Diários do Cena Dias 10 e 11: O Brasil, a Infância e o Fim

Ontem eu ouvi uma peça toda em brasileiro! Ouvi os sons da floresta, me encantei com meu próprio país e lembrei que ele também é das Maravilhas!
Recusa

Hoje eu chorei! Hoje chorei muito. Começou com uma lagrima pequena, ja conhecida, que brota no canto do olho quando falam em dor e descrevem aqueles que a conhecem. Sequei com a ponta dos dedos em movimento que ja é reflexo. Segui pelo mundo Magico do Cena, so que aos pouco ele foi se transformando e sem ter batido os calcanhares três vezes eu estava de novo em casa, so que numa casa que nao existe mais, e nao tinham nem 11 anos ainda. Aos pouco vi com meus olhos, porém revi detrás deles meus primos dormindo juntos, o André fazendo panqueca em cima do banco e grudando massa no teto. Eu, Dani e Carol dentro das roupas da vovó. Lembrei do Canarinho, da ida a Disney, de banho de banheira com amigas e biscoitos e cheddar em spray! Lembrei também de toda a solidão apesar dos amigos irmãos, das brigas na escola, de como aprendi levando um soco que eu era daquelas que nasceram pra dar a cara a tapa.
Lembrei dos meus oito amigos-irmão, dos balões de água na madrugada, dos passeios re bicicleta, das noites sem fim, das gotinhas sexys causadas pelo protetor solar. Lembrei dos meus avós nos ensinado a dançar valsa. Dos excessos de doce nas madrugadas. Da piscina. Dos milhares de jogos. Dos acampamentos no quintal. Da lona das barraca ensaboada enquanto nos jogávamos deslizando no morrinho do jardim.
Dos lanches do vovô! Do Nescau de liquidificador. Dos cachorros quentes na casa da Isa, dos cafés da manha na Flávia. Das mil despedidas do Fábio.
Me lembrei de mim mesma e de um tempo antes da dor! E ao mesmo tempo de como ja havia dor, reclusão, como ja era eu mesma, antes dos 11 anos!
Como estaremos daqui a dez anos? Ja se passaram mais de 10, e essas mesma pessoas foram as que me ajudaram a esvaziar minha casa depois da morte da minha mãe. Alguns moram longe, outros perto. O coração da gente aprende a se expandir, a cobrir o mundo pra que ninguém escape mesmo a distancia!
Dores novas e dores velhas, amizades novas e amizade velhas, primos, amores, irmãos! Hoje eu chorei, por mim e por outros, pelo real e pelo fantástico! E volto pra casa com um sorriso no rosto, lagrimas nos olhos e o coração aquecido! Obrigada Cena Contemporânea! Obrigada Guilherme Reis!!!
Matéria Prima
 

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