Meu corpo aquieta e minha mente acorda

Conforme dezembro segue e 2013 se esvai meu corpo aquieta e minha mente acorda. Às vezes é como se eu estivesse sonhando por muito tempo e começasse a acordar, mas a verdade é que parece muito mais que estou sonhando um sonho muito real. Acho que finalmente cai na toca do coelho de vez, e no mundo é o País das Maravilhas. E lembrem-se, não só de flores é feito o País das Maravilhas, Alice sempre passa por poucas e boas, e não por acaso tem de vestir armadura, empunhar espada e enfrentar em luta corporal (seus? os?) medos.

Existem coisas que sempre habitaram minha mente, meu corpo, minha essência. Não sei se são memórias, se trago-as de outras vidas, se eram sementes que levaram esses vinte e sete anos germinando. Mas fato é que tenho visto-as brotar. Literalmente, as coisas tem brotado na minha vida. Assim, elas aparecem, e ao vê-las fico pensativa entre o dejá vu, falha na Matrix, sonho acordada, Mundo Mágico de Oz ou País das Maravilhas. Fato é que tenho vivido os dias tão cotidianamente, nada de especial aconteceu, e, ainda assim, volto a me sentir com meus quinze anos quando o Jostein Gaarder me fez sentir pela primeira vez a pulga que sobe o pelo do coelho e se dá conta de que é uma pulga e seu mundo é um coelho, que está saindo de dentro da cartola do mágico, e assim, na companhia de Sophia, volto a me maravilhar com o brilho dos raios de sol na poeira que flutua no ar.

Sempre tive esses momentos surreais, hiper-reais de me maravilhar com mundo só porque ele é. Mas eram momentos breves, brisas que tocam o rosto e passam. E cada vez mais essas brisas estão se juntando, e esse ano me senti no olho de um furacão, uma pena levada nas correntes térmicas, mas ao contrário do que vinha me acontecendo nos últimos anos, esse não foi um furacão de me fazer perder o chão, pelo contrário, ele é apenas a soma das brisas de contemplação maravilhada, que me fez voar, a princípio no que parecia ser sem direção, mas que agora percebo que minha intuição estava certa, e não era sem direção. Esse novo furacão veio para me trazer o chão.

Mudei de computador, de carro, de casa. Mudei a cor do cabelo, mudei minha alimentação. Percebi quantas prioridades estavam invertidas, tenho trabalhado nelas. Ainda não mudei tudo o que quero, preciso e posso. Voltei a confiar em mim mesma. Sempre fui excessivamente segura, até de mais, o que já me gerou problemas dos mais variados, de desilusões a soco na cara. Mas vacilei, senti o peso do mundo nos ombros, a poeira que se esvaiu da minha última guerra. Agora me lembrei, não é nos ombros que se carrega o mundo quando se é feliz, é com as pernas que a gente o abraça. O que pode parecer meio maluquinho para a maioria das pessoas, mas, convenhamos, é muito mais confortável e feliz.

Hoje coleciono receitas saudáveis, faço minhas compras, dirijo meu carro e se quiser até tomo meu pileque, o que não é comum, mas é decisão minha. Não me sinto uma criança chorando baixo pelos cantos, e também não estou mais com aquela pressa de morder o calcanhar do tempo pra ele correr. Aprendi a seguir as ondas, já que tudo que era há um segundo agora já não é mais, e a viver no presente. Apesar de ainda estar na casa dos vinte anos já sou uma pessoa muito cheia de passados, e vivi os últimos anos correndo atrás de um futuro planejado, escolha única, salvação de vida, e, enquanto isso, não vi o presente passar.

Em 2013 eu achei o presente de novo. Já quis mudar o mundo, salvá-lo de si mesmo, perdi as forças. Reencontrei-as para cuidar de mim. Hoje eu me mudo, e me encontro, no dia de hoje, a cada dia. Às vezes divago um pouco, às vezes um muito, mas volto. Fiz muitos amigos novos. Não sei se serão eternos ou passageiros, mas fato é que serão eternos enquanto durem. E serei eternamente grata a passagem de cada pessoa em minha vida. Em 2013 eu senti muita gratidão. Por estar viva, por conquistar às várias coisas que conquistei, por manter muitas das que me são queridas, por aprofundar laços bonitos, por verem se soltar nós que já estavam velhos e desgastados. Em 2013 eu renasci porque aprendi a viver de novo. Voltei a rir sozinha, e dançar e cantar quando estou sozinha em casa, o que agora é sempre que estou em casa, e me sinto como na adolescência de novo. Só que em vez de brigadeiro eu recuperei as sopinhas da vovó.

Em 2013 eu comecei a perder meu medo de escrever. Estranho isso né?! Eu sou tão tagarela que minha mãe dizia, com razão, que dois cotovelos não me bastavam. Mas sempre tive uma vontade enorme de escrever e um medo da duração dessas palavras. Da irreversibilidade da escrita. É como talhar a pedra. Parece tão definitivo. Perdi o medo do definitivo. Nada é definitivo! E se for também, porque não? Será presente em minha vida enquanto for bom. De novo, que seja eterno enquanto dure. O que? O amor? A vida? Não, e sim! Tudo! Que tudo seja eterno enquanto dure. A família, às casas onde moro, morei, morarei, os livros, as pessoas, as comidas, os hobbies, as atividades físicas, a vida.

Tenho metas, muitas. Tenho sonhos até demais, os metafóricos e aqueles enquanto durmo. Tenho planos concretos, e aqueles mais sonhadores. Amo Brasília concreta abstrata, e também amo a vontade de seguir o vento e conhecer o mundo. Parei de excluir e resolvi incluir. Em 2013 aprendi a fazer uma lista de tudo que alcancei e dispenso com gosto a tal lista de metas para o ano que vem. Ano que vem virá, e com ele outros ventos, outros gostos, outras paragens. Feliz 2013, feliz ano velho, feliz ano novo, feliz.

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