Quando eu me casasse: O Dia das mães atrasado

(Texto original do segundo semestre de 2013, que de atrasado passou a ter uma oportunidade perfeita, ao renascer no blog hoje!)

Feliz Dia das Mães!

Não sei se é meu cérebro que está atrasado, ou meu relógio biológico que nunca se adapta bem ao calendário padrão, mas esse texto é um texto de dia das mães beeeeeem atrasado.

Creio que se eu tivesse colocado essas emoções para fora na época do Dia das Mães teria sucumbido em emoção. Nunca é tarde para continuar com minhas reminiscências, entretanto, e aprendi a respeitar minha necessidade de escrevê-las quando, bem, quando é preciso. É algo mais forte do que simplesmente uma vontade, mas não se chega a ser uma necessidade. Consideraria algo como uma ferramenta, um diário público, uma forma de externar e, assim, entender melhor minhas emoções e pensamentos. Na falta de uma penseira, daquelas do Harry Potter, me viro assim.

Tem uma música chamada Mother, da banda Travis, que sempre me emocionou muito. É simples, bonitinha, e diz aquilo que eu gostaria de dizer para minha mãe no momento em que não fosse mais conviver com ela o tempo todo. Achava, por motivos não sei se infantis, lúdicos, ilusórios, ou naturais, que esse momento seria meu casamento. Quando saísse de casa, e deixássemos de morar juntas. Meu plano era traduzir a letra e fazer um cartão homenagem.

Claro, que a vida não funciona como a gente pensa, planeja, sonha, espera, ou sei lá o que. Não que isso fosse um sonho, era só algo em que pensava quando ouvia a música. Sair de casa ao casar também não era meu plano, nem meu sonho. Sempre quis morar sozinha, um sonho que começou por volta dos doze anos de idade, e que ao quinze, depois de passar um tempo nos Estados Unidos, morando nos dorms da NAU, Rapid City, SD, se tornou uma plano, uma meta.

A vida faz curvas, a gente segue a estrada, vê o que está do outro lado da curva às vezes, às vezes não. Tudo muda, e quem consegue se adapta. Até agora eu consegui. Não saí de casa por conta de casamento e não deixei de conviver com minha mãe no dia-a-dia por causa da saída. A vida simplesmente acontece, e, da mesma forma que chorei muito antes de formar porque sabia que meu pai e meu avô não estariam na minha formatura, hoje sei que minha mãe não estará lá quando me casar, nem quando tiver filhos (se é que isso vai acontecer um dia, já não duvido de nada, mas também já não acredito nessa tal ordem natural das coisas).

Entretanto, gostaria de ter traduzido essa letra pra ela. Sempre fui muito apaixonada por letras. Sempre presto atenção às palavras, coisa que muita gente não faz. Pra mim é a união perfeita de duas paixões, a escrita e a música. Sou, assim, uma colecionadora de letras. Não vou traduzir aqui, a tradução era pra ela. Mas compartilho com vocês a letra. Quem sabe algum outro filho não poderá aproveitar a ideia, e fazer uma homenagem a sua mãe algum dia.

O curioso é que ao ouvir a música e ler a letra novamente, percebo agora a mensagem de uma forma completamente diferente. Continua sendo uma despedida, mas agora para mim é, obviamente, uma despedida definitiva. Se eu tivesse conseguido, teria feito essa despedida antes. Essa é pra você mãe!

 

 

Mother are you mad at me
Mother are you scared
That someday you will turn around
And look to find your blue-eyed boy’s not there

But mother don’t you worry
Mother don’t you fret
Cos we’ve been through so much pain and joy and suffering
For me to forget
The times we had together
Times that were so full
But time’s gone by before my eyes
And I realise
Time was often cruel
So mother don’t you worry
Mother don’t you cry
Cos there’ll come a day
When I will take the reins
From your fair hands and wave bye bye
Bye bye

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