Dicas de Road Trip – Pegando a estrada

Sei que o André já está comentando bastante sobre as dicas relativas a viagens de carro nos posts sobre viagem dele, mas considerando a última que fizemos, acho que o tema merece um post próprio focado em dicas práticas sobre o tema.

Desde que tenho carteira faço viagens de carro, sempre fiz o trajeto Brasília-Pirenópolis várias vezes ao ano, e depois, com a mudança pra São Paulo, fiz BSB-SP algumas vezes, além de várias outras mais próximas da capital paulistana, como idas a Paraty, Trindade, Campos do Jordão, Monte Verde, São Francisco Xavier e outras.

Quando viemos morar na Espanha, um dos debates foi: ir para uma cidade maior (como Barcelona) e viver de transporte público, como fazíamos em SP, ou pro interior e ter carro? Essa discussão foi revisitada por muito planejamento financeiro e também pelos nossos objetivos. Como estamos trabalhando pela internet, o local de moradia não era definitivo, e depois de muitas contas na ponta do lápis, percebemos que valia mais a pena, pro nosso perfil, procurar um aluguel baratinho, nas montanhas e ter um carro para os deslocamentos fora da cidade (que dá pra atravessar a pé em 8 min). Isso facilitou muito nosso acesso às trilhas de montanha, e paisagens naturais escondidas, além de nos proporcionar as viagens de carro, que acabam saindo por um custo bem mais baixo que se fizéssemos de trem ou ônibus.

Essa discussão aliás, foi muito bem tratada pela Mari e pelo Plácido do Livre Partida, nesse vídeo aqui sobre Mochilão X Overlander (o termo usado para quem viaja de carro), e eu fortemente recomendo que assistam e pensem na reflexão deles. Nós, assim como eles, preferimos estar em meio a natureza, e aproveitar a viagem de forma menos tradicional, mas longe dos centros urbanos e dos pontos turísticos tradicionais, e conhecendo trilhas e lugares mais distantes e com isso a road trip se torna a opção mais viável.

Outra questão, a respeito da viagem de carro, é que sempre existem duas opções: pegar as rodovias expressas ou vias alternativas. As autopistas são mais bem pavimentadas, com velocidade mais alta (entre 110 e 130 km/h na maior parte das vezes) e também geralmente pedagiadas (na Espanha os pedágios são mais raros e menos caros, na França são comuns e mais caros, mas bem sinalizados com vias alternativas sugeridas, na Itália todas as rodovias são pedagiadas, os pedágios são muito caros e as vias alternativas não são sinalizadas). Um momento que nos assustou muito na Itália, foi que para cruzar os Alpes, de Aosta para Chamonix, passando ao lado do Mont Blanc, o pedágio do túnel, apenas do túnel, é de $45,00 euros!!! Existe a opção de passar pelo Col (como a maioria dos portos de montanha e picos são conhecidos – embora um italiano nos tenha corrigido para Piccolo – e aí é de graça, embora mais lento, por St. Bernard.

As vias alternativas às vezes são muito pequenas e estreitas, e em algumas de montanha não dá pra passar dos 40km/h, mas outras vezes são boas estradas de mão dupla, nas quais é possível chegar entre 80 e 100km/h. Eu confesso que prefiro mil vezes dirigir nas vias alternativas do que nas autopistas! Nas autopistas não consigo ver nada da paisagem por conta da velocidade e a tensão ao volante é bem maior, já que os carros tendem a ir em velocidade bem mais alta e as ultrapassagens não param, e os ombros acabam bem mais cansados de manter um carro pequeno nos eixos a essa velocidade. Além disso têm os pedágios, que variam de $2,00 a $40,00 dependendo do trecho e do país. Na França pegamos dois trechos longos, entre Annecy e Lion por cerca de $19,00 euros e depois um de Lion a Brive la Gaillard, por cerca de $16,00 euros, o que encarece bastante a viagem.

Nas pequenas, além de evitar o pedágio, eu consigo ver melhor a paisagem, encostar o carro para apreciar uma paisagem, e as saídas para pequenas cidades encantadoras, para comer algo ou usar o banheiro se tornam muito mais fáceis e acessíveis. E o estress com a direção diminui muito. O tempo é mais longo, mas caso você não tenha pressa, eu acho que vale a pena.

Passados esses temas do tipo de via e do pedágio, outro tópico é a gasolina. Aqui na Europa é possível comprar uma variedade de carros pequenos à diesel, mas, infelizmente, acabamos comprando nosso Ka a gasolina. O diesel é subsidiado e bem mais barato. O preço de todos, diesel ou gasolina, tende a variar de um posto para outro (convém reparar na marca do posto e traçar um paralelo, pois de um país para outro a marca cara pode ficar barata e vice-versa), e o preço por país. Aqui na Catalunha o preço da gasolina não passa de $1,20/L e às vezes conseguimos por menos $1,10, $1,15, com facilidade. Na França encontramos em torno de $1,30, às vezes $1,40 e na Itália era quase impossível conseguir por menos de $1,50/L, e isso encareceu bastante a road trip por lá. Outro item relevante é a região dentro de cada país. Locais mais ermos e montanhosos, especialmente próximos de estações de ski, ou lugares excessivamente turísticos, que atraem um público mais disposto a gastar, a gasolina tende a ficar mais cara.

Para fazer road trips é essencial ter dinheiro em notas e moedas, o famoso cash, pois muitos dos pedágios e dos postos só aceitam essa forma de pagamento. Muitos até dizem aceitar cartão, mas na hora do vamos ver não é bem assim, a máquina de cartão às vezes está fora do ar, ou o cartão simplesmente não passa, então pra não ficar na mão, tenha em espécie. Os pedágios e os postos costumam aceitar todas as moedas, menos as de 1 e 2 centavos (que pelo peso muito leve não são computadas pelas máquinas) e não dão troco para notas acima de $50,00 euros. De preferencia, tenha moedas de $0,10, $0,20, $0,50, $1,00 e $2,00 e notas de $5,00, $10,00 e $20,00. Assim você estará seguro!

Pros brasileiros acostumados a frentistas, o ato de colocar gasolina pode ser um desafio. Te garanto que colocar a gasolina no tanque é fácil, é só apertar o gatilho da bomba e dar um tranco se ele parar antes de encher. O difícil é pagar! Cada posto é de um jeito: pós-pago, pré-pago, só cartão, só espécie, na bomba, no caixa, varia muito. Estude com calma suas opções antes de tentar por o combustível. Alguns postos dão mais de uma opção, inclusive alguns da Itália tem bombas com frentista e outras self-service, e as com frentista possuem preço mais alto.

Outro detalhe são as cores das placas. Geralmente placas de fundo branco e letras pretas sinalizam pequenas cidades. Placas de fundo azul ou verde com letras brancas indicam as grandes cidades e as autopistas. Mas a sinalização engana. Na Espanha e na França as placas verdes tendem a ser não-pedagiadas e as azuis em geral possuem pedágio, na Itália é o contrário, verdes com pedágio e azuis não. Isso confunde bastante. Também, dependendo do trecho que você pegue da autopista, pode escapar do pedágio. Um bom truque e fazer o mapa no google maps selecionando a alternativa: evitar pedágios. Eu sempre prefiro salvar o mapa offline e tirar umas fotos dele, pois nem sempre na estrada há sinal. Não sei se confunde mais ou se ajuda, mas na Wikipedia é possível achar uma tabela comparativa dos sinais de trânsito europeus em diversos países. No site Auto Europe também é possível encontrar muita informação útil.

Para poder dirigir na União Européia, sendo brasileiro, basta que você tenha uma carteira de motorista brasileira válida, e solicite sua habilitação internacional, que é solicitada junto ao Detran da mesma cidade de origem da sua habilitação, mediante pagamento de taxa, mas sem necessidade de exame ou prova. A validade da habilitação internacional é a mesma da nacional.

Por fim, o tópico estacionamento é relevante! Existem claro, os parkings pagos, com catraca, iguaizinhos os brasileiros, e o preço varia muito de local pra local, dependendo da concorrência. O que confunde mesmo são as vagas de rua, geralmente vagas de baliza, espalhadas pelas cidades. Na maioria das vezes elas são colour-coded: as brancas tendem a ser livres, as verdes e azuis pagas. Mas não é tão simples. Algumas áreas são reservadas para moradores da região que possuem uma permissão especial colada no vidro, outras tem horários restritos para não moradores. Algumas apesar de serem pagas, se tornam gratuitas em alguns dias e horários. Para descobrir só lendo as placas e a máquina de pagamento de cada estacionamento. Geralmente a placa e a máquina estão escritas apenas na língua local e geralmente aceitam apenas moedas de 0,10 a 2,00. Após desvendar os mistérios e conseguir um tíquete pago, coloque-o no painel do carro, visível pelo vidro e dê seu passeio, mas de olho no relógio! O valor é pago por hora, adiantado, e se sua hora acabar podem rebocar seu carro.

Outro detalhe é atentar para as placas temporárias, colocadas sempre que há algum evento especial, como corridas de rua, festas, etc, que podem tornar uma parte da rua interditada para estacionamento por um período específico. Leia com atenção, para não ter o carro rebocado.

Uma boa alternativa, pra quem gosta de andar e tem tempo livre, é procurar o parking de motorhomes das cidades. As cidades europeias, das grandes às pequenas, tendem a ter um parking não pago, fora da cidade, específico para motorhomes e campervans, equipados com tomadas e locais para troca de água desses veículos. Lá é possível estacionar qualquer carro, desde que haja vagas, sem pagar. O único detalhe é que são sempre bem afastados do centro, e se a cidade for grande a caminhada será longa. Sempre existe a opção de pegar um transporte público até o centro nesses casos, o que geralmente sai mais barato do que o estacionamento no centro, além de dar a tranquilidade de passear sem vigiar o relógio.

Farei outro post dessa série, sobre outras dicas práticas para road trips, como alimentação, uso de banheiros, e como lidar com o calor ou frio extremos. Mas por enquanto, o básico para pegar a estrada está aqui! E claro, sempre faça uma direção defensiva!!!! Existem loucos dirigindo por aí em todo canto! Segurança sempre!

 

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