascada de Molières

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Cascadas de Molières

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Vielha

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Luchon

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Toulouse

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Cervo recém-nascido no Aran Park. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimientos-2017/066/0 (Não tiramos fotos no parque a pedido da administração, a informação vem no folheto que acompanha a compra do ingresso. Como os animais ficam soltos, eles pedem para minimizarmos os barulhos desconhecidos, entre eles os de câmeras e flash. No site é possível encontrar imagens belíssimas, no parque há um museu interativo, e a melhor parte é poder observar e vivenciar presencialmente e não através das telas!).

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Os lobos cinzentos foram introduzidos no parque há apenas 5 meses, e em maio procriaram pela 1º vez, um marco para a história do parque que se foca muito em conservação. Essa lindeza aí, lobzeno, é uma fêmea, e a mais nova integrante do local. O Aran Park trabalha também com reintrodução na natureza de espécies ameaçadas a partir da procriação no parque, em parceria com universidades, institutos e fundações. Fonte: http://www.aran-park.es/noticias/Nacimiento-de-un-lobezno/068/0

A prata da casa

Nós geralmente contamos das viagens que fazemos pela Catalunha toda, e algumas vezes até além disso. Mas eu reparei que muito pouco foi dito da região próxima a La Seu. As grandes belezas naturais estão mais afastadas da cidade que a gente escolheu, é verdade, mas algumas pequenas jóias podem ser encontradas por perto, e resolvi dedicar um post para este assunto. Ainda mais com a nossa nova busca por locais adequados para banhos!

Organyà – Para começar a lista, essa cidade que a primeira vista é só uma passagem na estrada. Nela, contudo, estão alguns grupos de paraglider, o que já a torna um destino interessante. Porém, o mais valioso, para nós pelo menos, é um rio que cruza ao sul da cidade. Nele é possível encontrar pelo menos 4 cachoeiras, além de algumas piscinas naturais. O lugar, além de muito bonito, é pouco frequentado, o que torna muito agradável nadar por ali. A água é um pouco fria, mas nada perto do que encontramos em outros locais por aí. Temos ido com frequência, tentando nos refrescar no verão abafado da cidade.

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Tost – Uma vila toda em ruínas, exceto pela igreja, reformada e trancada. Além da diversão de explorar uma cidade abandonada e tomada por plantas, o lugar tem também uma figueira imensa crescendo dentro de uma de suas casas. Eu estou tentando monitorar o crescimento das frutas, que devem amadurecer logo mais, para tentar fazer uma colheita!

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Coll de Nargó – Outro cantinho bom para um banho de rio! A piscina natural daqui é maior e mais conhecida. Dividimos ela com muitos jovens e algumas outras pessoas não tão jovens assim. É bacana para quem quer realmente nadar ou socializar. Tem um poço menor um pouco acima do lago principal que é pequeno, mas muito profundo, e imagino que pode ser perigoso para crianças…

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Camarasa – Já não tão perto assim, mas ainda possível de fazer um bate-e-volta sem cansar muito, está a praia fluvial de Camarasa. Ali, o rio Segre é limpo e volumoso, seguindo com uma forte correnteza perto de uma ponte antiga e desabada. Algumas pessoas se aventuram a pular da ponte, alguns de um trecho mais baixo, onde a pilastra desabou, outros do topo, arriscando ferimentos na perna. Há também uma região onde o rio é mais suave, mas não chegamos a explorar porque havia um pessoal com cães soltos e tentávamos evitar encrenca para o Picot.

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(obs: vídeos disponíveis na fanpage do Facebook, inclusive um muito lindo do Picot pulando que nem um cabrito na praia fluvial de Camarasa).

Road trip 3 (II)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Dali até Pamplona a viagem foi rápida. Chegamos no meio da tarde e rapidamente nos localizamos. A cidade é até que grande, mas muito bem construída, de maneira que fica fácil se orientar por ela. Encontramos o hostel, onde o atendente foi absurdamente simpático. Nos explicou um pouco sobre a cidade e nos deu um mapa, além de me ensinar a falar obrigado em Basco (eskerrik asko)! Não sabia que Navarra também compartilhava a nacionalidade Basca e fiquei encantado com o quanto a língua deles é diferente, em todos os sentidos. Descansamos um pouco e tomamos um banho antes de sair novamente, o calor estava matando a gente!

(Obs da JuReMa: amamos o Hostel Xarma onde nos hospedamos em Pamplona. Além de sermos ultra super bem recebidos, ganhamos mapa, o Picot foi super bem aceito, o Hostel tem uma politica animal friendly! A cozinha pode ser usada sempre, entre 10h30 e 22h30 para preparação individual de alimentos. O café da manhã é incluso no preço e chá e café são gratuitos 24h, você só precisa esquentar sua própria água na chaleira /ou na cafeteira elétrica deles. Os quartos contam com opções coletivas, mais baratas, ou para duas pessoas, casal ou não. Pegamos uma de casal para acomodar o Picot melhor. Os banheiros são coletivos. Tudo muito limpo, charmoso e agradável, além de bem localizado!) 

A cidade de Pamplona (Iruña, em Basco) foi o ponto alto da viagem! A cidade funde o que existe de bom com o que poderia ser ruim mas acabou sendo bom também, e logo me explico. As construções das muralhas, das catedrais e de todo o centro velho se fundem com grupos imensos de jovens, idosos e adultos utilizando o espaço público. O uso da língua Basca e do castelhano se misturam em boa dose e sem presunção, respeitando o turista e o migrante ao mesmo tempo que valoriza o aspecto local. Sem presunção também são os estilos dos jovens, que não parecem se vestir necessariamente com a última moda ou para impressionar. Não é fácil encontrar pessoas super produzidas, mas é comum que cada um respeite seus gostos individuais ou coletivos. O resultado é uma mistura bastante saudável de velhos e novos figurinos que, de maneira geral, parecem feitos para agradar a quem veste, e não os outros. A cidade conta com muitas pichações e cartazes, mas todos em absoluto pedindo por mais liberdades, contra violências de todo tipo e pedindo melhorias no governo federal espanhol (notadamente a instauração de uma república – pra quem não sabe a Espanha é um reinado). As pessoas na rua param para puxar assunto sem mais nem porquê (apesar do Picot ter sido um assunto recorrente) e são agradabilíssimas. Assim, a cidade se enche de vida, de protestos, de história, de barulhos que provam que as pessoas ali tem uma vitalidade que dificilmente pode ser explicada!

Esse comportamento é condizente com a consrução da cidade, uma miríade de muralhas, passadiços, igrejas, fossos e fortes. As vezes é difícil saber pra onde se está indo, mesmo com um mapa, mas isso nunca tem problema, porque certamente o caminho será agradável. Passamos por pessoas bebendo, discutindo política, fazendo atividades circenses ou só passeando com o cachorro. Pasaamos por parques bem cuidados, um fosso transformado em granja para galinhas, patos e marrecos, por muralhas com uma vista surpreendente para o vale em volta.

Dormimos um pouco mais para recuperar nossas forças e saímos em torno das 9h30 de Pamplona. A viagem até Logroño foi tranquila. Lá, conhecemos uma cidade que parece bastante jovem. O centro velho é pequenino, mas muito bem cuidado, e a catedral é dedicada a Santiago, como tudo mais por ali. Me encantei com um parque que fica na beira do rio Ebro (nota: a palavra Ibéria vem desse rio, que os romanos usavam pesadamente) e com a Gran via deles (Juan Carlos I), uma avenida muito larga e com uma parte da calçada coberta pelos prédios, o que faz com que caminhar por ali seja muito agradável em dias ensolarados! Essa avenida me lembrou muito Lisboa, mas como já faz quase 20 anos que visitei Portugal, acho que precisarei voltar para poder ter certeza que a comparação foi boa!

O caminho para Saragoça foi quente, muito quente. Mas pior que isso foi a temperatura em Saragoça em si. Ao chegarmos, vimos o termômetro subir de 33°C para 36°C antes mesmo de parar o carro! O calor nos desaminou muito, e acabamos rodando muito menos do que gostaríamos. Vimos um pouco do centro velho, a praça em frente ao mercado onde há uma estátua de Augustus Cesar e, claro, a Catedral. Na verdade, não tem como não ver a catedral, já que ela toma conta da paisagem na beira do rio, com o seu tamanho e sua imponência. Ao tentarmos atravessar a praça, que é um grande descampado, o Picot começou a saltitar por causa do chão queimando suas patas, e tivemos que correr para a sobra com ele. A Ju até agora não se recuperou dessa cena. Entramos em turnos na catedral para poder cuidar do Picot. O que impressiona lá não é só o tamanho, mas o capricho com cada detalhe. Poucas das catedrais que eu já vi rivalizam com essa.

Ainda em Saragoça vimos um monumento em homenagem à America Latina ( o que me deixou especialmente feliz!) e uma estatuazinha de um cavalo de brinquedo, que deixou o Picot muitíssimo curioso. ele cheirava a estátua, tentando descobrir se era um animal de verdade. Um senhor parou para conversar com nós sobre como ele gostava da estátua e tudo mais, mas a Ju teve que traduzir pra mim, porque eu não entendi uma palavra do que ele disse… Dali fomos até o parque do outro lado do rio onde o carro estava e, antes de pegar a estrada de volta, tomamos um banho nas fontes, todos os três.

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Pamplona (inicio do passeio, recuperados do calor!)

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Catedral de Pamplona

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Centro de Pamplona

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Uma das inúmeras fortificações de Pamplona, hoje uma espécie de granja, com cervídeos, pavões, galinhas, patos, etc. 

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Dentro da Cidadela de Pamplona

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Não lembro o nome da cidadezinha, paramos no caminho só pra ver essa ponte! 

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Águas do Ébro, chegada a Logroño

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Ponte sobre o Ébro

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Logroño

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Igreja de Santiago

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Ponte sobre o Ébro, saindo de Logroño

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Zaragoza

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A (imensa) Catedral de Zaragoza

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Memorial da América Latina 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !

Road trip 3 (I)

Road trip 24 e 25/05 – Huesca, Pamplona, Logroño e Saragoça.

Como não estávamos em condição de caminhar devido à um acidente que eu tive com um vidro, resolvemos fazer uma viagem de carro mesmo, para não ficarmos muito parados. Como já havíamos avançado nas regiões próximas da França e também até Tarragona, o destino mais óbvio desta vez foi seguir para Oeste, conhecendo as províncias vizinhas de Aragão, Navarra e La Rioja.

O planejamento foi meio de surpresa, feito de um dia pro outro, mas acho que nós estamos ficado bons nisso, porque mesmo assim a viagem foi surpreendentemente boa, apesar do calor escaldante que enfrentamos…

Saímos em torno das 5h30 de casa e pegamos a estrada direto para Huesca, passando por Balaguer. Ali vimos algumas construções que merecem ser visitadas em outra hora, como igrejas e ruínas que, pra variar, ficam no topo de colinas.

Chegamos em Huesca ainda cedo e demos uma volta a pé pela cidade. A universidade pareceu bem movimentada, e acaba atraindo muita vida jovem para o centro da cidade. A catedral é imensa e feita de uma pedra marrom, porosa, que parece se desgastar com o tempo. Outras construções na cidade são com o mesmo material, e elas ficam com pedaços da pedra faltando, principalmente na parte mais baixa, onde a água provavelmente pega mais… O prédio da prefeitura é bastante impressionante também, e no geral a cidade me pareceu muito tranquila.

Saímos de Huesca em direção norte, passando por um pequeno vale onde está localizada a cidade de Jaca. É claro que pensamos mil vezes em como fazer o trocadilho de enfiar o pé na Jaca, mas no final resolvemos não provocar muito. Isso porque a cidade possui uma presença militar fortíssima, pela sua posição altamente defensável, pela fronteira que faz com a França e provavelmente também porque é um lugar de natureza incrível e algum general de bom gosto resolveu morar ali.

A cidade tinha uma aura de tranquilidade e vida familiar, com conjuntos habitacionais muito simpáticos e aparentemente baratos (ficamos um tempo olhando a imobiliária, como de costume!), mas a falta de variedade de estilos nos jovens (coisa muito comum na Espanha de maneira geral) somado à presença frequente de policiais me fez achar tudo muito artificial e, de certa forma, assutador. A cidade é em si muito bonita, mas preferimos sair de lá um tanto quanto rápido.

Seguimos a viagem para o oeste, e eventualmente passamos em uma represa muito bem cuidada, onde algumas vans de acampamento estavam estacionadas. Isso alimentou ainda mais nossa vontade de fazer isso também o mais rápido possível. Logo depois encontramos ruínas de uma vila romana, imensa e até que bem preservada. Havia baias para os animais, termas e uma ponte que infelizmente já caiu, mas que fica em um cenário de filme de fantasia, cruzando o final de um desfiladeiro.

(Parte II – Pamplona, Logroño e Saragoça na próxima sexta aqui no blog!)

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Huesca

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Jaca

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Refresco pro Picot na estrada, saindo de Jaca

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Ruínas romanas

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Se vocês repararem bem, ali na ravina, há uma ponte romana quebrada. Aliás, que ravina maravilhosa! 

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Detalhes da ruína romana. Daí seguimos para Pamplona (ponto altíssimo da viagem!) que vocês podem acompanhar semana que vem no blog! 

Lembrando que as demais fotos e os vídeos estão disponíveis na página do Facebook Blog da JuReMa !